A Conferência de Bonn sobre Mudanças Climáticas (SB64), na Alemanha, chegou ao fim com um saldo agridoce nesta quinta-feira, 18. Se por um lado o legado ambiental da COP30 ganhou força, por outro, as velhas barreiras políticas voltaram a assombrar as negociações globais.
Aqui está o resumo de tudo o que rolou e o que você precisa saber:
O grande ganho: proteger as florestas até 2030
O principal destaque da conferência foi o amadurecimento do mapa do caminho global para frear o desmatamento e a degradação florestal até o fim da década, consolidando o avanço de um dos principais legados políticos deixados pela presidência brasileira da COP30. Durante duas semanas de debates intensos, a comunidade internacional refinou as diretrizes que serão apresentadas antes da COP31.
Os pilares que ganharam força em Bonn foram:
- Ações na terra: Conservação de áreas prioritárias e restauração de ecossistemas.
- Olho no dado: Fortalecimento do monitoramento e da transparência.
- Justiça e economia: Ampliação do financiamento climático e reconhecimento dos povos indígenas e comunidades tradicionais como guardiões da floresta.
Combustíveis fósseis
A transição para longe do petróleo, gás e carvão, iniciativa também lançada na COP30, em Belém, corre em paralelo com a agenda das florestas. Os dois processos são vistos como agendas complementares. Enquanto o roadmap florestal busca acelerar ações para combater o desmatamento e a degradação dos ecossistemas, o documento sobre fósseis procura identificar caminhos para reduzir a dependência global de fontes de energia poluentes.
A expectativa é que o tema também ganhe novos desdobramentos durante a Semana do Clima de Londres, quando Colômbia e Países Baixos deverão apresentar um relatório elaborado a partir das discussões realizadas na Conferência de Santa Marta sobre a transição para longe dos combustíveis fósseis.
O balde de água fria
Nem tudo foram flores. As negociações oficiais travaram feio em temas cruciais como mitigação (redução de emissões) e adaptação às mudanças climáticas.
“Vimos alguns desvios, atrasos e tensões geopolíticas… É uma receita para a paralisia justamente quando precisamos avançar em ritmo acelerado”, afirmou Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para o Clima, criticando o “jogo de empurra” entre os países.
O Observatório do Clima (OC) classificou o resultado como decepcionante e avaliou que a conferência foi marcada por incertezas políticas e dificuldades para avançar em temas fundamentais.
“Bonn naufragou. Os próprios negociadores, à noite, pareciam incrédulos diante da amplidão da falta de consenso entre eles mesmos em itens de agenda tão diversos quanto a meta global de adaptação, o programa de trabalho de mitigação e as sinergias entre as convenções do Rio”, diz o texto do observatório.
A organização destacou que houve resistências dos negociadores inclusive para preservar compromissos previamente acordados e para adiar a publicação de documentos importantes sobre a crise climática.
“Um desdobramento particularmente surreal foi a investida de alguns países em desenvolvimento contra a fundação do regime climático, a ciência. Puxados por China e Índia, membros do G77, o bloco das nações do Sul Global, vêm trabalhando para adiar a publicação do AR7, o próximo relatório do IPCC (o painel do clima da ONU)”, diz outro trecho do OC.
Já a analista de políticas climáticas da Laclima, Marina Guião destacou os impasses em torno do financiamento público internacional.
“Houve um impasse se o tema terá um item de agenda e uma decisão na COP31 ou se seguirá apenas como um diálogo. Para preservar o mandato de Belém, o presidente da COP30 enviou uma carta ao secretário-executivo da UNFCCC reiterando a necessidade desse espaço estruturado”, disse.
Próxima Parada: COP31 na Turquia
Com a liderança dividida entre Austrália e Turquia, a próxima grande conferência (que acontece em novembro) terá foco total na implementação de promessas antigas.
A principal novidade anunciada foi a meta voluntária de elevar para 35% a participação da eletricidade na demanda global de energia (hoje esse número está em apenas 20%).
Fonte: Ipam e Agência Brasil


