Em Tracuateua, nordeste paraense, um sítio que produz aproximadamente 150 quilos de farinha d’água por mês é um dos beneficiários do Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA), que incentiva boas práticas agrícolas em benefício da sociedade.
O agricultor João Rosa, de 63 anos, conta que metade da sua propriedade de cinco hectares é formada por floresta preservada. O restante, diz, é dedicado ao cultivo da mandioca, que além da farinha, dá origem ao tucupi, fécula de mandioca, polvilho, entre outros.
“A gente planta daqui e a floresta fica quieta lá. A gente sabe da importância da mata. Quando o bolso aperta ou algo sai do esperado, a primeira coisa que vem na cabeça é aumentar a plantação, mas com o pagamento a gente investe mais e deixa a floresta lá. Então o arranjo compensa”, resume.
João vive com a esposa, dois filhos e dois enteados. A renda da família até então era garantida exclusivamente pela produção agrícola, mas agora eles combinam o uso da terra com a conservação ambiental.
Além da família do agricultor, outras 26 famílias de comunidades rurais do município são beneficiárias do PSA e recebem parcelas estimadas em R$ 1.500. No entanto, para entrar no programa é necessário que a propriedade não tenha pendências, assim como os proprietários precisam ter interesse em validar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e o Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF).
“Cada família faz de um jeito né? Mas aqui o dinheiro ajuda a ter uma segurança a mais. Quando chove demais ou dá um calorão que a gente não imaginava, a plantação pode render menos que o esperado, aí a gente produz menos, vende menos. Esse dinheiro extra ajuda a pensar melhor no que fazer nessas horas e organizar melhor a cabeça também pra produzir melhor e trazendo a mata pra ajudar também”, conta.
As propriedades que fazem parte do programa têm entre 3 e 50 hectares. Além disso, boa parte delas é dedicada ao cultivo e beneficiamento de açaí, mandioca e grãos para uso na alimentação. No geral, a proposta busca fortalecer a agricultura familiar ao mesmo tempo em que incentiva a preservação ambiental.
“Esse caminho (do Pagamento por Serviços Ambientais) é bom, porque nosso emprego é todo dia na lida. A gente dorme e levanta acompanhando tudo, de olho na terra, na água, na chuva. Pra gente que vive da terra é difícil deixar só a floresta aí, mas conversando eu também já entendi que deixar tudo só na roça não é bom, vai piorar o calorão e fazer a gente produzir muito menos”, comenta.
João conta ainda que o diálogo é importante para que a iniciativa alcance mais agricultores. Para ele, uma linguagem simples e direta ajuda a aumentar o interesse no tema e dá oportunidade para que os próprios beneficiários atuem como multiplicadores, levando a mensagem da importância da atividade agrícola associada à proteção ao meio ambiente ainda mais longe.
“Tem que ver que alguns de nós trabalham na terra desde que se entende por gente, então muito do que a gente sabe veio do pai, mãe, avô, avó. Por isso, chegar falando que precisa mudar parece desrespeito e a gente levanta a guarda mesmo. Mas quando essa conversa não despreza o que a gente já sabe e colabora pra fazer algo anda melhor é diferente, a gente fala com os compadres, as comadres e o pessoal vai ficando interessado”, explica.
Como aderir ao programa
Para mais informações sobre como participar do PSA na sua região, basta procurar o escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) mais próximo de você. Caso não saiba onde procurar, basta consultar esta lista, que contem endereços e telefones dos escritórios regionais e locais em todo o Pará.


