No coração da Transamazônica, o município de Medicilândia, no sudoeste do Pará, consolidou-se como o maior produtor de cacau do Brasil. Responsável por uma fatia expressiva da safra paraense — estado que lidera a produção nacional do fruto —, a cidade transformou a cultura cacaueira não apenas em sua principal força econômica, mas em um exemplo de bioeconomia sustentável na Amazônia.
Tudo isso pode tornar a cidade Capital Nacional do Cacau, com o PL 77/2020, que está sedo discutido no Senado.
A importância de Medicilândia é quantificada por estatísticas robustas. Segundo os dados mais recentes do IBGE, o município produz anualmente cerca de 50 mil toneladas de amêndoas, superando regiões históricas de cultivo.
De acordo com a Faepa, o Pará possui mais de 169 mil hectares em produção, gerando uma arrecadação de R$ 358 milhões em Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), evidenciando a força econômica da cadeia cacaueira no estado.
Essa liderança é sustentada por condições excepcionais: o solo de Terra Roxa da região (formado por decomposição de rocha basáltica) é extremamente fértil, e o clima equatorial, com chuvas bem distribuídas, oferece o ambiente ideal para o desenvolvimento do cacaueiro.
Cabruca e a sustentabilidade
Diferente de outras monoculturas, o cacau em Medicilândia é um aliado da preservação ambiental. Grande parte da produção ocorre no sistema de Cabruca ou em Sistemas Agroflorestais (SAFs), onde o cacaueiro é plantado à sombra de árvores nativas da floresta amazônica.
- Recuperação de áreas: O cultivo tem servido para reflorestar áreas anteriormente degradadas por pastagens, transformando-as novamente em florestas produtivas.
- Agricultura Familiar: Cerca de 80% da produção do município provém de pequenas propriedades e da agricultura familiar, o que gera uma distribuição de renda capilarizada por toda a região.

Da amêndoa ao chocolate de origem
Medicilândia deixou de ser apenas uma exportadora de matéria-prima. Nos últimos anos, o município iniciou um processo de verticalização da produção. Hoje, o cacau local é reconhecido internacionalmente pela sua qualidade superior, com notas sensoriais amadeiradas e frutais.
A cidade já conta com fábricas de chocolate de origem, onde a amêndoa é processada e transformada em barras de alto valor agregado. O reconhecimento da Indicação Geográfica (IG) para o cacau de Tomé-Açu e regiões vizinhas impulsionou Medicilândia a também buscar selos de qualidade que garantem a procedência e o manejo sustentável do seu fruto.


