Áreas manejadas com Sistemas Agroflorestais (SAFs) podem alcançar níveis de carbono próximos aos encontrados em florestas naturais. A constatação é de um estudo desenvolvido pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), que analisou os impactos desse modelo produtivo na qualidade do solo e sua capacidade de regeneração em áreas degradadas.
A pesquisa apresentada no Programa de Pós-Graduação em Ciências Ambientais da UEPA destaca o papel dos SAFs na manutenção da fertilidade e da saúde do solo em regiões sujeitas à intervenção humana. O sistema combina espécies agrícolas e florestais, promovendo equilíbrio ambiental aliado à produção econômica.
Para avaliar esses efeitos, o estudo utilizou indicadores como temperatura do solo, níveis de carbono e nitrogênio, além de parâmetros físicos, químicos e biológicos. O objetivo foi compreender como diferentes práticas agrícolas influenciam a recuperação do solo ao longo do tempo.
A pesquisadora Bruna Neves de Sousa analisou cinco áreas no município de Tomé-Açu, no nordeste paraense. Quatro delas utilizam sistemas agroflorestais com diferentes tempos de implantação que variam entre 10, 15, 20 e 25 anos, além de uma área de floresta secundária, com cerca de 30 anos, adotada como referência natural. As amostras de solo foram coletadas em três profundidades entre 0 e 30 centímetros.
Entre as variáveis analisadas estavam o carbono e o nitrogênio microbianos, o carbono orgânico total, a relação carbono/nitrogênio e a temperatura do solo. Os resultados mostraram que a floresta secundária apresentou os maiores teores de carbono e nitrogênio microbiano, especialmente nas camadas mais profundas, indicando intensa atividade biológica e maior disponibilidade de nutrientes.
Já em áreas com os sistemas agroflorestais mais antigos (entre 20 e 25 anos) apresentaram níveis de carbono orgânico e outros indicadores muito próximos aos da floresta, evidenciando que os SAFs, quando bem estabelecidos, conseguem recuperar gradualmente a qualidade do solo.

Outro dado relevante foi a menor temperatura registrada na superfície do solo sob sistemas agroflorestais. Segundo o estudo, esse fator está associado à maior cobertura vegetal e à presença de resíduos orgânicos, que ajudam a conservar a umidade e favorecem a saúde do solo.
Na prática, o levantamento reforça que os sistemas agroflorestais são uma alternativa eficaz para a recuperação ambiental, com melhorias perceptíveis a partir de cinco anos de implantação. Além dos ganhos ecológicos, os SAFs também se mostram economicamente viáveis ao integrar a produção de alimentos com a conservação dos recursos naturais, enfatizando a longevidade da agricultura sustentável.


