O setor cacaueiro brasileiro desembarca em Amsterdã nos dias 17 e 18 de fevereiro para o Partnership Meeting 2026, o principal fórum global da cadeia produtiva. Na bagagem, entidades nacionais levam um argumento técnico robusto: a viabilidade financeira do cultivo de cacau em Sistemas Agroflorestais (SAFs).
O estudo, intitulado “Viabilidade econômica de Sistemas Agroflorestais com Cacau – Modelagens na Amazônia (Pará) e na Mata Atlântica (Bahia)”, é fruto de uma parceria entre o Instituto Arapyaú e o CocoaAction Brasil. De acordo com reportagem do Globo Rural, a pesquisa atualiza dados de 2021 para refletir o novo cenário de volatilidade de preços e as exigências do Regulamento Europeu para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).
A análise detalhou 11 modelos produtivos — sete na Bahia e quatro no Pará — onde o cacau divide espaço com culturas como banana, mandioca, cupuaçu, açaí, dendê e coco, além de madeiras nobres como mogno, jatobá, andiroba e ipê.
- Indicadores: O estudo aponta Taxa Interna de Retorno (TIR) superior à taxa de desconto e Valor Presente Líquido (VPL) positivo.
- Resiliência: A diversificação de espécies ajuda a estabilizar o caixa do produtor, mitigando riscos climáticos e flutuações de mercado.
“O estudo amplia a previsibilidade econômica e oferece subsídios concretos para que instituições financeiras e gestores públicos desenvolvam políticas mais adequadas ao setor”, afirma Vinicius Ahmar, diretor de programas do Instituto Arapyaú.
Desafios e alinhamento global
Apesar do otimismo, o documento faz um alerta para gargalos que impedem a expansão em larga escala do modelo:
- Crédito: Escassez de linhas de financiamento específicas.
- Insumos: Oferta limitada de mudas de qualidade.
- Técnica: Baixa cobertura de assistência especializada no campo.
A articulação apresentada em Amsterdã reforça o papel do Brasil como fornecedor estratégico de “cacau ético”, alinhado às agendas de biodiversidade, rastreabilidade e comércio justo.
Cooperação multissetorial
A força do documento reside na colaboração técnica. Entre os parceiros que forneceram dados e expertise estão gigantes do setor como Mondelez International e Natura, além de órgãos de pesquisa como a Ceplac e a Uesc, e ONGs como TNC Brasil e WRI Brasil.


