No Pará, o 8 de março não celebra apenas o Dia Internacional da Mulher, mas a ocupação de espaços que, até pouco tempo atrás, eram desconhecidos para elas. A ciência, antes vista como um campo de predominância masculina, ganha hoje a assinatura, a voz e a coragem de pesquisadoras que transformam a biodiversidade amazônica em soluções globais.
A trajetória da doutoranda Thaiana Pampona ilustra essa mudança. Ao converter resíduos da floresta em insumos farmacêuticos, ela desafia o status quo,
“Ser mulher na pesquisa é ocupar espaços que por muito tempo não foram pensados para nós. Cada mulher que escolhe pesquisar, ensinar e inovar abre caminho para outras que virão. A ciência precisa da nossa voz, da nossa liderança e da nossa coragem”.
A presença feminina na ciência brasileira segue em ascensão e os dados locais confirmam essa tendência. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as mulheres já representam 52% dos grupos de pesquisa vinculados ao CNPq.
No cenário paraense, o levantamento da Fapespa aponta que, das 1.002 bolsas ativas, 622 são ocupadas por mulheres, mantendo a maioria em todos os níveis acadêmicos: são 407 bolsistas na iniciação científica, 139 no mestrado e 62 no doutorado.
Mas a jornada tem suas curvas. Para Renata Coelho, geneticista em Barcarena, conciliar a excelência técnica com a vida pessoal é um ato de resistência.
“Ser mulher em áreas como genética aplicada e biotecnologia, historicamente dominadas por homens, exigiu que eu constantemente demonstrasse competência e resiliência”.
Reconhecendo que a equidade precisa de apoio estrutural, o governo estadual tem dado passos práticos, como editais voltados a grupos liderados por mulheres e auxílios que permitem a permanência de mães nos laboratórios.
Carina Silva, da Fapespa, resume o impacto: essas medidas “são essenciais para corrigir desigualdades estruturais e ampliar o acesso de mulheres à liderança científica, gerando o aumento de coordenadoras de projetos tecnológicos e de inovação”.
Das profundezas da geologia, onde Gilmara Regina Feio mapeia a crosta terrestre para barrar crimes ambientais, ao trabalho de base que sustenta a bioeconomia, a mulher paraense não apenas pesquisa: ela dita o futuro.
“Acredito que a presença feminina amplia as formas de pensar e produzir conhecimento”, avalia Gilmara.
Para o presidente da Fapespa, Marcel Botelho, mulheres cientistas e pesquisadoras apoiadas pelo governo estão fazendo a diferença e trazendo impactos positivos para a sociedade.
“Cada desafio enfrentado fortalece minha convicção de que investir em educação e ciência é o caminho para construir uma sociedade melhor e sustentável na Amazônia”, diz Renata Coelho.


