Resumo
- O Reino Unido confirmou um investimento de 400 milhões de libras (US$ 540 milhões) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), estruturado na forma de empréstimo.
- Com o novo compromisso, o total de recursos captados pelo fundo atinge US$ 7,3 bilhões, alcançando cerca de 75% da meta de US$ 10 bilhões estipulada pelo governo brasileiro até dezembro.
- A decisão britânica marca uma reviravolta após o país ficar de fora do lançamento do fundo no final do ano passado em Belém, impulsionada internamente por impactos de ondas de calor e secas severas no próprio Reino Unido.
- Diferente de fundos de doação tradicionais, o TFFF investe o capital no mercado financeiro e utiliza o rendimento obtido para pagar os países que mantêm suas florestas preservadas.
- A Noruega, maior investidora do mecanismo (com promessa de US$ 3 bilhões), mantém a exigência de que os US$ 10 bilhões sejam alcançados até o fim do prazo para liberar integralmente os recursos, mas demonstra otimismo quanto à adesão de novos parceiros.
O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), criado pelo Brasil para pagar países que mantêm suas florestas em pé, recebeu nesta quarta-feira, 23, a confirmação formal de um investimento britânico de 400 milhões de libras (US$ 540 milhões). Com isso, o total de compromissos com o mecanismo chega a US$ 7,3 bilhões — cerca de três quartos da meta de US$ 10 bilhões que o governo brasileiro quer fechar até dezembro.
O anúncio, feito durante a Semana do Clima de Nova York, marca também uma reviravolta: há um ano, na COP30 em Belém, o Reino Unido havia sido justamente criticado por não contribuir com um fundo que ajudou a desenhar.
Em setembro de 2025, Londres optou por ficar de fora do lançamento do TFFF em Belém. A intenção de reverter essa posição já havia sido sinalizada no início deste mês, mas o que chama atenção nesta formalização é o sinal de que o país pode ir além: numa carta enviada a Brasil e Noruega, o governo britânico informou que vai avaliar um novo aporte no futuro, de acordo com reportagem da Exame.
Segundo o ministro brasileiro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o Reino Unido comunicou a decisão ao Brasil com antecedência, mas escolheu Nova York para anunciá-la publicamente.
O recurso será estruturado como empréstimo — não como doação —, seguindo a lógica de investimento que rege o fundo, e estava condicionado à finalização da governança do TFFF e à due diligence britânica. Garo Batmanian, diretor do Serviço Florestal Brasileiro, confirmou que essa etapa foi cumprida.
Verão mais quente ajudou na decisão
Para justificar a virada do governo britânico, a ministra do Clima do país, Katie White, recorreu a uma imagem doméstica: o verão mais quente já registrado no Reino Unido, marcado por ondas de calor, seca e incêndios.
Ela contou a história de uma agricultora que, em quatro décadas de trabalho no campo, sempre celebrou o fim do inverno — e que, neste ano, pela primeira vez, comemorou foi o fim do verão.
“O povo britânico está preocupado e não vai nos perdoar se falharmos”, disse, acrescentando que o custo do desmatamento chega ao consumidor comum pelo preço de alimentos e produtos do dia a dia.
Como funciona o fundo
Diferentemente de um fundo de doação, o TFFF aplica o capital de governos e filantropias no mercado financeiro, e é o retorno desse investimento que paga os países florestais todo ano. Isso significa que cada aporte precisa passar pelo crivo orçamentário e parlamentar do país de origem — um processo mais lento do que uma simples doação.


