Qual é o tempo mínimo para conhecer Belém? O escritor e ativista socioambiental João Meirelles, que vive na capital paraense há 20 anos, responde essa pergunta clássica dos viajantes no livro Guia-me Belém – Uma visita à Metrópole da Amazônia, lançado nesta semana. O grande diferencial da obra é que, além de aspectos turísticos, ele também reúne as próprias memórias e vivências nas trilhas ambientais, culturais e afetivas da capital paraense.
“Belém merece pelo menos três dias e, idealmente, ao menos cinco. Se adicionadas viagens ao entorno, particularmente o turismo rural em Barcarena e no Marajó, e ao litoral – ao Salgado e à Zona Bragantina –, o destino Belém e arredores representará de uma semana a dez dias de puro gáudio, sem repetir os tipos de atrativos”, disse a O Liberal.
O autor convida seus leitores a conhecer a cidade além do roteiro turístico, para captar a alma real da capital paraense. Na obra, Belém surge no livro como um território vivo, onde natureza, cultura e cotidiano se entrelaçam, somados às memórias de viajantes e moradores da cidade. O resultado é um mosaico que estimula o leitor a observar a cidade com mais atenção e sensibilidade, descobrindo sentidos que vão além do óbvio.
João explica que a ideia de criar a obra veio da própria relação com a cidade de Belém, somada a um profundo agradecimento pela acolhida pessoal e profissional.
“É uma forma de agradecimento à acolhida dos belenenses, por me receberem tão bem e à minha família. Daí, repeti a intenção de tornar os lugares de que gosto em guias”, diz o escritor, que também foi o autor do primeiro guia de ecoturismo do Brasil em 1992.
Paulista radicado na Amazônia
Nascido em São Paulo na década de 60, João conta que sempre trabalhou falando sobre a Amazônia, mas, em um momento da vida, percebeu que a distância física do seu objeto de trabalho ‘não fazia sentido’.
“Busquei uma cidade que me acolhesse e acolhesse também à organização que dirijo, o Instituto Peabiru (organização da sociedade civil com atuação na agenda de direitos da Amazônia), e Belém ganhou e, ganha, em todos os quesitos!”, declara.
Para ele, autor de outras 18 obras, Belém reúne atributos raros: uma cidade que flutua entre rios, saberes tradicionais, manifestações culturais e uma intensa vida urbana. Ao longo das páginas da obra, o leitor é conduzido por espaços emblemáticos que ajudam a contar a história dos 410 anos de Belém.
Igrejas, praças, mercados, monumentos e ruas revelam episódios marcantes como a Cabanagem e o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, além de símbolos fundadores como o Forte do Presépio. Museus, espaços artísticos e até a nomenclatura das ruas funcionam como chaves para entender a identidade local.
O autor destaca o Mercado do Ver-o-Peso e o Parque Zoobotânico do Museu Goeldi como lugares únicos no mundo pela coexistência entre cultura, biodiversidade e modos de vida tradicionais como forma de resistência ao cotidiano. Para ele, esses territórios expressam a relação profunda entre a cidade e a Amazônia, eixo central da proposta do livro.
“Belém tem tantos atrativos como raramente há no Brasil, seja de ordem cultural, arquitetônica e paisagística seja na questão de seu dia a dia econômico. Uma cidade que flutua como Belém entre o Guamá e o Pará é algo único!”, reforça.
Publicado pelo selo Cultura Acadêmica, da Fundação Editora da Unesp, o livro pode ser encontrado em livrarias de Belém e no site da editora Unesp.


