Por Tereza Coelho
Um estudo produzido no Pará aponta que o aproveitamento dos resíduos industriais da andiroba (Carapa guianensis) pode gerar um extrato com Fator de Proteção Solar (FPS) próximo a 50, revelando uma alternativa sustentável aos filtros solares sintéticos.
A pesquisadora Giulia Pompermaier, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), cita que mais de 60% da andiroba vira resíduo orgânico após a extração de óleo, seu principal destino. No entanto, mesmo que a coleta da andiroba seja feita por meio de técnicas sustentáveis, o descarte inadequado dos seus resíduos pode gerar problemas ambientais como o acúmulo de lixo.
A andiroba é amplamente utilizada pelas indústrias cosmética e farmacêutica devido às propriedades do seu óleo, flor e sementes do fruto. Até o momento as principais propriedades ligadas ao insumo são ligadas a ação analgésica, antibacteriana, antifúngica, antiparasitária, anti-inflamatória e antialérgica.
Unido ao conhecimento tradicional e ancestral, as novas tecnologias podem ajudar em estratégias de reaproveitamento de resíduos industriais para reduzir impactos ambientais e impulsionando benefícios econômicos e sociais, gerando um reaproveitamento de ponta a ponta.
No levantamento, a pesquisadora obteve extratos do resíduo industrial da casca e do ‘bolo residual’ da andiroba, formados por casca e fruto, que foram posteriormente analisados para levantar os valores de fenóis totais, flavonoides e fator de proteção solar (FPS).
Alternativa sustentável
Os resultados revelaram que os extratos apresentaram potenciais fotoprotetores significativos, com FPS de 38,27 para a casca e 49,96 para o resíduo misto de fruto e casca. Os valores são compatíveis ao poder de proteção de protetores solares amplamente utilizados no mercado, revelando a possibilidade de um novo mercado para esses resíduos.
A pesquisadora sugere que a presença de bioativos naturais como limonoides e ácidos graxos tenham papel fundamental na absorção da radiação UV, que podem ser ampliados em associação com outros insumos naturais com proteção UV, garantindo alternativas naturais e sustentáveis de proteção solar para indivíduos com hipersensibilidade aos protetores sintéticos.
O estudo reforça ainda que além do potencial de atender ao público que busca alternativas com base em insumos naturais para uso médico e cosmético, o aproveitamento de subprodutos agroindustriais para o desenvolvimento dessas formulações contribuem diretamente com a floresta em pé e geram soluções mais acessíveis à população.


