O futuro das exportações de carne bovina brasileira está intrinsecamente ligado à sustentabilidade e à rastreabilidade. O aviso vem da China que, em maio, concretizou a compra do primeiro carregamento de carne bovina brasileira na história livre de desmatamentos legais recentes. .
A inédita operação, realizada entre a trading chinesa Cofco e a MBRF (então Marfrig), exigiu uma auditoria completa de toda a cadeia de fornecimento, incluindo fornecedores diretos e indiretos que atuam na cria e recria do gado. A verificação, conduzida pela BDO, empresa especializada em serviços de auditoria, atestou que a carne cumpria os rigorosos critérios estabelecidos pelo protocolo Boi na Linha e por organizações de peso (WWF, TNC, WRI e Imaflora), afirma reportagem do Globo Rural
A checagem garantiu que o gado era proveniente de áreas na Amazônia, não desmatadas após 2008, e no Cerrado não desmatadas após 2020. Além disso, o monitoramento geoespacial diário assegurou que os animais não ocuparam áreas com embargos ambientais, nem terras indígenas ou áreas protegidas.
Para o Pará Terra Boa, Marina Guyot, gerente-executiva de Clima, Uso do Solo e PP da Imaflora, destacou que o interesse chinês pela sustentabilidade não é isolado.
“A China está claramente aumentando seu interesse e compromisso com questões ambientais. Exemplos disso são o plano de transição energética e a restauração florestal dentro do próprio país, que demonstraram nos últimos anos uma escala e velocidades impressionantes.”
A gerente afirmou que o acordo da Cofco e Marfrig é um reconhecimento dos esforços de monitoramento da cadeia:
“Este exemplo de verificação realizada pela COFCO e Marfrig com base no Protocolo Boi na Linha é um passo e um sinal importante para o setor produtivo e indústria no Brasil, de reconhecimento dos esforços de monitoramento da cadeia nos últimos 15 anos, uma forma de valorizar e alavancar a expansão do mesmo para aqueles atores e regiões em que o monitoramento ainda não ocorre.”
Ela lembra das declarações recentes dos governos dos dois países sobre a intenção de eliminar o desmatamento ilegal das relações comerciais e sobre o interesse crescente do consumidor chinês pela sustentabilidade.
Ela afirmou ainda que a Imaflora espera que, futuramente, este tipo de acordo comercial adote a Certificação Beef on Track, recém-lançada pela instituição, que reconhece os critérios legais e adicionais do Boi na Linha.


