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	<title>Cabanagem &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<description>Um site para a gente boa desta terra</description>
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	<title>Cabanagem &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Diversidade cultural e natural do Pará enriqueceu os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivana Guimarães]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 22 Feb 2023 19:34:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[Beija-Flor]]></category>
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		<category><![CDATA[Vila Isabel]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-22-at-14.43.47-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Neste ano, o Pará revelou sua diversidade pela Marques de Sapucaí de várias formas. As riquezas naturais e a importância da Amazônia, assim como a necessidade de manter nossa floresta em pé, foi um dos destaques dos desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, Mas cultura paraense não focou de fora do Carnaval [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/02/WhatsApp-Image-2023-02-22-at-14.43.47-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Neste ano, o Pará revelou sua diversidade pela Marques de Sapucaí de várias formas. As riquezas naturais e a importância da Amazônia, assim como a necessidade de manter nossa floresta em pé, foi um dos destaques dos desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro,</p>
<p>Mas cultura paraense não focou de fora do Carnaval carioca. Os búfalos do Marajó, nosso o carimbó e o folclore também foram lembrados na avenida.</p>
<h3>Unidos do Porto da Pedra &#8211; a invenção da Amazônia</h3>
<p>“A invenção da Amazônia, um delírio do imaginário de Júlio Verne” foi o tema da Unidos do Porto da Pedra. Segundo o Portal da Amazônia, o francês Júlio Verne (1828-1905) nunca esteve no Brasil, mas escreveu um romance que se passa no Rio Amazonas, publicado em 1881, que foi a inspiração para a escola.</p>
<p>Para falar sobre a preservação da floresta, o carro “Amazônia Viva, Arte, Luta e Resistência” representou grandes defensores da região como Chico Mendes, Dorothy Stang, Bruno Pereira e Dom Philips.</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="pt">Tô arrepiado com essa Abre-alas da Unidos do Porto da Pedra que tem a &#8220;Amazônia, Mãe-terra-vida&#8221; como tema. RESISTÊNCIA <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/2728.png" alt="✨" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /><img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f49a.png" alt="💚" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> Viva mãe natureza . Nossa Amazônia .. <a href="https://twitter.com/hashtag/Globeleza?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener">#Globeleza</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/CarnavalDeTodos?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener">#CarnavalDeTodos</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/Gl%C3%B4NoCarnaval?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener">#GlôNoCarnaval</a> <a href="https://twitter.com/GRESUPP?ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener">@GRESUPP</a></p>
<p><a href="https://t.co/3ChlNs5jnm">pic.twitter.com/3ChlNs5jnm</a></p>
<p>— Bruno Leicam (@brunomacielof) <a href="https://twitter.com/brunomacielof/status/1627196191690702850?ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener">February 19, 2023</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
<h3>Paraíso do Tuiuti &#8211; o búfalo de Marajó</h3>
<p>A Paraíso do Tuiuti trouxe o enredo &#8220;Mogangueiro da Cara Preta&#8221;, contando a história da chegada dos búfalos na Ilha de Marajó. A escola mostrou a saída dos animais da Índia no século XIX; a colisão do navio com uma pedra, onde a tripulação humana não sobreviveu, mas os animais conseguiram nadar até a costa da ilha, se salvando e se adaptando à região.</p>
<p>A despedida da escola teve a transformação do Sambódromo em um &#8220;Bufódromo&#8221;, com Mestre Damasceno como principal destaque, representando a riqueza cultural e folclórica do Marajó na avenida. Pessoa com deficiência visual, ele explorou alegorias e carros alegóricos com o toque das mãos.</p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="pt">O Pará no sambódromo. Viva o MARAJÓ, viva Mestre Damasceno! <a href="https://twitter.com/hashtag/Globeleza?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener">#Globeleza</a> <a href="https://twitter.com/hashtag/globelezaparaisodotuiuti?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener">#globelezaparaisodotuiuti</a> <a href="https://t.co/uQazbTuGU5">pic.twitter.com/uQazbTuGU5</a></p>
<p>— Leo Nunes (@Ieonunes) <a href="https://twitter.com/Ieonunes/status/1627851941970681856?ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener">February 21, 2023</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
<h3>Vila Isabel &#8211; Círio de Nazaré e Festival de Parintins</h3>
<p>A Vila Isabel mostrou formas de celebrar a fé e entre elas estava o Círio de Nazaré, a maior manifestação católica do país e um dos maiores eventos sagrados do mundo. O Festival de Parintins também foi homenageado com esculturas gigantes dos bois Caprichoso e Garantido.</p>
<blockquote><p>&#8220;Em Belém, milhares de pessoas querem participar da procissão e agarrar a corda utilizada para puxar a luxuosa berlinda que transporta a imagem da santa. Para os romeiros, a corda representa o elo com Nossa Senhora de Nazaré. Ao tocá-la, participam intensamente da fé do Círio de Nazaré. Símbolo da magia amazônica, o Festival de Parintins arrebata multidões e brincantes, que, ao som dos tambores e da toada, defendem as cores dos bois-bumbás. A grande manifestação folclórica brasileira envolve religiosidade e fantasia, para contar a história dos povos da floresta e as lendas do boi-bumbá&#8221;, justificou a escola de samba em sua página oficial.</p></blockquote>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="pt">Vila Isabel levou o nosso Círio de Nazaré pra Marquês de Sapucaí com o enredo sobre religiosidade. <a href="https://t.co/mwHemwaX09">pic.twitter.com/mwHemwaX09</a></p>
<p>— Jean Jr (@jeanjr0015) <a href="https://twitter.com/jeanjr0015/status/1627892697112403968?ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener">February 21, 2023</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
<h3>Beija-Flor &#8211; levantes populares</h3>
<p>O enredo escolhido pela Beija-Flor de Nilópolis foi &#8220;Brava gente, o grito dos excluídos no bicentenário da independência&#8221;, abordando os 200 anos da independência da Bahia . A escola também tratou sobre temas como a luta pela demarcação das terras indígenas e levantes populares como a cabanagem, com o tema &#8220;Orgulho cabano e identidade amazônica&#8221; e os quilombolas &#8220;Um grito de liberdade quilombola&#8221;.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-captioned="" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/p/Co8BmiPuRMh/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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</div>
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<div style="color: #3897f0; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: 550; line-height: 18px;">Ver essa foto no Instagram</div>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/p/Co8BmiPuRMh/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">Uma publicação compartilhada por GRES BEIJA-FLOR DE NILÓPOLIS (@beijafloroficial)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></p>
<blockquote class="twitter-tweet">
<p dir="ltr" lang="pt">Beija-flor metendo a Cabanagem na Sapucaí. Meu Pará bem lembrado nesta noite.<a href="https://twitter.com/hashtag/GlobelezaBeijaFlor?src=hash&amp;ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener">#GlobelezaBeijaFlor</a></p>
<p>— Quinn Loㅅe&#8217;Ly <img src="https://s.w.org/images/core/emoji/17.0.2/72x72/1f49c.png" alt="💜" class="wp-smiley" style="height: 1em; max-height: 1em;" /> (@2xMiniLyce) <a href="https://twitter.com/2xMiniLyce/status/1627926411846590464?ref_src=twsrc%5Etfw" target="_blank" rel="noopener">February 21, 2023</a></p></blockquote>
<p><script async src="https://platform.twitter.com/widgets.js" charset="utf-8"></script></p>
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			</item>
		<item>
		<title>200 anos de Independência: Por que indígenas foram &#8216;transformados&#8217; em portugueses</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/cultura/200-anos-de-independencia-por-que-indigenas-foram-transformados-em-portugueses/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivana Guimarães]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Sep 2022 13:16:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[200 anos]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/09/Igreja-Santarem-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Ivana Guimarães Em continuação à série de conteúdos sobre as heranças portuguesas na cultura paraense, no contexto dos 200 anos da Independência do Brasil, o Pará Terra Boa conversou com o historiador André Machado, doutor em História Social e pesquisador da formação do Estado e da Nação no Brasil, estudando o processo de independência [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/09/Igreja-Santarem-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Ivana Guimarães</em></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em continuação à série de conteúdos sobre as heranças portuguesas na cultura paraense, no contexto dos 200 anos da Independência do Brasil, o <strong>Pará Terra Boa</strong> conversou com o historiador André Machado, doutor em História Social e pesquisador da formação do Estado e da Nação no Brasil, estudando o processo de independência na província do Grão-Pará. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">André contou um pouco sobre o reflexo da independência do Pará em levantes como a <a href="https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/uma-das-maiores-revolucoes-do-brasil-cabanagem-celebra-187-anos/" target="_blank" rel="noopener">Cabanagem</a> e ainda sobre o processo de aportuguesamento da província do Grão-Pará</span><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_12317" aria-describedby="caption-attachment-12317" style="width: 225px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-12317" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/09/Andre-Machado-Historiador-225x300.jpeg" alt="" width="225" height="300" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/09/Andre-Machado-Historiador-225x300.jpeg 225w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/09/Andre-Machado-Historiador-150x200.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/09/Andre-Machado-Historiador-450x600.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/09/Andre-Machado-Historiador.jpeg 567w" sizes="(max-width: 225px) 100vw, 225px" /><figcaption id="caption-attachment-12317" class="wp-caption-text">André Machado, doutor em História Social e pesquisador da independência na província do Grão-Pará</figcaption></figure>
<h3><b>Quais os motivos que levaram a província a não aderir à Independência do Brasil em 1822?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>André Machado &#8211;</strong> Na verdade, não era óbvio que a província deveria aderir. Quando olhavam esse cenário de dissolução do antigo regime, pouquíssimos observadores apostavam que as antigas províncias de Portugal na América se reuniriam todas em um único país que foi o Brasil, o mais provável seria que fossem outros panoramas. Existia uma série de interesses que eram diferentes em cada uma das províncias. No caso do Pará, havia aspectos que o ligavam mais a Lisboa, por exemplo, a facilidade de navegação e questões do comércio. </span></p>
<h3><b>Se pode dizer que a construção do Estado Brasileiro se deu de forma pacífica por meio de um acordo entre elites?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>André Machado &#8211;</strong> A ideia de que o Brasil se construiu de maneira pacífica é uma construção historiográfica que atende a uma perspectiva não de história, mas de projetos de nação que têm tudo a ver com o contexto do século 19, quando ela foi montada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Era preciso se criar uma justificativa para o fato de se ter uma manutenção da mesma casa reinante, da colonização no império. Uma narrativa na qual a independência do Brasil é quase uma evolução, como se fosse óbvio que a colônia portuguesa na América se transformaria num país. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O caminho para o qual os historiadores têm seguido é de que a independência é apenas uma das soluções possíveis, por uma série de conflitos que aconteceram ali na virada do século 18 e 19. Na verdade, o que se tem é um mundo que vai não funcionando, que é o mundo do antigo regime. A questão do Pará querer ficar com Portugal ou com o Rio de Janeiro, por exemplo, era inclusive menor para uma parcela bem significativa da população. As questões que eram centrais nessa época e que estavam em disputa eram outras. </span></p>
<h3><b>Quais são as principais heranças portuguesas deixadas no Pará?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>André Machado &#8211;</strong> Esses padrões, digamos assim de heranças, adentraram nessa região de uma forma mais resistente ao longo dos séculos. Então, quando falamos da língua portuguesa que seria a herança mais óbvia, a entronização dela nessa região é muito lenta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se têm as reformas pombalinas na metade do século 18, a língua portuguesa era praticamente morta nessa região. Mesmo quando se estava no entorno do Centro Administrativo de Belém, a dificuldade de encontrar pessoas que conseguissem compreender ordens em português era enorme. E chegando ao processo de independência, a língua portuguesa não é a primeira ou a língua dominante nem mesmo em Belém. Então esse processo de afiliação dessas heranças no caso da fala é mais lento.</span></p>
<h3><b>Como você explica a relação entre levantes como a Cabanagem e o evento da adesão do Pará?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>André Machado &#8211;</strong> Eu parto da ideia de que no contexto da independência se tem um desejo de muitos setores da sociedade por mudanças que não acontece só no Pará, mas na Bahia, em Pernambuco, no Maranhão e em quase todos os lugares. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas perspectivas de uma independência mais revolucionária foram sufocadas, mas não eliminadas, e o que acontece é que muito disso vai ressurgir depois. Nesse sentido, acredito que muito dessa energia de mudança e de insatisfação que está presente na cabanagem e que todo mundo enxerga, também se encontra no processo de independência, mas isso é menos reconhecido pelas pessoas pela ideia de que a independência foi pacífica. </span></p>
<h3><b>O que justifica o fato de que existem diversas cidades paraenses com nomes de cidades portuguesas?</b></h3>
<p><span style="font-weight: 400;"><strong>André Machado &#8211;</strong> Na metade do século 18, se criou uma série de reformas na América, chegando até o Tratado de Madrid, que era um acordo territorial com a Espanha para definir quais eram os limites da colônia portuguesa e da colônia hispânica na América. Porque até então o que definia era o Tratado de Tordesilhas, um limite territorial muito pequeno que não incluía a Amazônia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tratado de Madrid definia que o que valia de fato era a posse da terra, ou seja, onde os portugueses de fato dominam, eles são os proprietários. Onde os espanhóis de fato dominam, eles são proprietários. O que definia era o povoamento. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A grande questão é que o território da Amazônia, digamos assim, tinha pouquíssimas cidades e vilas habitadas por brancos e a esmagadora maioria eram indígenas. Então, como Marquês de Pombal não podia levar uma grande quantidade de portugueses para habitar a Amazônia, ele resolveu que esses indígenas deveriam ser “transformados” em portugueses, criando várias novas vilas em cima dos antigos aldeamentos indígenas e trocando os nomes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esses aldeamentos indígenas tinham inclusive muitos nomes, como por exemplo Tapajós. Nesse contexto, Pombal vai dizer que uma vila portuguesa não pode ter nome indígena, aí eles colocaram justamente os mesmos nomes que existiam em Portugal. Então, por exemplo, Tapajós vira Santarém. Mas, na década de 30, quando Machado de Oliveira, um intelectual ligado aos indígenas, vira presidente da província, ele faz uma proposta e esses nomes voltam aos nomes indígenas. Porém, isso tem uma validade durante algum tempo e alguns anos depois voltam aos nomes originalmente portugueses. </span></p>
<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>
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		<title>Uma das maiores revoluções do Brasil, Cabanagem celebra 187 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 07 Jan 2022 20:56:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[187 anos]]></category>
		<category><![CDATA[Cabanagem]]></category>
		<category><![CDATA[cabanos]]></category>
		<category><![CDATA[revolução]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/01/cabanagem-aniversario-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Esta sexta-feira, 7/01, é uma data importante do calendário paraense. Marca os 187 anos do Movimento Cabano, a única revolução que levou o povo ao poder com a tomada do Palácio do Governo. Homens, mulheres, indígenas, negros e caboclos participaram de uma das maiores revoluções do Brasil. Insatisfeitos com as opressões sofridas pela camadas populares, [...]]]></description>
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<p>Esta sexta-feira, 7/01, é uma data importante do calendário paraense. Marca os 187 anos do Movimento Cabano, a única revolução que levou o povo ao poder com a tomada do Palácio do Governo.</p>
<p>Homens, mulheres, indígenas, negros e caboclos participaram de uma das maiores revoluções do Brasil. Insatisfeitos com as opressões sofridas pela camadas populares, vários grupos se uniram para ascender ao poder e dar ao povo liberdade, dignidade, igualdade e libertação.</p>
<p>A revolução durou entre os anos 1835 e 1840 e marcou a história do Estado do Pará e da cidade de Belém.</p>
<h3><strong>Maior movimento popular do País</strong></h3>
<p>Segundo o historiador e professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), José Alves, o movimento pode ser considerado o maior da história do Brasil.</p>
<blockquote><p>&#8220;Foi o maior movimento popular da história do Brasil até hoje e de cunho nitidamente revolucionário, pois contemplou três características, envolvimento popular, violência política e um novo projeto político&#8221;, disse.</p></blockquote>
<p>Com o passar do tempo, a memória da Cabanagem foi perdendo força e espaço no meio popular e acadêmico. Segundo o historiador José Alves, a recuperação da memória do movimento ocorreu entre os anos de 1996 e 2000.</p>
<p>&#8220;No inicio do século XIX, a exploração e as opressões que violentavam as comunidades indígenas, negros e pobres fizeram com que o povo cabano buscasse a revolução no Grão-Pará. O nosso povo acreditou na sua capacidade de organizar e lutar, e na possibilidade de construir dias melhores&#8221;, ressalta o prefeito de Belém, Edmilson Rodrigues.</p>
<p>Vários espaços urbanos de Belém revivem o Movimento da Cabanagem. Um dos mais conhecidos é o Memorial da Cabanagem, localizado no entroncamento, e produzido pelo arquiteto Oscar Niemeyer.</p>
<p>Mas outros pontos da cidade também relembram a revolução, como a praça Batista Campos, nome de um dos presidentes cabanos, as ruas dos 48 e 13 Maio, que lembram datas marcantes, envolvendo o movimento, e a igreja das Mercês.</p>
<p>&#8220;Têm algumas marcas na cidade que lembram a Cabanagem, são coisas muito soltas e que muitas pessoas não conhecem a história&#8221;, diz a professora e historiadora Edilza Fontes.</p>
<h3>História</h3>
<p>A Cabanagem foi uma revolução popular que ocorreu na Província do Grão-Pará (atual Estado do Pará) &#8211; formada pelos menos abastados da área urbana, membros da elite local e por pessoas que moravam em cabanas à beira dos rios, conhecidas como cabanos ou ribeirinhos.</p>
<p>O movimento foi motivado pelo abandono social por parte do Governo Regencial (1831–1840), que levou o povo à pobreza e falta de emprego. Até a elite local estava descontente com o Governo, e todos queriam a independência da região.</p>
<p>Segundo Luís Balkar Sá Peixoto Pinheiro, professor titular na Universidade Federal do Amazonas e autor de “Visões da Cabanagem: Uma revolta popular e suas representações na historiografia” (Manaus, Ed. Valer, 2019), estimativas de época apontam que a repressão à Cabanagem respondeu por cerca de 2/3 do total de 40.000 mortos no conflito.</p>
<p>Ele informa que a cronologia da Cabanagem é difícil de se estabelecer com precisão, em especial por ser ela a culminância de um complexo quadro de tensões e insurgências que no Grão-Pará ia se avolumando desde, pelo menos, o processo de Independência.</p>
<p>Seu período de maior radicalidade, no entanto, ocorre a partir de 7 de janeiro de 1835 – quando facções rebeldes lideradas por Félix Malcher invadem a cidade de Belém, matam as principais autoridades e se apropriam do governo – até 13 de maio de 1836, quando ocorre a retomada da cidade pelas forças locais enviadas pela Regência.</p>
<p>Nesse percurso, ocorreram três governos cabanos, sendo o primeiro de Malcher, seguido pelo de Francisco Vinagre e, por fim o de Eduardo Angelim. Perdida Belém, diversos grupos rebeldes continuaram a atuar no interior da vasta província, ocupando de forma efêmera diversas vilas e freguesias, pelo menos até 1840.</p>
<p>Complexa e multifacetada, a revolta articulou, em janeiro de 1835, dois movimentos de tensões que há anos vinham se delineando na Província do Grão-Pará, sendo o primeiro deles uma oposição entre segmentos da cúpula oligárquica. Seu principal ator foram proprietários e fazendeiros nacionais, em expansão cada vez maior desde o final do século XVIII.</p>
<p>Embora enriquecido com a exploração da terra e das chamadas drogas do sertão (produtos extrativos da floresta, como salsaparrilha, anil, canela, urucum, cravo, baunilha e cacau selvagem), sua consolidação como elite esbarrava na reação imposta pelo segmento comercial exportador, de origem portuguesa.</p>
<p>Desde a Revolução Liberal do Porto, em 1820, as manifestações contra a dominação portuguesa se agudizaram por todo o País e alcançaram o Grão-Pará, então administrado por uma junta composta por comerciantes portugueses e, portanto, refratária aos interesses do segmento agrário, no qual pontificavam droguistas, proprietários e lavradores “nacionais”.</p>
<p>O segundo movimento de tensão, bem mais amplo e longevo, tinha como atores os segmentos populares que, de longa dada, organizavam revoltas e insurreições cada vez mais frequentes e com maior radicalidade, sendo uma das mais destacadas a ocorrida em 1832 na Vila da Barra do Rio Negro (Manaus).</p>
<p>O povo enfrentava a crueldade trabalhista dos portugueses, além do recrutamento militar que, na prática, obrigava outras modalidades de trabalho compulsório, mascarando, desta forma, a escravização da população pobre.</p>
<p>A violência do recrutamento militar e os maus-tratos aos recrutas foram, inclusive, o mote para a insurreição de 1832 em Manaus. Oriunda de um motim da tropa, o movimento, alcançando os populares, logo se transformou em insurreição aberta de grandes proporções que culminou com o assassinato das duas maiores autoridades (civil e militar) da Comarca do Alto Amazonas.</p>
<p>A massa pobre composta principalmente de índios, tapuios e mamelucos se insurgiu contra o recrutamento militar forçado e seus agentes. Em conjunto, reivindicavam o acesso à terra e o direito de dela tirar sua subsistência.</p>
<p>O movimento foi massacrado pelas forças de uma Regência como exemplo para outras províncias periféricas insatisfeitas com o arranjo político que produziu o Brasil independente. Ensanguentado e destruído, o Grão-Pará voltaria a trilhar o caminho da ordem.</p>
<p>O perigo de outra sublevação popular, no entanto, jamais desapareceria. De dentro da Corveta Defensora, o navio prisão fundeado em Belém e para onde foram mandados milhares de cabanos, o rebelde Pedro Fernandes de Souza – segundo consta no códice 1130 do Arquivo Público do Estado do Pará – vaticinava que o “tempo cabanal há de tornar” e que essa “… outra Cabanagem … será muito pior que a passada”.</p>
<h3><strong>Indicações de leitura<br />
</strong></h3>
<p>“As mulheres na Cabanagem: presença feminina no Pará insurreto”, de Eliana Ramos;<br />
“O negro na Formação da Sociedade Paraense”, de Vicente Salles;<br />
“Rebelião na Amazônia: Cabanagem, raça e cultura popular no Norte do Brasil”, de Mark Harris e<br />
“Bernardo de Sena – negro, cabano e “prefeito”, de Patrícia Sampaio.</p>
</div>
<div>
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<div class="col-md-6">
<p class="bio-content"><em>Texto: Agência Belém e Luís Balkar Sá Peixoto Pinheiro</em></p>
</div>
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