Quase 3,8 bilhões de pessoas poderão enfrentar o calor extremo até 2050 caso a temperatura do planeta continue subindo e chegue a 2ºC acima dos níveis pré-industriais, aponta um estudo publicado na revista Nature. O número é o dobro da medição de 2010 e representa 41% da população mundial.
Brasil, República Centro-Africana, Nigéria, Sudão do Sul e Laos serão os países mais afetados por temperaturas extremamente altas, mas nenhuma região escapará do impacto. Mesmo no Hemisfério Norte, os países terão dificuldade de se adaptar, já que as infraestrutura na região é projetada para condições de frio, alertam os pesquisadores.
O estudo é o mais detalhado até o momento sobre a extensão e a velocidade com que diferentes regiões do mundo enfrentam temperaturas extremas à medida que chegamos ao limite de 1,5°C do Acordo de Paris. Muitos cientistas acreditam que, se as emissões de combustíveis fósseis seguirem aumentando, o mundo chegará aos 2°C em meados do século.
A surpresa maior apresentada na pesquisa é que a maior mudança ocorrerá no início da trajetória de aquecimento, perto de 1,5°C – ou seja, ainda nesta década. O que reforça a urgência de medidas de adaptação em áreas como saúde, economia e sistemas energético.
“Ultrapassar o limite de 1,5°C terá um impacto sem precedentes em tudo, da educação e saúde à migração e agricultura. O desenvolvimento sustentável com emissões líquidas zero continua sendo o único caminho comprovado para reverter essa tendência de dias cada vez mais quentes. É imprescindível que os políticos retomem a iniciativa nesse sentido”, disse uma das autoras do artigo, Radhika Khosla, da Smith School of Enterprise and the Environment da Universidade de Oxford.


