Resumo
- O Pará encerrou outubro com mais de 12 mil focos de calor, registrando o pior número em 29 anos de monitoramento do Inpe.
- O fogo causa prejuízos à agricultura familiar, pecuária, saúde pública, áreas de preservação, patrimônios históricos e territórios indígenas.
- Em Monte Alegre, com 26 focos ativos, as equipes concentraram esforços na proteção de casas após três residências serem queimadas; o fogo destruiu pastagens, matou animais e ameaça sítios arqueológicos milenares.
- A Prefeitura de Aveiro decretou situação de emergência após o fogo destruir lavouras e secar poços e igarapés, solicitando ajuda humanitária aos governos estadual e federal.
- Em Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó, bombeiros civis e militares atuaram no combate a incêndios de grandes proporções em áreas de mata.
- Em Alter do Chão (Santarém), um mutirão de bombeiros, brigadistas voluntários e indígenas combateu um incêndio que avançou por 2,5 km na Área de Proteção Ambiental.
- A operação em Alter do Chão contou com o envio de aviões e helicópteros do Ibama e ICMBio para auxílio no combate aéreo e segue sob monitoramento.
A seca severa na Amazônia aliada aos ventos fortes intensificou o avanço do fogo em diversos municípios paraenses, encerrando o mês de outubro com mais de 12 mil focos de incêndio — o pior número registrado nos 29 anos da série histórica do Inpe. A crise deixa um rastro de destruição na agricultura familiar, na pecuária, na saúde pública e ameaça destinos turísticos globais, além de territórios ancestrais e sítios arqueológicos.
No oeste do estado, em Monte Alegre, a situação é dramática, com 26 focos ativos até esta segunda-feira, 2. A velocidade do fogo superou a capacidade das equipes de socorro, que passaram a focar unicamente na proteção de residências.
Três casas foram consumidas pelas chamas nas comunidades rurais de Açaizal e Boa Esperança. Além das perdas na agropecuária — com destruição de pastagens e mortes de animais —, o fogo ameaça a comunidade Cauçu e coloca em risco iminente sítios arqueológicos com pinturas rupestres milenares.
A “Operação Pará Oeste”, força-tarefa conjunta do Ibama e ICMBio, expandiu a mobilização para 526 agentes federais, além do suporte tático da PRF e da PMPA, focando o combate a incêndios florestais em unidades de conservação, terras indígenas e assentamentos.
Com o apoio de 35 veículos e 11 aeronaves — que já lançaram quase 460 mil litros de água —, as equipes extinguiram o fogo na comunidade Fortaleza, em Mojuí dos Campos, e abriram 4,5 km de aceiros na Flona do Tapajós. Paralelamente às ações de combate, a força-tarefa realiza a entrega de cestas de alimentos para famílias atingidas pela seca na Resex Verde para Sempre.
A Ufopa e o Museu Emílio Goeldi acompanham as ações, enquanto a prefeitura investiga suspeitas de queimadas intencionais.
Aveiro: situação de emergência
A gravidade do cenário levou a Prefeitura de Aveiro a decretar situação de emergência em todas as suas áreas urbana, rural e ribeirinha. As queimadas, que saíram do controle no fim de outubro, destruíram lavouras da agricultura familiar e provocaram o secamento de poços e igarapés. Sem recursos financeiros para responder à crise, o município solicitou apoio estadual e federal para prestar ajuda humanitária às famílias afetadas.
Na Ilha do Marajó, o município de Cachoeira do Arari também enfrentou chamas de grandes proporções em áreas de mata, com clarões visíveis a quilômetros de distância. Bombeiros civis locais e contingentes do Corpo de Bombeiros Militar foram mobilizados para controlar os focos e evitar novas ampliações dos danos ambientais na região.
Fogo controlado
Em Alter do Chão, famoso distrito de Santarém e um dos principais destinos turísticos do estado, um incêndio de grandes proporções teve início na tarde de sexta-feira (30), nas proximidades da Ilha do Amor, e avançou por quase 2,5 quilômetros dentro da Área de Proteção Ambiental (APA).
Para conter as chamas, um mutirão de mais de oito horas reuniu bombeiros militares, brigadistas voluntários e indígenas, além de apoio aéreo do Ibama e do ICMBio. As aeronaves, que estavam paradas há quatro dias devido à densa fumaça que impedia voos em Mojuí dos Campos e Uruará, passaram a atuar no local, complementando a operação com helicópteros que captam água diretamente nos rios.
Apesar de a intensidade do fogo ter sido reduzida, equipes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) e fiscais ambientais mantêm monitoramento constante na linha de defesa contra fagulhas que podem reiniciar o fogo em troncos secos.
As causas serão investigadas, em meio a alertas de lideranças locais sobre a pressão da especulação imobiliária na região, que já havia sido atingida por um grande incêndio em 2019.


