Um laudo técnico do Ibama, ao qual a reportagem da DW teve acesso, contradiz a percepção de baixo impacto no incidente ocorrido no início de janeiro no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. Segundo o documento, os 18 mil litros fluido à base de óleo que escapou de um navio-sonda a 160 km da costa do Amapá possui toxicidade suficiente para eliminar organismos-chave e desequilibrar a cadeia alimentar local.
A viscosidade do produto químico é o ponto central de preocupação dos técnicos. O fluido adere aos animais, impedindo funções vitais como a respiração e a alimentação. O incidente resultou em:
- Multa: R$ 2,5 milhões aplicada à Petrobras.
- Interrupção: Suspensão das atividades por mais de 30 dias.
A manutenção do sigilo sobre o laudo é criticada por especialistas.
“O amplo acesso às informações deve ser garantido, sob pena de transgredir o princípio da publicidade da administração pública”, afirma Fábio Ishisaki, do Observatório do Clima.
Falhas técnicas e força da natureza
Apesar de a Agência Nacional do Petróleo (ANP) ter autorizado a retomada das operações recentemente, o relatório da agência impõe condições rigorosas. A investigação aponta que a vibração das fortes correntes marítimas da região causou o desgaste prematuro de selos de vedação, superando a resistência do projeto original.
Além do fator ambiental, o laudo da ANP sugere falta de treinamento da equipe para responder à emergência. Para voltar a perfurar a mais de dois quilômetros de profundidade, a Petrobras deverá:
- Trocar todos os selos do riser (tubulação de conexão);
- Intensificar o monitoramento em tempo real;
- Comprovar a capacitação técnica dos operários.
Em nota, a Petrobras afirmou atuar em “plena conformidade com os requisitos regulatórios” e prestar esclarecimentos aos órgãos competentes.


