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	<title>GENTE DA TERRA &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<description>Um site para a gente boa desta terra</description>
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	<title>GENTE DA TERRA &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<item>
		<title>Cacau e açaí transformam fazenda de Castanhal em celeiro agroflorestal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 18:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
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		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-11-at-17.09.48-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo A Fazenda Monte Castelo, em Castanhal (PA), transformou mais de 60 anos de pecuária extensiva tradicional num modelo sustentável de Sistemas Agroflorestais (SAFs), liderado pelo ex-dentista Osny Ramos desde 2019.  O sistema consorcia o cultivo de cacau com açaí, pimenta-do-reino e baunilha de Madagascar. Com irrigação suspensa e adubação 70% orgânica (vinda da própria [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-11-at-17.09.48-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li>
<p data-path-to-node="0,0,0"><em>A Fazenda Monte Castelo, em Castanhal (PA), transformou mais de 60 anos de pecuária extensiva tradicional num modelo sustentável de Sistemas Agroflorestais (SAFs), liderado pelo ex-dentista Osny Ramos desde 2019.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="0,1,0"><em> O sistema consorcia o cultivo de cacau com açaí, pimenta-do-reino e baunilha de Madagascar. Com irrigação suspensa e adubação 70% orgânica (vinda da própria pecuária), a fazenda recuperou solos degradados e prevê produção 100% orgânica até 2027.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="0,2,0"><em>O investimento na fermentação das amêndoas rendeu a medalha de ouro no festival Chocolat Amazônia 2024. O sucesso impulsionou o lançamento da Caupé, uma marca de chocolates tree-to-bar, apresentada no Salon du Chocolat em Paris no fim de 2025.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="0,3,0"><em>Com uma área de 22 hectares e previsão de colher 35 toneladas de amêndoas, o projeto firmou uma parceria com uma comunidade quilombola vizinha, cedendo 5 mil mudas de cacau e oferecendo treinamento técnico para os moradores</em></p>
</li>
</ul>
<p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p data-path-to-node="4">Unir a recuperação do bioma amazônico ao desejo de estruturar um negócio financeiramente viável foi o ponto de partida para transformar a Fazenda Monte Castelo, em Castanhal (PA). O espaço, que por mais de seis décadas abrigou a criação extensiva de gado, agora serve de palco para um modelo agrícola que prioriza o meio ambiente.A mudança foi liderada pelo ex-dentista Osny Ramos, que após deixar a profissão por problemas de saúde, encontrou no chão da floresta um caminho inovador de recomeço.</p>
<p data-path-to-node="5">A transformação da fazenda, que começou em 2019. O que antes era um espaço dominado pela pecuária tradicional passou a ser redesenhado com base em sistemas agroflorestais, aproximando produção agrícola e recuperação ambiental. A inspiração veio de um técnico da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), que apresentou o potencial do cultivo de cacau como alternativa sustentável para a região.</p>
<p data-path-to-node="6">Para a <strong>Semana do Meio Ambiente</strong>, o <strong>Pará Terra Boa </strong>conversou com o produtor, que relembra que observava a movimentação do mercado e, diante da necessidade de mudar de profissão, só havia uma certeza: o negócio precisava ser sustentável.</p>
<blockquote><p>“O mundo está passando por transformações muito profundas para achar que dá para começar um negócio de qualquer jeito. Embora eu já soubesse que o futuro estava nos negócios sustentáveis, quando ouvi sobre o potencial regenerativo do cacau em Sistemas Agroflorestais (SAFs) pela primeira vez, algo aconteceu. Foi aí que veio o sinal de que este era o caminho certo”, relembra.</p></blockquote>
<p>Após a decisão inicial, Osny passou a compreender melhor as etapas de criação e estruturação de uma SAF e, ao observar a propriedade, viu seu projeto começar a ganhar forma.</p>
<blockquote><p>“Precisávamos escolher as culturas que fariam parte da SAF junto com o cacau e, depois de muita observação, chegamos ao açaí, por ser abundante, totalmente adaptado ao local, fazer parte da paisagem diária e ainda gerar um lucro extra por ser muito valorizado”, diz.</p></blockquote>
<p>Ele aponta ainda que há uma pequena área dedicada à pimenta-do-reino, mas que o cacau e o açaí ocupam os principais espaços. Para o empresário, a experimentação contínua faz parte do fortalecimento do sistema de plantio, ampliando a possibilidade de novos negócios.</p>
<blockquote><p>“É como um quebra-cabeça: se as culturas forem bem alinhadas, geram diversos ciclos de colheita ao longo do ano, gerando uma renda mais estável”, afirma.</p></blockquote>
<h3 data-path-to-node="12"><b data-path-to-node="12" data-index-in-node="0">Recuperação do Solo</b></h3>
<p data-path-to-node="12">Osny cita ainda que essa não é a primeira vez que a pimenta-do-reino é plantada no local. Ele comenta que o sogro, pesquisador aposentado da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), chegou a cultivar a especiaria por alguns anos, mas a degradação do solo impediu resultados melhores.</p>
<p data-path-to-node="13">“Tentamos por alguns anos, enquanto iniciávamos as SAFs, mas não deu certo. A história está ressurgindo agora, graças aos resultados iniciais da recuperação do solo. Foi possível reajustar um pouco da pecuária e do plantio da pimenta”, diz.</p>
<p data-path-to-node="14">O modelo adotado na propriedade aposta em irrigação eficiente e manejo cuidadoso do solo. Mangueiras suspensas garantem a distribuição de água, enquanto a adubação orgânica, em grande parte proveniente da própria atividade pecuária, ajuda a manter a fertilidade. Esse ciclo fechado reduz desperdícios e contribui ainda mais para a consolidação do sistema regenerativo.</p>
<p data-path-to-node="15">“O reaproveitamento do material da pecuária é responsável por cerca de 70% da adubação do que plantamos atualmente. Só no cacau, por exemplo, cada pé recebe 60 kg de adubo orgânico por ano. Se tudo der certo, entraremos em 2027 com produção 100% orgânica”, antecipa.</p>
<p><strong>Ponto de virada</strong></p>
<p>Enquanto produzia o equivalente a 1.700 quilos de cacau por hectare, Osny começou a fabricar cacau fermentado sem saber que boa parte dos produtores locais comercializava a amêndoa não fermentada. Ao perceber essa diferença, tomou uma decisão que poderia impulsioná-lo no mercado.</p>
<figure id="attachment_42592" aria-describedby="caption-attachment-42592" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-42592" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0.jpg 800w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0-450x300.jpg 450w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-42592" class="wp-caption-text">Osny foi um dos vencedores de uma premiação do Chocolat Amazônia 2024 que premiou as melhores amêndoas de cacau do Pará. Foto: Mateus Costa/Sedap</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Mandei uma amostra para um festival estadual de qualidade de amêndoas, em 2024, e ganhei o ouro. Fiquei impressionado, porque era uma aposta muito alta que trouxe um retorno imenso, graças a Deus. Isso chamou tanta atenção que lançamos a Caupé, nossa marca de chocolates ancestrais, já no ano seguinte, no fim de 2025”, conta.</p></blockquote>
<p data-path-to-node="19">A Caupé foi lançada em pleno Salon du Chocolat, em Paris, sob o conceito de marca “tree-to-bar”, nome dado às empresas que controlam todo o processo de produção do chocolate, desde o plantio e cultivo do cacau até a fabricação da barra final, garantindo rastreabilidade total, sustentabilidade e alta qualidade.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="20">“Foi a realização de um sonho. Fazemos vendas para dentro e fora do estado, além de produzirmos eventos com nosso chocolate. Em breve, espero estar dando um passo além e anunciando mais essa novidade”, diz.</p>
</blockquote>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DQkwwVDisXo/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DQkwwVDisXo/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">Um post compartilhado por Caupé (@caupe_cacau)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></p>
<h3><strong>Crescimento conjunto</strong></h3>
<p data-path-to-node="21">Com o aumento da demanda pelo chocolate, o empresário começou a investir em uma pequena agroindústria fora da fazenda para o processamento do cacau, devido às limitações no fornecimento de energia. Ainda em 2025, firmou uma parceria com uma comunidade quilombola vizinha para realizar um teste de plantio adensado de cacau. A aposta agora é aumentar a produtividade por hectare.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="22">“Nós já temos uma parceria de anos, e este passo consolida tudo isso. O presidente do quilombo trabalha na fazenda há décadas, e parte dos nossos funcionários é de lá. Essa união mostra que, quando plantamos o que é bom, frutifica”, afirma.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="23">Ao todo, ele cedeu 5 mil mudas para o plantio em estacas, executado em 1 hectare do quilombo. Além disso, parte da comunidade recebeu treinamento técnico para monitorar a produção.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="24">“Como uma parte deles já trabalha conosco, alguns já conhecem os processos. Agora, outros foram treinados, o que vai gerar uma equipe ainda mais qualificada. Estamos semeando nossos parceiros”, declara.</p>
</blockquote>
<h3><strong>Em expansão</strong></h3>
<p data-path-to-node="25">Osny revelou também que iniciou testes de plantio de baunilha de Madagascar à sombra do cacau. Ele estima que, junto ao açaí e ao cacau, a baunilha pode ajudar a gerar renda de até R$ 200 mil por hectare.</p>
<p data-path-to-node="26">Hoje, a área já convertida para o sistema agroflorestal ocupa 22 hectares e continua em expansão. O plano é ampliar o consórcio de espécies, incluindo árvores de grande porte, como andiroba e castanheira. Fora isso, a aproximação da estrutura da própria floresta deve ajudar a aumentar a produção de amêndoas já neste ano, subindo de 32 para 35 toneladas.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="27">“Estamos construindo um bom caminho para o meio ambiente, para a remuneração justa e para o uso da sustentabilidade como princípio. Se você cuida bem da terra, ela retribui, e isso já vejo ano após ano. A restauração total da área promete um futuro ainda mais promissor para todos nós”, conclui.</p>
</blockquote>
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			</item>
		<item>
		<title>Jovem do Pará leva projeto sustentável com caroço de açaí à conferência mundial</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/jovem-do-para-leva-projeto-sustentavel-com-caroco-de-acai-a-conferencia-mundial/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 16:00:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[Abaetetuba]]></category>
		<category><![CDATA[açaí]]></category>
		<category><![CDATA[coooperativismo]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
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		<category><![CDATA[reaproveitamento]]></category>
		<category><![CDATA[Unaí Biopainéis]]></category>
		<category><![CDATA[washington filho]]></category>
		<category><![CDATA[World Credit Union Conference]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/unai-ascom-sicredi-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Washington Ferreira Nascimento Filho, 25 anos, de Abaetetuba (PA), vai representar o Brasil na World Credit Union Conference (WCUC), em Sydney, em julho de 2026 Seu projeto, a Unaí, transforma caroços de açaí — hoje descartados em ruas e rios — em materiais para construção civil, arquitetura e design O jovem foi um dos [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/unai-ascom-sicredi-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em><strong>Washington Ferreira Nascimento Filho</strong>, 25 anos, de <strong>Abaetetuba (PA)</strong>, vai representar o Brasil na <strong>World Credit Union Conference (WCUC)</strong>, em <strong>Sydney</strong>, em julho de 2026</em></li>
<li class="font-claude-response-body whitespace-normal break-words pl-2"><em>Seu projeto, a <strong>Unaí</strong>, transforma <strong>caroços de açaí</strong> — hoje descartados em ruas e rios — em materiais para <strong>construção civil</strong>, <strong>arquitetura</strong> e <strong>design</strong></em></li>
<li class="font-claude-response-body whitespace-normal break-words pl-2"><em>O jovem foi um dos <strong>oito vencedores</strong> da bolsa <strong>WYCUP 2026</strong>, selecionado entre quase <strong>cem projetos</strong> de diferentes países</em></li>
<li class="font-claude-response-body whitespace-normal break-words pl-2"><em>Segundo a <strong>Embrapa</strong>, até <strong>80% do açaí</strong> consumido na alimentação vira <strong>resíduo sólido</strong></em></li>
<li class="font-claude-response-body whitespace-normal break-words pl-2"><em>A Unaí já atende <strong>marcas de grande porte</strong>, <strong>arquitetos</strong>, <strong>construtoras</strong> e <strong>designers</strong> em diferentes estados do Brasil</em></li>
</ul>
<p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p>Aos 25 anos, o empreendedor Washington Ferreira Nascimento Filho sairá de Abaetetuba, no Nordeste do Pará, para representar o Brasil em uma das maiores conferências mundiais do cooperativismo, a World Credit Union Conference (WCUC), que será realizada em julho de 2026, em Sydney, na Austrália.</p>
<p>O criador da <a href="https://www.paraterraboa.com/economia/empresa-paraense-transforma-residuo-do-acai-em-opcao-sustentavel-para-a-arquitetura/" target="_blank" rel="noopener">Unaí, iniciativa que transforma resíduos do açaí em produtos sustentáveis </a>voltados para a construção civil, arquitetura e design, está entre os oito vencedores da bolsa World Council of Young Credit Union Professionals (WYCUP 2026), escolhidos entre quase cem projetos de diferentes países. Agora, o projeto que leva mais sustentabilidade à cadeia do açaí terá seu impacto social, ambiental e econômico reconhecido de forma internacional.</p>
<blockquote><p>“Essa conquista é um ganho coletivo que vai beneficiar toda a cadeia produtiva e o ecossistema de produções sustentáveis. É possível fazer centenas de coisas a partir do reaproveitamento do que é resíduo de cada etapa da cadeia produtiva e é uma honra levar essa ideia nascida aqui para o holofote internacional”, diz Washington ao <strong>Pará Terra Boa.</strong></p></blockquote>
<p>A seleção internacional coloca em evidência não apenas a trajetória do jovem paraense, já abordada pelo <strong>Pará Terra Boa</strong> no início de 2026, mas também o potencial da bioeconomia amazônica como alternativa sustentável para o futuro.</p>
<p>Em um momento em que o mundo volta os olhos para a preservação ambiental e para soluções de baixo impacto ecológico, a experiência desenvolvida em Abaetetuba ganha força como exemplo de inovação nascida na floresta.</p>
<h3>Respeito ao ecossistema como legado</h3>
<p>A iniciativa surgiu a partir de um problema que Washington acompanha desde a infância. Embora o Pará seja o maior produtor mundial de açaí, toneladas de caroços são descartadas diariamente após o processamento da fruta.</p>
<p>Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o açaí consumido na alimentação representa entre 15 e 20% do uso do fruto, já os 80% restantes acabam transformados em resíduo sólido que acaba acumulado em ruas, canais e margens de rios.</p>
<blockquote><p>“Desde muito cedo observamos esse acúmulo nas cidades e nas comunidades ribeirinhas. Embora faça parte de quem somos, esse resíduo não deixa de ser um problema ambiental”, afirma Washington.</p></blockquote>
<p>Hoje, os produtos da Unaí são utilizados em revestimentos internos e externos, decoração e até utensílios personalizados, como pias e estruturas de iluminação. A empresa já desenvolveu projetos para marcas de grande porte, além de parcerias com arquitetos, construtoras e designers em diferentes estados do país.</p>
<figure id="attachment_40517" aria-describedby="caption-attachment-40517" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-large wp-image-40517" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-1024x761.jpeg" alt="" width="814" height="605" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-1024x761.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-300x223.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-768x571.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-150x112.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-450x335.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-40517" class="wp-caption-text">Revestimento interno de restaurante em Belém feito com painéis da Unaí. Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<p>Além do impacto ambiental, o projeto também fortalece cadeias produtivas locais. Por meio de parcerias com cooperativas e batedores de açaí de Abaetetuba, os resíduos que antes eram descartados passam a gerar renda e a movimentar a economia sustentável da região.</p>
<blockquote><p>“Cada projeto mostra que o resíduo do açaí pode ocupar espaços nobres da arquitetura e do design. Hoje você pode estar em um estabelecimento cuja construção apoia a economia sustentável e todo o ecossistema de trabalhadores que vivem da floresta”, explica o empreendedor.</p></blockquote>
<p>A participação na conferência internacional representa um novo passo para ampliar o alcance da ideia. Em Sydney, Washington pretende compartilhar experiências sobre bioeconomia e cooperativismo, além de buscar conexões e aprendizados que possam fortalecer ainda mais o projeto no Brasil.</p>
<p>A conquista, porém, ultrapassa a trajetória individual do pesquisador. Para o jovem, ela simboliza a força criativa da juventude amazônica, que transforma conhecimento local em soluções capazes de dialogar com desafios globais.</p>
<figure id="attachment_40516" aria-describedby="caption-attachment-40516" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="size-large wp-image-40516" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1021x1024.jpeg" alt="" width="814" height="816" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1021x1024.jpeg 1021w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-300x300.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-150x150.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-768x770.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-450x451.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-40516" class="wp-caption-text">Moagem de caroços de açaí após a extração da polpa. Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<blockquote><p>&#8220;Nossa grande oportunidade de criar um legado passa por dois pontos: atrair investidores e parceiros para ampliar nosso alcance e levar esse trabalho para todo o estado, mas principalmente incentivar outros jovens a tirar seus projetos do papel. Esse projeto nasceu a partir de um conhecimento de toda a vida sobre o açaí; mas quem tem vivência com castanha, andiroba, cumaru e outros consegue criar outras iniciativas igualmente sustentáveis e que fortalecem a bioeconomia do nosso estado e da Amazônia&#8221;, declara.</p></blockquote>
<p><strong>LEIA MAIS</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/agricultura/de-coisa-de-caboclo-ao-superalimento-como-o-acai-esta-transformando-geracoes-na-amazonia/" target="_blank" rel="noopener">De ‘coisa de caboclo’ ao superalimento: como o açaí está transformando gerações na Amazônia</a></strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/economia/acai-ganha-status-de-fruta-nacional-e-reforco-de-tecnologia-e-investimento/" target="_blank" rel="noopener">Açaí ganha status de fruta nacional e reforço de tecnologia e investimento</a></strong></p>
]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Mães da terra: mulheres transformam o campo com sustentabilidade e força coletiva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 May 2026 11:23:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[agricultoras]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura no pará]]></category>
		<category><![CDATA[empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres no campo]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-07-at-16.41.28-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Tereza Coelho Antes do amanhecer, elas já dividiram o tempo entre o cuidado com os filhos, o café no fogão e o manejo da roça. Neste Dia das Mães, o olhar se volta para as mulheres que personificam a multifuncionalidade no campo: aquelas que administram propriedades, lideram cooperativas e movimentam a economia, provando que [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-07-at-16.41.28-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p>Antes do amanhecer, elas já dividiram o tempo entre o cuidado com os filhos, o café no fogão e o manejo da roça. Neste Dia das Mães, o olhar se volta para as mulheres que personificam a multifuncionalidade no campo: aquelas que administram propriedades, lideram cooperativas e movimentam a economia, provando que sustentabilidade e produção caminham juntas.</p>
<p>Segundo o último Censo Agropecuário do IBGE, as mulheres dirigem ou codirigem cerca de 1,7 milhão de propriedades rurais no Brasil. No Pará, essa força é nítida em mais de 57 mil estabelecimentos gerenciados por elas — o equivalente a 20% do total do estado. Em sua maioria, são produtoras acima dos 45 anos que atuam na agricultura familiar, quintais agroflorestais e pecuária, conciliando a geração de renda com a missão de garantir a segurança alimentar de suas famílias.</p>
<p>Com tantas responsabilidades acumuladas entre a maternidade e a gestão da terra, o que essas mulheres gostariam de compartilhar?</p>
<p>Neste Dia das Mães, o <strong>Pará Terra Boa</strong> ouviu quem faz do cuidado a sua maior ferramenta de produtividade.</p>
<h3><strong>“Administrar uma família é um grande trabalho de gestão”</strong></h3>
<p>Há 12 anos, a produtora rural Maria Gorete Ribeiro trocou a vida urbana e o trabalho como secretária pela rotina no campo. Hoje, à frente de uma propriedade de 78 hectares em Novo Repartimento, ela se tornou referência em manejo sustentável e regularização ambiental na pecuária paraense.</p>
<figure id="attachment_42529" aria-describedby="caption-attachment-42529" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-42529" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957.jpg 800w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957-768x513.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957-450x300.jpg 450w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-42529" class="wp-caption-text">Maria Gorete em sua propriedade em Novo Repartimento. Foto: André Dib/TNC</figcaption></figure>
<p>Graças ao trabalho diário e à busca por políticas públicas, ela foi a primeira produtora do município a identificar todo o rebanho e realizar venda direta ao frigorífico.</p>
<blockquote><p>“Quando está tudo dentro das regras, fica mais fácil ter novas oportunidades e conquistar mais entrada no mercado e em projetos de incentivo. Isso é fundamental para que mais pessoas se engajem na produção sustentável”, diz.</p></blockquote>
<p>Mas o caminho não foi simples. Além dos desafios técnicos, Gorete precisou enfrentar o preconceito por ser mulher em um setor historicamente masculino.</p>
<blockquote><p>“Por muito tempo os caras não queriam me respeitar por eu ser mãe, mulher, proprietária. Tive de mostrar resultados muito acima da média para conquistar respeito, o que é péssimo. A única parte boa disso é que você vira referência quando prova que dá para produzir de forma sustentável e ter vantagens práticas”, conta.</p></blockquote>
<p>Hoje, ela é frequentemente convidada para conversar com outras produtoras sobre regularização ambiental, sustentabilidade e gestão rural. E é justamente na experiência de mãe e chefe de família que ela diz encontrar força para administrar o negócio.</p>
<blockquote><p>“Existe um julgamento que nem sempre é dito na cara (por ser mulher e mãe). Algumas pessoas olham como se a sua capacidade fosse menor por administrar a família e ao mesmo tempo cuidar da terra, do gado e do dinheiro. Administrar uma família envolve tantos detalhes que jamais pensariam isso, se soubessem o grande trabalho de gestão que é manter uma família de pé&#8221;, declara.</p></blockquote>
<p>Para Gorete, as políticas públicas voltadas ao campo fazem diferença concreta na vida dessas famílias chefiadas pelas mães, avós e tias.</p>
<blockquote><p>“Quando aquela mãe vê que existem políticas públicas suficientes para dar apoio ao trabalho dela, tipo um Pronaf Mulher, é quase a mesma coisa do que ter alguém para ajudar com os filhos numa emergência. O apoio do governo é fundamental e ajuda a salvar vidas”, frisa.</p></blockquote>
<h3><strong>“Sonhar junto vai mudar o futuro da nossa comunidade”</strong></h3>
<p>Na Terra Quilombola Moju-Miri, o trabalho coletivo é parte da sobrevivência e da construção do futuro.</p>
<p>Michele Cardoso é uma das criadoras da Kakau Rivier, marca de chocolates e derivados do cacau desenvolvida por sete famílias da comunidade. Filha e neta de agricultores, ela cresceu vendo o trabalho na roça como parte da identidade familiar, mas percebeu cedo que seria preciso inovar para garantir renda e permanência das novas gerações no território.</p>
<blockquote><p>“Viver é cada vez mais caro, embora a gente tenha uma boa disposição do básico para alimentação, só ela não basta para que nossos filhos também tenham uma vida digna”, explica.</p></blockquote>
<p>Na comunidade, as decisões e os desafios são compartilhados, o que também reflete na produção agrícola e na adoção de práticas sustentáveis como Sistemas Agroflorestais, onde mesclam plantios de cacau com cupuaçu, banana e outras culturas.</p>
<blockquote><p>“Uma parte muito importante do nosso conhecimento da roça vem do que nossos pais, tios e avós aprenderam ao longo da vida. Agora que podemos estudar mais e entender melhor os programas de incentivo, entramos numa nova fase de juntar o que sabemos desde sempre com o que a ciência avançou&#8221;, cita.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Michele acredita que a chegada de escolas, universidades e políticas voltadas ao campo vem mudando a relação dos jovens com a vida rural.</p>
<blockquote><p>“Por muito tempo existia aquela ideia nos meninos e nas meninas de que precisava ir para a cidade grande para fazer a vida. Aos poucos isso está mudando. Nem todo mundo é mais obrigado a abandonar a terra pra virar gente&#8221;, declara.</p></blockquote>
<p>Para ela, iniciativas sustentáveis têm impacto muito além da produção: possuem o poder de unir famílias, alinhar propósitos e reinventar o próprio futuro, consolidando um sonho coletivo de décadas. Entretanto, a manutenção desses direitos pode ser preservada (e ampliada) por um instrumento importante: o investimento em políticas públicas.</p>
<figure id="attachment_42530" aria-describedby="caption-attachment-42530" style="width: 802px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-42530" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram.jpg" alt="" width="802" height="931" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram.jpg 802w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram-258x300.jpg 258w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram-768x892.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram-150x174.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram-450x522.jpg 450w" sizes="(max-width: 802px) 100vw, 802px" /><figcaption id="caption-attachment-42530" class="wp-caption-text">Representantes da comunidade de Moju-Miri em evento sobre cacau. Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Projetos e leis que ajudam a cuidar do campo não geram bem só para a natureza, mas para as famílias, para a autoestima e para as comunidades que fazem a economia girar. Um sonho sonhado junto dos nossos pode mudar uma vida inteira”, comenta.</p></blockquote>
<h3>Jornada dupla de força e resiliência</h3>
<p>A experiência da agricultora e empreendedora Ginelda Lima, de Tomé-Açu, carrega marcas profundas de uma história bem conhecida na Amazônia: infância ribeirinha, maternidade precoce e pobreza. Entretanto, uma trajetória que parecia ter um roteiro pronto foi transformada graças ao trabalho coletivo e à resiliência.</p>
<p>Filha de indígenas e caboclos, ela narra que chegou a Tomé-Açu ainda criança, depois que a mãe se separou do pai e precisou criar sozinha nove filhos. Sem nunca ter frequentado escola até os 12 anos, ela cresceu vendo a mãe sustentar a família produzindo farinha.</p>
<blockquote><p>“Eu não me tornei agricultora, eu nasci agricultora&#8221;, afirma.</p></blockquote>
<p>Embora tivesse o sonho de ter uma casa de farinha, a vida seguiu por caminhos difíceis. Ginelda casou aos 14 anos, foi mãe ainda adolescente e anos depois acabou abandonada pelo marido. Desempregada e com as filhas cursando faculdade em Belém, ela encontrou na mandioca uma forma de sobreviver.</p>
<blockquote><p>“Eu vendia mandioca ralada cedo nas padarias para sustentar minhas filhas. Era a única forma de conseguir dinheiro para ajudar elas”, relembra.</p></blockquote>
<p>Foi nesse período que o turismo de base comunitária trouxe visitantes canadenses que mudariam sua vida. Encantados com sua história e com o trabalho coletivo desenvolvido no sítio, eles decidiram financiar a construção da tão sonhada Casa de Farinha Quebec, que leva no nome a lembrança deste encontro.</p>
<p>Hoje, o empreendimento possui certificações nacionais, vende para outros países, abastece programas de merenda escolar e reúne dezenas de famílias fornecedoras.</p>
<blockquote><p>“Meus filhos foram criados com a agricultura e isso é motivo de muito orgulho. O trabalho na terra é tão ancestral quanto a própria maternidade”, celebra.</p></blockquote>
<p>Ao longo do tempo, a produção também passou a incorporar sistemas agroflorestais, com o plantio de mandioca integrado a espécies como açaí, cacau, cupuaçu, castanha-do-pará, cumaru e seringueira. Atualmente, a casa de farinha compra dos pequenos agricultores, processa e vende, gerando renda contínua para todos.</p>
<p>Entretanto, ela afirma que uma das maiores conquistas foi gerar oportunidades para outras mulheres, especialmente mães solo, que as vezes se enxergam sem saída no momento do abandono.</p>
<blockquote><p>“A casa de farinha ajudou muito as mulheres solteiras, mães que não tinham condições. Hoje existe planejamento da roça, assistência técnica, parceria com prefeitura, sementes. Elas plantam e me vendem de volta. Todas sustentando suas famílias e sonhos com dignidade&#8221;, detalha.</p></blockquote>
<figure id="attachment_42533" aria-describedby="caption-attachment-42533" style="width: 814px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-42533" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-1024x576.jpg" alt="" width="814" height="458" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-1024x576.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-300x169.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-768x432.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-1536x864.jpg 1536w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-150x84.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-450x253.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-1200x675.jpg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321.jpg 1599w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-42533" class="wp-caption-text">Ginelda (em destaque) recebendo grupos de instituições na casa de farinha promovendo formação em práticas sustentáveis. Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<p>Ao olhar para trás, ela resume a trajetória com a frase que sua avó gostava de dizer: “Sonho que se sonha só é só um sonho. Mas sonho que se sonha junto se torna realidade&#8221;. Em seguida, dá um recado para mães, avós e mulheres.</p>
<blockquote><p>&#8220;Busquem informação, seja de turismo comunitário, SAFs, negócios sustentáveis, pagamento por serviços ambientais e bioeconomia. Nada é tão nosso quanto ter nosso sustento e dos nossos filhos garantidos. Tem um monte de políticas públicas aí que dizem que vai nos beneficiar e outras tantas que já foram criadas nos últimos anos, vão atrás delas. Uma conversa com líder comunitário ou alguém de um escritório rural pode trazer a transformação que a sua vida precisa&#8221;, diz.</p></blockquote>
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		<title>Diagnóstico aponta gargalos na regularização de territórios quilombolas no Pará</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 15:48:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque1]]></category>
		<category><![CDATA[IPAM]]></category>
		<category><![CDATA[Malungu]]></category>
		<category><![CDATA[quilombos]]></category>
		<category><![CDATA[regularização fundiária]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/9412_47552-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Um novo diagnóstico que sistematiza dados de 52 territórios quilombolas foi apresentado durante a 16ª Mesa Quilombola Estadual, em Belém. O trabalho, fruto de uma parceria entre o Ipam, a Malungu e a iniciativa “Tô no Mapa”, revela que muitas comunidades ainda vivem em invisibilidade administrativa, sem qualquer camada de proteção oficial ou processo de [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/9412_47552-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Um novo diagnóstico que sistematiza dados de 52 territórios quilombolas foi apresentado durante a 16ª Mesa Quilombola Estadual, em Belém. O trabalho, fruto de uma parceria entre o Ipam, a Malungu e a iniciativa “Tô no Mapa”, revela que muitas comunidades ainda vivem em invisibilidade administrativa, sem qualquer camada de proteção oficial ou processo de titulação iniciado.</p>
<p>O levantamento abrange municípios como Abaetetuba, Acará, Baião, Barcarena, Cametá, Moju, Oeiras do Pará e a região do Marajó (Salvaterra, Soure e Cachoeira do Arari).</p>
<p>Segundo Raquel Poça, pesquisadora do Ipam, o foco é o reconhecimento.</p>
<blockquote><p>“Estamos identificando áreas que já são ocupadas por comunidades quilombolas, mas que ainda não entraram em nenhuma base oficial de cadastro e não possuem nenhuma camada de proteção, seja por certificação, processos fundiários ou mesmo cadastro ambiental.”</p></blockquote>
<h3>Gargalos na regularização</h3>
<p>O estudo aponta que 19 comunidades sequer possuem processo de regularização tramitando. Destas, oito estão em áreas estaduais, três em federais e oito ainda aguardam definição de competência.</p>
<p>A análise também evidencia diferenças entre as regionais.</p>
<p>Na região da Guajarina, comunidades como São José e Trindade enfrentam vulnerabilidade extrema por não possuírem nem mesmo o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Em muitos casos, também foram identificadas situações de sobreposição de direitos, conflitos territoriais e ausência de informações consolidadas sobre a dominialidade das áreas.</p>
<p>Em outras regiões, como Nordeste e Marajó, foram identificados casos de conflitos, indefinição fundiária e processos de regularização ainda não iniciados.</p>
<p>Para o presidente do Iterpa, Bruno Kono, o diagnóstico fortalece a gestão pública.</p>
<blockquote><p>&#8220;Os materiais demonstram que a pauta territorial quilombola é conduzida de forma compartilhada entre comunidades e instituições, com responsabilidades divididas para acelerar a regularização fundiária.”</p></blockquote>
<h3>Fortalecimento e autonomia</h3>
<p>O levantamento também incorporou informações sobre conflitos territoriais e situações específicas de cada comunidade, ampliando a capacidade de análise para além do reconhecimento formal dos territórios. Com isso, o material passa a apoiar não apenas processos de regularização, mas também a gestão territorial das comunidades quilombolas no estado.</p>
<p>A partir desse processo, foi realizado o cruzamento dos dados territoriais com informações sobre políticas públicas, situação fundiária e instrumentos de regularização. Esse trabalho permitiu transformar o conjunto de dados em um diagnóstico estruturado, capaz de subsidiar o encaminhamento de demandas de forma mais precisa.</p>
<p>O diagnóstico foi construído por meio do &#8220;automapeamento&#8221;, onde as próprias comunidades utilizam ferramentas digitais para delimitar suas áreas. Érika Thaís, coordenadora da Malungu, destaca o impacto para as associações.</p>
<blockquote><p>“Esse processo foi muito benéfico para a Malungu. Conseguimos chegar aos territórios, escutar as comunidades e realizar o automapeamento a partir do olhar de quem vive nesses espaços. Isso fortalece não só o reconhecimento dos territórios, mas também a autonomia das próprias comunidades.”</p></blockquote>
<p>A pesquisadora do Ipam, Isabel Castro, ressalta que o automapeamento oferece uma segurança imediata.</p>
<blockquote><p>“O grande diferencial é que os próprios comunitários se autodeclaram como comunidades tradicionais e também delimitam os limites da sua terra. Isso traz uma camada a mais de proteção para as áreas ainda não tituladas. Com essa ferramenta, o Estado precisa reconhecer essa autodeclaração, que é legítima, e isso gera repercussões jurídicas e extrajurídicas.”</p></blockquote>
<h3>Encaminhamentos</h3>
<p>Agora, os dados organizados em relatórios analíticos e mapas visuais servem de subsídio para que órgãos como Iterpa, Ministério Público e Defensoria Pública priorizem o atendimento às comunidades em maior situação de conflito ou indefinição jurídica.</p>
<blockquote><p>“A partir da qualificação desses dados, conseguimos não só dar visibilidade a esses territórios, mas direcionar essas informações para espaços institucionais como a Mesa Quilombola”, conclui Raquel Poça.</p></blockquote>
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		<title>Os caminhos da agrofloresta: conheça as diferentes trajetórias que mantêm a floresta em pé no Pará</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 17:02:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[#agrofloresta]]></category>
		<category><![CDATA[#sistemas agroflorestais]]></category>
		<category><![CDATA[#Tomé-Açu]]></category>
		<category><![CDATA[GIZ]]></category>
		<category><![CDATA[IPAM]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[SAFs]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta_ginelda-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Na paisagem diversa da agrofloresta amazônica, não existe um único perfil de produtor nem um único caminho. Entre diferentes idades, histórias e formas de produzir, os SAFs (Sistemas Agroflorestais) vêm sendo construídos a partir de trajetórias que, embora distintas, compartilham um mesmo objetivo: produzir com sustentabilidade e garantir a permanência no campo. Durante a “Jornada [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta_ginelda-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Na paisagem diversa da agrofloresta amazônica, não existe um único perfil de produtor nem um único caminho. Entre diferentes idades, histórias e formas de produzir, os SAFs (Sistemas Agroflorestais) vêm sendo construídos a partir de trajetórias que, embora distintas, compartilham um mesmo objetivo: produzir com sustentabilidade e garantir a permanência no campo.</p>
<p>Durante a <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/intercambio-agroflorestal-conecta-produtores-da-transamazonica-e-tome-acu/" target="_blank" rel="noopener">“Jornada Técnica Agroflorestal”</a>, realizada em Tomé-Açu pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), em parceria com a GIZ (Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável) , quatro propriedades apoiadas por projetos do Ipam evidenciaram essa diversidade na prática. Os sistemas visitados revelam diferentes estágios de desenvolvimento, níveis de organização e estratégias produtivas, que vão desde iniciativas familiares em consolidação até modelos estruturados em maior escala.</p>
<h3>A força da mulher no campo</h3>
<p>Ginelda Lima, proprietária de uma das áreas visitadas em Tomé-Açu, se destaca como uma mulher empreendedora que conduz, de forma independente, sua produção. Agricultora familiar, ela estruturou um sistema baseado na mandioca, articulado com açaí, cumaru e cacau, aliado ao funcionamento de uma casa de farinha e à agregação de valor ao produto.</p>
<p>A experiência da produtora integra ações do Projeto de Restauração Florestal com Sistemas Agroflorestais e Regeneração Natural, desenvolvido em parceria com a Conservação Internacional Brasil, com apoio da Daikin. A iniciativa também faz parte do projeto “Restauração Florestal na Amazônia: recuperação de áreas alteradas no Estado do Pará, no âmbito do Projeto Regulariza Rural”, apoiado pelo Serviço Florestal Brasileiro, que busca fortalecer práticas produtivas sustentáveis e a recuperação de áreas degradadas no estado.</p>
<blockquote><p>“A farinha era só uma monocultura na minha vida e cheguei a ter toneladas paradas, sem mercado. Mas decidi investir na qualidade, na embalagem e no valor do meu produto. Hoje, ela chega a outros estados e até a outros países. Isso só aconteceu porque alguém acreditou em mim e porque eu também não desisti. A minha produção envolve outras famílias, gera renda e abre oportunidades para mais gente”, explica.</p></blockquote>
<h3>O acesso ao conhecimento e a nova geração</h3>
<p>Em outro contexto, Adeilton Mendes, de 32 anos, representa uma nova geração que permanece no campo a partir da sucessão familiar. Jovem agricultor e estudante de agronomia, ele deu continuidade ao trabalho iniciado pelo pai, incorporando conhecimento técnico, planejamento e diversificação produtiva.</p>
<p>Sua trajetória também se conecta ao Projeto de Restauração Florestal com Sistemas Agroflorestais e Regeneração Natural em Tomé-Açu, desenvolvido em parceria com a Conservação Internacional Brasil e com apoio da Daikin, que incentiva a adoção de sistemas produtivos mais sustentáveis e resilientes na região.</p>
<blockquote><p>“Eu comecei a trabalhar na propriedade ainda jovem, depois que meu pai me deu um pedaço de terra. No início foi difícil, faltava informação técnica e organização, e eu cheguei a trabalhar muito ganhando pouco. Foi quando decidi investir em conhecimento, estudar e aplicar isso na prática. Hoje, consigo diversificar a produção e ampliar as atividades dentro da propriedade”, conta.</p></blockquote>
<figure id="attachment_42454" aria-describedby="caption-attachment-42454" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-42454" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1-300x168.webp" alt="" width="712" height="399" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1-300x168.webp 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1-768x431.webp 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1-150x84.webp 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1-450x253.webp 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1.webp 980w" sizes="(max-width: 712px) 100vw, 712px" /><figcaption id="caption-attachment-42454" class="wp-caption-text">Adeilton Mendes viu que no sistema agroflorestal garante renda em vários períodos do ano.</figcaption></figure>
<p>“Quando a gente trabalha só com uma cultura, acaba ficando limitado. No sistema agroflorestal, é possível ter produção ao longo do ano, com diferentes culturas garantindo renda em vários períodos. Isso traz mais estabilidade e melhora a qualidade de vida”, acrescenta.</p>
<p>A experiência acumulada ao longo do tempo aparece na trajetória de José Paixão, de 72 anos, conhecido como Zé Paixão. Agricultor familiar desde a juventude, ele construiu um sistema agroflorestal diverso ao longo de décadas, com diferentes cultivos integrados na mesma área.</p>
<p>Sua história se conecta ao Projeto Monitoramento e Consolidação de Restauração Florestal com Sistemas Agroflorestais (SAFs) em Tomé-Açu, iniciativa que conta com apoio da Otsuka e acompanha a evolução de áreas em restauração produtiva na região.</p>
<blockquote><p>“Comecei em uma área difícil, onde quase não tinha nada. Fui trabalhando aos poucos, plantando diferentes culturas. Hoje, vejo minha propriedade formada, com produção diversificada, resultado de muitos anos de esforço”, relata. “Nunca fui empregado de ninguém, sempre vivi do meu próprio trabalho. Criei minha família assim, trabalhando na terra e acreditando no que eu fazia”, afirma.</p></blockquote>
<h3>Sustentabilidade em larga escala</h3>
<p>Michinori Konagano, 68 anos, representa um sistema consolidado em ampla escala. De origem japonesa, ele é reconhecido como referência na produção agroflorestal em Tomé-Açu, sendo frequentemente citado como modelo para outros produtores da região.</p>
<blockquote><p>&#8220;Cheguei à Amazônia ainda jovem com a minha família, em busca de uma oportunidade de recomeço. Encontramos muitos desafios no início, mas foi com trabalho e persistência que conseguimos construir nossa trajetória na região. Ao longo dos anos, fomos aprendendo a manejar a terra de forma diversificada, integrando culturas e respeitando o tempo da natureza. Hoje, o sistema agroflorestal mostra que é possível produzir com equilíbrio, garantindo renda e mantendo a floresta em pé”, explica.</p></blockquote>
<figure id="attachment_42456" aria-describedby="caption-attachment-42456" style="width: 729px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-42456" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1-300x168.webp" alt="" width="729" height="408" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1-300x168.webp 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1-768x430.webp 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1-150x84.webp 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1-450x252.webp 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1.webp 980w" sizes="(max-width: 729px) 100vw, 729px" /><figcaption id="caption-attachment-42456" class="wp-caption-text">Michinori Konagano afirma que sucesso é resultado da dedicação e troca de conhecimentos ao longo de gerações.</figcaption></figure>
<p>O produtor destaca que o desenvolvimento da produção no município de Tomé-Açu é resultado de dedicação e troca de conhecimentos ao longo de gerações.</p>
<blockquote><p>“A agrofloresta exige cuidado e visão de longo prazo, mas traz segurança para quem produz. Por isso, faço questão de compartilhar essa experiência, para que mais produtores possam fortalecer seus sistemas e crescer de forma sustentável”, conclui.</p></blockquote>
<h3>Compartilhando princípios</h3>
<p>Apesar das diferenças entre os perfis, seja na escala, no nível de organização ou no acesso à tecnologia, os sistemas compartilham princípios como diversificação, manejo integrado e geração de renda associada à conservação ambiental. Ao mesmo tempo, evidenciam o papel das parcerias institucionais no apoio aos produtores.</p>
<p>Do sistema conduzido por uma mulher empreendedora, passando por um jovem em sucessão familiar e por um produtor com décadas de experiência, até um modelo consolidado em larga escala, os SAFs demonstram que não há um único formato produtivo, mas múltiplos caminhos possíveis dentro da agrofloresta.</p>
<p>A programação de visitas em Tomé-Açu integra o “Projeto Regulariza Rural”, coordenado pelo SFB (Serviço Florestal Brasileiro) e o IICA Brasil (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura), com apoio financeiro do KfW (Banco de Desenvolvimento Alemão).</p>
<p>A iniciativa apoia os estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia na implementação da regularização ambiental e no monitoramento da vegetação nativa. No Pará, as ações são promovidas pelo Ipam, em parceria com a Semas.</p>
<p><em>Fonte: Ipam</em></p>
<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/intercambio-agroflorestal-conecta-produtores-da-transamazonica-e-tome-acu/" target="_top">Intercâmbio agroflorestal conecta produtores da Transamazônica e Tomé-Açu</a></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Shoyu amazônico: a sacada que elevou as vendas de empresa paraense em 35%</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 14:12:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[mandioca]]></category>
		<category><![CDATA[Manioca]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[Shoyu Amazônico]]></category>
		<category><![CDATA[tucupi]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4609-1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Tereza Coelho Ícone da gastronomia do Norte, o tucupi está no centro de um movimento de expansão de mercado liderado por empreendedores paraenses. O insumo, que transita entre pratos ancestrais e releituras modernas, destaca-se por reunir os quatro sabores básicos ao umami, oferecendo uma versatilidade única. A aposta da Manioca, segundo a CEO e [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4609-1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p>Ícone da gastronomia do Norte, o tucupi está no centro de um movimento de expansão de mercado liderado por empreendedores paraenses. O insumo, que transita entre pratos ancestrais e releituras modernas, destaca-se por reunir os quatro sabores básicos ao umami, oferecendo uma versatilidade única.</p>
<p>A aposta da Manioca, segundo a CEO e cofundadora Joanna Martins, é transformar esse patrimônio regional em um item de consumo diário em todo o País. O resultado dessa estratégia é o &#8220;shoyu amazônico&#8221;.</p>
<blockquote><p>&#8220;Sempre tivemos o sonho de popularizar os produtos da culinária amazônica para as mesas do Brasil, mas a sacada do ‘shoyu amazônico’ veio inteiramente dos clientes. O que nós fizemos foi abrir a cabeça e pensar em como aplicar essa sugestão no mercado de uma forma direta e eficiente&#8221;, explica ao <strong>Pará Terra Boa</strong>.</p></blockquote>
<p>O shoyu amazônico é feito a partir do tucupi preto, um extrato derivado da mandioca, fruto de um longo processo de fermentação e redução. Para chegar nele, é necessário cozinhar o tucupi amarelo por até 72 horas.</p>
<p>A redução é tão extrema que 40 litros de tucupi amarelo rendem entre 2 e 4 litros de tucupi preto, uma pasta densa e de sabor intenso.</p>
<p>Apesar do sabor e da história, o tucupi preto enfrentava um desafio comercial: a barreira do uso. Para o público de fora da Amazônia, o produto concentrado gerava dúvidas que limitavam seu consumo a chefs e entusiastas da culinária.</p>
<blockquote><p>&#8220;Vendíamos em uma embalagem bem parecida com a do shoyu, mas era só o tucupi concentrado. Quem já é daqui da região ou trabalha com sabores já sabe como usar, mas quando apresentávamos para o público de fora, sempre aparecia alguma dúvida de como aplicar nas receitas. Para facilitar, <a href="https://blog.maniocabrasil.com.br/" target="_blank" rel="noopener">chegamos a criar um blog para ensinar receitas com o tucupi preto</a>&#8220;, relembra.</p></blockquote>
<p>O ponto de virada veio da voz do próprio cliente. A reação ao paladar era unânime: &#8216;Nossa, parece shoyu&#8217;. Essa percepção recorrente virou o estalo estratégico da equipe de planejamento.</p>
<p>Se o mercado já estava familiarizado com o molho de soja, o caminho para popularizar o ativo amazônico era assumir essa identidade. Joanna ajustou a fórmula, manteve a embalagem e reposicionou a comunicação. O resultado foi imediato: o &#8216;shoyu amazônico&#8217; estreou com um salto de 35% nas vendas logo no primeiro ano.&#8221;</p>
<h3>Reconhecimento e aceitação do público</h3>
<p>Mesmo com a nova roupagem, a essência do produto permanece fiel à tradição, o que se reflete no rótulo. Enquanto os molhos de soja industriais carregam até 12 ingredientes, o &#8216;shoyu amazônico&#8217; utiliza apenas três — mandioca, água e sal. Esse conceito de clean label (rótulo limpo) atrai consumidores atentos e abre portas para quem busca saúde sem abrir mão da identidade regional.</p>
<p>Aflaviana Ribeiro, que vende comidas típicas há mais de 35 anos em Belém, conta ao <strong>Pará Terra Boa</strong> que mesmo que o tucupi já esteja presente nas suas receitas, o shoyu conquistou o paladar dela e dos seus clientes.</p>
<blockquote><p>“Embora a gente trabalhe com comida tradicional, volta e meia estamos em eventos onde conhecemos produtos novos. O tucupi preto já é um velho conhecido da gente, mas essa roupagem de shoyu deixou as coisas mais interessantes porque fica mais fácil de servir na mesa, vira uma opção de molho para aquele cliente que possui algum tipo de restrição alimentar, e a gente não leva tanto tempo explicando o que é”, conta.</p></blockquote>
<p>A empreendedora conta que, especialmente durante a COP30, precisou investir mais em produtos alternativos, mas que preservassem a identidade regional, pois o evento global trouxe consumidores ávidos por experimentar a culinária amazônica.</p>
<blockquote><p>“Precisei ser mais didática e trabalhar a acessibilidade. Algumas pessoas vêm comer um salgado ou provar um vatapá sem conhecer a fundo todos os ingredientes. Aí fizemos esse trabalho de explicar com detalhes a composição de cada receita, dos nossos temperos tradicionais e fazer adaptações caso a pessoa não queira algo de origem animal ou não possa consumir corantes, por exemplo”, explica.</p></blockquote>
<p>Já a técnica de enfermagem Larissa Santos conta que conheceu o &#8216;shoyu amazônico&#8217; após a mãe passar por uma cirurgia e precisar mudar os hábitos alimentares.</p>
<blockquote><p>“Ela não pode mais consumir molhos com muitos conservantes, corantes e excesso de sal. Aí fui em um supermercado com mais opções de produtos saudáveis e fui lendo rótulo por rótulo. Quando li que era a base de tucupi já amei, porque ela ama tucupi”, relembra.</p></blockquote>
<p>Larissa diz que a aceitação em casa foi tranquila e trouxe uma segurança devido à lista de ingredientes mais limpa, algo também apontado por Aflaviana.</p>
<blockquote><p>“Cozinhar em casa no geral é mais seguro para controlar uso de gordura e sal, mas usar temperos que também ajudam nisso é um alívio no dia a dia”, diz Larissa.</p></blockquote>
<h3>Valorizando origens</h3>
<p>A mandioca é responsável por cerca de 80% do portfólio da Manioca. No entanto, a empresa ainda encontra dificuldade, especialmente na oferta consistente de matéria-prima.</p>
<blockquote><p>&#8220;Existem as safras e períodos de produtos de maior e menor qualidade. Observamos que os SAFs (Sistemas Agroflorestais) ajudam a manter a produtividade com qualidade elevada, então entramos como parceiros dos nossos fornecedores para valorizar o produto e gerar laços ainda mais profundos e transparentes com as práticas sustentáveis que sustentam nossa produção&#8221;, explica.</p></blockquote>
<p>Como resposta a esse gargalo, a Manioca lançou o Programa Raízes, braço estratégico de fortalecimento da agricultura familiar que oferece suporte técnico para elevar a produtividade e diversificar as culturas locais.</p>
<p>Hoje, a iniciativa abraça 23 famílias, responsáveis por fornecer anualmente cerca de 140 toneladas de insumos. O modelo consolida uma relação de valor compartilhado: a empresa assegura a compra e a evolução técnica no campo, enquanto os agricultores entregam matérias-primas de excelência, elevando o padrão do produto final.</p>
<blockquote><p>&#8220;São agricultores familiares, então essa famílias vivem inteiramente da produção agrícola o ano inteiro. Quando criamos essa parceria, garantimos não só um produto de qualidade, como também garantimos que eles saberão resistir ao assédio de práticas predatórias no campo, que lá na frente vão gerar degradação e benefícios muito menores do que uma agricultura sustentável a longo prazo&#8221;, comenta.</p></blockquote>
<p>A principal aposta do projeto é reposicionar a Amazônia como fonte de soluções alimentares contemporâneas, capazes de dialogar com tendências globais de sustentabilidade e rastreabilidade. Tudo isso levando o sabor da Amazônia ao cotidiano dos brasileiros.</p>
<blockquote><p>&#8220;Hoje em dia, quando nós abordam nos eventos, quase sempre o &#8216;shoyu&#8217; é o principal gancho. Parte das pessoas acha que existe uma matemática muito complicada por trás, mas não: é a prova viva do melhor que a natureza pode oferecer, sem aditivos, corantes e aqueles ingredientes esquisitos. O &#8216;shoyu&#8217; é o carro chefe da integração entre o umami amazônico e a tecnologia com uma lista limpa de ingredientes&#8221;, diz.</p></blockquote>
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		<title>Projeto de restauração transforma vida de agricultores e combate passivo ambiental</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/projeto-de-restauracao-transforma-vida-de-agricultores-e-combate-passivo-ambiental/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 17:06:57 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[açaí]]></category>
		<category><![CDATA[cacau]]></category>
		<category><![CDATA[cumaru]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque2]]></category>
		<category><![CDATA[passivo ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[pequi]]></category>
		<category><![CDATA[Regulariza Rural]]></category>
		<category><![CDATA[restauração produtiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-20-at-13.47.58-e1774026201489-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />A agricultora Carmem Lúcia Barbosa da Silva, moradora da comunidade de São Francisco do Poraquê, em Mojuí dos Campos (oeste do Pará), tornou-se símbolo de uma nova fase para o produtor rural na Amazônia. Desde o início de 2026, de acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), ela recupera 89 hectares de [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/03/WhatsApp-Image-2026-03-20-at-13.47.58-e1774026201489-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>A agricultora Carmem Lúcia Barbosa da Silva, moradora da comunidade de São Francisco do Poraquê, em Mojuí dos Campos (oeste do Pará), tornou-se símbolo de uma nova fase para o produtor rural na Amazônia. Desde o início de 2026, de acordo com o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), ela recupera 89 hectares de sua propriedade com o plantio de açaí, cacau, cumaru, pequi e espécies nativas, por meio do projeto Regulariza Rural.</p>
<p>Pelo resultado de sua iniciativa, Carmem foi homenageada no último dia 11 de março em Brasília, durante a mostra que celebrou os 20 anos do Serviço Florestal Brasileiro.</p>
<blockquote><p>&#8220;A recuperação da minha área é recente, mas já mudou tudo na minha vida. Já tenho consciência de que teremos uma renda maior e mais sustentável&#8221;, afirmou a produtora, que agora também gera empregos em sua terra.</p></blockquote>
<p>Financiado pelo banco alemão KfW e pelo IICA, com apoio do Serviço Florestal Brasileiro e da Semas-PA, o projeto foca na recuperação de áreas desmatadas ilegalmente em pequenas propriedades. Atualmente, a iniciativa beneficia 68 produtores em três regiões do Pará, somando 600 hectares em processo de restauro.</p>
<blockquote><p>“A nossa cabeça muda muito. A gente aprende a plantar de verdade. Eu já tinha algumas mudas, mas foi o projeto que deu o empurrão final&#8221;, destaca a produtora.</p></blockquote>
<p>O modelo propõe uma alternativa à pecuária de corte, predominante na região, mas que enfrenta barreiras de mercado devido a irregularidades ambientais.</p>
<blockquote><p>“Além de ser muito mais trabalhosa e cara, essa prática (gado de corte) acaba gerando mais consequências ambientais e, por conta da irregularidade dessas áreas, o produtor não consegue nem vender para frigoríficos certificados. Por isso, o restauro com plantas produtivas e nativas é muito mais prático, rentável e seguro para essas pessoas e, graças a novas leis do estado, permite um restauro produtivo que também regulariza essas terras”, explica Taiany Liborio, analista de pesquisa do IPAM.</p></blockquote>
<h3>Acesso ao crédito</h3>
<p>A existência de passivos ambientais em pequenas propriedades, desmatadas ilegalmente— como os 17 milhões de hectares de Reserva Legal em falta no Pará, segundo o Termômetro do Código Florestal — bloqueia o acesso dos pequenos produtores a crédito e assistência rural. O projeto Regulariza Rural rompe esse ciclo ao unir a recuperação da floresta com a produção sustentável de frutas e sementes.</p>
<p>Para Carmem Lúcia, a mudança foi também cultural.</p>
<blockquote><p>No começo, o pessoal que mora comigo achava que era só conversa, que não valeria a pena, mas agora todos temos uma visão diferente e percebemos que dá, sim, para produzir recuperando a área e sem desmatamento. Agora as pessoas vêm me perguntar como fazer para começar e como se organizar para realizar o restauro”, destaca a agricultora</p></blockquote>
<h3>O papel da Reserva Legal</h3>
<p>Embora a renda da Reserva Legal seja menor que a de uma área de produção consolidada, ela funciona como um incentivo para a transição produtiva. Taiany Liborio observa que uma mudança de visão de produtores da região.</p>
<blockquote><p>&#8220;Temos acompanhado uma transição: o pessoal que antes trabalhava apenas com gado e nunca tinha plantado nada agora amplia sua visão e se capacita para novas formas de produção”, destaca Taiany.</p></blockquote>
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		<title>Protagonismo feminino impulsiona a ciência e a bioeconomia na Amazônia paraense</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 06 Mar 2026 15:56:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[cientistas]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque3]]></category>
		<category><![CDATA[Dia Internacional da Mulher]]></category>
		<category><![CDATA[Fapespa]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/03/mulheres_cientistas-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />No Pará, o 8 de março não celebra apenas o Dia Internacional da Mulher, mas a ocupação de espaços que, até pouco tempo atrás, eram desconhecidos para elas. A ciência, antes vista como um campo de predominância masculina, ganha hoje a assinatura, a voz e a coragem de pesquisadoras que transformam a biodiversidade amazônica em [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/03/mulheres_cientistas-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>No Pará, o 8 de março não celebra apenas o Dia Internacional da Mulher, mas a ocupação de espaços que, até pouco tempo atrás, eram desconhecidos para elas. A ciência, antes vista como um campo de predominância masculina, ganha hoje a assinatura, a voz e a coragem de pesquisadoras que transformam a biodiversidade amazônica em soluções globais.</p>
<p>A trajetória da doutoranda Thaiana Pampona ilustra essa mudança. Ao converter resíduos da floresta em insumos farmacêuticos, ela desafia o status quo.</p>
<blockquote><p>“Ser mulher na pesquisa é ocupar espaços que por muito tempo não foram pensados para nós. Cada mulher que escolhe pesquisar, ensinar e inovar abre caminho para outras que virão. A ciência precisa da nossa voz, da nossa liderança e da nossa coragem”.</p></blockquote>
<p>A presença feminina na ciência brasileira segue em ascensão e os dados locais confirmam essa tendência. Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as mulheres já representam 52% dos grupos de pesquisa vinculados ao CNPq.</p>
<p>No cenário paraense, o levantamento da Fapespa aponta que, das 1.002 bolsas ativas, 622 são ocupadas por mulheres, mantendo a maioria em todos os níveis acadêmicos: são 407 bolsistas na iniciação científica, 139 no mestrado e 62 no doutorado.</p>
<p>Mas a jornada tem suas curvas. Para Renata Coelho, geneticista em Barcarena, conciliar a excelência técnica com a vida pessoal é um ato de resistência.</p>
<blockquote><p>“Ser mulher em áreas como genética aplicada e biotecnologia, historicamente dominadas por homens, exigiu que eu constantemente demonstrasse competência e resiliência”.</p></blockquote>
<p>Reconhecendo que a equidade precisa de apoio estrutural, o governo estadual tem dado passos práticos, como editais voltados a grupos liderados por mulheres e auxílios que permitem a permanência de mães nos laboratórios.</p>
<p>Carina Silva, da Fapespa, resume o impacto: essas medidas “são essenciais para corrigir desigualdades estruturais e ampliar o acesso de mulheres à liderança científica, gerando o aumento de coordenadoras de projetos tecnológicos e de inovação”.</p>
<p>Das profundezas da geologia, onde Gilmara Regina Feio mapeia a crosta terrestre para barrar crimes ambientais, ao trabalho de base que sustenta a bioeconomia, a mulher paraense não apenas pesquisa: ela dita o futuro.</p>
<blockquote><p>&#8220;Acredito que a presença feminina amplia as formas de pensar e produzir conhecimento”, avalia Gilmara.</p></blockquote>
<p>Para o presidente da Fapespa, Marcel Botelho, mulheres cientistas e pesquisadoras apoiadas pelo governo estão fazendo a diferença e trazendo impactos positivos para a sociedade.</p>
<blockquote><p>“Cada desafio enfrentado fortalece minha convicção de que investir em educação e ciência é o caminho para construir uma sociedade melhor e sustentável na Amazônia”, diz Renata Coelho.</p></blockquote>
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		<title>Chocolate artesanal do Pará vira modelo de produção sustentável em vitrine internacional</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Feb 2026 17:25:43 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[chocolate artesanal]]></category>
		<category><![CDATA[indígena]]></category>
		<category><![CDATA[Médio Xingu]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[produção sustentável]]></category>
		<category><![CDATA[Sidjä Wahiü]]></category>
		<category><![CDATA[World Business Council for Sustainable Development]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-15.38.05-e1770403282117-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />No coração do Médio Xingu, no sudoeste do Pará, um chocolate artesanal está se destacando não apenas pelo sabor, mas por por sua contribuição para o meio ambiente. A líder indígena Katyana Xipaya é a responsável pela marca de chocolates Sidjä Wahiü, selecionada pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) para integrar sua vitrine [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-15.38.05-e1770403282117-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>No coração do Médio Xingu, no sudoeste do Pará, um chocolate artesanal está se destacando não apenas pelo sabor, mas por por sua contribuição para o meio ambiente. A líder indígena Katyana Xipaya é a responsável pela marca de chocolates Sidjä Wahiü, selecionada pelo World Business Council for Sustainable Development (WBCSD) para integrar sua vitrine global de soluções sustentáveis.</p>
<p>O WBCSD &#8211; ou Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável — é uma organização global liderada pelos CEOs de mais de 200 das maiores empresas do mundo e funciona como uma ponte entre o que os cientistas dizem que o planeta precisa e o que as empresas fazem na prática.</p>
<blockquote><p>“Criar faz parte da nossa cultura, mas estar no mercado é importante para tornar nossa presença pública como agentes de inovação que não precisam derrubar a floresta”, diz Sidjä Wahiü sobre o primeiro chocolate indígena da região.</p></blockquote>
<p>A coalizão entende que, para salvar a Amazônia, não basta apenas &#8220;não desmatar&#8221;; é preciso criar um sistema alimentar que valorize o produto da floresta. É aqui que entra o chocolate Sidjä Wahiü. Ele serve como um modelo real de &#8220;Cadeia de Valor Sustentável&#8221; que o WBCSD apresenta para outras empresas aprenderem a replicar.</p>
<p>Moradora da comunidade ribeirinha Jericoá 2, em Vitória do Xingu,  Katyana resgatou o legado de seu avô para revolucionar o cacau nativo. O que antes era tradição familiar, hoje se apresenta como barras de 72% cacau que celebram a biodiversidade da floresta ao se fundirem com abacaxi, pitaya e banana. Mais do que um produto de alto valor, o chocolate é o fruto do trabalho integrado de três famílias locais, provando que a ancestralidade e a bioeconomia caminham juntas.</p>
<figure id="attachment_40757" aria-describedby="caption-attachment-40757" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-40757" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-15.55.00-1024x845.jpeg" alt="" width="814" height="672" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-15.55.00-1024x845.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-15.55.00-300x248.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-15.55.00-768x634.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-15.55.00-150x124.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-15.55.00-450x371.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-15.55.00-1200x990.jpeg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/02/WhatsApp-Image-2026-02-06-at-15.55.00.jpeg 1253w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-40757" class="wp-caption-text">Chocolate com frutas desidratadas como Abacaxi, Pitaya e Banana. Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<blockquote><p>“A produção de alimentos costuma envolver boa parte da família e isso já fala muito sobre quem somos. Nas comunidades indígenas, compartilhar conhecimento é regra”, comenta.</p></blockquote>
<p>De acordo com Katyana,  todos numa comunidade indígena têm seu papel na construção de conhecimento, mas as principais guardiãs são mulheres. Daí o o nome Sidjä Wahiü, que significa ‘Mulher Forte’ na língua Xipaya.</p>
<h3>Parceria com a Cacauway</h3>
<p>Katyana conta que, após a colheita e o processamento inicial feito ainda nas comunidades de Jericoá 2, a matéria-prima segue para Medicilândia, onde é processada pela Cacauway, parceira técnica responsável pela finalização e refino dos chocolates.</p>
<p>Segundo Ademir Venturin, diretor da empresa, a parceria é essencial para posicionar o chocolate do Xingu no mercado nacional e global da indústria sustentável.</p>
<blockquote><p>“Grandes marcas do mercado estão alterando suas fórmulas, adicionando mais açúcar e gordura para não perder lucro, mas isso está acontecendo porque as mudanças climáticas já estão afetando a produção do cacau e muitos empresários preferem mexer no produto todo para proteger o lucro, do que ter uma conversa franca sobre meio ambiente e a cadeia do cacau. Iniciativas de manejo responsável como a Sidjä Wahiü apostam na transparência e já trazem esse diálogo desde a origem”, destaca.</p></blockquote>
<p>A Cacauway contribui com o acabamento do produto e com as embalagens necessárias para o mercado de chocolates finos, sem descaracterizar a receita original e o saber tradicional.</p>
<blockquote><p>“Nós (Cacauway) produzimos aproximadamente 1,2 tonelada de chocolate por mês, em parceria com mais de 120 famílias beneficiadas que cultivam em SAFs. A Sidjä possui seu próprio alcance também em SAFs e vai expandir ainda mais. É uma alegria muito grande fazer parte desse processo porque vai além as premiações, é o reconhecimento do esforço de centenas de famílias que apostam todas as fichas no desenvolvimento sustentável”, diz.</p></blockquote>
<h3>Sementinha por sementinha</h3>
<p>Para Katyana, o reconhecimento internacional ao empreendimento representa uma conquista coletiva.</p>
<blockquote><p>“O Sidjä Wahiü não é algo só meu. É a oportunidade de mostrar a força do empreendedorismo indígena, da nossa cultura e do protagonismo das mulheres. Essa é uma história construída sementinha por sementinha”, afirma.</p></blockquote>
<p>A trajetória de Katyana reflete um movimento maior que vem ganhando força no Pará, estado responsável por mais de 50% da produção nacional de cacau. De acordo com a Embrapa, a cadeia do fruto movimenta cerca de R$ 3,5 bilhões por ano no Brasil.</p>
<p>Para o futuro, a empreendedora e líder indígena acredita em uma cadeia produtiva com ainda mais parceiros, que possam olhar na mesma direção: a preservação da floresta em pé, fortalecimento da cultura indígena e a manutenção de cadeias de trocas de conhecimento.</p>
<blockquote><p>“A gente fica em movimento o ano todo, participamos de formações para produzir ainda melhor, compartilhamos mudas de café, cacau e outros frutos com outras comunidades e ensinamos a gerar renda com esses insumos. Um futuro mais justo é possível quando entendemos que precisamos desenvolver essa parceria também com a natureza. Se nós não gostamos dessas relações injustas, por que vamos impor isso para a floresta?”.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Cultura ribeirinha é reconhecida por como patrimônio do Pará</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 17:30:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque1]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio cultural]]></category>
		<category><![CDATA[ribeirinha]]></category>
		<category><![CDATA[ribeirinhos]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/ribeirinhos-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />A cultura ribeirinha passou a ser oficialmente reconhecida como patrimônio do Pará. Sancionada pelo governador Helder Barbalho e idealizada pelo deputado Carlos Bordalo, a legislação reconhece as expressões das águas como essenciais à identidade paraense. O Pará abriga uma das maiores populações ribeirinhas da Amazônia, distribuídas em comunidades que mantêm modos de vida profundamente relacionados [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/ribeirinhos-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>A cultura ribeirinha passou a ser oficialmente reconhecida como patrimônio do Pará. Sancionada pelo governador Helder Barbalho e idealizada pelo deputado Carlos Bordalo, a legislação reconhece as expressões das águas como essenciais à identidade paraense.</p>
<p dir="ltr">O Pará abriga uma das maiores populações ribeirinhas da Amazônia, distribuídas em comunidades que mantêm modos de vida profundamente relacionados aos rios, florestas e ilhas, elementos fundamentais na formação do território e da identidade paraense.</p>
<p dir="ltr">A Lei nº 11.325, de 13 de janeiro de 2025, tem como objetivo assegurar a proteção, promoção e valorização dos saberes, práticas e expressões culturais das comunidades ribeirinhas e das demais manifestações da cultura paraense. A política busca garantir que o conhecimento ancestral dos povos das águas e da floresta seja preservado, reconhecido e transmitido às futuras gerações.</p>
<p dir="ltr">A iniciativa também reconhece o papel estratégico dessas comunidades na preservação ambiental e na manutenção de modos de vida sustentáveis, integrando cultura, território e meio ambiente.</p>
<p dir="ltr">Além de seu valor simbólico e identitário, a política reconhece a cultura como vetor de desenvolvimento econômico e inclusão social. A valorização de artistas, artesãos e iniciativas culturais ribeirinhas pode impulsionar a economia criativa, fortalecer o turismo de base comunitária e gerar renda, promovendo desenvolvimento sustentável em territórios historicamente vulnerabilizados.</p>
<p dir="ltr">Atualmente, apenas cerca de um terço das famílias ribeirinhas dessas áreas está incluída em assentamentos agroextrativistas reconhecidos, o que reforça a necessidade de políticas públicas integradas, territorializadas e permanentes, conforme aponta o Instituto Peabiru.</p>
<p dir="ltr">Para o deputado Carlos Bordalo, a sanção da Lei nº 11.325 representa um avanço significativo na construção de políticas públicas culturais voltadas aos povos tradicionais do Pará. “</p>
<blockquote>
<p dir="ltr">Preservar a cultura ribeirinha é garantir a continuidade da nossa história, fortalecer a identidade paraense e reconhecer os modos de vida que sustentam o estado”, destacou o parlamentar.</p>
</blockquote>
<h3 dir="ltr">Princípios</h3>
<p dir="ltr">A Política Estadual de Valorização da Cultura Ribeirinha e Paraense será orientada por princípios como:</p>
<ul>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Valorização da diversidade cultural e dos povos tradicionais;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Respeito às práticas sociais, religiosas, econômicas e culturais;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Participação efetiva das comunidades na construção e execução das políticas culturais;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Descentralização das ações culturais, fortalecendo os territórios onde a cultura é produzida;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Integração dos saberes tradicionais aos processos educacionais;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Articulação com políticas de preservação ambiental e sustentabilidade.</p>
</li>
</ul>
<h3 dir="ltr"><strong>Ações estruturantes</strong></h3>
<p dir="ltr">Para garantir a efetivação da política, o Poder Executivo poderá desenvolver ações como:</p>
<ul>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Registro, documentação e salvaguarda das tradições ribeirinhas, incluindo festas, rituais, culinária, artesanato e práticas religiosas;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Proteção de patrimônios materiais e imateriais, sítios históricos, arquitetônicos e culturais;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Apoio à realização de festivais, feiras, exposições e eventos culturais;</p>
</li>
<li dir="ltr">
<p dir="ltr">Implementação de oficinas, cursos e atividades formativas voltadas aos saberes tradicionais e à economia cultural local.</p>
</li>
</ul>
<p dir="ltr">
]]></content:encoded>
					
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