Resumo
- A seca severa, as altas temperaturas e a baixa umidade colocam mais de 120 municípios do Pará em estado de risco e levaram várias prefeituras a decretar emergência, incluindo Altamira e Jacundá
- O governo federal reconheceu a situação de emergência em Santarém (Portaria nº 3.652, de 21/10/2026), liberando o caminho para recursos federais de socorro.
- O Inpe registrou mais de 15 mil focos de calor no Pará até meados de outubro (sendo 7.400 nos primeiros dias do mês). O Corpo de Bombeiros atendeu a 880 ocorrências de incêndio em vegetação no início de outubro.
- Altamira é o município brasileiro com maior acúmulo de queimadas em 2026. Entre 1º e 20 de outubro, registrou 618 focos (ficando atrás apenas de São Félix do Xingu, com 751). O fogo destruiu casas nas zonas urbana, rural e ribeirinha, atingindo gravemente a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio.
- Em Santarém, a Defesa Civil mapeou 171 comunidades necessitando de ajuda emergencial. O baixo nível dos rios impede a navegação de grandes barcos, dificultando a entrega de mantimentos e água potável.
- Moradores do Canal do Jari (distrito de Arapixuna) enfrentam falta de água e improvisam tubulações para atender idosos e crianças.
- O fogo em Santarém e Belterra causou a morte de animais, destruição do solo e perda de regeneração da floresta.
- A fumaça alterou a qualidade do ar em Santarém, atingindo nível moderado em 20 de outubro (2,6 vezes acima da diretriz da OMS), retornando ao nível bom no dia 22.
A combinação de estiagem severa, altas temperaturas e baixa umidade relativa do ar tem acelerado a propagação de incêndios florestais no Pará. A crise já coloca mais de 120 municípios em estado de risco e levou prefeituras a decretar situação de emergência, incluindo Altamira e Jacundá.
Nesta quinta-feira, 22, o governo federal oficializou o reconhecimento de situação de emergência também em Santarém, no oeste paraense, por meio da Portaria nº 3.652, publicada no Diário Oficial da União (DOU). A medida abre caminho para o envio de recursos federais destinados ao socorro da população afetada.
Somente nos primeiros dias de outubro, os sistemas de monitoramento registraram mais de 7.400 focos de calor em território paraense — totalizando mais de 15 mil registros até meados do mês, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Nos primeiros dias do mês, o Corpo de Bombeiros Militar do Pará atendeu a 880 ocorrências de combate a queimadas em vegetação.
Altamira, no sudoeste do Pará, é o município que mais registrou queimadas no Brasil desde o início do ano. Entre os dias 1º e 20 de outubro, a cidade contabilizou 618 focos de incêndio — o segundo maior número do País no período, atrás apenas de São Félix do Xingu, também no Pará (751 registros).
Na região, o fogo atingiu áreas urbanas, rurais e comunidades ribeirinhas, destruindo moradias e deixando famílias desabrigadas. Uma das zonas mais críticas é a Reserva Extrativista Riozinho do Anfrísio, a cerca de 450 km do centro urbano. A atuação das brigadas conseguiu conter parte das chamas, mas o incêndio ainda não foi totalmente controlado.
Com a decretação de emergência por 180 dias, a Prefeitura de Altamira autorizou medidas excepcionais para acelerar o atendimento, como a dispensa de licitação para contratação de serviços e insumos, distribuição emergencial de água potável, fornecimento de mantimentos e avaliação dos prejuízos materiais e ambientais.
Estiagem e isolamento em Santarém
Em Santarém, o avanço da seca comprometeu o nível dos rios, dificultando a navegação e o abastecimento. Segundo a Defesa Civil do município, 171 comunidades necessitam de assistência humanitária urgente com água potável e cestas básicas.
A logística de entrega é um dos principais gargalos: com o baixo nível das águas, embarcações de grande porte não conseguem se aproximar de diversas localidades, obrigando o transbordo de suprimentos para barcos menores.
Na região do Canal do Jari, no distrito de Arapixuna, moradores das comunidades de Alto Jari e Jari do Socorro enfrentam desabastecimento crítico após o acesso ao poço comunitário ficar comprometido.
Sem rede instalada, famílias dependem de doações de tubulações e mangueiras para levar água até as residências, afetando principalmente idosos e crianças.
Impactos na fauna, solo e qualidade do ar
Além dos prejuízos sociais, a seca e o fogo causam severos danos ambientais no oeste do Pará. Registros do 4º Grupamento de Bombeiros Militar mostram áreas de vegetação destruídas e animais mortos em regiões como o assentamento Chapadão, em Santarém, e no município vizinho de Belterra. De acordo com os bombeiros, o fogo destrói sementes, elimina árvores jovens, empobrece o solo e compromete a regeneração da floresta.
A fumaça decorrente das queimadas também tem afetado a saúde pública. Na terça-feira (20), a plataforma de monitoramento IQAir classificou a qualidade do ar em Santarém como “moderada”, com concentração de partículas finas PM2.5 atingindo 13,2 µg/m³ — cerca de 2,6 vezes acima do limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Na manhã desta quinta-feira (22), o índice recuou para 42 (“bom”), com concentração de 7,6 µg/m³.
As ações de contenção, distribuição de suprimentos e apoio às famílias desabrigadas continuam sendo coordenadas pelas defesas civis municipais, Corpo de Bombeiros e órgãos estaduais e federais.


