Resumo
- A Amazônia foi o bioma brasileiro que mais perdeu vegetação em números absolutos nos últimos 41 anos (1985–2025), totalizando 53,9 milhões de hectares destruídos.
- Apesar das perdas, a Amazônia segue como o bioma mais preservado do Brasil ao lado do Pantanal, mantendo mais de 80% do seu território original.
- A conversão de floresta para pasto ou lavoura representa 83,6% de toda a área alterada na Amazônia (55 milhões de hectares).
- Na Amazônia Legal, Rondônia (de 92% para 59%), Mato Grosso, Tocantins e Maranhão (todos caindo de ~90% para 61%) registraram as maiores perdas proporcionais. O Pará reduziu sua cobertura de 91% para 77%.
- A Amazônia foi o bioma com maior déficit de chuva nos episódios recentes de El Niño. Em 2023/24, a redução de precipitação chegou a 178 mm abaixo da média nas áreas agrícolas.
- Em 2025, o Brasil registrou menos de 1 milhão de hectares desmatados (queda de 20,6% em relação a 2024), o menor índice da série histórica recente, embora a perda acumulada continue afetando a resiliência do bioma.
- No Brasil, a vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território desde 1985. As formações florestais perderam 65 milhões de hectares, mas continuam representando a maior parte das áreas que permaneceram intocadas (335 milhões de hectares).
A Amazônia segue como o bioma que mais perdeu vegetação nativa em números absolutos no Brasil nos últimos 41 anos — e também como o mais castigado pela seca em anos de El Niño. Os dados são da Coleção 11 do MapBiomas, mapeamento anual de cobertura e uso da terra lançado nesta quarta-feira,12, que reconstrói a transformação da paisagem brasileira entre 1985 e 2025.
No período, a Amazônia perdeu 53,9 milhões de hectares de vegetação nativa — a maior redução entre todos os biomas brasileiros, à frente até do Cerrado (51,7 milhões de hectares).
Ainda assim, proporcionalmente, a Amazônia segue sendo, junto com o Pantanal, o bioma mais preservado do País: mais de 80% do seu território ainda é coberto por vegetação nativa.
A principal transformação da paisagem amazônica tem endereço certo: conversão direta de floresta em área de agropecuária. Do total de área que mudou de uso no bioma nas últimas quatro décadas, 55 milhões de hectares — equivalentes a 83,6% de tudo que foi alterado na Amazônia — passaram de vegetação nativa para pasto ou lavoura.
Entre os estados citados no levantamento com maior transformação proporcional, três pertencem à Amazônia Legal. Rondônia reduziu sua cobertura de vegetação nativa de 92% para 59% entre 1985 e 2025. Mato Grosso caiu de 90% para 61%, e Tocantins seguiu a mesma trajetória, de 90% para 61%. O Maranhão, também na Amazônia Legal, passou de 91% para 61% de cobertura nativa no período. O Pará, foi de 91% para 77%.
Amazônia: castigada pela seca em anos de El Niño
Além da perda de floresta ao longo do tempo, o levantamento cruza os mapas de uso da terra com dados de chuva do MapBiomas Atmosfera em três eventos recentes de forte El Niño (1997/98, 2015/16 e 2023/24) — e a Amazônia aparece como o bioma com o maior déficit de chuva entre os três episódios analisados.
No El Niño mais recente (2023/24), a maior redução de chuva registrada no bioma ocorreu justamente nas áreas de uso agropecuário da Amazônia, com precipitação 178 mm abaixo da média histórica para o trimestre entre setembro e novembro — período considerado o mais crítico do fenômeno no país.
Segundo o MapBiomas, essa combinação de menos floresta e mais seca tende a se agravar a cada novo evento de El Niño, o que preocupa especialmente num ano como 2026, quando um novo episódio do fenômeno é esperado.
“Em 2025, o Brasil registrou menos de um milhão de hectares desmatados pela primeira vez desde o início da série histórica do MapBiomas Alerta desde 2019, resultado de uma redução de 20,6% em relação ao ano anterior. Essa desaceleração imprime um ritmo menor de transformação da cobertura da terra, porém muitas regiões do Brasil já passaram por mudanças profundas nas últimas quatro décadas, o que afeta a sua resiliência aos eventos climáticos extremos, como o El Niño iniciado em 2026”, afirma Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas.
O retrato nacional
Em todo o Brasil, a cobertura de vegetação nativa caiu de 79% para 65% do território entre 1985 e 2025. Ao todo, 241 milhões de hectares passaram por algum tipo de transição de uso no período, dos quais mais da metade (136 milhões de hectares, ou 56%) correspondem à conversão de vegetação nativa em área de agropecuária — movimento do qual a Amazônia é a principal protagonista entre os biomas.
A Formação Florestal — principal tipo de cobertura nativa do país, presente com força na Amazônia — perdeu 65 milhões de hectares na série histórica, a maior redução absoluta entre todas as classes de vegetação mapeadas. Ainda assim, é também a classe que mais se manteve estável: dos 557 milhões de hectares que não mudaram de uso entre 1985 e 2025 em todo o país, 335 milhões de hectares continuam sendo Formação Florestal — a maior parte concentrada justamente na Amazônia.


