A Amazônia ganhou um fôlego extra no último ano com o protagonismo do Pará, que registrou uma queda expressiva de 36% (979 km²) em seu desmatamento, ajudando a consolidar a redução nacional. Dados do sistema DETER, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), divulgados nesta sexta-feira, 9, revelam que a área sob alerta na Amazônia caiu para 3.817 km² em 2025, um recuo de 8,7% comparado a 2024.
Embora o IBAMA utilize esses alertas para ações imediatas, o veredito final sobre os números virá com o sistema PRODES. As informação são da Folha de S.Paulo.
O cenário na região apresenta contrastes acentuados entre as unidades federativas. Enquanto o Pará e o Amazonas— que marcou 721 km² e recuo de 9% — mostraram que a fiscalização tem surtido efeito, o Mato Grosso seguiu na contramão.
O estado vizinho teve um salto de quase 60% no desmate, atingindo 1.497 km² e registrando o terceiro maior valor de sua série histórica.
Apesar do otimismo com o segundo ano seguido de queda, o total de vegetação perdida na Amazônia somada a outros biomas monitorados ainda é vasto, totalizando 9.186 km², o que equivale a seis vezes a cidade de São Paulo. O ritmo de descida, que foi de 50% em 2023, agora encontra um patamar de maior resistência para novas reduções.
O limite da fiscalização e as novas estratégias
O MMA (Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima) aponta que a seca extrema e o fogo dificultaram quedas maiores em 2024, mas celebra a continuidade da redução no ciclo iniciado em agosto de 2025.
Para Erika Berenguer, cientista da Universidade de Oxford, o governo de Marina Silva colhe os frutos do foco em fiscalização, mas ressalta que a sociedade brasileira precisa descobrir como realizar uma mudança de chave que vá além das multas e apreensões.
Para impulsionar essa transição e buscar o desmate zero até 2030, o governo federal aposta na aceleração financeira com R$ 3,6 bilhões investidos pelo Fundo AMAZÔNIA nos últimos três anos e no aumento da verba para operações de campo.
Além disso, o programa União com Municípios destina R$ 785 milhões para o desenvolvimento sustentável de 81 cidades, buscando fomentar a economia local e apoiar o produtor paraense e de toda a região em uma nova dinâmica produtiva.


