Resumo
- APA Triunfo do Xingu, no Pará, liderou a pressão por desmatamento na Amazônia no segundo trimestre de 2026 (abril a junho), mantendo a primeira posição do período pelo quinto ano consecutivo.
- O Pará reuniu o maior número de unidades de conservação sob pressão (4 áreas) e ameaça (5 áreas) no 2º trimestre de 2026, seguido por Acre e Mato Grosso.
- Já Resex Chico Mendes (AC) ocupou o primeiro lugar entre as áreas mais ameaçadas (desmatamento no entorno) e o segundo entre as mais pressionadas (desmatamento interno), exigindo atenção dobrada.
- Entre as Terras Indígenas (TIs) mais afetada, a TI Yanomami (AM/RR) e o Parque Indígena do Xingu (MT) lideraram os alertas de pressão. O Amazonas foi o estado com mais TIs pressionadas.
- A TI Baú (PA) e a TI Araribóia (MA) lideraram a lista de territórios com mais desmatamento avançando em seu entorno (raio de 10 km).
- Pesquisadores do Imazon alertam que a pressão contínua gera degradação ambiental, perda de biodiversidade e ameaça a segurança e o modo de vida de populações tradicionais e indígenas.
- O estudo mapeia a Amazônia Legal em células de 10×10 km para diferenciar áreas sob pressão (desmatamento dentro dos limites) e sob ameaça (desmatamento no entorno de até 10 km).
A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, foi a unidade de conservação mais pressionada pelo desmatamento na Amazônia no segundo trimestre do ano, entre abril e junho de 2026. A unidade de conservação estadual, localizada nos municípios de São Félix do Xingu e Altamira, ocupa a primeira posição no período há cinco anos consecutivos.
O Pará também se destacou por concentrar o maior número de áreas protegidas entre as mais afetadas pelo desmatamento no segundo trimestre de 2026. Além da APA Triunfo do Xingu, outras três unidades localizadas no estado estão entre as mais pressionadas. Na sequência aparecem o Acre, com três áreas protegidas, e Mato Grosso, com duas.
Áreas Protegidas com mais pressão (abril a junho de 2026)
| Ranking | Nome | Categoria | Estado |
| 1 | APA Triunfo do Xingu | UCE | PA |
| 2 | Resex Chico Mendes | UCF | AC |
| 3 | APA do Tapajós | UCF | PA |
| 4 | APA do Lago de Tucuruí | UCE | PA |
| 5 | TI Yanomami | TI | AM/RR |
| 6 | Resex Guariba-Roosevelt | UCE | MT |
| 7 | FES do Antimary | UCE | AC |
| 8 | FES do Mogno | UCE | AC |
| 9 | PI Xingu | TI | MT |
| 10 | APA Arquipélago do Marajó | UCE | PA |
Os dados fazem parte do relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas, elaborado pelo Imazon. O estudo monitora o avanço do desmatamento sobre unidades de conservação e terras indígenas da Amazônia Legal, distinguindo os territórios sob ameaça, quando a perda de floresta ocorre no entorno, dos territórios sob pressão, quando o desmatamento ocorre dentro de seus limites.
Os resultados de 2026 já indicavam a APA Triunfo do Xingu entre as áreas protegidas mais pressionadas desde o início do ano.
“A permanência de uma área protegida sob pressão constante do desmatamento impacta diretamente a integridade da floresta, causa a degradação e a fragmentação florestal contínuas, comprometendo a resiliência do ecossistema, os serviços ecossistêmicos de conservação da biodiversidade e a sustentabilidade socioambiental das populações tradicionais. Esse histórico reforça a urgência de fortalecer o monitoramento, intensificar a fiscalização e punir os responsáveis para conter o avanço do desmatamento”, avalia o pesquisador do Imazon Carlos Souza Jr.
Áreas protegidas ameaçadas
O Pará também lidera o ranking dos estados com mais territórios ameaçados pelo desmatamento. Ao todo, cinco áreas protegidas paraenses estão entre as mais ameaçadas no segundo trimestre de 2026.
Apesar desse cenário no Pará, foi no Acre que o levantamento identificou a área protegida mais ameaçada: a Reserva Extrativista (Resex) Chico Mendes, que enfrenta um histórico de problemas ambientais e, no segundo trimestre de 2026, também ocupou a segunda posição entre as áreas protegidas mais pressionadas pelo desmatamento.
“A situação da Resex Chico Mendes exige atenção porque reúne dois sinais de alerta. Ao mesmo tempo em que o desmatamento já ocorre dentro da unidade, novas áreas de derrubada avançam em seu entorno. Isso indica que, se as ações de proteção não forem reforçadas, a pressão sobre o território tende a aumentar, ampliando os riscos para a floresta e para as populações locais”, observa a pesquisadora do Imazon Bianca Santos.
Terras Indígenas seguem sob risco
Entre as terras indígenas, a Yanomami, localizada entre o Amazonas e Roraima, e o Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, tiveram mais alertas de desmatamento registrados. Entre as dez terras indígenas mais pressionadas, quatro também apareciam no levantamento anterior, indicando a continuidade das perdas florestais.
Além de abrigar parte da TI Yanomami, que lidera o ranking das mais pressionadas pelo desmatamento desde o primeiro trimestre de 2026, o Amazonas reúne outras três áreas entre as dez mais pressionadas no segundo trimestre, se consolidando como o estado com o maior número de TI’s com pressão.
“Quando uma terra indígena aparece repetidamente entre as mais ameaçadas ou pressionadas, não é apenas a floresta que está em risco. O avanço do desmatamento compromete territórios fundamentais para a manutenção dos modos de vida de populações que vivem neles há séculos, além de afetar sua segurança alimentar, práticas culturais e a proteção da biodiversidade”, alerta Bianca.
Já entre as terras indígenas mais ameaçadas, ou seja, com mais ocorrências de desmatamento em seu entorno, estão a Baú, no Pará, e a Araribóia, no Maranhão. Em seguida, aparece a TI Trincheira/Bacajá, também no Pará, que foi a mais ameaçada em 2025.
O levantamento destaca a persistência desse cenário: metade das dez terras indígenas mais ameaçadas no período já havia aparecido no mesmo trimestre do ano passado.
Terras indígenas com mais ameaça (abril a junho de 2026)
| Ranking | Nome | Estado |
| 1 | TI Baú | PA |
| 2 | TI Araribóia | MA |
| 3 | TI Trincheira/Bacajá | PA |
| 4 | TI Parakanã | PA |
| 5 | TI Caititu | AM |
| 6 | TI Cana Brava | MA |
| 7 | TI Jacareúba/Katawixi | AM |
| 8 | TI Peneri/Tacaquiri | AM |
| 9 | TI Água Preta/Inari | AM |
| 10 | TI Igarapé do Caucho | AC |
Metodologia do estudo
Diferentemente do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que contabiliza o total de desmatamento nos territórios amazônicos, o relatório Ameaça e Pressão de Desmatamento em Áreas Protegidas utiliza uma metodologia específica.
A Amazônia Legal é dividida em quadrados de 10 por 10 km, chamados de células, e os pesquisadores identificam quantas dessas células registraram ocorrência de desmatamento.
A partir desse mapeamento, é possível apontar quais territórios estão mais pressionados, aqueles que concentram o maior número de células de desmatamento dentro de seus limites, e quais estão mais ameaçados, caracterizados pela maior concentração de desmatamento em seu entorno, em um raio de até 10 km.
Essa abordagem permite antecipar o avanço da devastação em áreas protegidas.
Fonte: Imazon


