Como proteger o açaí da biopirataria e valorizar sua cadeia produtiva? Após ser reconhecido oficialmente como fruto nacional brasileiro, ganham força as articulações para aumentar sua competitividade dentro e fora do País.
No estado, a principal medida passa pelas Mesas Executivas do Açaí, que reúnem empresas beneficiadoras, especialistas e instituições para investigar desafios estruturais e construir soluções para ampliar a inserção do açaí no mercado, assim como sua importância ambiental e cultural.
O secretário de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará, Raul Protázio, comenta que o reconhecimento nacional aumenta a necessidade de fortalecer a governança da cadeia produtiva.
“O açaí é um dos principais símbolos da bioeconomia do Pará e tem enorme relevância econômica, social e cultural para o Estado. As mesas executivas criam um espaço estratégico de diálogo entre governo, empresas e instituições parceiras para identificar desafios e construir soluções que ampliem a competitividade do produto nos mercados nacional e internacional”, afirmou.
O que são as Mesas Executivas?
Criada em 2025, a Mesa Executiva do Açaí funciona como um mecanismo de articulação público-privada voltado à identificação de gargalos estratégicos e ao encaminhamento de soluções técnicas e institucionais para o setor.
O modelo reúne representantes da chamada vanguarda produtiva da cadeia, além de instituições parceiras como o Centro de Empreendedorismo da Amazônia (CEA) e o projeto Amazônia 2030.
A consultora das Mesas Executivas do CEA, Amanda Martins, conta que o espaço permite construir consensos entre diferentes atores da cadeia produtiva.
“A Mesa Executiva permite um diálogo democrático entre instituições, mediando possíveis conflitos de interesse e criando pontes entre os diferentes atores do setor. Essa articulação facilita a identificação de desafios comuns e a construção de soluções coletivas para fortalecer o açaí no mercado”, cita.
Entre maio e dezembro de 2025, durante o primeiro ciclo de trabalho da iniciativa, foram formadas frentes temáticas voltadas a questões consideradas prioritárias.
Entre os principais temas debatidos estão: certificação fitossanitária para exportação; criação de códigos específicos para o produto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM); estratégias de promoção internacional do açaí; levantamento de dados mais precisos sobre produção e processamento da fruta.
Já a secretária adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, comenta que o espaço contribui para avançar o avanço em soluções estruturais.
“A Mesa Executiva cria um ambiente de diálogo qualificado entre o setor produtivo e o poder público. A partir desse espaço conseguimos mapear gargalos técnicos, regulatórios e logísticos e avançar em propostas concretas que contribuam para fortalecer toda a cadeia do açaí”, afirma.
Mais conhecimento, mais oportunidades
Um dos tópicos abordados nas reuniões é a criação de códigos próprios para o açaí na Nomenclatura Comum do Mercosul.
Atualmente, a ausência dessa classificação especial dificulta a consolidação de estatísticas confiáveis sobre exportações, além de limitar a formulação de políticas comerciais voltadas ao setor.
Camille pontua que estruturar as informações sobre o setor é fundamental para orientar políticas públicas e fortalecer a bioeconomia amazônica.
“Quando conseguimos organizar melhor os dados sobre a cadeia produtiva, criamos condições para planejar políticas públicas mais eficazes e ampliar o valor agregado dos produtos da sociobiodiversidade”, explicou.
Amanda disse ainda que o fortalecimento da base de informações contribui para melhorar a reputação do produto nos mercados internacionais.
“O avanço em temas sanitários e regulatórios, como padrões de qualidade e certificações, impacta diretamente a confiança dos mercados e abre novas oportunidades para o açaí brasileiro”, enfatiza.
Sustentabilidade de ponta a ponta
A promoção internacional do açaí também faz parte da agenda estratégica da iniciativa. A principal aposta é construir uma narrativa conjunta que destaque a origem amazônica, o papel do açaí na sustentabilidade, destacando o papel das comunidades extrativistas na produção do fruto e no manejo dos seus resíduos, que viram opções sustentáveis para papelaria, construção civil e outros segmentos.
Para Raul, a ideia da valorização inclui explorar todo o potencial da sustentabildade como principio para governança para fortalecimento da bioeconomia amazônica.
“O objetivo é fortalecer atividades que geram renda, valorizam a floresta em pé e ampliam as oportunidades de desenvolvimento sustentável no Pará”, afirmou.
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