Resumo
- O Brasil reduziu a poluição atmosférica pelo 3º ano consecutivo em 2025. As emissões brutas caíram 6% (2,06 bilhões de toneladas de gases) e as líquidas caíram 9% (1,41 bilhão de toneladas, menor nível desde 2012).
- Com esse resultado, o País ficou a apenas 6% de atingir sua meta oficial para 2025 do Acordo de Paris.
- A redução foi impulsionada pelo menor desmatamento, com queda nas emissões do setor de uso da terra (-15% brutas e -48% líquidas), registrando recuo em todos os biomas (destaque para Amazônia com -20% e Pantanal com -45%).
- A pegada de carbono por habitante aiu para 9,6 toneladas/ano, aproximando-se da média global de 6,3 toneladas.
- As emissões diretas da agropecuária variaram apenas -0,1% (30% do total nacional). A redução na pecuária (-1,68%) foi compensada pelo aumento na agricultura (+6,45% pelo uso de solo e fertilizantes).
- No setor de energia, houve alta de 1,2%, impulsionada pelo consumo de diesel nos transportes. No de indústrias (5% do total), teve alta leve de 0,2%.
- Já no setor de resíduos e lixo (5% do total), houve a maior alta proporcional (+3,6%), impulsionada pelo descarte em aterros e baixa reciclagem.
- Apesar do avanço em políticas de combate ao desmatamento, é indispensável reduzir emissões nos outros setores para garantir o cumprimento das metas climáticas de 2030 e 2035.
O Brasil reduziu a poluição lançada na atmosfera pelo terceiro ano seguido. Em 2025, as emissões brutas do País caíram 6%, somando 2,06 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa. Quando descontamos o carbono absorvido pelas florestas em crescimento e por áreas protegidas, o valor líquido foi de 1,41 bilhão de toneladas — uma queda de 9% e o menor resultado desde 2012.
Com essa redução, o Brasil ficou a apenas 6% de bater sua meta oficial no Acordo de Paris para 2025. Os dados fazem parte da nova edição do relatório anual do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima.
Para David Tsai, coordenador do estudo e pesquisador do Iema, o País deu um passo importante.
“Nos últimos quatro anos, o Brasil correu atrás do prejuízo e cortou em um quarto as suas emissões brutas. É um feito digno de nota, dado que nos 13 anos anteriores, desde que publicou sua Política Nacional do Clima em 2009, o país viu suas emissões crescerem em dois terços”.
Desmatamento despenca e reduz a poluição
A maior responsável pelo bom resultado foi a queda expressiva no desmatamento. Em 2025, o setor de mudança de uso da terra, que inclui a derrubada florestal, reduziu em 15% suas emissões brutas e em 48% suas emissões líquidas.
O recuo no desmatamento aconteceu em todos os biomas, com destaque para a Amazônia, que teve queda de 20% nas emissões por destruição florestal, e para o Pantanal, onde a queda chegou a 45%.
“A redução das emissões observada nos últimos três anos no setor de mudança do uso da terra reflete os resultados positivos das políticas de controle do desmatamento no Brasil”, afirma Bárbara Zimbres, pesquisadora do Ipam.
Atualmente, o uso da terra responde por 39% de todas as emissões brutas do Brasil. O desmatamento menor também fez a pegada líquida de carbono por habitante cair para 6,6 toneladas de gases por ano — cifra bem mais próxima da média global de 6,3 toneladas. Excluído o desmatamento, a média do País seria 5,8 toneladas per capita.
Para David Tsai, o fato de essa queda ocorrer tão depressa após anos de forte subida do desmatamento mostra o sucesso do País em criar e aplicar políticas de comando e controle.
“No entanto, preocupa que nosso desempenho climático ainda dependa tanto de um só setor, o de uso da terra. É imprescindible avançar nos outros setores para que as próximas metas, de 2030 e 2035, sejam cumpridas”.
Agropecuária manteve emissões
Enquanto a poluição vinda do desmatamento caiu, a agropecuária manteve suas emissões diretas praticamente estáveis (-0,1%), gerando 626 milhões de toneladas de gases e respondendo por 30% das emissões do país. Se somarmos as emissões diretas da agropecuária com a derrubada de matas para a criação de pastos e lavouras, o setor é responsável por 70% de toda a poluição do Brasil.
Dentro do campo, a pecuária conseguiu reduzir suas emissões em 1,68%, muito por conta de um recorde no abate de bois, que reduziu o tamanho do rebanho nacional. Em compensação, a agricultura aumentou suas emissões em 6,45% devido ao maior uso do solo e de fertilizantes. Sozinho, o rebanho bovino emitiu tanto gás que, se o boi brasileiro fosse um país, ele seria o 11º maior poluidor do planeta, ficando à frente de nações inteiras como a Austrália.
Segundo Gabriel Quintana, pesquisador do Imaflora, o momento exige eficiência.
“A redução das emissões da pecuária foi compensada pelo aumento das emissões da agricultura, acompanhadas pela maior produção do setor. Isso demonstra como é possível conciliar cada vez mais a redução das emissões com maior produção e produtividade”.
O coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo defende que o Brasil comece a computar as remoções por solos agrícolas em seus dados oficiais.
“Graças a técnicas de recuperação de pastagem e manejo de solos, nós já capturamos carbono em solo agrícola. É um volume importante, mais de 150 milhões de toneladas em 2025, segundo nossos dados preliminares.”
Outros setores
Nos demais setores da economia, os resultados ficaram divididos: a área de energia registrou uma alta de 1,2% nas emissões (21% do total do país), impulsionada principalmente pelo aumento do uso de diesel nos transportes, enquanto o setor de indústrias subiu 0,2% (5% do total).
Já o setor de resíduos e lixo teve a maior alta proporcional, de 3,6% (5% do total), puxado pelo descarte em aterros e pela baixa taxa de reciclagem.


