Na zona rural de Augusto Corrêa, as margens do Rio Caeté, a rotina da família Cunha começa ainda cedo na Fazenda Terra Milagrosa, propriedade que se tornou símbolo de trabalho conjunto e crescimento coletivo na comunidade Jandiá dos Cunha.
Nesta semana, o produtor rural José Paulo Cunha, de 41 anos, recebeu um novo trator para dar continuidade ao legado que começou com o pai, José Alfredo Cunha, hoje com 69 anos. Ainda criança, José via o pai buscar orientação técnica para melhorar a produção. Décadas depois, ele próprio segue investindo, modernizando e ampliando as atividades da família.
A chegada do trator foi possível graças a um recurso de R$ 200 mil, fruto da linha Mais Alimentos, do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). O projeto de crédito rural foi elaborado com apoio do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater Pará).
Segundo técnicos envolvidos no acompanhamento, a introdução de tecnologias na propriedade tem resultado em aumento de produtividade, redução de custos e fortalecimento da economia local. Já para José Paulo, os equipamentos são a garantia de uma nova fase do legado familiar, ensinado há três gerações.
Nova fase
A Fazenda Terra Milagrosa possui 15 hectares dedicados à mandioca e um rebanho com 70 cabeças de gado. Na prática, o novo trator representa uma nova fase no legado familiar já que, somado a outros equipamentos como plantadeira, pulverizador, grade e distribuidor de calcário, aumentam a produtividade da propriedade e trazem mais alívio ao dia a dia da família.
“O que um trator faz em um dia eu levaria meses, até anos, para fazer manualmente. A modernização transforma nossa realidade”, afirma.
A comunidade de Jandiá dos Cunha reúne 17 famílias com laços diretos e indiretos de parentesco da família. Ao longo das décadas, as famílias dividem responsabilidades e celebram vitórias como os novos equipamentos, que serão usados por todos.
José Paulo explica que além do empréstimo de maquinário, a comunidade também ajuda a arrendar parte da produção para outros agricultores da região. Segundo ele, crescer sozinho não faz sentido.
“Sempre tive a preocupação de ajudar quem está comigo. Não é só renda extra. É dar oportunidade para que todos cresçam juntos. A gente precisa contribuir e retribuir para a comunidade”, destaca.
O trabalho diário é feito em conjunto com a esposa, Lucimara Costa, de 42 anos, e as filhas Beatriz, de 16, e Paula Camile, de 19. A participação das jovens reforça a sucessão familiar e mantém viva a tradição iniciada pelo avô. Na propriedade, cada um tem sua função, e as decisões são tomadas em conjunto.
“Todo mundo tem que dar as mãos. Quando é para ir, a gente vai junto”, resume o produtor.


