O açaí é o principal produto da sociobioeconomia da Amazônia Legal e o Pará ocupa o centro desse cenário. Dados do relatório “Mapeamento da Sociobioeconomia: bases para políticas de inclusão energética na Amazônia Legal”, do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), revelam que a região concentra 75% de toda a produção extrativista vegetal do Brasil.
Na prática, são cerca de 450 mil toneladas por ano extraídas na Amazônia Legal, A maior parte vem do Pará, que junto aos estados do Amazonas e Maranhão concentram os principais núcleos produtivos da sociobioeconomia regional. Neste cenário, o Pará possui o maior número de estabelecimentos extrativistas e lidera tanto em volume quanto em concentração territorial da produção.
Entretanto, o Pará também é líder em estabelecimentos extrativistas sem acesso à energia elétrica: mais de 63 mil. Como 7 dos 10 municípios com maior produção do Brasil são ribeirinhos, a dificuldade ao acesso à energia elétrica aumenta a dependência da logística fluvial e impacta no desperdício do produto, tornando o transporte para localidades mais distantes custoso e arriscado.
No panorama regional, essa dificuldade gera um modelo de produção ineficiente, onde as frutas têm de ser vendidas in natura por falta de máquinas para extração de sua polpa. Com falta de margem de manobra, os produtores acabam vulneráveis aos atravessadores, que diminuem a margem de lucro de quem produz.
O relatório alerta que a falta de infraestrutura ameaça a competitividade de uma cadeia que já é estratégica e sustenta milhares de famílias de pequenos produtores, destacando a necessidade de políticas públicas integradas.
O acesso a energia elétrica é condição básica para ampliar a escala produtiva e reduzir desigualdades regionais. Desta forma, o principal desafio do Pará e dos estados da Amazônia é aumentar o desenvolvimento dessas comunidades para fortalecer a produção extrativista e quem move essa cadeia.
Para Vinícius Oliveira da Silva, um dos coordenadores da iniciativa, o objetivo do relatório é não apenas disponibilizar informações, mas contribuir para a eficiência das políticas públicas de universalização do acesso à energia.
“A grande fronteira do acesso à energia está na Amazônia, mas historicamente existe uma deficiência do Estado em saber onde estão, quem são e o que produzem essas pessoas hoje excluídas. Nosso trabalho busca suprir esta lacuna”, disse.
Ele reforça ainda que as distâncias e a diversidade do contexto amazônico exigem soluções adaptadas às diferentes realidades.
“Não basta a política existir. Ela precisa ser baseada em dados reais do território e executada com respeito às particularidades culturais e locais para que realmente promova o desenvolvimento e a qualidade de vida dos povos e comunidades que vivem e mantêm a floresta em pé”.
Os dados do relatório agora estão disponíveis para consulta na internet, por meio da Plataforma Mapeamento da Sociobioeconomia, site interativo.


