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	<title>agricultura regenerativa &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<description>Um site para a gente boa desta terra</description>
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	<title>agricultura regenerativa &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Pasto degradado vira floresta produtiva nas mãos de mulheres em São Félix do Xingu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 03 Jun 2026 14:56:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[Associação das Mulheres Produtoras de Polpa de Fruta]]></category>
		<category><![CDATA[Imaflora]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/03/1773168311-image-e1773334196442-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Em São Félix do Xingu (PA), município com o maior rebanho bovino do País e histórico de desmatamento, um grupo de 43 agricultoras da AMPPF está recuperando áreas degradadas de pastagem por meio de Sistemas Agroflorestais (SAFs). Criada há 14 anos, a associação expandiu sua capacidade de produção de polpas de frutas de 20 [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/03/1773168311-image-e1773334196442-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p data-path-to-node="0,0,0"><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li data-path-to-node="0,0,0"><em>Em São Félix do Xingu (PA), município com o maior rebanho bovino do País e histórico de desmatamento, um grupo de 43 agricultoras da AMPPF está recuperando áreas degradadas de pastagem por meio de Sistemas Agroflorestais (SAFs).</em></li>
<li>
<p data-path-to-node="0,1,0"><em>Criada há 14 anos, a associação expandiu sua capacidade de produção de polpas de frutas de 20 para 50 toneladas anuais após receber apoio técnico do programa Florestas de Valor, do Imaflora, com suporte da Petrobras.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="0,2,0"><em>Sob a marca ‘Delícia do Quintal’, as produtoras conquistaram contratos via PNAE e PAA, movimentando R$ 375 mil em um único ano. A produção atende mais de 18 mil alunos da rede pública e garante autonomia financeira às mulheres.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="0,3,0"><em>O mercado estável gerado pelas compras públicas permite que as famílias planejem a produção de forma integrada, dispensando a necessidade de abrir novas áreas de plantio e substituindo o capim por floresta viva.</em></p>
</li>
</ul>
<p data-path-to-node="3">São Félix do Xingu possui o maior rebanho bovino do Brasil, registrando uma média de 40 cabeças de gado por morador. Como consequência direta da pecuária extensiva, a região é historicamente associada a altos índices de desmatamento. Entretanto, um grupo de agricultoras locais está provando que manter a floresta em pé também pode gerar renda e grandes oportunidades de desenvolvimento sustentável. É o trabalho delas que destacamos nesta <strong>Semana do Meio Ambiente.</strong></p>
<p data-path-to-node="4">A iniciativa ganha força por meio da Associação das Mulheres Produtoras de Polpa de Fruta (AMPPF), que conta com 43 produtoras. Elas apostam nos Sistemas Agroflorestais (SAFs) para recuperar áreas degradadas e fortalecer a agricultura familiar. Essa técnica agrícola combina árvores nativas, frutíferas e cultivos alimentares, como verduras e legumes, exatamente onde antes só havia capim.</p>
<p data-path-to-node="5">Maria Josefa Neves, presidente da associação, conta que, por muito tempo, o trabalho feito por ela e outras agricultoras não recebia tanta importância. A estruturação da associação, criada há 14 anos, inverteu esse cenário e trouxe novas opções para todas. Ela relembra as dificuldades do início:</p>
<blockquote data-path-to-node="6">
<p data-path-to-node="6,0">“Existe o costume de classificar todo o cuidado da propriedade como trabalho doméstico, principalmente quando é feito por uma mulher. Esse trabalho é muito digno e merece todo reconhecimento, mas a gente via que falavam de propósito pra tirar a credibilidade do nosso esforço diário”, relembra.</p>
</blockquote>
<h4 data-path-to-node="7">Parcerias que geram valor</h4>
<p data-path-to-node="8">O projeto começou como uma associação para facilitar a venda de polpas de frutas abundantes nos quintais das famílias, como acerola, goiaba, cajá, caju e abacaxi. Com o passar do tempo, a organização foi ganhando novos contornos. Quatro anos após o início de suas atividades, veio a oportunidade de uma parceria em suporte técnico através do programa Florestas de Valor, promovido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), com apoio da Petrobras.</p>
<p data-path-to-node="9">Ao longo desses anos, esse apoio técnico permitiu a construção de uma nova usina de produção de polpa de fruta, fazendo com que a capacidade de produção das agricultoras saltasse de 20 para 50 toneladas anuais. Essa expansão estrutural gerou contratos anuais com a Secretaria Municipal de Educação, integrando as produtoras ao Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), trazendo mudanças concretas na renda pessoal de cada agricultora.</p>
<p data-path-to-node="10">Celma de Oliveira, coordenadora do programa Florestas de Valor no município, conta que a iniciativa funciona como uma ponte técnica e institucional indispensável para a associação.</p>
<blockquote data-path-to-node="11">
<p data-path-to-node="11,0">“O programa garante que a associação tenha segurança jurídica e técnica para gerir recursos públicos com transparência. O PNAE e o PAA também funcionam como ferramentas de conservação ambiental, ao criarem mercado para a agricultura familiar sustentável”, afirma.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="12">Para Celma, os contratos ajudam a trazer estabilidade e perspectivas de futuro para as associadas. Ao ter sua demanda estabilizada, elas conseguem planejar a produção de forma mais integrada, dispensando a abertura de novas áreas de plantio e reduzindo sensivelmente a pressão sobre a floresta.</p>
<h4 data-path-to-node="13">Da subsistência à autonomia financeira</h4>
<p data-path-to-node="14">Josefa relembra que a organização das agricultoras veio justamente com a ideia de vender polpas de frutas e beneficiar a matéria-prima dos quintais. Com os anos e a ampliação técnica, o projeto expandiu e virou a marca ‘Delícia do Quintal’. Hoje, essas frutas são beneficiadas em uma agroindústria própria da associação, equipada com usina de processamento e câmaras frias. Atualmente, a Delícia do Quintal contribui na alimentação escolar de mais de 18 mil alunos da rede pública do município. Josefa celebra as conquistas:</p>
<blockquote data-path-to-node="15">
<p data-path-to-node="15,0">“É uma grande conquista pra gente e para o meio ambiente. Se antes muitas de nós precisavam pedir dinheiro para comprar algo em casa, agora temos condições de comprar uma moto, ajudar os filhos a participar de coisas da escola em outra cidade, passear um pouco mais e testar novos plantios”, celebra.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="16">Com o fornecimento ao PNAE, a iniciativa movimentou cerca de R$ 375 mil em um único ano, ampliando a renda das famílias e fortalecendo a economia local de São Félix do Xingu.</p>
<blockquote data-path-to-node="17">
<p data-path-to-node="17,0">“Pra quem não tinha nada, hoje pode dizer que temos tudo. O contrato foi crescendo conforme a gente crescia. Um dos nossos primeiros acordos foi de R$ 230 mil e todos os anos aumenta mais um pouco, um incentivo e tanto”, resume Josefa.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="18">Além da conquista de renda própria e da autonomia financeira das mulheres, a transformação mudou profundamente o cenário visual e ecológico das propriedades, já que as áreas antes ocupadas por pastagens passaram a abrigar sistemas produtivos mais diversos.</p>
<blockquote data-path-to-node="19">
<p data-path-to-node="19,0">“Hoje a gente olha pela janela e não vê mais o amarelado do capim, moramos no meio da floresta”, destaca.</p>
</blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Soberania alimentar vira resistência contra a destruição da floresta no Quilombo do Abacatal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 26 May 2026 13:23:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[AGRICULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[Quilombo do Abacatal]]></category>
		<category><![CDATA[Sistemas Agroflorestais (SAFs)]]></category>
		<category><![CDATA[Soberania Alimentar]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-1-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Tereza Coelho O primeiro alimento do dia pode ser um copo de café preto com farinha, um beiju recém-saído da chapa, acompanhado de pupunha cozida e frutas, como tucumã ou uxi. No Quilombo do Abacatal, em Ananindeua, na Grande Belém, a comida vai além de uma forma de nutrição: é memória, proteção, território e [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-1-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p>O primeiro alimento do dia pode ser um copo de café preto com farinha, um beiju recém-saído da chapa, acompanhado de pupunha cozida e frutas, como tucumã ou uxi. No Quilombo do Abacatal, em Ananindeua, na Grande Belém, a comida vai além de uma forma de nutrição: é memória, proteção, território e permanência.</p>
<p>Nos 518 hectares oficialmente reconhecidos e titulados, a comunidade liderada por mulheres enfrenta diariamente a pressão do avanço urbano nos limites da floresta. Lá, 163 famílias enfrentam os desafios de viver em uma área periurbana, gerenciando vida cotidiana e tradições.</p>
<p>Para Vanusa Cardoso, uma das lideranças do local, a alimentação no contexto periurbano possui um significado especial: enquanto a alimentação sem aditivos parece cara e inacessível para parte da população, por não possuir espaço ou tempo para seus próprios plantios; os alimentos ultraprocessados são vendidos como ‘ganho de tempo’, mas que dentro de alguns anos geram graves prejuízos.</p>
<blockquote><p>“Somos sete gerações de adultos e se considerar os mais novos, são nove. Testemunhamos todo o processo dos ultraprocessados entrando na comunidade e, aos poucos, gerando obesidade, problemas hormonais e vários tipos de complicações de saúde. Hoje, parte dessas pessoas voltaram à alimentação tradicional (baseadas no próprio plantio) para se curar ou ter mais qualidade de vida”, aponta.</p></blockquote>
<figure id="attachment_42674" aria-describedby="caption-attachment-42674" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-large wp-image-42674" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-2-1024x768.jpeg" alt="" width="814" height="611" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-2-1024x768.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-2-300x225.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-2-768x576.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-2-150x113.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-2-450x338.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-2-1200x900.jpeg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-2.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-42674" class="wp-caption-text">Vanusa Cardoso em área da comunidade, onde plantios de misturam à criação de pequenos animais. Foto: Tereza Coelho/Pará Terra Boa</figcaption></figure>
<p>Ela comenta que uma dificuldade em comum enfrentada por territórios tradicionais é a quebra de rotina gerada pelo modelo econômico baseado na produção em larga escala e no consumo industrializado. Vanusa aponta que isso altera a rotina familiar e a troca de conhecimentos entre gerações, fundamental para a sobrevivência das tradições.</p>
<blockquote><p>&#8220;Cresci vendo minha mãe sair para a mata durante a madrugada para colher sementes, folhas de guarimã, frutos e açaí que seriam vendidos em Belém. As crianças tinham tarefas definidas: lavar folhas na beira do igarapé, ajudar na coleta, acompanhar os adultos nos mutirões de roça&#8221;, diz.</p></blockquote>
<p>Ao mesmo tempo que a educação formal ajuda a resgatar a história do território e a paixão pela atividade agroflorestal, existe uma pressão frequente na defesa do território. A líder declara que embora a perda de vegetação nativa nos territórios quilombolas seja mais de 80% menor do que em áreas privadas, sempre há muito trabalho a ser feito pela preservação do seu chão.</p>
<blockquote><p>&#8220;Sobrevivemos à Alça Viária (rodovia inaugurada em 2002) e conseguimos afastar a Avenida Liberdade (via inaugurada em 2026 que conecta três municípios da Grande Belém), mas a luta é constante. Se não houvesse mobilização, nosso território já teria sido todo picotado pelos governos e empresas privadas&#8221;, declara.</p></blockquote>
<h3>Recuperação ambiental e gestão de danos</h3>
<p>O quilombo, que já teve mais de 3 mil hectares, hoje possui pouco mais de 518 hectares oficialmente reconhecidos. Ao longo das décadas, perdeu grande parte da área para grilagem, expansão urbana e grandes obras de infraestrutura. Titulado oficialmente há 27 anos, a comunidade que luta pela preservação do território também trabalha pela recuperação de áreas degradadas às margens da comunidade, reflexos desses empreendimentos.</p>
<figure id="attachment_42673" aria-describedby="caption-attachment-42673" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-large wp-image-42673" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-3-1024x768.jpeg" alt="" width="814" height="611" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-3-1024x768.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-3-300x225.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-3-768x576.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-3-150x113.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-3-450x338.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-3-1200x900.jpeg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.54-3.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-42673" class="wp-caption-text">Francisdalva Cardoso, conhecida ancestralmente como Turi Omonibo, liderança espiritual do Abacatal. Foto: Tereza Coelho/Pará Terra Boa</figcaption></figure>
<p>Processos recentes como a construção da Alça Viária, as linhas de transmissão da Equatorial (concessionária de energia elétrica), o avanço imobiliário da Região Metropolitana e a instalação do aterro sanitário de Marituba geraram impactos ambientais como a alteração dos cursos d’água, afetando diretamente os igarapés da comunidade.</p>
<blockquote><p>“Nosso igarapé já foi saudável. Hoje ele já sofre”, diz Francisdalva Cardoso, conhecida ancestralmente como Turi Omonibo, liderança espiritual do Abacatal.</p></blockquote>
<p>Ela comenta que uma das formas de ver o reflexo da luta comunitária é observar o mapa da região. Nele, o quilombo do Abacatal resiste como uma grande ‘mancha’ verde cercada por bairros, condomínios e rodovias.</p>
<blockquote><p>“Quem olha o mapa vê o Abacatal verde. No entorno, são vários buracos&#8221;, comenta.</p></blockquote>
<p>Parte da mudança provocada pelos empreendimentos já é sentida na rotina da comunidade: nascentes secando mais rápido, áreas de terra firme sofrendo com estiagens intensas e aumento da temperatura provocado pelo desmatamento no entorno.</p>
<blockquote><p>“A gente sofre pela inconsequência dos outros. Não é o território quilombola que causa isso. Não há nenhum registro de desmatamento provocado por nós, mas estamos estudando e buscando apoio técnico necessário para restaurar principalmente as margens dos rios, porque a mudança externa está nos afetando”, declara Turi.</p></blockquote>
<p>É justamente dessa relação direta entre preservação e sobrevivência que nasce a defesa da soberania alimentar no quilombo, uma forma de fortalecer a saúde, o meio ambiente e a autonomia do território.</p>
<h3>Agrofloresta como escudo físico e espiritual</h3>
<p>Os 518 hectares da comunidade dividem espaços com mais de 60 variedades de plantios. O açaí é uma das principais culturas, ao lado da mandioca, do cupuaçu, da pupunha, do tucumã e de hortaliças cultivadas pelas famílias. A região também abriga criações de galinhas caipiras, porcos e projetos de apicultura com abelhas sem ferrão, fundamentais para a polinização das espécies da floresta.</p>
<figure id="attachment_42678" aria-describedby="caption-attachment-42678" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-large wp-image-42678" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-1-1024x768.jpeg" alt="" width="814" height="611" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-1-1024x768.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-1-300x225.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-1-768x576.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-1-150x113.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-1-450x338.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-1-1200x900.jpeg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-1.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-42678" class="wp-caption-text">O Abacatal possui um espaço permanente de cultura de mudas da folha de guarimã. Foto: Tereza Coelho/Pará Terra Boa</figcaption></figure>
<p>Turi comenta que cada família possui liberdade para plantar nos espaços do local, então a variedade de uso de área é bem extensa.</p>
<blockquote><p>&#8220;Tem Sistemas Agroflorestais (SAFs), hortinhas, criação de abelhas, galinhas, porcos, muita coisa mesmo. Além disso, a gente também trabalha com os derivados dos plantios, então fazemos polpas, remédios, farinhas. Como volta e meia recebemos grupos, também fazemos pequenas feirinhas para vender parte dessa produção&#8221;, comenta.</p></blockquote>
<figure id="attachment_42679" aria-describedby="caption-attachment-42679" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-42679" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-1024x768.jpeg" alt="" width="814" height="611" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-1024x768.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-300x225.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-768x576.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-150x113.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-450x338.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53-1200x900.jpeg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-14-at-11.28.53.jpeg 1280w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-42679" class="wp-caption-text">Parte das instalações para criação de abelhas presentes na comunidade. Foto: Tereza Coelho/Pará Terra Boa</figcaption></figure>
<p>Entretanto, nada disso é pensado como monocultura. Tanto Vanusa como Turi explicam que preservar a floresta não significa deixar de plantar, mas plantar de outra forma.</p>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DM6MB7QRkW-/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DM6MB7QRkW-/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">Um post compartilhado por Makínì Cardoso (@sitioossayn)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></p>
<blockquote><p>“A gente entende que esse espaço é de convivência entre nós e a natureza”, diz Vanusa. “Nós não somos dissociados dela&#8221;, complementa Turi.</p></blockquote>
<p>A lógica da subsistência também aparece nas pequenas escolhas cotidianas. Nas festas e encontros comunitários, os refrigerantes industrializados são substituídos por sucos produzidos dentro do próprio território. Para elas, esse conhecimento é uma forma de autonomia diante de um sistema alimentar cada vez mais industrializado. Turi, inclusive, destaca que este compromisso com a terra é um dever espiritual.</p>
<blockquote><p>&#8220;O espiritual te cobra se não fizer uma gestão justa e correta (da terra e do meio ambiente). Nossa missão é cuidar desse território de corpo e alma, até o dia de ancestralizar&#8221;, diz.</p></blockquote>
<h3>Conexões fortalecidas</h3>
<p>Em um cenário de emergência climática e avanço acelerado da degradação ambiental na Amazônia, o quilombo se tornou também referência para outras comunidades tradicionais da região Norte.</p>
<p>As lideranças do Abacatal participam de redes de defesa territorial em vários estados, compartilham estratégias jurídicas e articulam formas de resistência contra projetos predatórios. Para elas, a proteção dos territórios quilombolas é também uma estratégia concreta de enfrentamento à crise climática.</p>
<blockquote><p>“Os territórios preservam porque sabem viver junto da floresta. Sem os territórios, não existe proteção ambiental de verdade&#8221;, declara Vanusa.</p></blockquote>
<p>Elas defendem que a união fortalece a luta entre as comunidade e auxiliam na construção coletiva a favor do meio ambiente e da própria história. Para a dupla, o incentivo a titulação, ao bloqueio de projetos predatórios e a implantação de práticas regenerativas dentro das comunidades são a melhor forma de garantir um futuro para seus moradores.</p>
<blockquote><p>&#8220;A titulação é um direito fundamental&#8221;, diz Vanusa. &#8220;É a partir dele que podemos defender nosso território e o meio ambiente de forma mais articulada e eficiente&#8221;, defende Turi.</p></blockquote>
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		<title>Comunidade recebe mutirão de reflorestamento para driblar avanço de queimadas</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/comunidade-recebe-mutirao-de-reflorestamento-para-driblar-avanco-de-queimadas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 May 2026 17:07:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque1]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[reflorestamento]]></category>
		<category><![CDATA[regeneração de áreas degradadas]]></category>
		<category><![CDATA[Sistemas Agroflorestais (SAFs)]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-18-111734-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Tereza Coelho Em meio aos desafios provocados pelas queimadas que atingiram o arquipélago do Marajó nos últimos anos, a Comunidade Quilombola de São Bernardo, em Oeiras do Pará, se mobiliza para reconstruir áreas degradadas por meio do reflorestamento comunitário, fortalecendo a produção sustentável, a segurança alimentar e o protagonismo das mulheres quilombolas na gestão [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Captura-de-tela-2026-05-18-111734-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p>Em meio aos desafios provocados pelas queimadas que atingiram o arquipélago do Marajó nos últimos anos, a Comunidade Quilombola de São Bernardo, em Oeiras do Pará, se mobiliza para reconstruir áreas degradadas por meio do reflorestamento comunitário, fortalecendo a produção sustentável, a segurança alimentar e o protagonismo das mulheres quilombolas na gestão do território.</p>
<p>Na última semana, 15 famílias da comunidade participaram de um mutirão voltado à recuperação ambiental e ao fortalecimento das práticas agroecológicas. A iniciativa desenvolvida pelo Observatório do Marajó <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/breves-recebe-mutirao-de-reflorestamento-apos-avanco-de-queimadas-no-marajo/">já passou por outros municípios como Portel, Breves e Melgaço</a>. Em Oeiras, o mutirão foi feito em parceria com o Coletivo de Mulheres Meninas do Quilombo.</p>
<p>A ação reuniu as famílias da comunidade em torno do plantio de mil mudas de espécies como açaí, abacaxi, banana, café e cítricos, como limão, laranja e tangerina, promovendo o início da recomposição da vegetação afetada pelo fogo, gerando também alternativas de geração de renda e autonomia alimentar para as famílias.</p>
<p>Representante do Coletivo Meninas do Quilombo, Dona Jacirene destaca o papel financeiro dos plantios para a independência financeira e valorização das mulheres da comunidade:</p>
<blockquote><p>“Sabemos que o que vamos colher vai servir tanto para nos alimentar, quanto para melhorar a renda financeira de cada família. Cada mulher vai se sentir mais empoderada de saber que terá uma colheita de algo que ela vai estar ali produzindo, que é produção dela, que ela vai vender e ter uma autonomia de compra e venda de acordo com aquilo que colher&#8221;, declara.</p></blockquote>
<p>Além do impacto econômico, o reflorestamento comunitário surge como uma resposta direta aos efeitos das mudanças climáticas na região. Dados do Inpe apontam que, entre 2023 e 2025, Oeiras do Pará registrou 859 focos de queimadas, sendo um dos municípios marajoaras mais afetados pelo fogo.</p>
<figure id="attachment_42754" aria-describedby="caption-attachment-42754" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-42754" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/obsmarajo_oeirasdopara-1024x683.jpg" alt="" width="814" height="543" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/obsmarajo_oeirasdopara-1024x683.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/obsmarajo_oeirasdopara-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/obsmarajo_oeirasdopara-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/obsmarajo_oeirasdopara-1536x1024.jpg 1536w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/obsmarajo_oeirasdopara-2048x1365.jpg 2048w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/obsmarajo_oeirasdopara-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/obsmarajo_oeirasdopara-450x300.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/obsmarajo_oeirasdopara-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-42754" class="wp-caption-text">Iniciativa está reconstruindo áreas da comunidade com SAFs. Foto: Vitória Leona/Observatório do Marajó</figcaption></figure>
<h3>SAFs como estratégia</h3>
<p>Ediane Lima, uma das lideranças do projeto, aponta que os Sistemas Agroflorestais (SAFs) são a estratégia ideal para a recomposição dessas áreas por aliar recuperação ambiental e produção de alimentos, uma dupla avaliada como altamente eficaz para lidar como avanço da crise climática:</p>
<blockquote><p>“Os SAFs são soluções eficazes baseadas na natureza, viáveis para mitigar e adaptar os efeitos das mudanças climáticas, seja pela sua comprovada eficiência na recuperação de áreas degradadas, como também pela restauração de florestas nativas. Sem contar que nesses sistemas, diferente dos monocultivos, é possível produzir alimentos diversos, contribuindo para a segurança alimentar das famílias e com o aumento de suas rendas&#8221;, argumenta.</p></blockquote>
<p>Segundo o Observatório do Marajó, o mutirão faz parte de um conjunto de ações voltadas à justiça climática, à valorização dos territórios tradicionais e à construção de alternativas sustentáveis na Amazônia marajoara. A organização, formada por lideranças comunitárias e ativistas socioambientais, defende que as próprias comunidades devem estar no centro das políticas de enfrentamento à crise climática, especialmente por já desenvolverem soluções baseadas em conhecimentos ancestrais e práticas tradicionais.</p>
<figure id="attachment_42760" aria-describedby="caption-attachment-42760" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-42760" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-11.57.36-1024x576.jpeg" alt="" width="814" height="458" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-11.57.36-1024x576.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-11.57.36-300x169.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-11.57.36-768x432.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-11.57.36-1536x864.jpeg 1536w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-11.57.36-150x84.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-11.57.36-450x253.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-11.57.36-1200x675.jpeg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-18-at-11.57.36.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-42760" class="wp-caption-text">Valma Teles (em destaque) e parte das integrantes do Coletivo de Meninas do Quilombo durante o mutirão. Foto: Vitória Leona/Observatório do Marajó</figcaption></figure>
<p>Diretora-executiva do Observatório do Marajó e liderança ribeirinha de Portel, Valma Teles aponta a necessidade de ampliar os investimentos públicos em iniciativas comunitárias:</p>
<blockquote><p>“Na ponta, as comunidades lidam com a emergência climática usando seus conhecimentos tradicionais e práticas ancestrais para chamar a atenção para soluções baseadas na natureza que precisam de financiamento público e escala. O dinheiro do Estado não pode priorizar o agronegócio do latifundiário, muitas vezes grileiro, e esvaziar as comunidades de recursos para fazerem a gestão territorial”, diz.</p></blockquote>
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		<title>Quilombos paraenses unem modernidade e saberes ancestrais para combater a crise climática</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 13 May 2026 18:15:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[quilombos]]></category>
		<category><![CDATA[Sistemas Agrícolas Tradicionais (SATs)]]></category>
		<category><![CDATA[Sistemas Agroflorestais (SAFs)]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260513_095310_Instagram-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Tereza Coelho E se as respostas para a crise climática global já estiverem sendo construídas? Mas em vez das grandes cidades, as respostas viessem de territórios historicamente invisibilizados, onde a relação com a terra é uma herança viva? O Pará possui a terceira maior população quilombola do Brasil, onde mais de 135 mil pessoas [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260513_095310_Instagram-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Por Tereza Coelho</p>
<p>E se as respostas para a crise climática global já estiverem sendo construídas? Mas em vez das grandes cidades, as respostas viessem de territórios historicamente invisibilizados, onde a relação com a terra é uma herança viva?</p>
<p>O Pará possui a terceira maior população quilombola do Brasil, onde mais de 135 mil pessoas vivem em territórios que combinam biodiversidade e memória ancestral. Nesses locais, o passado, presente e futuro caminham juntos em meio aos cultivos.</p>
<p>Nessas comunidades, a produção agrícola não segue o ritmo da monocultura nem a lógica da exploração intensiva. Ela se sustenta nos Sistemas Agrícolas Tradicionais (SATs), práticas construídas ao longo de gerações que articulam conhecimento, observação da natureza e equilíbrio ambiental.</p>
<p>São formas de plantar, colher e viver que não tratam o solo como recurso infinito, mas como organismo vivo.</p>
<p>Esses sistemas carregam a herança da diáspora africana e seguem se reinventando no contexto amazônico. O resultado é um modo de produção que respeita os ciclos naturais, preserva a diversidade de espécies e fortalece a autonomia das comunidades, garantindo alimento e continuidade cultural ao mesmo tempo.</p>
<figure id="attachment_42621" aria-describedby="caption-attachment-42621" style="width: 678px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-42621" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agricultura_conservacionista-300x199.jpg" alt="" width="678" height="450" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agricultura_conservacionista-300x199.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agricultura_conservacionista-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agricultura_conservacionista.jpg 307w" sizes="(max-width: 678px) 100vw, 678px" /><figcaption id="caption-attachment-42621" class="wp-caption-text">Os Sistemas Agrícolas Tradicionais tratam o solo como organismo vivo. Foto: Embrapa</figcaption></figure>
<p>O enfrentamento da crise climática passa necessariamente pela aproximação entre esses saberes tradicionais e conhecimento científico.</p>
<p>Maicon Oliveira, professor em educação do campo nascido no quilombo São Sebastião Cipoal, em Portel, sabe bem disso. Ele desenvolve um projeto para estruturar um banco de sementes capaz de preservar espécies centenárias da região. Para ele, a relação das comunidades com a terra sempre foi guiada por equilíbrio e continuidade:</p>
<blockquote><p>“A monocultura e a exploração em grande escala vieram especialmente com essa dinâmica do lucro em primeiro lugar. É algo que você não costuma ver nas comunidades tradicionais porque o pensamento sempre foi central em garantir a qualidade daquele solo para um uso equilibrado, mesmo que não houvesse os mesmos recursos que temos hoje para medir qualidade”, diz.</p></blockquote>
<p>Maicon explica que o chamado ciclo tradicional de uso da terra podia se estender por décadas, com deslocamentos motivados, não pelo esgotamento do solo, mas pela dinâmica de vida dos grupos.</p>
<blockquote><p>“Quando a gente leva em consideração o uso da terra para alimentação própria e negociações com comunidades ali das proximidades, a produção era bem menor que o volume industrial. Então havia variedade de culturas, para ter o que trocar o ano inteiro, em um plantio que não desgastava totalmente o solo, que não entrava em exaustão completa”, comenta.</p></blockquote>
<h3>O diálogo entre SAFs e SATs</h3>
<p>Na avaliação dele, os Sistemas Agroflorestais (SAFs) dialogam diretamente com os princípios dos SATs, ao integrar espécies, respeitar microclimas e observar o estágio de regeneração do solo. Mais do que uma técnica agrícola, ele enxerga nesses sistemas uma ponte entre tradição e ciência contemporânea.</p>
<blockquote><p>“As culturas plantadas em SAFs variam conforme o estado da degradação do solo e o microclima de cada região. Ter a comprovação de que essas práticas ajudam a recuperar esse solo degradado é um presente. Muitos territórios, levados pela lógica do lucro, cederam às monoculturas e sofreram com o enfraquecimento do solo e os impactos disso na vida das suas populações: como especulação de território; e mais adoecimentos por plantar menos ervas curativas. Voltar ao tradicional é um recado para nós, mas principalmente para o mundo”, diz.</p></blockquote>
<p>Os efeitos dessas práticas aparecem também em escala mais ampla. Dados do MapBiomas mostram que, entre 1985 e 2022, a perda de vegetação nativa em territórios quilombolas foi 81% menor do que em áreas privadas, reforçando o papel estratégico dessas comunidades na conservação ambiental e no enfrentamento das mudanças climáticas.</p>
<p>Ainda assim, esse equilíbrio não é estável. Territórios quilombolas seguem sob pressão constante de conflitos fundiários, disputas legais e diferentes formas de violência que ameaçam as continuidades. Nesse cenário, a titulação das terras e a valorização das práticas locais surgem como caminhos centrais de proteção.</p>
<h3>Memória: instrumento de resistência</h3>
<p>Em Espírito Santo do Itá, em Santa Izabel do Pará, a liderança quilombola Sigla Regina encontrou na memória um instrumento de resistência. Em 2022, a comunidade fundou o Museu da Mandioca da Amazônia, iniciativa que articula cultura, história e preservação ambiental.</p>
<blockquote><p>“Nós contamos a história da mandioca na Amazônia e todo seu significado cultural, histórico e ambiental, já que o plantio ajuda a reduzir a emissão de poluentes. Nos posicionarmos com as vantagens das nossas práticas ajuda a afastar quem pretende invadir o território”, explica.</p></blockquote>
<figure id="attachment_42619" aria-describedby="caption-attachment-42619" style="width: 675px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-42619" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.52.27-300x211.jpeg" alt="" width="675" height="474" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.52.27-300x211.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.52.27-1024x721.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.52.27-768x541.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.52.27-150x106.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.52.27-450x317.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.52.27.jpeg 1079w" sizes="(max-width: 675px) 100vw, 675px" /><figcaption id="caption-attachment-42619" class="wp-caption-text">O Museu da Mandioca, em Espírito Santo do Itá, em Santa Izabel do Pará, foi criado em 2022. Foto: Reprodução Instagram</figcaption></figure>
<p>Sigla aponta que a disputa pelo território também passa por narrativas: o que é visto como produtivo ou improdutivo define, muitas vezes, o destino das terras.</p>
<blockquote><p>“Ainda existe uma mentalidade de que as comunidades ‘desperdiçam’ terras quando há muitas áreas verdes ou com alguma coisa que as pessoas não enxergam como produtiva de cara, o que leva a conflitos agrários, jurídicos. É cansativo demais, mas é uma luta que as comunidades enfrentam desde que o mundo é mundo”, diz.</p></blockquote>
<p>Para ela, fortalecer a identidade e a memória ancestral é uma estratégia de sobrevivência. Isso inclui transformar o território em espaço de referência, pesquisa e educação.</p>
<blockquote><p>“Se reconhecer como referência pode ser um pouco intimidador para povos que passaram séculos se vendo à margem da sociedade, mas isso é importante demais para preservar nossa terra e nosso futuro. Mergulhar na própria história, identificar os processos, mapear seus principais potenciais e ir atrás de parcerias é um recurso de sobrevivência e fé no futuro”, comenta.</p></blockquote>
<h3>Encontro entre mundos</h3>
<p>Para Maicon e Sigla, o enfrentamento da crise climática passa necessariamente pela aproximação entre saberes tradicionais e conhecimento científico. O que antes era tratado como universos separados começa a se encontrar em práticas, pesquisas e novas formas de pensar o futuro.</p>
<blockquote><p>“Por muito tempo, o conhecimento científico fechava os olhos para o conhecimento caboclo, da mesma forma que nós nos ressentíamos com eles achando que nossa produção era de valor inferior, mas as pesquisas geradas para compreender o estresse climático entenderam que existem pontos em comum, onde todos podem contribuir e crescer”, diz Maicon.</p></blockquote>
<figure id="attachment_42618" aria-describedby="caption-attachment-42618" style="width: 672px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-42618" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.53.25-300x244.jpeg" alt="" width="672" height="547" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.53.25-300x244.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.53.25-1024x833.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.53.25-768x625.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.53.25-150x122.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.53.25-450x366.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-13-at-09.53.25.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 672px) 100vw, 672px" /><figcaption id="caption-attachment-42618" class="wp-caption-text">Fortalecer a identidade e a memória ancestral é uma estratégia de sobrevivência. Foto: Reprodução Instagram</figcaption></figure>
<p>Sigla reforça que esse diálogo também transforma a percepção das novas gerações sobre seu próprio lugar no mundo:</p>
<blockquote><p>“Quando a criança e o adolescente que estão ali entendem que dá para unir os dois mundos, é um universo colorido se abrindo. Por muitos anos, para um quilombola ter mais educação era necessário renunciar às próprias origens. Ver que é possível trabalhar com a terra e defender o meio ambiente com base na própria origem é motivo de orgulho e esperança”, declara Sigla.</p></blockquote>
<p>Maicon vê nesse encontro uma possibilidade concreta de futuro, que passa pela educação, pela bioeconomia e pela valorização dos territórios quilombolas como espaços de inovação.</p>
<blockquote><p>“É uma grande melhoria contínua: se a educação chega no nosso território, teremos quilombolas na educação formal e que levam esse conhecimento da titulação formal e das oportunidades que ela traz. Com base nisso podemos criar tecnologias próprias, empreendimentos sociais, de bioeconomia. Já imaginou o impacto de cadeias inteiras com bases sustentáveis?”, questiona.</p></blockquote>
<p>Já Sigla resume a força da diversidade como princípio de meio ambiente, sociedade, inovação e oportunidades para o futuro:</p>
<blockquote><p>“A monocultura é uma mentira que o mercado predatório inventou, nunca foi um único caminho. Nós nascemos plantando mandioca, açaí, banana, pimenta, cacau, feijão, café. A variedade de produção é que nos permitiu chegar aqui e é ela que pode nos ajudar a enfrentar esses problemas climáticos”, declara.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Brasil aposta bilhões na agricultura regenerativa no Pará com apoio de coalizão empresarial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paloma Lobatto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 04 Aug 2025 16:58:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[AGRICULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[investimentos]]></category>
		<category><![CDATA[pará]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/IMG_4933-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />A agricultura regenerativa surge como uma das principais estratégias do setor empresarial brasileiro para avançar em soluções sustentáveis até a COP30. Com foco na produção rural de baixo carbono e na recuperação ambiental, o projeto Landscape Accelerator – Brazil (LAB) reúne instituições como o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o World Business [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/IMG_4933-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>A <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/agricultura-regenerativa-muda-realidade-de-regioes-desmatadas-no-para/" target="_blank" rel="noopener">agricultura regenerativa</a> surge como uma das principais estratégias do setor empresarial brasileiro para avançar em soluções sustentáveis até a COP30. Com foco na produção rural de baixo carbono e na recuperação ambiental, o projeto Landscape Accelerator – Brazil (LAB) reúne instituições como o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) e a consultoria BCG, contando ainda com o apoio técnico do Ministério da Agricultura.</p>
<p>O estado do Pará é uma das prioridades da iniciativa, dada sua importância para a segurança alimentar e a preservação da biodiversidade. Estudos recentes indicam que a região pode gerar até R$ 116 bilhões em valor até 2024, beneficiando diretamente milhares de agricultores familiares. As ifomrações são do <a href="https://umsoplaneta.globo.com/opiniao/colunas-e-blogs/direto-de-belem/post/2025/08/brasil-mira-bilhoes-em-agricultura-regenerativa-no-cerrado-e-para-com-apoio-de-coalizao-empresarial.ghtml" target="_blank" rel="noopener">Um Só Planeta</a>.</p>
<p>O <a href="https://www.paraterraboa.com/economia/agricultura-familiar-tera-credito-de-r-1-bi-no-norte-e-centro-oeste/">projeto visa acelerar a adoção de práticas sustentáveis,</a> como plantio direto, rotação diversificada de culturas, recomposição do solo, integração lavoura-pecuária-floresta e sistemas agroflorestais. Além de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, essas técnicas aumentam a resiliência climática e a produtividade nas propriedades rurais.</p>
<blockquote><p>“Estamos falando de uma agricultura que cuida do solo, protege a água, e valoriza quem produz. É uma transformação que precisa acontecer com apoio técnico, financiamento direcionado e escala territorial”, ressalta Marina Grossi, presidente do CEBDS.</p></blockquote>
<p>O Landscape Accelerator conecta produtores, empresas e investidores para fortalecer agricultura sustentável, mapeando oportunidades de financiamento climático e gerando indicadores de impacto. A iniciativa tem papel fundamental na aproximação da agricultura brasileira aos mercados internacionais mais rigorosos em sustentabilidade.</p>
<p style="text-align: left;">Essa proposta integra um conjunto de soluções empresariais que será apresentado à presidência da COP30 nas próximas semanas. A agenda do CEBDS prevê a articulação de coalizões e a construção de um legado para a conferência que acontecerá em novembro, na capital paraense.</p>
<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/agricultura-regenerativa-muda-realidade-de-regioes-desmatadas-no-para/" target="_top">Agricultura regenerativa muda realidade de regiões desmatadas no Pará</a></strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/a-agricultura-regenerativa-e-o-caminho-para-zerar-emissoes-de-gases-de-efeito-estufa-defende-nobre/" target="_top">A agricultura regenerativa é o caminho para zerar emissões de gases de efeito estufa, defende Nobre</a></strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/agricultura/saiba-o-que-e-a-agricultura-regenerativa/" target="_top">Saiba o que é a agricultura regenerativa</a></strong></p>
<p class="p1">
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		<title>Agricultura regenerativa muda realidade de regiões desmatadas no Pará</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 06 Feb 2025 14:43:08 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[#agrofloresta]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[Cacau Floresta]]></category>
		<category><![CDATA[combate ao desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[ILPF]]></category>
		<category><![CDATA[SAF]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/02/TNC23010_230508_1314-Maira-Erlich-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Práticas da agricultura regenerativa em regiões impactadas pelo desmatamento estão trazendo ótimos resultados no Pará, É o caso do município de São Félix do Xingu, no sudeste paraense. Por lá, mais de 1 mil hectares passaram por restauração ecológica e cerca de 2 mil hectares de pastagens degradadas foram convertidos em sistemas agroflorestais (SAFs) utilizando [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/02/TNC23010_230508_1314-Maira-Erlich-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Práticas da agricultura regenerativa em regiões impactadas pelo desmatamento estão trazendo ótimos resultados no Pará, É o caso do município de São Félix do Xingu, no sudeste paraense. Por lá, mais de 1 mil hectares passaram por restauração ecológica e cerca de 2 mil hectares de pastagens degradadas foram convertidos em sistemas agroflorestais (SAFs) utilizando uma espécie nativa da Amazônia: o cacau.</p>
<p>As ações envolvem, além so incentivo à implantação de SAFs com o projeto Cacau Floresta, mas também de sistemas de <a href="https://www.paraterraboa.com/agricultura/sistema-ilpf-garante-producao-rural-sustentavel-e-com-mais-rentabilidade/" target="_blank" rel="noopener">Integração Lavoura Pecuária e Florestas (ILPF)</a>.</p>
<p>Nas agroflorestas, há uma combinação entre a floresta e o cultivo de diversas espécies agrícolas de valor econômico, com colheitas realizadas em épocas diferentes. Já no ILPF, além dos elementos florestal e agrícola, também é incluída a criação de gado. Entre as vantagens desses sistemas estão o aumento da produção de alimentos sem a necessidade de expandir para áreas de floresta nativa, além de uma capacidade significativamente maior de sequestro de carbono quando comparada à pecuária extensiva, prática ainda muito comum na região.</p>
<p>De acordo com a Rodrigo Freire, líder de Áreas Privadas para a Amazônia da The Nature Conservancy (TNC) Brasil, é comum que pequenos produtores na Amazônia comprometam a saúde de suas terras investindo em um modelo de pecuária de baixa tecnologia, ou seja, na criação de gado sem cuidados de manejo que, com o tempo, acabam degradando suas terras e as deixando improdutivas.</p>
<blockquote><p>“Sem o conhecimento adequado, as pastagens degradam o solo, demandam novas áreas de florestas e comprometem a produtividade e geração de renda dos agricultores. Esse cenário leva a um processo contínuo de desmatamento e de degradação.</p></blockquote>
<p>Freire afirma que, há 10 anos na região, o projeto Cacau Floresta tem provado que o cultivo de cacau em sistemas agroflorestais é uma estratégia eficaz para recuperar essas áreas, gerar renda aos produtores rurais e, assim, combater o desmatamento ao romper com esse ciclo,  Mas é importantíssimo o papel da assistência técnica e extensão rural (ATER), que atende tanto demandas individuais quanto coletivas.</p>
<h3>Cacau Floresta</h3>
<p>Desde que foi criado o projeto Cacau Floresta já atendeu 600 famílias de São Félix do Xingu, Tucumã, Altamira, Vitória do Xingu, Brasil Novo, Medicilândia, Anapu e Pacajá, que produziram mais de 2 toneladas de cacau. Com a instituição do PNCPD, a expectativa é que mais produtores rurais possam ser beneficiados, o que deve contribuir para diminuir o passivo ambiental na região. Segundo a organização, são 579.745 hectares de pastagens degradadas em 13.203 propriedades de São Félix do Xingu e municípios do entorno que estão aptas ao PNCPD.</p>
<p>Para que essas áreas possam ser restauradas, no entanto, é necessário o fortalecimento de programas de regularização ambiental e fundiária, além de assegurar crédito e outros mecanismos financeiros. A injeção de recursos é apontada como essencial já que ajudaria a diminuir os custos com a regeneração, que atualmente gira em torno de R$ 5 mil por hectare em áreas de baixa aptidão produtiva e R$ 2.5 mil onde a degradação está em nível moderado.</p>
<blockquote><p>“O PNCDP, se implementado no estado do Pará, associado a iniciativas estaduais, como o Programa de Regularização Ambiental (PRA); Paisagens Sustentáveis; Plano Amazônia Agora; Política Estadual de Mudanças Climáticas com ênfase no Programa Estadual de Boas Práticas Produtivas e Programa Estadual de Recuperação da Vegetação Nativa, ganhará muita velocidade em um ambiente de programa integrados e contribuirá fortemente com as metas de todos estes programas”, analisa Francisco Fonseca, especialista em governança público-privada na pecuária amazônica da TNC.</p></blockquote>
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		<title>A agricultura regenerativa é o caminho para zerar emissões de gases de efeito estufa, defende Nobre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 17 Sep 2024 16:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[biocombistíveis]]></category>
		<category><![CDATA[carbono]]></category>
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		<category><![CDATA[gases de efeito estufa]]></category>
		<category><![CDATA[inundações]]></category>
		<category><![CDATA[mudanças climáticas]]></category>
		<category><![CDATA[secas]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/05/pecuaria_regenerativa-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />O climatologista Carlos Nobre afirma que a agricultura regenerativa é o caminho para zerar as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera. Daí, a importância do agronegócio brasileiro se aliar a projetos de restauração de biomas e de produtores rurais adotarem práticas regenerativas. “A agricultura regenerativa mantém a cultura, restaura a vegetação, restaura a [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/05/pecuaria_regenerativa-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>O climatologista Carlos Nobre afirma que a <a href="https://www.paraterraboa.com/agricultura/saiba-o-que-e-a-agricultura-regenerativa/" target="_blank" rel="noopener">agricultura regenerativa</a> é o caminho para zerar as <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/aumento-das-queimadas-torna-amazonia-a-maior-emissora-de-gases-do-efeito-estufa-do-mundo/" target="_blank" rel="noopener">emissões de gases de efeito estufa na atmosfera</a>. Daí, a importância do agronegócio brasileiro se aliar a projetos de restauração de biomas e de produtores rurais adotarem práticas regenerativas.</p>
<blockquote><p>“A agricultura regenerativa mantém a cultura, restaura a vegetação, restaura a biodiversidade e gera uma quantidade grande de polinizadores”, disse.</p></blockquote>
<p>De acordo com Nobre, o mundo já está há 14 meses com uma temperatura média 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, e isso está diretamente relacionado à “explosão” de casos de eventos climáticos extremos, como grandes inundações e <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/brasil-enfrenta-a-pior-seca-de-sua-historia-recente-informa-o-cemaden/" target="_blank" rel="noopener">secas severas.</a> Para ele, a agricultura regenerativa é também uma arma poderosa contra as mudanças do clima.</p>
<p>Práticas regenerativas não são apenas ideais para equilibrar o clima, mas porque resultam em mais produtividade e lucratividade. Para ele, a lentidão para a adoção de práticas regenerativas no campo no Brasil é um desafio cultural. Ele citou países desenvolvidos, que já estão reduzindo sua área agrícola há décadas sem prejuízo da oferta de alimentos.</p>
<blockquote><p>&#8220;Nos Estados Unidos e na Europa, só diminui a área total da agricultura há décadas e só aumenta a produção, por causa de toda a ciência trazida. A China já vem reduzindo há mais de 20 anos a área da agricultura&#8221;, citou.</p></blockquote>
<p>Ele destacou a ambiciosa iniciativa chinesa de reflorestamento em larga escala, ao mesmo tempo em que o país busca intensificar a produção agrícola urbana para reduzir sua dependência de importações de alimentos. de países vulneráveis a crises climáticas, como o Brasil.</p>
<p>Paralelamente, Nobre defendeu o uso de biocombustíveis derivados da cana-de-açúcar, destacando a neutralidade de carbono desse processo devido à rebrota da planta.</p>
<p><strong>LEIA MAIS</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/agricultura/saiba-o-que-e-a-agricultura-regenerativa/" target="_top" rel="noopener">Saiba o que é a agricultura regenerativa</a></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>COP28: Pará vai recuperar 173 mil hectares até 2025 com agricultura sustentável, promete Helder</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabricio Queiroz]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 Dec 2023 14:09:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[140 mil hectares]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[produção sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[sistemas alimentares]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/12/helder-cop28-Audiovisual-PR-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Nos preparativos para sediar a COP30, o Governo do Pará anunciou que 173 mil hectares de áreas degradadas serão recuperados até 2025 com agricultura regenerativa. A expectativa é que 4 mil famílias sejam beneficiadas pelo plano que prevê investimentos em produção sustentável. O anúncio era uma das entregas previstas pelo estado e foi feito pelo [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/12/helder-cop28-Audiovisual-PR-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Nos preparativos para sediar a COP30, o Governo do Pará anunciou que 173 mil hectares de áreas degradadas serão recuperados até 2025 com agricultura regenerativa. A expectativa é que 4 mil famílias sejam beneficiadas pelo plano que prevê investimentos em produção sustentável.</p>
<p>O anúncio era uma das entregas previstas pelo estado e foi feito pelo governador Helder Barbalho na segunda-feira, 4, na COP28, em Dubai. Durante a apresentação, ele ressaltou que o Pará tem 75% de floresta nativa e preservada e os 25% restantes são destinados a produção dentro do zoneamento econômico e ecológico em que a agricultura e a pecuária são contempladas em uma nova perspectiva.</p>
<blockquote><p>“O nosso objetivo, portanto, é introduzir uma nova cultura de uso da terra a partir da agricultura regenerativa, da pecuária regenerativa, da inclusão e integração das atividades econômicas a partir do sistema agroflorestal”, declarou o governador</p></blockquote>
<p>Para isso, no entanto, Barbalho frisou que é preciso avançar no financiamento climático. As estimativas do estado indicam que seriam necessários cerca de US$ 500 milhões para garantir ações de crédito, assistência e apoio rural que levem em conta a produção alimentar com a preservação da floresta.</p>
<h3>Plataforma</h3>
<p>Durante o painel, foi ressaltado que o Pará vai aproveitar as experiências que já possui na área para garantir o alcance da meta de regeneração de 140 mil hectares. A implementação e acompanhamento dos objetivos serão realizados por meio da Plataforma Territórios Sustentáveis, ferramenta já utilizada pelo estado para regularização ambiental e fundiária de produtores rurais.</p>
<blockquote><p>“Chegaremos até 2025, quando seremos honrosamente sede da COP30, demonstrando que é possível fazer a mudança e partir para a solução do planeta fazendo floresta viva valer mais do que floresta morta, e compreendendo que na Amazônia temos 29 milhões de pessoas que precisam ter capacidade de sobrevivência, condição de vida e o mundo precisa olhar pela floresta, pelos amazônidas, colaborando para que possamos ser protagonistas da transformação ambiental e social”, afirmou.</p></blockquote>
<p>A meta paraense para agricultura regenerativa está alinhada com a proposta da Conferência, que se propôs a debater os sistemas alimentares. Além disso, o Pará tem destaque na questão já que o governador integra o comitê responsável por discutir os objetivos globais em torno da questão.</p>
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		<title>Evitar desmatamento pode reduzir 857,94 milhões de toneladas de CO₂ por ano no Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 25 Oct 2023 12:22:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA["carbono azul"]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[carbono]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/08/floresta-para-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Você sabia que a ação com maior impacto na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) é reduzir o desmatamento? Estudo sobre o potencial das Soluções Baseadas na Natureza (SBN) no Brasil revela que a redução do desmate, principal fonte das emissões de dióxido de carbono no País, poderia diminuir o lançamento de [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/08/floresta-para-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Você sabia que a ação com maior impacto na redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) é reduzir o desmatamento?</p>
<p>Estudo sobre o potencial das Soluções Baseadas na Natureza (SBN) no Brasil revela que a redução do desmate, principal fonte das emissões de dióxido de carbono no País, poderia diminuir o lançamento de 857,94 milhões de toneladas de CO₂ na atmosfera anualmente, segundo o levantameto publicado com exclusividade pelo <a href="https://www.estadao.com.br/economia/governanca/evitar-desmatamento-reduzir-toneladas-co2-brasil/" target="_blank" rel="noopener">Estadão.</a></p>
<p>O dióxido de carbono (CO₂) proveniente da queima de combustíveis fósseis, queimadas e desmatamentos, é responsável por aproximadamente 60% dos gases do efeito estufa, de acordo com dados da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB).</p>
<p>Daí a urgência de combater o desmatamento, especialmente nas regiões da Amazônia e do Cerrado, e  buscar  soluções baseadas na natureza para redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE).</p>
<p>A agricultura regenerativa  é uma dessa soluções, já que a técnica gera receitas adicionais por meio de créditos de carbono, além de aumentar a resiliência dos sistemas agrícolas. Medidas de mitigação das emissões de GEE podem contribuir para uma estimativa de redução de 131,6 a 270,6 milhões de toneladas de CO₂ por ano.</p>
<p>Além da redução do desmatamento e a adoção de práticas de agricultura regenerativa, o estudo fala da restauração de ecossistemas e o &#8220;carbono azul&#8221; como os quatro pilares principais com o maior potencial de impacto.</p>
<p>O &#8220;carbono azul&#8221; refere-se à captura de carbono da atmosfera e dos oceanos e ao seu armazenamento em ecossistemas marinhos e costeiros.</p>
<p>A restauração, que busca restabelecer a estabilidade e o equilíbrio dos processos ambientais interrompidos pela ação humana, pode resultar na remoção de até 287,56 milhões de toneladas de CO₂ por ano, gerando créditos de carbono de remoção, diz o levantamento</p>
<p>Os custos de restauração variam entre os diferentes biomas brasileiros, com valores que variam de US$10,1 a US$108,3 por tonelada de CO₂ removido.</p>
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		<title>&#8216;Brasil lidera revolução biológica no planeta&#8217;, diz agrônomo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Jul 2021 23:20:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[AGRICULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura biológica]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura regenerativa]]></category>
		<category><![CDATA[Biotrop]]></category>
		<category><![CDATA[defensivos biológicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/07/milho-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />De acordo com o biólogo Antônio Carlos Zem, doutor em agronomia pela Esalq/USP e CEO da Biotrop, &#8220;o Brasil lidera a revolução biológica no planeta&#8221;. A declaração do pesquisador, dada em maio durante uma live, ilustra o momento em que o país vive na produção de insumos biológicos para a agricultura e pastagem. Enquanto a [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/07/milho-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>De acordo com o biólogo Antônio Carlos Zem, doutor em agronomia pela Esalq/USP e CEO da Biotrop, &#8220;o Brasil lidera a revolução biológica no planeta&#8221;. A declaração do pesquisador, dada em maio durante uma live, ilustra o momento em que o país vive na produção de insumos biológicos para a agricultura e pastagem. Enquanto a agricultura biológica cresce no mundo 12%, no Brasil, esse índice gira entre 35 a 40%, diz.</p>
<p>&#8220;Somos o país que mais cresce no uso de tecnologia biológica, sejam eles macros, como os parasitas predadores, as famosas vespinhas, ou os microorganismos baseados em fungos, bactérias e vírus. O importante é que a indústria entre e comece a produzir com qualidade, dê uma assistência técnica ao campo, leve esse produto ao pequeno e médio produtores, já que o grande está tendo acesso, e, principalmente, que os produtos venham com uma dose muito forte de custo-benefício&#8221;, afirma.</p>
<p>Segundo Zem, o mercado de defensivos agrícolas passa de US$ 12 bilhões no mundo por ano, enquanto, no Brasil, a estimativa é de que o setor movimente cerca de US$ 500 mi a US$ 600 milhões. &#8220;Crescendo a 35% por ano, dá para ver que, num cenário de 8 anos, os biológicos serão componentes extremamente importantes e de forte participação na agricultura brasileira&#8221;, acrescenta.</p>
<p>O uso de defensivos biológicos no campo está inserido no que hoje é chamado de agricultura regenerativa, que consiste, entre outros fatores, em:</p>
<ul>
<li>Rotação de culturas ou cultivo sucessivo de mais de uma planta na mesma terra;</li>
<li>Cobertura do cultivo ou plantio o ano todo para que a terra não fique em pousio durante as entressafras, o que ajuda a evitar a erosão do solo;</li>
<li>Cultivo com menos aração de campos;</li>
<li>Diminuição do uso de fertilizantes e pesticidas;</li>
<li>Bem-estar animal e práticas justas de trabalho para os trabalhadores.</li>
</ul>
<p>Os principais microorganismos dos defensivos biológicos são as bactérias, fungos e mycorrhiza, que apresentam modos de ação mais diversificados que os insumos químicos. Eles atuam em competição com microorganismos que podem provocar danos e doenças às plantas, como os neumatóides. Ajudam na aeração do solo, reduzem a carga química dos plantios e aumentam gradativamente a produtividade das culturas. Além disso, têm custo mais acessível.</p>
<p>Os produtos biológicos apresentam resultados mais rápidos quando associados a outras práticas, como rotação de cultura, plantio direto ou adição de matéria orgânica ao solo. Não são incompatíveis com os químicos, mas se complementam.</p>
<p>Além dos microorganismos, os insumos biológicos são desenvolvidos a partir de enzimas, extratos (de plantas ou de microrganismos), macrorganismos (invertebrados), metabólitos secundários e feromônios, destinados ao controle biológico. Esses insumos são também os ativos voltados à nutrição, os promotores de crescimento de plantas, os mitigadores de estresses bióticos e abióticos e os substitutivos de antibióticos, conforme definição da Embrapa.</p>
<p>&#8220;O produto chega na mão do produtor com vida de prateleira. Não precisa ser refrigerado, não requer condições muito extraordinárias para aplicar. Já no primeiro uso, na primeira safra, você já vê claramente os primeiros benefícios, como ocorre com as bactérias fixadoras de nitrogênio&#8221;, exemplifica.</p>
<p>Zem explica que, na proteção do plantio contra os neumatóides, por exemplo, as bactérias e fungos promovem o crescimento radicular da planta, &#8220;consequentemente ela tem uma melhor ancoragem, busca água, resiste mais ao estresse hídrico e absorve mais os nutrientes&#8221;. Hoje, no combate à praga, &#8220;os biológicos dominam os químicos&#8221;.</p>
<p>Quando abrimos um solo, seja no Cerrado ou na Caatinga, a vegetação nativa é removida, o solo recebe doses altas de calcário e herbicidas, a adubação é nitrogenada, &#8220;tudo isso diminui o equilíbrio natural que existia entre as plantas e os microorganismos&#8221;.</p>
<h3>Biológicos x químicos</h3>
<p>Não se trata de uma guerra entre os defensivos químicos e biológicos. A demanda crescente por biológicos se deve ao mercado consumidor de alimentos hoje preocupado com a origem dos produtos. &#8220;O que o mercado vem pedindo é a redução do grupo de químicos e redução da resistência dos patógenos. É muito caro desenvolver uma molécula de químicos, haja visto que há muito tempo não se lança uma. O químico, no entanto, é essencial para a agricultura&#8221;, acrescenta Ederson Santos, gerente de portfolio da Biotrop.</p>
<p>A mistura entre as duas fontes é importante, por exemplo, em grandes extensões, especialmente quando faltam recursos financeiros para cobrir milhares de hectares com defensivos químicos. &#8220;As formulações biológicas hoje permitem mais misturas (com os químicos), são mais compatíveis, dando respostas de alta eficiência&#8221;, diz.</p>
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