Em sua décima segunda carta oficial, publicada nesta terça-feira, 27, o embaixador André Aranha Corrêa do Lago, presidente da COP30, traçou um balanço histórico e ambicioso da conferência realizada na capital paraense. O documento consolida a COP30 como a “COP da Verdade”, marcando o fim de três décadas de discussões teóricas e o nascimento de uma governança climática focada em resultados práticos, o chamado Mutirão Global.
Apesar do entusiasmo com a participação popular — que incluiu a Aldeia Indígena, a Cúpula dos Povos e a Marcha Global pelo Clima — a carta é marcada por uma admissão honesta: a COP30 ficou aquém do que a ciência e as comunidades afetadas esperavam. De acordo com o embaixador o fato evidencia uma desconexão entre o tempo lento das negociações e a urgência da física do clima, especialmente após os dados do Serviço Copernicus confirmarem que a média trienal de 2023-2025 já ultrapassou o limite de 1,5°C.
Essa pressão exige, segundo a presidência, que o multilateralismo mude de marcha e passe a operar em duas velocidades: uma baseada no consenso para diretrizes jurídicas e outra focada na implementação rápida por meio de coalizões voluntárias, como o novo Acelerador Global de Implementação.
No campo das decisões formais, cita a carta, a COP30 adotou 56 resoluções, incluindo o avanço do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), que atingiu US$ 6,6 bilhões, e a entrega de novas metas nacionais (NDCs) por 120 países.
Corrêa do Lago cita a provocação brasileira sobre a dependência de combustíveis fósseis e afirma que, embora o multilateralismo ainda não tenha acolhido formalmente o fim dessas fontes, assume a tarefa de desenvolver roteiros para uma transição justa e ordenada.
O presidente da COP30 enfatiza que o planejamento não é uma escolha moral, mas um imperativo para a estabilidade econômica global, evitando o colapso abrupto de ativos.
Para o embaixador brasileiro, o sentimento de insuficiência deve servir como motor para uma mudança sistêmica irreversível. De acordo com ele, o descompasso revelado em Belém mostra que o regime climático atual esgotou seu potencial em sua forma antiga, exigindo que o mundo escolha entre o planejamento coordenado ou o risco de rupturas sociais profundas.
Ao olhar para o futuro e para a COP31, o embaixador reforça o compromisso com o roteiro de US$ 1,3 trilhão em financiamento climático e apoia a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU para tornar a cooperação internacional mais ágil.


