As comunidades ribeirinhas do Arquipélago do Marajó, no Pará, registraram um avanço significativo em sua economia local ao contratarem R$ 82,43 milhões em operações de Microcrédito Produtivo Orientado (MPO) durante o ano de 2025. O balanço, que contempla mais de 2 mil contratações distribuídas pelos dezessete municípios da região, utiliza recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO).
Os dados foram detalhados nesta segunda-feira, 23, em Belém, durante a 33ª reunião ordinária do Conselho Deliberativo da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Condel/Sudam).
O encontro teve como foco a prestação de contas das atividades do Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia (PRDA) 2024/2027. O plano consiste em uma estratégia multissetorial que coordena a atuação de 20 ministérios para o cumprimento de 656 metas de intervenção na Amazônia Legal.
No recorte geográfico que abrange o Plano Integrado para o Desenvolvimento Sustentável do Arquipélago do Marajó e do Bailique, no Amapá, os indicadores revelam um crescimento significativo: o montante disponível para financiamento rural saltou de R$ 20 milhões em 2023 para R$ 100 milhões após a formulação dos planos no último ano.
A projeção para 2026 é ainda maior com um orçamento previsto de R$ 120 milhões, valor que também será destinado a outros quatro territórios estratégicos, incluindo terras indígenas em Roraima, Vale do Juruá (AC), Lago de Tucuruí (PA) e Baixo Tocantins/Microrregião de Cametá (PA),
Segundo a diretora de Planejamento e Articulação de Políticas, Jorgiene dos Santos Oliveira, esse incremento consolida o PRDA através da integração orçamentária e da articulação entre diferentes esferas da federação.
“Pela primeira vez, os projetos do PRDA fazem parte do Novo PAC, o que nos dá força para criar novos planos sub-regionais. Diante da experiência exitosa de Marajó e Bailique, já está pronto o Plano Integrado de Desenvolvimento Sustentável dos Territórios Indígenas de Roraima, resultado de um processo de 93 escutas ativas realizadas para que tenhamos entendimento das demandas populacionais no território”, ressaltou.
Paulo Rocha, explicou que as ações no Marajó e no Bailique são estruturadas no fomento à piscicultura, florestas produtivas e bacia leiteira. O plano inclui a implementação de laboratórios de alevinos e fábricas de ração, além de parcerias com o Sebrae para atrair indústrias e frigoríficos.
“Em relação às florestas produtivas, além de alavancar a produção de açaí, queremos levar o cacau, a castanha e o bacuri. Para incentivar a bacia leiteira, traremos incentivos à produção de leite e ao tradicional queijo do Marajó, visando a expansão para o mercado internacional”, elencou.
No encerramento da reunião, o secretário executivo do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) e presidente do Conselho, Valder Ribeiro, apresentou um panorama comparativo dos avanços do microcrédito.
“Para 2026, temos R$ 1,2 bilhão à disposição dos ribeirinhos, extrativistas, pescadores e assentados. É um avanço grande em comparação a 2025, quando alcançamos R$ 445 milhões em mais de 7 mil contratos assinados”, afirmou
O secretário também relembrou marcos da gestão, como o investimento de R$ 1,7 bilhão no Linhão Manaus-Boa Vista para integrar Roraima ao Sistema Interligado Nacional (SIN) e a aprovação de uma resolução que destina 1,5% dos recursos de reinvestimento do Fundo de Desenvolvimento da Amazônia (FDA) para pesquisa e inovação tecnológica em instituições da região.


