Um estudo publicado no mês passado mostra que as chuvas produzidas pela Amazônia rendem US$ 20 bilhões (R$ 103 bilhões) por ano. Agora, outra pesquisa quantifica o custo para o setor elétrico brasileiro do desmatamento da maior floresta tropical do mundo. Um valor que dói no bolso da população na hora de pagar a conta de luz e que poderia ser evitado.
Nas últimas quatro décadas, se o Brasil tivesse evitado o desmate amazônico, teria poupado o consumidor brasileiro teria economizado até US$ 1,1 bilhão (R$ 5,7 bilhões) anuais. O desmate reduz as chuvas que abastecem hidrelétricas estratégicas e dispara o despacho de termelétricas movidas a combustíveis fósseis, com energia mais cara e poluente
É o que mostra o estudo “Energia das Florestas: os custos sociais do desmatamento para o setor energético brasileiro”, da Rede de Pesquisa em Produtividade & Sustentabilidade (Rede PP&S). Formada em 2025, a rede tem 14 pesquisadores associados de várias instituições – FEA/USP, FGV/SP, FGV/Rio, PUC-Rio e Insper – que buscam entender como a proteção ambiental pode impactar a produtividade e vice-versa.
Segundo a pesquisa, obtida pelo Valor, as áreas da Amazônia contribuem igualmente para a segurança energética. Territórios Indígenas localizados no arco do desmatamento – a área mais desmatada que vai do leste a oeste, formando um arco pelo sul da região – desempenham papel fundamental na proteção dos serviços hidrológicos. Somente as florestas do Parque Indígena do Xingu valem cerca de US$ 5 bilhões em energia hidrelétrica.
“Quem mais perde com o desmatamento da Amazônia é o consumidor”, destaca Rafael Araujo, professor-assistente de Economia na Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP) e um dos autores do levantamento. “O custo do desmatamento para o setor de energia tem que estar no debate público. Reflorestar não tem a ver só com emissões ou captura de carbono. Tem uma relação direta com o setor de energia”, completa.
Com a população alheia a esses prejuízos, a devastação da floresta continua. É fato que o desmatamento registrou o menor índice dos últimos sete anos no semestre encerrado em janeiro de 2026, segundo o IMAZON. Mas o desmate continua preocupante, principalmente no Pará.
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