A seca amplifica a perda de carbono do solo, induzida pelo aquecimento global. Esta é a principal conclusão de um experimento de 12 anos conduzido nos Estados Unidos, em que mostra que microrganismos do solo desempenham um papel decisivo na liberação ou retenção de carbono.
Publicado na revista Nature Climate Change, o estudo monitorou 48 parcelas de pastagem sob diferentes cenários de temperatura e umidade. Em parte das áreas, a temperatura foi elevada em 3°C, enquanto outras foram submetidas a simulações de seca ou aumento de chuvas, permitindo observar como o solo reagia a condições climáticas extremas. As informações são de O Globo.
Os resultados apontam uma diferença significativa no comportamento do carbono. Em ambientes mais quentes e úmidos, o solo chegou a ganhar 7% de carbono. Já sob calor combinado com seca, houve perda de 12%, incluindo frações consideradas antigas e estáveis – antes vistas como pouco suscetíveis à liberação.
Segundo os pesquisadores, a explicação está na atividade microbiana. Em períodos secos, esses organismos aumentam o metabolismo e passam a consumir reservas mais profundas de carbono para sobreviver, acelerando sua liberação na forma de dióxido de carbono. Em condições úmidas o processo se inverte: os microrganismos priorizam o crescimento, ajudando a manter o carbono armazenado.
Essas respostas ajudam a entender como as mudanças climáticas podem ser intensificadas por mecanismos ainda pouco considerados nos modelos climáticos. Por isso o estudo alerta que mudanças na umidade do solo podem ser determinantes para o futuro equilíbrio do carbono no planeta – e, por consequência, para a velocidade do aquecimento global.


