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	<title>GENTE DA TERRA &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<title>GENTE DA TERRA &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Mulheres da Amazônia se unem para enfrentar as mudanças climáticas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 14 Jul 2026 15:53:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[#sistemas agroflorestais]]></category>
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		<category><![CDATA[Projeto FASE Amazônia]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/mulheres_da_amazonia_se_unem-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Mulheres organizadas em associações e cooperativas lideram ações em comunidades tradicionais para proteger territórios, combater as mudanças climáticas, gerar renda e frear a perda de biodiversidade. Agricultoras da comunidade de Pirocaba (Abaetetuba/PA) notaram que secas prolongadas e chuvas fora de hora alteraram o amadurecimento do açaí, forçando a colheita antecipada para evitar a perda [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/mulheres_da_amazonia_se_unem-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>Mulheres organizadas em associações e cooperativas lideram ações em comunidades tradicionais para proteger territórios, combater as mudanças climáticas, gerar renda e frear a perda de biodiversidade.</em></li>
<li><em>Agricultoras da comunidade de Pirocaba (Abaetetuba/PA) notaram que secas prolongadas e chuvas fora de hora alteraram o amadurecimento do açaí, forçando a colheita antecipada para evitar a perda do fruto.</em></li>
<li><em>Iniciado em 2023 em 14 municípios paraenses, o projeto FASE Amazônia fortalece a soberania alimentar e a autonomia das mulheres através de sistemas agroflorestais, formação de lideranças e facilitação do acesso a políticas públicas e mercados locais.</em></li>
<li><em>A transição do monocultivo para sistemas agroflorestais permitiu a produção de culturas de curto prazo ao lado das frutas nativas. O modelo regenera o solo rapidamente e mantém o território produtivo e verde o ano todo.</em></li>
<li><em>Ferramenta utilizada pelas mulheres para monitorar o ciclo produtivo e registrar as dificuldades causadas por fatores climáticos, servindo como base para a busca de soluções locais.</em></li>
<li><em>Em municípios como Igarapé-Miri, a organização em associações permitiu o beneficiamento de produtos (como derivados da mandioca) e a venda em feiras e para a merenda escolar.</em></li>
<li><em>A comercialização e o uso da caderneta agroecológica ajudaram a romper a visão de que as mulheres são apenas &#8220;ajudantes&#8221;, consolidando o papel delas como provedoras e aumentando sua autonomia financeira e autoestima.</em></li>
</ul>
<p>A organização de mulheres da Amazônia em associações e cooperativas tem impulsionado iniciativas nas comunidades tradicionais para a proteção dos territórios e o enfrentamento às mudanças climáticas. Juntas, elas constroem soluções e trocam experiências que barram a perda de biodiversidade, geram renda e aumentam a segurança alimentar.</p>
<p><span style="font-size: 14px;">A agricultora Daniela Araújo conta que aprendeu desde cedo, na tradição, que o açaí saboroso exige tempo para ser colhido. É preciso esperar que o fruto saía da cor verde, passe pelo tom roxo escuro, fique preto, até ficar com uma sutil camada esbranquiçada, ou “tuíra”.</span></p>
<p>Foi na observação de um dos principais alimentos para o nortista, que ela e outras mulheres responsáveis pela colheita percebem a mudança climática no território da comunidade de Pirocaba, no município de Abaetetuba, no nordeste paraense.</p>
<p>Segundo Daniela, os longos períodos de seca e chuvas fora de hora têm causado uma mudança na forma como o fruto amadurece.</p>
<blockquote><p>“Agora, ou tu apanhas [colhes] o açaí, ou tu perdes. Ele vai secar. E pra não perder, às vezes tu apanhas ele sem ficar totalmente preto, ou tuíra, como a gente fazia antes”, explica.</p></blockquote>
<p>A diminuição do alimento oferecido pela floresta natural não é percebida só no território de Pirocaba. Muitas comunidades ribeirinhas, quilombolas, indígenas e da agricultura familiar vivenciam o mesmo impacto.</p>
<h3>Iniciativas</h3>
<p>Foi a partir desse conhecimento tradicional que a organização social FASE Amazônia (Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional) iniciou, em 2023, um projeto em 14 municípios paraenses para o fortalecimento da soberania alimentar e a autonomia das mulheres, sob a ótica da justiça climática e da garantia dos direitos territoriais.</p>
<p>Sara Pereira, coordenadora da FASE Amazônia, explica que foram trabalhadas várias frentes, como a implantação de sistemas agroflorestais, a formação de lideranças femininas e a incidência sobre políticas públicas para acesso à titulação dos territórios.</p>
<p>Também foram trabalhados, segundo Sara, o escoamento da produção por mercados institucionais e feiras locais, além do fortalecimento da governança comunitária, como os protocolos de consulta prévia livre informada e a elaboração de planos de gestão comunitária.</p>
<h3>Coletivos</h3>
<p>A partir das bases lançadas pelo programa, as mulheres se reuniram em coletivos e construíram juntas soluções para fortalecer a produção de alimentos saudáveis e para proteger o território, as florestas e as águas.</p>
<blockquote><p>“Esse é um projeto que foi executado durante três anos. Então, a gente teve um tempo bastante importante para fazer essas observações e chegar à conclusão de que as alternativas e soluções estão aqui mesmo nos territórios”, avalia Sara.</p></blockquote>
<h3>Monitoramento</h3>
<p>Além das bases para que o projeto fosse desenvolvido, também foi adotada a caderneta agroecológica. Uma ferramenta de acompanhamento da produção e das mudanças climáticas.</p>
<blockquote><p>“As mulheres são orientadas e estimuladas a anotarem todo o seu ciclo produtivo, o que elas produzem e o que naquele dado período elas tiveram dificuldade de produzir e por que fatores essas dificuldades apareceram”, explica Sara.</p></blockquote>
<p>Com a diversificação da produção, por meio do sistema agroflorestal, além da colheita de frutíferas da floresta, as mulheres passaram a produzir também culturas de curto prazo.</p>
<blockquote><p>“A gente fala que antes a gente estava muito nessa questão do monocultivo. Hoje, a gente tem um pouco de cada coisa, a gente sabe que a gente não come só farinha, a gente precisa dos alimentos, dos frutos”, lembra Daniela.</p></blockquote>
<h3>Proteção</h3>
<p>O sistema agroflorestal também garante que o solo não seja degradado, além de manter o território verde e produtivo ao longo de todo o ano.</p>
<blockquote><p>“Cada planta, cada espécie, ajuda a natureza, então a natureza se regenera muito rápido. A gente observa porque a gente está ali todos os dias e isso faz com que a gente tenha um território mais com autonomia”, diz a agricultora.</p></blockquote>
<p>Assim como em Abaetetuba, as mulheres também se organizaram no município de Ingarapé-Miri. Na comunidade do Trevo do Carapajó, Benedita Carvalho Gonçalves preside a Associação de Apoio às Comunidades Amazônicas (APACC).</p>
<h3>Comercialização</h3>
<p>Foi por meio da associação que as mulheres começaram a beneficiar os produtos dos sistemas agroflorestais e também comercializar a produção em feiras locais e para a merenda escolar.</p>
<blockquote><p>“A mandioca, por exemplo, vira farinha, o biju, o tucupi, a maniçoba. Tudo a gente produz a partir da maniva, da mandioca”, explica Benedita Carvalho.</p></blockquote>
<p>De acordo com Sara, além de aumentar a segurança alimentar nos territórios com a diversificação da produção, as mulheres passaram a ter mais autonomia por meio da produção de seus próprios quintais.</p>
<blockquote><p>“Porque tem todo esse discurso de que, principalmente no meio rural, as mulheres ajudam os homens, quem produz são os homens e as mulheres ajudam. Com a caderneta, esse processo de levar os produtos para feira, tudo isso foi elevando a autoestima delas, inclusive porque elas viram que também são provedoras da casa”, diz.</p></blockquote>
<p><em>Fonte: Agência Brasil</em></p>
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		<item>
		<title>Mulheres unem tradição e ciência na criação de biocosméticos no Oeste do Pará</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2026 14:10:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[Amélias da Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Flona do Tapajós]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/amelias_da_amazonia-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo O grupo de mulheres ribeirinhas Amélias da Amazônia, da comunidade São Domingos (Flona do Tapajós, PA), extrai artesanalmente óleo de andiroba e copaíba para cosméticos e medicamentos desde 2016. O projeto familiar gera receita extra que ajuda no sustento das casas, financia a educação dos filhos e prepara uma nova geração de jovens para [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/amelias_da_amazonia-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>O grupo de mulheres ribeirinhas Amélias da Amazônia, da comunidade São Domingos (Flona do Tapajós, PA), extrai artesanalmente óleo de andiroba e copaíba para cosméticos e medicamentos desde 2016.</em></li>
<li><em>O projeto familiar gera receita extra que ajuda no sustento das casas, financia a educação dos filhos e prepara uma nova geração de jovens para administrar o negócio e trazer tecnologias para a comunidade.</em></li>
<li><em>Os óleos artesanais servem de matéria-prima para a Mahá Biocosméticos, marca criada por farmacêuticas da Ufopa que desenvolve produtos capilares científicos a partir de ativos nativos, fortalecendo a economia e ajudando a manter a floresta em pé.</em></li>
<li><em>A Mahá atua na Oka Hub (em Belterra, PA), uma incubadora do Sebrae que conecta o conhecimento ancestral de povos tradicionais à ciência, oferecendo infraestrutura e capacitação para negócios sustentáveis da região.</em></li>
<li><em>O modelo atual focado nos ciclos naturais e no coletivismo (bioeconomia) contrasta com o passado da região na década de 1930, quando Henry Ford tentou implantar o &#8220;fordismo&#8221; e a produção em massa de látex na Vila Americana, projeto que fracassou por ignorar a cultura e a dinâmica local.</em></li>
</ul>
<p>Do alto de seus 30 ou 50 metros, a andiroba lança frutos maduros ao chão. O impacto divide a casca dura em quatro partes e espalha as sementes pelo terreno. A partir daí, começa o trabalho das Amélias da Amazônia, grupo de mulheres ribeirinhas que produzem óleos para fins medicinais e cosméticos desde 2016.</p>
<p>Elas vivem na comunidade São Domingos, que fica dentro da Floresta Nacional do Tapajós, no Oeste do Pará. Todo o trabalho é feito de maneira manual, e respeita o ritmo ditado pela natureza e pelos costumes locais.</p>
<p>O primeiro passo é coletar as sementes, que têm características angulares, arredondadas, cor de café e textura semelhante à cortiça. Para chegar ao produto final, é preciso esperar em média três meses, o que inclui as etapas de higienização, cozimento, secagem e quebra da semente, seguidas do preparo da massa e da decantação.</p>
<blockquote><p>“Aprendemos essa técnica de tirar o óleo da andiroba com nossos avós e os nossos pais, que nos passaram essa cultura e tradição”, explica a ribeirinha Marileide da Silva Monteiro.</p></blockquote>
<p>Marileide conta que a maior parte das sementes se perdia. Algumas famílias pegavam para fazer remédios, mas era muito pouco.</p>
<blockquote><p>“Uma irmã teve a ideia de fazer o óleo para vender e nós nos juntamos. Era uma forma de conseguir um recurso extra para casa e não ter que ficar trabalhando tanto na roça debaixo do sol”, complementa.</p></blockquote>
<p>O empreendimento reúne 16 pessoas, mas é liderado por três irmãs: além de Marileide, Marilene e Marcilene. O protagonismo das mulheres no projeto foi uma das inspirações para o nome da marca.</p>
<h3>Ressignificando &#8220;Amélia&#8221;</h3>
<p>No senso comum, “Amélia” virou símbolo de mulher submissa ao marido, que suporta qualquer coisa sem reclamar, em referência à marcha carnavalesca composta em 1942 por Mário Lago e Ataulfo Alves.</p>
<p>As Amélias da Amazônia ressignificaram o estereótipo. Enfrentaram a desconfiança de alguns homens da comunidade e seguiram com o projeto de criar o próprio negócio, mesmo que isso significasse executar tarefas mais pesadas.</p>
<blockquote><p>“A gente estava acostumada a trabalhar em roça com o nosso pai. Plantando, fazendo farinha, cortando seringueira. Quando veio a ideia de começar o negócio dos cosméticos, tivemos que arrancar os tocos de árvores no machado, limpamos todo o terreno na enxada, fizemos uma horta e outras estruturas. Foi muito trabalho”, explica Marilene Dias da Silva.</p></blockquote>
<figure id="attachment_43401" aria-describedby="caption-attachment-43401" style="width: 639px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-43401" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/produtos_amelias_da_amazonia-300x168.webp" alt="" width="639" height="358" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/produtos_amelias_da_amazonia-300x168.webp 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/produtos_amelias_da_amazonia-150x84.webp 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/produtos_amelias_da_amazonia.webp 365w" sizes="(max-width: 639px) 100vw, 639px" /><figcaption id="caption-attachment-43401" class="wp-caption-text">Produtos do Amélias da Amazônia. Rafa Neddermeyer/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>Hoje, além dos óleos de andiroba e de copaíba, fabricam sabonetes, velas, incensos, cremes e repelentes. Todos com base em matérias-primas amazônicas.</p>
<blockquote><p>“Com o dinheiro, a gente já consegue pagar uma escola para o meu filho. Também posso dar um calçado melhor para ele. Não dá para dizer que está suprindo tudo, mas já é um começo e os ganhos ajudam a família a passar o mês”, conta Marileide.</p></blockquote>
<p>Uma nova geração da família está sendo preparada para assumir o negócio, também com o protagonismo delas. É o caso de Silvia Gabrielly, de 23 anos, filha de Marileide. Ela divide o tempo entre o trabalho como agente ambiental no Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e a administração das redes sociais das Amélias.</p>
<p>O plano de Silvia é investir nos estudos e trazer novos saberes e tecnologias para a comunidade.</p>
<blockquote><p>“Eu já fiz vários cursos na área ambiental e na área de turismo. Agora, estou fazendo uma graduação em tecnologia ambiental. Quero entender mais sobre as plantações, a produção dos produtos e a gestão do negócio. Também precisamos de mais conhecimentos para administrar e divulgar o trabalho”, diz a jovem.</p></blockquote>
<h3>Biocosméticos</h3>
<p>Os óleos produzidos pelas Amélias não ficam restritos à comunidade São Domingos. Eles são matéria-prima para a Mahá Biocosméticos. O negócio foi idealizado pelas farmacêuticas Melissa Karen Lage e Bruna de Souza quando faziam graduação na Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).</p>
<p>Elas se especializaram em produtos capilares, como xampus, condicionadores e máscaras de nutrição. A ideia veio de uma necessidade pessoal de Melissa, que identificou uma lacuna no mercado.</p>
<blockquote><p>“Na época, quase não havia opções para cabelos cacheados, principalmente os que fizessem um efeito a longo prazo e que realmente tratassem dos fios. Eu iniciei os experimentos com o óleo da babosa, até que minhas orientadoras sugeriram os ativos da Amazônia. Então, decidimos usar óleos e manteigas daqui da região”, explica a farmacêutica.</p></blockquote>
<p>Saiu a babosa (Aloe vera) – com origem africana e árabe, e produzida no Brasil principalmente no Sudeste – e entraram os óleos da andiroba e da castanha-do-pará, espécies nativas da Amazônia. Para isso, foi essencial estabelecer parcerias com comunidades tradicionais.</p>
<blockquote><p>“Nós sempre quisemos fazer algo que beneficiasse todo o território. Quando as pessoas compram nossos produtos, estão fortalecendo as cadeias produtivas locais”, explica Melissa.</p></blockquote>
<figure id="attachment_43402" aria-describedby="caption-attachment-43402" style="width: 662px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-43402" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/melissa-Karen-Lage-da-Maha-Cosmeticos-300x168.webp" alt="" width="662" height="371" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/melissa-Karen-Lage-da-Maha-Cosmeticos-300x168.webp 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/melissa-Karen-Lage-da-Maha-Cosmeticos-150x84.webp 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/melissa-Karen-Lage-da-Maha-Cosmeticos.webp 365w" sizes="(max-width: 662px) 100vw, 662px" /><figcaption id="caption-attachment-43402" class="wp-caption-text">Melissa Karen Lage, farmacêutica e sócia da Mahá Biocosméticos. Rafa Neddermeyer/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>Ela explica que uma preocupação do negócio, desde o início, foi apoiar o esforço da população local em manter a floresta em pé. Por isso, a equipe das Amélias conheceu os laboratórios da Mahá, enquanto Melissa e Bruna ofereceram capacitação para o reaproveitamento dos resíduos da andiroba.</p>
<p>Para que a integração econômica local fosse ainda mais completa, outros materiais importantes para os cosméticos teriam de ser produzidos na região. Porém, alguns insumos – como mentol, glicerina e essências – precisam ser comprados de empresas de São Paulo ou do Rio de Janeiro. Assim como as embalagens biodegradáveis.</p>
<p>Apesar das dificuldades logísticas, a Mahá passa por um processo de expansão e consegue comercializar produtos para todo o Brasil.</p>
<p>O plano agora é aumentar esse volume de vendas. Uma parceria foi feita com a Bemol, grupo varejista de Manaus (AM), e o processo produtivo foi terceirizado: hoje fica sob responsabilidade da Ekilibre da Amazônia, fábrica de Alter do Chão (PA).</p>
<p>As farmacêuticas têm conseguido dedicar mais tempo à parte criativa. Manejando diferentes elementos naturais e insumos químicos, tubos de ensaio e equipamentos eletrônicos, desenvolvem novas fórmulas.</p>
<blockquote><p>“Algumas pessoas acham que as coisas da Amazônia ainda são apenas artesanais. Essas coisas têm valor, mas também fazemos ciência. Estamos na universidade e desenvolvemos nossos produtos com todo o critério científico. Ao mesmo tempo, valorizamos as tradições da comunidade”, diz Melissa.</p></blockquote>
<h3>Ancestralidade e inovação</h3>
<p>O laboratório da Mahá fica na Oka Hub, uma incubadora de empresas de bioeconomia em Belterra (PA). Idealizada pela Colabora Lab, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a ideia é que pequenos negócios recebam infraestrutura, capacitação e estabeleçam contatos com outras empresas.</p>
<p>Há uma rede que conecta esses empresários com instituições como a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), além das comunidades tradicionais.</p>
<blockquote><p>“Os povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos que vivem na Amazônia acumularam um saber de valor inestimável, que agora ganha outra dimensão com a bioeconomia. São conhecimentos sobre como usar, de modo sustentável, os recursos da região que, apesar de abundantes, não são inesgotáveis”, diz diretor técnico do Sebrae Nacional, Bruno Quick.</p></blockquote>
<p>Segundo os organizadores, 11 negócios são apoiados atualmente na Oka Hub, um espaço, segundo o lema oficial, “onde a ciência encontra a floresta, onde ancestralidade vira inovação”.</p>
<blockquote><p>“Ao apoiar esses ambientes de inovação, estamos proporcionando os meios necessários para que a tecnologia sirva como ferramenta de escala e sustentabilidade para os saberes da floresta, gerando emprego e renda qualificada na própria região”, completa.</p></blockquote>
<h3>Fordismo x “Amazonismo”</h3>
<p>Se o presente em Belterra e na Floresta do Tapajós é de valorização do modo de vida e da economia amazônica, em um passado já distante, os projetos para a região eram totalmente diferentes.</p>
<p>Os vestígios deste período estão próximos, a poucos metros da Oka Hub. São casas de madeira pintadas em verde e branco, em uma área conhecida como Vila Americana. A estética é anacrônica, importada do Meio-Oeste dos Estados Unidos.</p>
<p>Na década de 1930, a Ford Motor Company, de Henry Ford, pretendia cultivar seringueiras em massa, para extrair látex e usar na indústria de pneus. A vila era o centro administrativo e residencial de elite norte-americana que trabalharia na região, como engenheiros e gerentes.</p>
<p>Uma grande caixa d’água de ferro alimentava o sistema hidráulico das moradias. A sirene no topo soava em diferentes horários do dia e regulava os turnos de trabalho na plantação.</p>
<p>Henry Ford nunca visitou Belterra e a empresa vendeu os ativos ao governo brasileiro em 1945, depois de o projeto fracassar. As casas hoje são ocupadas por instituições públicas, como as sedes da Prefeitura e da Câmara Municipal, e por moradores locais. A vila foi tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).</p>
<p>A Vila Americana simboliza hoje uma Amazônia que resistiu às tentativas externas de exploração, argumenta a historiadora Venize Nazaré Ramos Rodrigues, da Universidade do Estado do Pará (UEPA). Ela é autora do artigo Belterra: cidade americana no coração da Amazônia.</p>
<p>A autora interpreta esses conflitos como resultado do choque entre a lógica do fordismo — sistema marcado pela produção em massa, padronização e fragmentação do trabalho —, e os modos de vida amazônicos, ligados aos ciclos da natureza, à liberdade criativa e ao engajamento coletivo.</p>
<blockquote><p>“Não se pode pensar em modernidade para a Amazônia sem levar em consideração os povos que vivem nessa região, a floresta e a relação que se estabelece entre homem e natureza”, diz o artigo.</p></blockquote>
<p>A autora ressalta que o capital americano “fez pouca ou quase nenhuma concessão à cultura local, implantando um sistema que normatizava desde o sistema de trabalho até o lazer e as relações sociais, interferindo na vida pessoal e no padrão de convivência local, afetando as diversas dimensões do viver nativo”, complementa a historiadora.</p>
<h3>Ciência na floresta</h3>
<p>A “modernidade” na Amazônia hoje se traduz pela união entre tradição e ciência. Um dos símbolos disso é o Museu de Ciências da Amazônia (MuCA), instituição que reúne pesquisa e educação ambiental.</p>
<p>Em destaque, estão as coleções científicas ligadas à biodiversidade do bioma, incluindo animais peçonhentos, como serpentes, e as pesquisas relacionadas à conservação ambiental e à diversidade ecológica.</p>
<p>O responsável pelas áreas educacional e laboratorial do museu, Arthur Carvalho, afirma que a relação com as comunidades tradicionais é um dos diferenciais do projeto.</p>
<blockquote><p>“Tudo o que a gente tem hoje de conhecimento científico partiu do conhecimento empírico, do conhecimento tradicional. O que torna o MuCA único é isso: estar próximo dessas comunidades, poder dialogar e aprender com elas”, reflete Arthur.</p></blockquote>
<p>Exemplos concretos dessa integração foram apresentados ao longo desta reportagem. A Oka Hub, incubadora de negócios e de pesquisas, usa espaços dentro do MuCA. As farmacêuticas da Mahá Biocosméticos trabalham na Oka Hub e usam óleos produzidos na Floresta do Tapajós pelas ribeirinhas da Amélias da Amazônia.</p>
<p>Arthur defende que, para alcançar todos os potenciais culturais, científicos e econômicos da região, é preciso ampliar investimentos e mobilizar o engajamento coletivo na defesa da Amazônia.</p>
<blockquote><p>“Existem aqui empresas de tecnologia que trabalham uma série de soluções, mas que ainda não têm credibilidade que mereciam. As pessoas deveriam valorizar mais a região e apoiá-la para que cresça cada vez mais”, pede o amazônida<em>.</em></p></blockquote>
<p><em>Fonte: Agência Brasil</em></p>
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		<title>Casal produz espécies nativas da Amazônia e impulsiona reflorestamento em Santarém</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Jul 2026 17:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
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		<category><![CDATA[Viveiro Florestal da Ardosa]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiro-em-santarm-expande-produo-e-projeta-500-mil-mudas-nativas_55280639616_o-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Criado em 2018 em Santarém (PA) pelo casal Sidcley Matos (biólogo) e Adna Picanço (veterinária), o Viveiro Florestal Ardosa nasceu da percepção de que era preciso reflorestar a Amazônia para garantir alimento e abrigo para a fauna silvestre resgatada. O viveiro cultiva mais de 110 espécies nativas e vive um forte crescimento. No primeiro [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiro-em-santarm-expande-produo-e-projeta-500-mil-mudas-nativas_55280639616_o-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>Criado em 2018 em Santarém (PA) pelo casal Sidcley Matos (biólogo) e Adna Picanço (veterinária), o Viveiro Florestal Ardosa nasceu da percepção de que era preciso reflorestar a Amazônia para garantir alimento e abrigo para a fauna silvestre resgatada.</em></li>
<li><em> O viveiro cultiva mais de 110 espécies nativas e vive um forte crescimento. No primeiro semestre de 2026, a previsão é produzir entre 200 mil e 250 mil mudas, superando a média histórica de 100 mil por ano.</em></li>
<li><em>O empreendimento recebeu um aporte de cerca de R$ 190 mil em equipamentos e infraestrutura da Conservação Internacional Brasil (CIB) para ampliar sua capacidade de produção.</em></li>
<li><em>O diferencial do viveiro é evitar o reflorestamento homogêneo (de poucas espécies). Eles mesclam árvores de crescimento rápido, frutíferas e de madeira para recriar a diversidade da floresta, atendendo produtores que precisam regularizar suas áreas degradadas.</em></li>
<li><em>Com licença do Ministério da Agricultura, o viveiro usa sementes rastreáveis vindas de vários estados da Amazônia e mantém parcerias científicas com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).</em></li>
<li><em> Especialistas defendem que aliar a recuperação ambiental ao ganho econômico e valorizar a cadeia de coletores locais de sementes comprova que a floresta em pé gera mais valor do que ela derrubada.</em></li>
</ul>
<p>Pelo terreno, se acomodam mudas de açaí, cumaru, andiroba, preciosa, gombeira, itaúba. Em uma área antes degradada na comunidade de Jaderlândia, em Santarém, no oeste do Pará, surgem novas possibilidades de reflorestamento para a Amazônia.</p>
<p>O biólogo Sidcley Matos Pereira e a veterinária Adna Picanço decidiram construir um negócio ligado à recuperação do bioma.</p>
<p>O Viveiro Florestal Ardosa nasceu em 2018, quando os dois buscavam uma alternativa de trabalho que não demandasse tantas viagens como antes, mas que os mantivesse na área ambiental.</p>
<p>O nascimento da filha Catarina reforçou a necessidade de fixar raízes e o sentido pessoal do negócio.</p>
<blockquote><p>“A gente queria construir algo junto, perto da família. E mostrar para ela [a filha] que existe um futuro sendo plantado aqui”, diz Adna Picanço.</p></blockquote>
<p>O casal afirma que o projeto também nasceu de uma percepção prática adquirida no trabalho com a fauna silvestre.</p>
<blockquote><p>“Todo animal resgatado, que precisava de cirurgia, estava em área degradada. A gente percebeu que não bastava só soltar os animais, precisava reflorestar para que aquela fauna tivesse alimento”, conta a veterinária.</p></blockquote>
<h3>Referência regional</h3>
<p>Hoje, o empreendimento se consolidou como uma das referências regionais em restauração ecológica e produção de mudas nativas da Amazônia. Com cultivo de mais de 110 espécies, o viveiro passa por uma expansão acelerada.</p>
<p>Apenas no primeiro semestre de 2026, a produção deve alcançar entre 200 mil e 250 mil mudas. A média anterior era de 100 mil por ano.</p>
<p>O negócio também recebeu cerca de R$ 190 mil em equipamentos e estrutura da Conservação Internacional Brasil (CIB). O recurso será usado para ampliar áreas de sombreamento, construir um galpão de trabalho e instalar novas bancadas de produção.</p>
<figure id="attachment_43377" aria-describedby="caption-attachment-43377" style="width: 684px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-43377" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiros_em_santarem-300x179.webp" alt="" width="684" height="408" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiros_em_santarem-300x179.webp 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiros_em_santarem-1024x613.webp 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiros_em_santarem-768x459.webp 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiros_em_santarem-150x90.webp 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiros_em_santarem-450x269.webp 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiros_em_santarem.webp 1170w" sizes="(max-width: 684px) 100vw, 684px" /><figcaption id="caption-attachment-43377" class="wp-caption-text">Mudas produzidas no Viveiro Florestal da Ardosa, atende a diferentes demandas. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>O viveiro atende a diferentes demandas, a maior parte delas vinda de produtores que precisam recompor áreas degradadas depois de receber notificações ambientais. A preocupação, segundo Sidcley, é evitar modelos homogêneos de reflorestamento, que priorizam poucas espécies e empobrecem os ecossistemas.</p>
<blockquote><p>“As pessoas chegam e se surpreendem quando veem que trabalhamos com tantas espécies. Geralmente os viveiros têm só aquelas que crescem rápido e dão retorno rápido. A gente quer atender restauração ecológica de verdade”, diz o biólogo.</p></blockquote>
<p>“Tem espécies de crescimento rápido, espécies que precisam de sombreamento, espécies voltadas para produção de frutos ou madeira no futuro. A gente pensa nessa variedade justamente para atender à restauração ecológica, pensando na fauna e na diversidade dentro do projeto”, complementa.</p>
<p>A origem das sementes também é controlada. Como o viveiro tem licença do Ministério da Agricultura e Pecuária, todo o material precisa ter rastreabilidade. As sementes vêm de coletores, associações e laboratórios de diferentes regiões da Amazônia, incluindo os estados do Acre, Amazonas, Pará e de Mato Grosso.</p>
<p>A produção envolve ainda uma rede de pesquisadores, estudantes e universidades. O viveiro mantém parcerias com a Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), que participa de discussões técnicas e ajuda na identificação de espécies, fungos e métodos de manejo.</p>
<h3>Desmatamento e reflorestamento</h3>
<p>Negócios como os do Viveiro Florestal Ardosa dialogam com problemas históricos do Brasil em conter a degradação de matas nativas e promover ações de recuperação florestal.</p>
<p>Dados divulgados recentemente no Relatório Anual do Desmatamento (RAD), do MapBiomas, indicam que o desmatamento no Brasil caiu 20,6% em 2025 na comparação com o ano anterior. Ainda assim, o País perdeu 984,7 mil hectares de vegetação nativa no período.</p>
<p>Na Amazônia, foram desmatados 289,4 mil hectares em 2025, uma queda de 23,5% na comparação com 2024. Ainda assim, a floresta perdeu, em média, 792 hectares por dia. A estimativa é de que o bioma já tenha perdido mais de 52 milhões de hectares de vegetação nativa desde 1985, o que representa aproximadamente de 12% a 16% da área original.</p>
<figure id="attachment_43378" aria-describedby="caption-attachment-43378" style="width: 697px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-43378" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiro-em-santarm-expande-produo-e-projeta-500-mil-mudas-nativas_55279716237_o-300x169.webp" alt="" width="697" height="393" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiro-em-santarm-expande-produo-e-projeta-500-mil-mudas-nativas_55279716237_o-300x169.webp 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiro-em-santarm-expande-produo-e-projeta-500-mil-mudas-nativas_55279716237_o-150x84.webp 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiro-em-santarm-expande-produo-e-projeta-500-mil-mudas-nativas_55279716237_o-450x253.webp 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/07/viveiro-em-santarm-expande-produo-e-projeta-500-mil-mudas-nativas_55279716237_o.webp 754w" sizes="(max-width: 697px) 100vw, 697px" /><figcaption id="caption-attachment-43378" class="wp-caption-text">Viveiro Florestal da Ardosa expande produção e projeta 500 mil mudas. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>O Pará é um dos estados mais afetados. Entre 2019 e 2025, o estado concentrou mais de 2 milhões de hectares desmatados, embora tenha registrado redução de 40% em 2025.</p>
<p>O principal instrumento do governo federal para recuperar áreas degradadas é o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente.</p>
<p>A meta nacional estabelecida pela Política Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Proveg) é recuperar 12 milhões de hectares até 2030, dos quais 4,8 milhões de hectares estão na Amazônia.</p>
<p>A plataforma Observatório da Restauração – hospedada pela Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura – monitora o progresso das iniciativas de restauração em andamento no país. No momento, 39.710 hectares na Amazônia estão nesse processo, sendo 11.150 hectares no Pará.</p>
<h3>Ciência e restauração</h3>
<p>O pesquisador Rafael Rode, professor do Instituto de Biodiversidade e Florestas da Ufopa, afirma que iniciativas como o Viveiro Florestal Ardosa se tornaram estratégicas diante do passivo ambiental acumulado na Amazônia.</p>
<p>Segundo ele, com o avanço histórico do desmatamento, é preciso investir em recuperação com rigor científico e planejamento ecológico.</p>
<blockquote><p>“A recuperação dessas áreas envolve conhecimento específico para manter o equilíbrio ambiental. Sem um trabalho embasado cientificamente, você pode ter assoreamento de rios, erosão e perda das propriedades do solo”, explica Rafael Rode.</p></blockquote>
<p>Ele destaca a importância de se priorizar espécies nativas.</p>
<blockquote><p>&#8220;Muitas vezes se usa espécie exótica de crescimento rápido, mas isso pode gerar desequilíbrios e até dominar o ambiente. É preciso cuidado técnico.”</p></blockquote>
<p>O professor coordena pesquisas em sistemas agroflorestais e reflorestamento na fazenda experimental da universidade, com foco em sustentabilidade e geração de renda.</p>
<blockquote><p>&#8220;Tentar conciliar recuperação ambiental com ganho econômico é o mais importante hoje. Você coloca espécies que também geram renda, como cumaru e andiroba, e reforça a concepção de que a floresta plantada pode gerar economia e mais ganhos do que a floresta derrubada”, avalia.</p></blockquote>
<h3>Bioeconomia</h3>
<p>O crescimento de negócios ligados à restauração ambiental e ao uso sustentável da floresta está dentro de uma concepção mais ampla sobre bioeconomia na Amazônia.</p>
<p>Professora e doutora em ciências agrárias da Ufopa, Patrícia Chaves de Oliveira explica que esse modelo econômico depende diretamente da natureza e dos modos de vida das populações locais.</p>
<blockquote><p>“A bioeconomia é baseada na biodiversidade. Ela pode envolver plantas, pesca, turismo de base comunitária, artesanato e produtos florestais”, diz Patrícia.</p></blockquote>
<p>&#8220;A biodiversidade da Amazônia permite diferentes cadeias econômicas. Mas é preciso garantir que essas populações também sejam donas dos próprios negócios e não apenas fornecedoras de matéria-prima”, complementa.</p>
<p>Segundo o diretor técnico do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Bruno Quick, projetos liderados pela instituição têm procurado fortalecer essas cadeias econômicas sustentáveis.</p>
<p>Exemplos são o Bioma Amazônico e a Iconografia Local, que valorizam identidades e conhecimentos tradicionais da região.</p>
<blockquote><p>“Esses projetos fazem parte do propósito de transformar a riqueza cultural e ambiental da Amazônia em um diferencial competitivo para os produtos locais, o que gera valor agregado, abre novos mercados e promove inclusão social e econômica”, afirma Bruno Quick.</p></blockquote>
<p>Para o diretor, é preciso repensar a matriz econômica que orienta há décadas o desenvolvimento da região.</p>
<blockquote><p>&#8220;A bioeconomia traz a compreensão de que outro modelo de crescimento é possível, onde a floresta em pé ganha valor real.”</p></blockquote>
<p>Valor que, segundo o biólogo Sidcley Matos Pereira, cresce à medida que é compartilhado com outros trabalhadores e famílias da comunidade.</p>
<blockquote><p>“Sem os coletores de sementes não existe muda, não existe viveiro. A gente valoriza toda essa cadeia, desde quem coleta na floresta até quem organiza as mudas no caminhão para chegar ao cliente”, diz.</p></blockquote>
<p>“Família é muito importante nesse processo. E a família aumenta quando temos uma conexão com as pessoas que produzem junto. Não valorizamos apenas a nossa família. Valorizamos também as deles”, finaliza.</p>
<p><em>Fonte: Agência Brasil</em></p>
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		<title>Refúgio verde criado por agricultor de 93 anos vira laboratório climático inédito na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 14:40:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[Capitão Poço]]></category>
		<category><![CDATA[Centro Capoeira]]></category>
		<category><![CDATA[Embrapa]]></category>
		<category><![CDATA[monitoramento climático]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/Duquinha_Luiza-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo  Uma torre de 20 metros instalada em Capitão Poço (PA) inicia o primeiro monitoramento climático em florestas secundárias (capoeiras) da Amazônia. Uma segunda torre de 40 metros, em floresta primária intocada, serve como base comparativa para medir a eficiência climática das áreas regeneradas. A pesquisa em área secundária ocorre em uma reserva de 56 [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/Duquinha_Luiza-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo </em></p>
<ul>
<li><em>Uma torre de 20 metros instalada em Capitão Poço (PA) inicia o primeiro monitoramento climático em florestas secundárias (capoeiras) da Amazônia.</em></li>
<li><em>Uma segunda torre de 40 metros, em floresta primária intocada, serve como base comparativa para medir a eficiência climática das áreas regeneradas.</em></li>
<li><em>A pesquisa em área secundária ocorre em uma reserva de 56 hectares protegida há 30 anos por Manuel Geraldo de Carvalho, o &#8220;seu Duquinha&#8221;, de 93 anos.</em></li>
<li><em>O estudo, coordenado pela Embrapa, conta com a participação da neta de &#8220;seu Duquinha&#8221;, a bióloga Laína Carvalho, que analisa o fluxo de energia da floresta.</em></li>
<li><em>Sensores de alta tecnologia vão coletar dados contínuos de atmosfera e solo por um ano para calibrar modelos de satélite e avaliar o papel das capoeiras na regulação térmica do bioma.</em></li>
</ul>
<div class="container">
<div id="model-response-message-contentr_eee0ed5b4ee53987" class="markdown markdown-main-panel enable-updated-hr-color" dir="ltr" aria-live="off" aria-busy="false">
<p data-path-to-node="4">O que começou há 30 anos como o esforço solitário de Manuel Geraldo de Carvalho, o seu Duquinha, para recuperar uma nascente com o plantio de 30 mil mudas, transformou-se no principal laboratório vivo de monitoramento climático da Amazônia.</p>
<p data-path-to-node="4">A propriedade do agricultor de 93 anos, em Capitão Poço (PA), agora abriga uma torre de pesquisa de 20 metros de altura.  O projeto vai avaliar de forma inédita o papel das florestas secundárias (as capoeiras) na contenção da crise climática global.</p>
<p data-path-to-node="4">A iniciativa mobiliza uma rede de instituições científicas, integrantes do <a href="https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/100901816/amazonia-ganha-centro-de-pesquisas-para-apoiar-a-recuperacao-de-areas-desmatadas-e-degradadas" target="_blank" rel="noopener">Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazónia (Centro Capoeira)</a>, coordenado pela Embrapa.</p>
<p data-path-to-node="5">Por meio de sensores fixados no solo e na estrutura da torre, os cientistas vão monitorar dados meteorológicos contínuos. O objetivo é verificar a capacidade de recuperação térmica que essas matas jovens oferecem ao bioma após sofrerem com o desmatamento ou com o uso agrícola.</p>
<figure id="attachment_43225" aria-describedby="caption-attachment-43225" style="width: 718px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-43225" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia-300x200.jpg" alt="" width="718" height="479" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia-450x300.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia.jpg 800w" sizes="(max-width: 718px) 100vw, 718px" /><figcaption id="caption-attachment-43225" class="wp-caption-text">O trabalho vai gerar dados inéditos sobre o papel da restauração florestal na Amazônia para a mitigação das mudanças climáticas. Foto: Márcio Nagano</figcaption></figure>
<h3 data-path-to-node="6">A história por trás da preservação</h3>
<p data-path-to-node="7">A trajetória da reserva se confunde com a vida de seu Duquinha. Natural de Ourém, ele conheceu a comunidade de Nova Colônia, em Capitão Poços, ainda na infância, durante viagens de caça com a família. Mais tarde, os pioneiros se estabeleceram definitivamente naquelas terras.</p>
<p data-path-to-node="7">Antes de se tornar uma referência em conservação, seu Duquinha foi alfabetizado por uma escola radiofônica, concluiu o ensino médio e trabalhou como escrivão de polícia.</p>
<p data-path-to-node="7">O plano de transformar a antiga área de roçado em um refúgio verde ganhou um propósito definitivo há pouco mais de três décadas, por incentivo de um dos seus 12 filhos, que o estimulou a direcionar a sabedoria prática da terra para a conservação.</p>
<p data-path-to-node="8">Munido de conhecimento prático, seu Duquinha plantou manualmente espécies locais, incluindo castanheiras e piquiás, conseguindo recuperar uma nascente que antes sofria com a seca periódica.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="8">“A mata ciliar estava muito degradada, então fomos fazendo a restauração. Hoje já está com um bom tempo que o riachinho não seca&#8221;, recorda.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="9">A conquista é celebrada por sua esposa, Luiza Bezerra, com quem divide a vida há 66 anos. “</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="9">Me sinto feliz demais, porque hoje em dia para se achar um lugar como esse é raro”, destaca.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="9">A volta da floresta também atraiu espécies nativas de animais, como os macacos-bugio, cujos sons característicos servem como um termômetro natural da saúde do ecossistema local.</p>
<h3 data-path-to-node="10">O elo entre a tradição e a pesquisa científica</h3>
<p data-path-to-node="11">Esse ambiente moldou os passos da neta do casal, a bióloga Laína Carvalho, de 33 anos. Criada pelos avós na Reserva Ecológica São Geraldo Magela, ela transformou o quintal de sua infância em foco acadêmico. Hoje, como doutoranda em Ciências Florestais pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), estuda a dinâmica ecológica e matemática envolvida no reflorestamento espontâneo.</p>
<p data-path-to-node="12">O foco da pesquisadora é medir como as árvores gerenciam energia nas capoeiras durante períodos de extremos climáticos, sejam secas intensas ou tempestades.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="12">“A planta recebe energia pela fotossíntese. Parte dela usa para crescer e se recuperar, e a energia que sobra é distribuída para o tronco, folhas e raízes. Meu trabalho é entender como essa distribuição acontece ao longo dos anos. Analiso desde capoeiras jovens até mais antigas, de 15 até 60 anos, incluindo a floresta primária intacta, onde o Centro Capoeira instalou, recentemente, outra torre de monitoramento”, explica a pesquisadora.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="13">Para traçar esse panorama, o estudo avalia variáveis que vão do topo da estrutura até o chão da mata, onde é recolhida e analisada a serrapilheira (composta por folhas e galhos caídos), além de computar o impacto causado por insetos folívoros.</p>
<h3 data-path-to-node="14">Duas realidades florestais</h3>
<p data-path-to-node="15">Para conferir precisão científica aos resultados, o monitoramento conta com o suporte de uma segunda torre, de 40 metros de altura, fincada em uma área de 500 hectares de mata primária preservada em um terreno da Sedap.</p>
<p data-path-to-node="15">Enquanto a torre menor analisa a capoeira, a maior vigia a vegetação virgem, funcionando como um ponto de comparação detalhado. Ambas receberam sensores capazes de registrar em tempo real variações de temperatura e umidade no ar e na terra.</p>
<p data-path-to-node="16">A estrutura de 40 metros surgiu de uma iniciativa idealizada pelo pesquisador Fernando Elias da Silva (Museu Goeldi) em parceria com o professor Divino Silvério (Ufra). Financiado pelo Instituto Serrapilheira, o estudo começou de forma isolada, mas foi incorporado ao Centro Capoeira para ganhar maior abrangência.</p>
<p data-path-to-node="17">Fernando reforça a relevância de se estudar as florestas secundárias, aquelas que voltam a crescer naturalmente após o abandono de pastagens ou plantios. Segundo o cientista, essas áreas cumprem uma função ambiental crucial na restituição da biodiversidade e na oferta de serviços ecossistêmicos indispensáveis para o planeta.</p>
<h3 data-path-to-node="18">Um polo de estudos</h3>
<p data-path-to-node="19">Capitão Poço foi escolhida estrategicamente devido ao histórico de ocupação da região, marcada por desmatamentos sucessivos ao longo das últimas décadas.</p>
<p data-path-to-node="19">Embora o monitoramento em matas intocadas já ocorra em outros pontos da Amazônia, a grande virada do projeto é focar na vegetação secundária. “Plataformas em florestas maduras existem várias na região, mas para a capoeira, esta é a primeira”, salienta Fernando.</p>
<p data-path-to-node="20">Para garantir dados consolidados, as duas torres precisam coletar informações de forma conjunta por pelo menos 12 meses. O equipamento maior concentra cerca de 10 sensores de alta tecnologia.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="20">“Precisamos dessas medidas tanto na estação seca quanto na chuvosa em ambas as áreas. O clima é extremamente volátil e sofre muita alteração ao longo do ano, por isso precisamos de 12 meses consecutivos de dados nos dois ambientes para ter um recorte seguro de comparação”, detalha Fernando.</p>
</blockquote>
<h3 data-path-to-node="21">Entendendo a regulação do clima amazônico</h3>
<p data-path-to-node="22">Se a preocupação de Fernando se volta à biodiversidade e ao estoque de carbono, a meta do professor Divino Silvério foca no comportamento da atmosfera. Ele investiga o tempo necessário para que uma capoeira consiga regular o clima local com a mesma eficácia de uma floresta nativa.</p>
<p data-path-to-node="22">Embora a regeneração natural seja uma das estratégias de restauração mais baratas e eficientes do mundo, faltam respostas exatas sobre o tempo que o ecossistema leva para reestabelecer o equilíbrio térmico.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="23">&#8220;Sabemos que há uma diferença considerável na forma como uma floresta primária e uma área de pastagem geram o ciclo da água e da energia. O que estamos tentando entender com as capoeiras é como ocorre a recuperação desta capacidade de produzir vapor de água e manter a temperatura local amena&#8221;, esclarece Divino.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="24">Os dados coletados em campo vão servir para calibrar as projeções de satélite usadas no mapeamento do clima regional.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="24">“As torres de monitoramento do clima local atendem um dos objetivos principais do Centro Capoeira que é entender como diferentes estratégias de restauração florestal contribuem para recuperar os serviços ecossistêmicos”, complementa a pesquisadora Joice Ferreira, coordenadora do Centro Capoeira e vinculada à Embrapa Amazônia Oriental.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="25">Mesmo buscando entender qual parte da floresta responde mais rápido ao tempo, os especialistas lembram que, embora as capoeiras sejam grandes aliadas no combate ao aquecimento global, elas caminham lado a lado com a necessidade inegociável de preservar as matas nativas que ainda restam.</p>
<p data-path-to-node="25"><em>Fonte: Embrapa</em></p>
</div>
</div>
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		<item>
		<title>Cacau e açaí transformam fazenda de Castanhal em celeiro agroflorestal</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 02 Jun 2026 18:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura]]></category>
		<category><![CDATA[agroflorestas]]></category>
		<category><![CDATA[cacau]]></category>
		<category><![CDATA[Cacau em Safs]]></category>
		<category><![CDATA[Caupé Chocolates]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[Osny Ramos]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-11-at-17.09.48-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo A Fazenda Monte Castelo, em Castanhal (PA), transformou mais de 60 anos de pecuária extensiva tradicional num modelo sustentável de Sistemas Agroflorestais (SAFs), liderado pelo ex-dentista Osny Ramos desde 2019.  O sistema consorcia o cultivo de cacau com açaí, pimenta-do-reino e baunilha de Madagascar. Com irrigação suspensa e adubação 70% orgânica (vinda da própria [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-11-at-17.09.48-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li>
<p data-path-to-node="0,0,0"><em>A Fazenda Monte Castelo, em Castanhal (PA), transformou mais de 60 anos de pecuária extensiva tradicional num modelo sustentável de Sistemas Agroflorestais (SAFs), liderado pelo ex-dentista Osny Ramos desde 2019.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="0,1,0"><em> O sistema consorcia o cultivo de cacau com açaí, pimenta-do-reino e baunilha de Madagascar. Com irrigação suspensa e adubação 70% orgânica (vinda da própria pecuária), a fazenda recuperou solos degradados e prevê produção 100% orgânica até 2027.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="0,2,0"><em>O investimento na fermentação das amêndoas rendeu a medalha de ouro no festival Chocolat Amazônia 2024. O sucesso impulsionou o lançamento da Caupé, uma marca de chocolates tree-to-bar, apresentada no Salon du Chocolat em Paris no fim de 2025.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="0,3,0"><em>Com uma área de 22 hectares e previsão de colher 35 toneladas de amêndoas, o projeto firmou uma parceria com uma comunidade quilombola vizinha, cedendo 5 mil mudas de cacau e oferecendo treinamento técnico para os moradores</em></p>
</li>
</ul>
<p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p data-path-to-node="4">Unir a recuperação do bioma amazônico ao desejo de estruturar um negócio financeiramente viável foi o ponto de partida para transformar a Fazenda Monte Castelo, em Castanhal (PA). O espaço, que por mais de seis décadas abrigou a criação extensiva de gado, agora serve de palco para um modelo agrícola que prioriza o meio ambiente.A mudança foi liderada pelo ex-dentista Osny Ramos, que após deixar a profissão por problemas de saúde, encontrou no chão da floresta um caminho inovador de recomeço.</p>
<p data-path-to-node="5">A transformação da fazenda, que começou em 2019. O que antes era um espaço dominado pela pecuária tradicional passou a ser redesenhado com base em sistemas agroflorestais, aproximando produção agrícola e recuperação ambiental. A inspiração veio de um técnico da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC), que apresentou o potencial do cultivo de cacau como alternativa sustentável para a região.</p>
<p data-path-to-node="6">Para a <strong>Semana do Meio Ambiente</strong>, o <strong>Pará Terra Boa </strong>conversou com o produtor, que relembra que observava a movimentação do mercado e, diante da necessidade de mudar de profissão, só havia uma certeza: o negócio precisava ser sustentável.</p>
<blockquote><p>“O mundo está passando por transformações muito profundas para achar que dá para começar um negócio de qualquer jeito. Embora eu já soubesse que o futuro estava nos negócios sustentáveis, quando ouvi sobre o potencial regenerativo do cacau em Sistemas Agroflorestais (SAFs) pela primeira vez, algo aconteceu. Foi aí que veio o sinal de que este era o caminho certo”, relembra.</p></blockquote>
<p>Após a decisão inicial, Osny passou a compreender melhor as etapas de criação e estruturação de uma SAF e, ao observar a propriedade, viu seu projeto começar a ganhar forma.</p>
<blockquote><p>“Precisávamos escolher as culturas que fariam parte da SAF junto com o cacau e, depois de muita observação, chegamos ao açaí, por ser abundante, totalmente adaptado ao local, fazer parte da paisagem diária e ainda gerar um lucro extra por ser muito valorizado”, diz.</p></blockquote>
<p>Ele aponta ainda que há uma pequena área dedicada à pimenta-do-reino, mas que o cacau e o açaí ocupam os principais espaços. Para o empresário, a experimentação contínua faz parte do fortalecimento do sistema de plantio, ampliando a possibilidade de novos negócios.</p>
<blockquote><p>“É como um quebra-cabeça: se as culturas forem bem alinhadas, geram diversos ciclos de colheita ao longo do ano, gerando uma renda mais estável”, afirma.</p></blockquote>
<h3 data-path-to-node="12"><b data-path-to-node="12" data-index-in-node="0">Recuperação do Solo</b></h3>
<p data-path-to-node="12">Osny cita ainda que essa não é a primeira vez que a pimenta-do-reino é plantada no local. Ele comenta que o sogro, pesquisador aposentado da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), chegou a cultivar a especiaria por alguns anos, mas a degradação do solo impediu resultados melhores.</p>
<p data-path-to-node="13">“Tentamos por alguns anos, enquanto iniciávamos as SAFs, mas não deu certo. A história está ressurgindo agora, graças aos resultados iniciais da recuperação do solo. Foi possível reajustar um pouco da pecuária e do plantio da pimenta”, diz.</p>
<p data-path-to-node="14">O modelo adotado na propriedade aposta em irrigação eficiente e manejo cuidadoso do solo. Mangueiras suspensas garantem a distribuição de água, enquanto a adubação orgânica, em grande parte proveniente da própria atividade pecuária, ajuda a manter a fertilidade. Esse ciclo fechado reduz desperdícios e contribui ainda mais para a consolidação do sistema regenerativo.</p>
<p data-path-to-node="15">“O reaproveitamento do material da pecuária é responsável por cerca de 70% da adubação do que plantamos atualmente. Só no cacau, por exemplo, cada pé recebe 60 kg de adubo orgânico por ano. Se tudo der certo, entraremos em 2027 com produção 100% orgânica”, antecipa.</p>
<p><strong>Ponto de virada</strong></p>
<p>Enquanto produzia o equivalente a 1.700 quilos de cacau por hectare, Osny começou a fabricar cacau fermentado sem saber que boa parte dos produtores locais comercializava a amêndoa não fermentada. Ao perceber essa diferença, tomou uma decisão que poderia impulsioná-lo no mercado.</p>
<figure id="attachment_42592" aria-describedby="caption-attachment-42592" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-42592" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0.jpg" alt="" width="800" height="533" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0.jpg 800w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/up_ag_60045_d0f994df-6359-3cea-4d0f-041eec2abce0-450x300.jpg 450w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-42592" class="wp-caption-text">Osny foi um dos vencedores de uma premiação do Chocolat Amazônia 2024 que premiou as melhores amêndoas de cacau do Pará. Foto: Mateus Costa/Sedap</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Mandei uma amostra para um festival estadual de qualidade de amêndoas, em 2024, e ganhei o ouro. Fiquei impressionado, porque era uma aposta muito alta que trouxe um retorno imenso, graças a Deus. Isso chamou tanta atenção que lançamos a Caupé, nossa marca de chocolates ancestrais, já no ano seguinte, no fim de 2025”, conta.</p></blockquote>
<p data-path-to-node="19">A Caupé foi lançada em pleno Salon du Chocolat, em Paris, sob o conceito de marca “tree-to-bar”, nome dado às empresas que controlam todo o processo de produção do chocolate, desde o plantio e cultivo do cacau até a fabricação da barra final, garantindo rastreabilidade total, sustentabilidade e alta qualidade.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="20">“Foi a realização de um sonho. Fazemos vendas para dentro e fora do estado, além de produzirmos eventos com nosso chocolate. Em breve, espero estar dando um passo além e anunciando mais essa novidade”, diz.</p>
</blockquote>
<blockquote class="instagram-media" style="background: #FFF; border: 0; border-radius: 3px; box-shadow: 0 0 1px 0 rgba(0,0,0,0.5),0 1px 10px 0 rgba(0,0,0,0.15); margin: 1px; max-width: 540px; min-width: 326px; padding: 0; width: calc(100% - 2px);" data-instgrm-permalink="https://www.instagram.com/reel/DQkwwVDisXo/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" data-instgrm-version="14">
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<p>&nbsp;</p>
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<p>&nbsp;</p>
<p style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; line-height: 17px; margin-bottom: 0; margin-top: 8px; overflow: hidden; padding: 8px 0 7px; text-align: center; text-overflow: ellipsis; white-space: nowrap;"><a style="color: #c9c8cd; font-family: Arial,sans-serif; font-size: 14px; font-style: normal; font-weight: normal; line-height: 17px; text-decoration: none;" href="https://www.instagram.com/reel/DQkwwVDisXo/?utm_source=ig_embed&amp;utm_campaign=loading" target="_blank" rel="noopener">Um post compartilhado por Caupé (@caupe_cacau)</a></p>
</div>
</blockquote>
<p><script async src="//www.instagram.com/embed.js"></script></p>
<h3><strong>Crescimento conjunto</strong></h3>
<p data-path-to-node="21">Com o aumento da demanda pelo chocolate, o empresário começou a investir em uma pequena agroindústria fora da fazenda para o processamento do cacau, devido às limitações no fornecimento de energia. Ainda em 2025, firmou uma parceria com uma comunidade quilombola vizinha para realizar um teste de plantio adensado de cacau. A aposta agora é aumentar a produtividade por hectare.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="22">“Nós já temos uma parceria de anos, e este passo consolida tudo isso. O presidente do quilombo trabalha na fazenda há décadas, e parte dos nossos funcionários é de lá. Essa união mostra que, quando plantamos o que é bom, frutifica”, afirma.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="23">Ao todo, ele cedeu 5 mil mudas para o plantio em estacas, executado em 1 hectare do quilombo. Além disso, parte da comunidade recebeu treinamento técnico para monitorar a produção.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="24">“Como uma parte deles já trabalha conosco, alguns já conhecem os processos. Agora, outros foram treinados, o que vai gerar uma equipe ainda mais qualificada. Estamos semeando nossos parceiros”, declara.</p>
</blockquote>
<h3><strong>Em expansão</strong></h3>
<p data-path-to-node="25">Osny revelou também que iniciou testes de plantio de baunilha de Madagascar à sombra do cacau. Ele estima que, junto ao açaí e ao cacau, a baunilha pode ajudar a gerar renda de até R$ 200 mil por hectare.</p>
<p data-path-to-node="26">Hoje, a área já convertida para o sistema agroflorestal ocupa 22 hectares e continua em expansão. O plano é ampliar o consórcio de espécies, incluindo árvores de grande porte, como andiroba e castanheira. Fora isso, a aproximação da estrutura da própria floresta deve ajudar a aumentar a produção de amêndoas já neste ano, subindo de 32 para 35 toneladas.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="27">“Estamos construindo um bom caminho para o meio ambiente, para a remuneração justa e para o uso da sustentabilidade como princípio. Se você cuida bem da terra, ela retribui, e isso já vejo ano após ano. A restauração total da área promete um futuro ainda mais promissor para todos nós”, conclui.</p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
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		<title>Jovem do Pará leva projeto sustentável com caroço de açaí à conferência mundial</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/jovem-do-para-leva-projeto-sustentavel-com-caroco-de-acai-a-conferencia-mundial/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 May 2026 16:00:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[Abaetetuba]]></category>
		<category><![CDATA[açaí]]></category>
		<category><![CDATA[coooperativismo]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[reaproveitamento]]></category>
		<category><![CDATA[Unaí Biopainéis]]></category>
		<category><![CDATA[washington filho]]></category>
		<category><![CDATA[World Credit Union Conference]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/unai-ascom-sicredi-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Washington Ferreira Nascimento Filho, 25 anos, de Abaetetuba (PA), vai representar o Brasil na World Credit Union Conference (WCUC), em Sydney, em julho de 2026 Seu projeto, a Unaí, transforma caroços de açaí — hoje descartados em ruas e rios — em materiais para construção civil, arquitetura e design O jovem foi um dos [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/unai-ascom-sicredi-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em><strong>Washington Ferreira Nascimento Filho</strong>, 25 anos, de <strong>Abaetetuba (PA)</strong>, vai representar o Brasil na <strong>World Credit Union Conference (WCUC)</strong>, em <strong>Sydney</strong>, em julho de 2026</em></li>
<li class="font-claude-response-body whitespace-normal break-words pl-2"><em>Seu projeto, a <strong>Unaí</strong>, transforma <strong>caroços de açaí</strong> — hoje descartados em ruas e rios — em materiais para <strong>construção civil</strong>, <strong>arquitetura</strong> e <strong>design</strong></em></li>
<li class="font-claude-response-body whitespace-normal break-words pl-2"><em>O jovem foi um dos <strong>oito vencedores</strong> da bolsa <strong>WYCUP 2026</strong>, selecionado entre quase <strong>cem projetos</strong> de diferentes países</em></li>
<li class="font-claude-response-body whitespace-normal break-words pl-2"><em>Segundo a <strong>Embrapa</strong>, até <strong>80% do açaí</strong> consumido na alimentação vira <strong>resíduo sólido</strong></em></li>
<li class="font-claude-response-body whitespace-normal break-words pl-2"><em>A Unaí já atende <strong>marcas de grande porte</strong>, <strong>arquitetos</strong>, <strong>construtoras</strong> e <strong>designers</strong> em diferentes estados do Brasil</em></li>
</ul>
<p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p>Aos 25 anos, o empreendedor Washington Ferreira Nascimento Filho sairá de Abaetetuba, no Nordeste do Pará, para representar o Brasil em uma das maiores conferências mundiais do cooperativismo, a World Credit Union Conference (WCUC), que será realizada em julho de 2026, em Sydney, na Austrália.</p>
<p>O criador da <a href="https://www.paraterraboa.com/economia/empresa-paraense-transforma-residuo-do-acai-em-opcao-sustentavel-para-a-arquitetura/" target="_blank" rel="noopener">Unaí, iniciativa que transforma resíduos do açaí em produtos sustentáveis </a>voltados para a construção civil, arquitetura e design, está entre os oito vencedores da bolsa World Council of Young Credit Union Professionals (WYCUP 2026), escolhidos entre quase cem projetos de diferentes países. Agora, o projeto que leva mais sustentabilidade à cadeia do açaí terá seu impacto social, ambiental e econômico reconhecido de forma internacional.</p>
<blockquote><p>“Essa conquista é um ganho coletivo que vai beneficiar toda a cadeia produtiva e o ecossistema de produções sustentáveis. É possível fazer centenas de coisas a partir do reaproveitamento do que é resíduo de cada etapa da cadeia produtiva e é uma honra levar essa ideia nascida aqui para o holofote internacional”, diz Washington ao <strong>Pará Terra Boa.</strong></p></blockquote>
<p>A seleção internacional coloca em evidência não apenas a trajetória do jovem paraense, já abordada pelo <strong>Pará Terra Boa</strong> no início de 2026, mas também o potencial da bioeconomia amazônica como alternativa sustentável para o futuro.</p>
<p>Em um momento em que o mundo volta os olhos para a preservação ambiental e para soluções de baixo impacto ecológico, a experiência desenvolvida em Abaetetuba ganha força como exemplo de inovação nascida na floresta.</p>
<h3>Respeito ao ecossistema como legado</h3>
<p>A iniciativa surgiu a partir de um problema que Washington acompanha desde a infância. Embora o Pará seja o maior produtor mundial de açaí, toneladas de caroços são descartadas diariamente após o processamento da fruta.</p>
<p>Segundo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), o açaí consumido na alimentação representa entre 15 e 20% do uso do fruto, já os 80% restantes acabam transformados em resíduo sólido que acaba acumulado em ruas, canais e margens de rios.</p>
<blockquote><p>“Desde muito cedo observamos esse acúmulo nas cidades e nas comunidades ribeirinhas. Embora faça parte de quem somos, esse resíduo não deixa de ser um problema ambiental”, afirma Washington.</p></blockquote>
<p>Hoje, os produtos da Unaí são utilizados em revestimentos internos e externos, decoração e até utensílios personalizados, como pias e estruturas de iluminação. A empresa já desenvolveu projetos para marcas de grande porte, além de parcerias com arquitetos, construtoras e designers em diferentes estados do país.</p>
<figure id="attachment_40517" aria-describedby="caption-attachment-40517" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-40517" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-1024x761.jpeg" alt="" width="814" height="605" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-1024x761.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-300x223.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-768x571.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-150x112.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1-450x335.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-40517" class="wp-caption-text">Revestimento interno de restaurante em Belém feito com painéis da Unaí. Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<p>Além do impacto ambiental, o projeto também fortalece cadeias produtivas locais. Por meio de parcerias com cooperativas e batedores de açaí de Abaetetuba, os resíduos que antes eram descartados passam a gerar renda e a movimentar a economia sustentável da região.</p>
<blockquote><p>“Cada projeto mostra que o resíduo do açaí pode ocupar espaços nobres da arquitetura e do design. Hoje você pode estar em um estabelecimento cuja construção apoia a economia sustentável e todo o ecossistema de trabalhadores que vivem da floresta”, explica o empreendedor.</p></blockquote>
<p>A participação na conferência internacional representa um novo passo para ampliar o alcance da ideia. Em Sydney, Washington pretende compartilhar experiências sobre bioeconomia e cooperativismo, além de buscar conexões e aprendizados que possam fortalecer ainda mais o projeto no Brasil.</p>
<p>A conquista, porém, ultrapassa a trajetória individual do pesquisador. Para o jovem, ela simboliza a força criativa da juventude amazônica, que transforma conhecimento local em soluções capazes de dialogar com desafios globais.</p>
<figure id="attachment_40516" aria-describedby="caption-attachment-40516" style="width: 814px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-40516" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1021x1024.jpeg" alt="" width="814" height="816" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-1021x1024.jpeg 1021w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-300x300.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-150x150.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-768x770.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10-450x451.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-26-at-15.47.10.jpeg 1080w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-40516" class="wp-caption-text">Moagem de caroços de açaí após a extração da polpa. Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<blockquote><p>&#8220;Nossa grande oportunidade de criar um legado passa por dois pontos: atrair investidores e parceiros para ampliar nosso alcance e levar esse trabalho para todo o estado, mas principalmente incentivar outros jovens a tirar seus projetos do papel. Esse projeto nasceu a partir de um conhecimento de toda a vida sobre o açaí; mas quem tem vivência com castanha, andiroba, cumaru e outros consegue criar outras iniciativas igualmente sustentáveis e que fortalecem a bioeconomia do nosso estado e da Amazônia&#8221;, declara.</p></blockquote>
<p><strong>LEIA MAIS</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/agricultura/de-coisa-de-caboclo-ao-superalimento-como-o-acai-esta-transformando-geracoes-na-amazonia/" target="_blank" rel="noopener">De ‘coisa de caboclo’ ao superalimento: como o açaí está transformando gerações na Amazônia</a></strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/economia/acai-ganha-status-de-fruta-nacional-e-reforco-de-tecnologia-e-investimento/" target="_blank" rel="noopener">Açaí ganha status de fruta nacional e reforço de tecnologia e investimento</a></strong></p>
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		<item>
		<title>Mães da terra: mulheres transformam o campo com sustentabilidade e força coletiva</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 10 May 2026 11:23:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[agricultoras]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura no pará]]></category>
		<category><![CDATA[empreendedorismo]]></category>
		<category><![CDATA[mulheres no campo]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-07-at-16.41.28-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Tereza Coelho Antes do amanhecer, elas já dividiram o tempo entre o cuidado com os filhos, o café no fogão e o manejo da roça. Neste Dia das Mães, o olhar se volta para as mulheres que personificam a multifuncionalidade no campo: aquelas que administram propriedades, lideram cooperativas e movimentam a economia, provando que [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/WhatsApp-Image-2026-05-07-at-16.41.28-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p>Antes do amanhecer, elas já dividiram o tempo entre o cuidado com os filhos, o café no fogão e o manejo da roça. Neste Dia das Mães, o olhar se volta para as mulheres que personificam a multifuncionalidade no campo: aquelas que administram propriedades, lideram cooperativas e movimentam a economia, provando que sustentabilidade e produção caminham juntas.</p>
<p>Segundo o último Censo Agropecuário do IBGE, as mulheres dirigem ou codirigem cerca de 1,7 milhão de propriedades rurais no Brasil. No Pará, essa força é nítida em mais de 57 mil estabelecimentos gerenciados por elas — o equivalente a 20% do total do estado. Em sua maioria, são produtoras acima dos 45 anos que atuam na agricultura familiar, quintais agroflorestais e pecuária, conciliando a geração de renda com a missão de garantir a segurança alimentar de suas famílias.</p>
<p>Com tantas responsabilidades acumuladas entre a maternidade e a gestão da terra, o que essas mulheres gostariam de compartilhar?</p>
<p>Neste Dia das Mães, o <strong>Pará Terra Boa</strong> ouviu quem faz do cuidado a sua maior ferramenta de produtividade.</p>
<h3><strong>“Administrar uma família é um grande trabalho de gestão”</strong></h3>
<p>Há 12 anos, a produtora rural Maria Gorete Ribeiro trocou a vida urbana e o trabalho como secretária pela rotina no campo. Hoje, à frente de uma propriedade de 78 hectares em Novo Repartimento, ela se tornou referência em manejo sustentável e regularização ambiental na pecuária paraense.</p>
<figure id="attachment_42529" aria-describedby="caption-attachment-42529" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-42529" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957.jpg" alt="" width="800" height="534" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957.jpg 800w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957-768x513.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/04082025-Z09_1957-450x300.jpg 450w" sizes="(max-width: 800px) 100vw, 800px" /><figcaption id="caption-attachment-42529" class="wp-caption-text">Maria Gorete em sua propriedade em Novo Repartimento. Foto: André Dib/TNC</figcaption></figure>
<p>Graças ao trabalho diário e à busca por políticas públicas, ela foi a primeira produtora do município a identificar todo o rebanho e realizar venda direta ao frigorífico.</p>
<blockquote><p>“Quando está tudo dentro das regras, fica mais fácil ter novas oportunidades e conquistar mais entrada no mercado e em projetos de incentivo. Isso é fundamental para que mais pessoas se engajem na produção sustentável”, diz.</p></blockquote>
<p>Mas o caminho não foi simples. Além dos desafios técnicos, Gorete precisou enfrentar o preconceito por ser mulher em um setor historicamente masculino.</p>
<blockquote><p>“Por muito tempo os caras não queriam me respeitar por eu ser mãe, mulher, proprietária. Tive de mostrar resultados muito acima da média para conquistar respeito, o que é péssimo. A única parte boa disso é que você vira referência quando prova que dá para produzir de forma sustentável e ter vantagens práticas”, conta.</p></blockquote>
<p>Hoje, ela é frequentemente convidada para conversar com outras produtoras sobre regularização ambiental, sustentabilidade e gestão rural. E é justamente na experiência de mãe e chefe de família que ela diz encontrar força para administrar o negócio.</p>
<blockquote><p>“Existe um julgamento que nem sempre é dito na cara (por ser mulher e mãe). Algumas pessoas olham como se a sua capacidade fosse menor por administrar a família e ao mesmo tempo cuidar da terra, do gado e do dinheiro. Administrar uma família envolve tantos detalhes que jamais pensariam isso, se soubessem o grande trabalho de gestão que é manter uma família de pé&#8221;, declara.</p></blockquote>
<p>Para Gorete, as políticas públicas voltadas ao campo fazem diferença concreta na vida dessas famílias chefiadas pelas mães, avós e tias.</p>
<blockquote><p>“Quando aquela mãe vê que existem políticas públicas suficientes para dar apoio ao trabalho dela, tipo um Pronaf Mulher, é quase a mesma coisa do que ter alguém para ajudar com os filhos numa emergência. O apoio do governo é fundamental e ajuda a salvar vidas”, frisa.</p></blockquote>
<h3><strong>“Sonhar junto vai mudar o futuro da nossa comunidade”</strong></h3>
<p>Na Terra Quilombola Moju-Miri, o trabalho coletivo é parte da sobrevivência e da construção do futuro.</p>
<p>Michele Cardoso é uma das criadoras da Kakau Rivier, marca de chocolates e derivados do cacau desenvolvida por sete famílias da comunidade. Filha e neta de agricultores, ela cresceu vendo o trabalho na roça como parte da identidade familiar, mas percebeu cedo que seria preciso inovar para garantir renda e permanência das novas gerações no território.</p>
<blockquote><p>“Viver é cada vez mais caro, embora a gente tenha uma boa disposição do básico para alimentação, só ela não basta para que nossos filhos também tenham uma vida digna”, explica.</p></blockquote>
<p>Na comunidade, as decisões e os desafios são compartilhados, o que também reflete na produção agrícola e na adoção de práticas sustentáveis como Sistemas Agroflorestais, onde mesclam plantios de cacau com cupuaçu, banana e outras culturas.</p>
<blockquote><p>“Uma parte muito importante do nosso conhecimento da roça vem do que nossos pais, tios e avós aprenderam ao longo da vida. Agora que podemos estudar mais e entender melhor os programas de incentivo, entramos numa nova fase de juntar o que sabemos desde sempre com o que a ciência avançou&#8221;, cita.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p>Michele acredita que a chegada de escolas, universidades e políticas voltadas ao campo vem mudando a relação dos jovens com a vida rural.</p>
<blockquote><p>“Por muito tempo existia aquela ideia nos meninos e nas meninas de que precisava ir para a cidade grande para fazer a vida. Aos poucos isso está mudando. Nem todo mundo é mais obrigado a abandonar a terra pra virar gente&#8221;, declara.</p></blockquote>
<p>Para ela, iniciativas sustentáveis têm impacto muito além da produção: possuem o poder de unir famílias, alinhar propósitos e reinventar o próprio futuro, consolidando um sonho coletivo de décadas. Entretanto, a manutenção desses direitos pode ser preservada (e ampliada) por um instrumento importante: o investimento em políticas públicas.</p>
<figure id="attachment_42530" aria-describedby="caption-attachment-42530" style="width: 802px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-42530" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram.jpg" alt="" width="802" height="931" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram.jpg 802w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram-258x300.jpg 258w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram-768x892.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram-150x174.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Screenshot_20260508_104216_Instagram-450x522.jpg 450w" sizes="(max-width: 802px) 100vw, 802px" /><figcaption id="caption-attachment-42530" class="wp-caption-text">Representantes da comunidade de Moju-Miri em evento sobre cacau. Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Projetos e leis que ajudam a cuidar do campo não geram bem só para a natureza, mas para as famílias, para a autoestima e para as comunidades que fazem a economia girar. Um sonho sonhado junto dos nossos pode mudar uma vida inteira”, comenta.</p></blockquote>
<h3>Jornada dupla de força e resiliência</h3>
<p>A experiência da agricultora e empreendedora Ginelda Lima, de Tomé-Açu, carrega marcas profundas de uma história bem conhecida na Amazônia: infância ribeirinha, maternidade precoce e pobreza. Entretanto, uma trajetória que parecia ter um roteiro pronto foi transformada graças ao trabalho coletivo e à resiliência.</p>
<p>Filha de indígenas e caboclos, ela narra que chegou a Tomé-Açu ainda criança, depois que a mãe se separou do pai e precisou criar sozinha nove filhos. Sem nunca ter frequentado escola até os 12 anos, ela cresceu vendo a mãe sustentar a família produzindo farinha.</p>
<blockquote><p>“Eu não me tornei agricultora, eu nasci agricultora&#8221;, afirma.</p></blockquote>
<p>Embora tivesse o sonho de ter uma casa de farinha, a vida seguiu por caminhos difíceis. Ginelda casou aos 14 anos, foi mãe ainda adolescente e anos depois acabou abandonada pelo marido. Desempregada e com as filhas cursando faculdade em Belém, ela encontrou na mandioca uma forma de sobreviver.</p>
<blockquote><p>“Eu vendia mandioca ralada cedo nas padarias para sustentar minhas filhas. Era a única forma de conseguir dinheiro para ajudar elas”, relembra.</p></blockquote>
<p>Foi nesse período que o turismo de base comunitária trouxe visitantes canadenses que mudariam sua vida. Encantados com sua história e com o trabalho coletivo desenvolvido no sítio, eles decidiram financiar a construção da tão sonhada Casa de Farinha Quebec, que leva no nome a lembrança deste encontro.</p>
<p>Hoje, o empreendimento possui certificações nacionais, vende para outros países, abastece programas de merenda escolar e reúne dezenas de famílias fornecedoras.</p>
<blockquote><p>“Meus filhos foram criados com a agricultura e isso é motivo de muito orgulho. O trabalho na terra é tão ancestral quanto a própria maternidade”, celebra.</p></blockquote>
<p>Ao longo do tempo, a produção também passou a incorporar sistemas agroflorestais, com o plantio de mandioca integrado a espécies como açaí, cacau, cupuaçu, castanha-do-pará, cumaru e seringueira. Atualmente, a casa de farinha compra dos pequenos agricultores, processa e vende, gerando renda contínua para todos.</p>
<p>Entretanto, ela afirma que uma das maiores conquistas foi gerar oportunidades para outras mulheres, especialmente mães solo, que as vezes se enxergam sem saída no momento do abandono.</p>
<blockquote><p>“A casa de farinha ajudou muito as mulheres solteiras, mães que não tinham condições. Hoje existe planejamento da roça, assistência técnica, parceria com prefeitura, sementes. Elas plantam e me vendem de volta. Todas sustentando suas famílias e sonhos com dignidade&#8221;, detalha.</p></blockquote>
<figure id="attachment_42533" aria-describedby="caption-attachment-42533" style="width: 814px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-large wp-image-42533" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-1024x576.jpg" alt="" width="814" height="458" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-1024x576.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-300x169.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-768x432.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-1536x864.jpg 1536w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-150x84.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-450x253.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321-1200x675.jpg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/IMG-20260507-WA0321.jpg 1599w" sizes="(max-width: 814px) 100vw, 814px" /><figcaption id="caption-attachment-42533" class="wp-caption-text">Ginelda (em destaque) recebendo grupos de instituições na casa de farinha promovendo formação em práticas sustentáveis. Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>
<p>Ao olhar para trás, ela resume a trajetória com a frase que sua avó gostava de dizer: “Sonho que se sonha só é só um sonho. Mas sonho que se sonha junto se torna realidade&#8221;. Em seguida, dá um recado para mães, avós e mulheres.</p>
<blockquote><p>&#8220;Busquem informação, seja de turismo comunitário, SAFs, negócios sustentáveis, pagamento por serviços ambientais e bioeconomia. Nada é tão nosso quanto ter nosso sustento e dos nossos filhos garantidos. Tem um monte de políticas públicas aí que dizem que vai nos beneficiar e outras tantas que já foram criadas nos últimos anos, vão atrás delas. Uma conversa com líder comunitário ou alguém de um escritório rural pode trazer a transformação que a sua vida precisa&#8221;, diz.</p></blockquote>
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		<title>Diagnóstico aponta gargalos na regularização de territórios quilombolas no Pará</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 06 May 2026 15:48:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque1]]></category>
		<category><![CDATA[IPAM]]></category>
		<category><![CDATA[Malungu]]></category>
		<category><![CDATA[quilombos]]></category>
		<category><![CDATA[regularização fundiária]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/9412_47552-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Um novo diagnóstico que sistematiza dados de 52 territórios quilombolas foi apresentado durante a 16ª Mesa Quilombola Estadual, em Belém. O trabalho, fruto de uma parceria entre o Ipam, a Malungu e a iniciativa “Tô no Mapa”, revela que muitas comunidades ainda vivem em invisibilidade administrativa, sem qualquer camada de proteção oficial ou processo de [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/9412_47552-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Um novo diagnóstico que sistematiza dados de 52 territórios quilombolas foi apresentado durante a 16ª Mesa Quilombola Estadual, em Belém. O trabalho, fruto de uma parceria entre o Ipam, a Malungu e a iniciativa “Tô no Mapa”, revela que muitas comunidades ainda vivem em invisibilidade administrativa, sem qualquer camada de proteção oficial ou processo de titulação iniciado.</p>
<p>O levantamento abrange municípios como Abaetetuba, Acará, Baião, Barcarena, Cametá, Moju, Oeiras do Pará e a região do Marajó (Salvaterra, Soure e Cachoeira do Arari).</p>
<p>Segundo Raquel Poça, pesquisadora do Ipam, o foco é o reconhecimento.</p>
<blockquote><p>“Estamos identificando áreas que já são ocupadas por comunidades quilombolas, mas que ainda não entraram em nenhuma base oficial de cadastro e não possuem nenhuma camada de proteção, seja por certificação, processos fundiários ou mesmo cadastro ambiental.”</p></blockquote>
<h3>Gargalos na regularização</h3>
<p>O estudo aponta que 19 comunidades sequer possuem processo de regularização tramitando. Destas, oito estão em áreas estaduais, três em federais e oito ainda aguardam definição de competência.</p>
<p>A análise também evidencia diferenças entre as regionais.</p>
<p>Na região da Guajarina, comunidades como São José e Trindade enfrentam vulnerabilidade extrema por não possuírem nem mesmo o Cadastro Ambiental Rural (CAR). Em muitos casos, também foram identificadas situações de sobreposição de direitos, conflitos territoriais e ausência de informações consolidadas sobre a dominialidade das áreas.</p>
<p>Em outras regiões, como Nordeste e Marajó, foram identificados casos de conflitos, indefinição fundiária e processos de regularização ainda não iniciados.</p>
<p>Para o presidente do Iterpa, Bruno Kono, o diagnóstico fortalece a gestão pública.</p>
<blockquote><p>&#8220;Os materiais demonstram que a pauta territorial quilombola é conduzida de forma compartilhada entre comunidades e instituições, com responsabilidades divididas para acelerar a regularização fundiária.”</p></blockquote>
<h3>Fortalecimento e autonomia</h3>
<p>O levantamento também incorporou informações sobre conflitos territoriais e situações específicas de cada comunidade, ampliando a capacidade de análise para além do reconhecimento formal dos territórios. Com isso, o material passa a apoiar não apenas processos de regularização, mas também a gestão territorial das comunidades quilombolas no estado.</p>
<p>A partir desse processo, foi realizado o cruzamento dos dados territoriais com informações sobre políticas públicas, situação fundiária e instrumentos de regularização. Esse trabalho permitiu transformar o conjunto de dados em um diagnóstico estruturado, capaz de subsidiar o encaminhamento de demandas de forma mais precisa.</p>
<p>O diagnóstico foi construído por meio do &#8220;automapeamento&#8221;, onde as próprias comunidades utilizam ferramentas digitais para delimitar suas áreas. Érika Thaís, coordenadora da Malungu, destaca o impacto para as associações.</p>
<blockquote><p>“Esse processo foi muito benéfico para a Malungu. Conseguimos chegar aos territórios, escutar as comunidades e realizar o automapeamento a partir do olhar de quem vive nesses espaços. Isso fortalece não só o reconhecimento dos territórios, mas também a autonomia das próprias comunidades.”</p></blockquote>
<p>A pesquisadora do Ipam, Isabel Castro, ressalta que o automapeamento oferece uma segurança imediata.</p>
<blockquote><p>“O grande diferencial é que os próprios comunitários se autodeclaram como comunidades tradicionais e também delimitam os limites da sua terra. Isso traz uma camada a mais de proteção para as áreas ainda não tituladas. Com essa ferramenta, o Estado precisa reconhecer essa autodeclaração, que é legítima, e isso gera repercussões jurídicas e extrajurídicas.”</p></blockquote>
<h3>Encaminhamentos</h3>
<p>Agora, os dados organizados em relatórios analíticos e mapas visuais servem de subsídio para que órgãos como Iterpa, Ministério Público e Defensoria Pública priorizem o atendimento às comunidades em maior situação de conflito ou indefinição jurídica.</p>
<blockquote><p>“A partir da qualificação desses dados, conseguimos não só dar visibilidade a esses territórios, mas direcionar essas informações para espaços institucionais como a Mesa Quilombola”, conclui Raquel Poça.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Os caminhos da agrofloresta: conheça as diferentes trajetórias que mantêm a floresta em pé no Pará</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 05 May 2026 17:02:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[#agrofloresta]]></category>
		<category><![CDATA[#sistemas agroflorestais]]></category>
		<category><![CDATA[#Tomé-Açu]]></category>
		<category><![CDATA[GIZ]]></category>
		<category><![CDATA[IPAM]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[SAFs]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta_ginelda-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Na paisagem diversa da agrofloresta amazônica, não existe um único perfil de produtor nem um único caminho. Entre diferentes idades, histórias e formas de produzir, os SAFs (Sistemas Agroflorestais) vêm sendo construídos a partir de trajetórias que, embora distintas, compartilham um mesmo objetivo: produzir com sustentabilidade e garantir a permanência no campo. Durante a “Jornada [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta_ginelda-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Na paisagem diversa da agrofloresta amazônica, não existe um único perfil de produtor nem um único caminho. Entre diferentes idades, histórias e formas de produzir, os SAFs (Sistemas Agroflorestais) vêm sendo construídos a partir de trajetórias que, embora distintas, compartilham um mesmo objetivo: produzir com sustentabilidade e garantir a permanência no campo.</p>
<p>Durante a <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/intercambio-agroflorestal-conecta-produtores-da-transamazonica-e-tome-acu/" target="_blank" rel="noopener">“Jornada Técnica Agroflorestal”</a>, realizada em Tomé-Açu pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia), em parceria com a GIZ (Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável) , quatro propriedades apoiadas por projetos do Ipam evidenciaram essa diversidade na prática. Os sistemas visitados revelam diferentes estágios de desenvolvimento, níveis de organização e estratégias produtivas, que vão desde iniciativas familiares em consolidação até modelos estruturados em maior escala.</p>
<h3>A força da mulher no campo</h3>
<p>Ginelda Lima, proprietária de uma das áreas visitadas em Tomé-Açu, se destaca como uma mulher empreendedora que conduz, de forma independente, sua produção. Agricultora familiar, ela estruturou um sistema baseado na mandioca, articulado com açaí, cumaru e cacau, aliado ao funcionamento de uma casa de farinha e à agregação de valor ao produto.</p>
<p>A experiência da produtora integra ações do Projeto de Restauração Florestal com Sistemas Agroflorestais e Regeneração Natural, desenvolvido em parceria com a Conservação Internacional Brasil, com apoio da Daikin. A iniciativa também faz parte do projeto “Restauração Florestal na Amazônia: recuperação de áreas alteradas no Estado do Pará, no âmbito do Projeto Regulariza Rural”, apoiado pelo Serviço Florestal Brasileiro, que busca fortalecer práticas produtivas sustentáveis e a recuperação de áreas degradadas no estado.</p>
<blockquote><p>“A farinha era só uma monocultura na minha vida e cheguei a ter toneladas paradas, sem mercado. Mas decidi investir na qualidade, na embalagem e no valor do meu produto. Hoje, ela chega a outros estados e até a outros países. Isso só aconteceu porque alguém acreditou em mim e porque eu também não desisti. A minha produção envolve outras famílias, gera renda e abre oportunidades para mais gente”, explica.</p></blockquote>
<h3>O acesso ao conhecimento e a nova geração</h3>
<p>Em outro contexto, Adeilton Mendes, de 32 anos, representa uma nova geração que permanece no campo a partir da sucessão familiar. Jovem agricultor e estudante de agronomia, ele deu continuidade ao trabalho iniciado pelo pai, incorporando conhecimento técnico, planejamento e diversificação produtiva.</p>
<p>Sua trajetória também se conecta ao Projeto de Restauração Florestal com Sistemas Agroflorestais e Regeneração Natural em Tomé-Açu, desenvolvido em parceria com a Conservação Internacional Brasil e com apoio da Daikin, que incentiva a adoção de sistemas produtivos mais sustentáveis e resilientes na região.</p>
<blockquote><p>“Eu comecei a trabalhar na propriedade ainda jovem, depois que meu pai me deu um pedaço de terra. No início foi difícil, faltava informação técnica e organização, e eu cheguei a trabalhar muito ganhando pouco. Foi quando decidi investir em conhecimento, estudar e aplicar isso na prática. Hoje, consigo diversificar a produção e ampliar as atividades dentro da propriedade”, conta.</p></blockquote>
<figure id="attachment_42454" aria-describedby="caption-attachment-42454" style="width: 712px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-42454" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1-300x168.webp" alt="" width="712" height="399" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1-300x168.webp 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1-768x431.webp 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1-150x84.webp 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1-450x253.webp 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/Agrofloresta-Adeilson-mendes-980x550-1.webp 980w" sizes="(max-width: 712px) 100vw, 712px" /><figcaption id="caption-attachment-42454" class="wp-caption-text">Adeilton Mendes viu que no sistema agroflorestal garante renda em vários períodos do ano.</figcaption></figure>
<p>“Quando a gente trabalha só com uma cultura, acaba ficando limitado. No sistema agroflorestal, é possível ter produção ao longo do ano, com diferentes culturas garantindo renda em vários períodos. Isso traz mais estabilidade e melhora a qualidade de vida”, acrescenta.</p>
<p>A experiência acumulada ao longo do tempo aparece na trajetória de José Paixão, de 72 anos, conhecido como Zé Paixão. Agricultor familiar desde a juventude, ele construiu um sistema agroflorestal diverso ao longo de décadas, com diferentes cultivos integrados na mesma área.</p>
<p>Sua história se conecta ao Projeto Monitoramento e Consolidação de Restauração Florestal com Sistemas Agroflorestais (SAFs) em Tomé-Açu, iniciativa que conta com apoio da Otsuka e acompanha a evolução de áreas em restauração produtiva na região.</p>
<blockquote><p>“Comecei em uma área difícil, onde quase não tinha nada. Fui trabalhando aos poucos, plantando diferentes culturas. Hoje, vejo minha propriedade formada, com produção diversificada, resultado de muitos anos de esforço”, relata. “Nunca fui empregado de ninguém, sempre vivi do meu próprio trabalho. Criei minha família assim, trabalhando na terra e acreditando no que eu fazia”, afirma.</p></blockquote>
<h3>Sustentabilidade em larga escala</h3>
<p>Michinori Konagano, 68 anos, representa um sistema consolidado em ampla escala. De origem japonesa, ele é reconhecido como referência na produção agroflorestal em Tomé-Açu, sendo frequentemente citado como modelo para outros produtores da região.</p>
<blockquote><p>&#8220;Cheguei à Amazônia ainda jovem com a minha família, em busca de uma oportunidade de recomeço. Encontramos muitos desafios no início, mas foi com trabalho e persistência que conseguimos construir nossa trajetória na região. Ao longo dos anos, fomos aprendendo a manejar a terra de forma diversificada, integrando culturas e respeitando o tempo da natureza. Hoje, o sistema agroflorestal mostra que é possível produzir com equilíbrio, garantindo renda e mantendo a floresta em pé”, explica.</p></blockquote>
<figure id="attachment_42456" aria-describedby="caption-attachment-42456" style="width: 729px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-42456" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1-300x168.webp" alt="" width="729" height="408" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1-300x168.webp 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1-768x430.webp 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1-150x84.webp 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1-450x252.webp 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/05/agrofloresta-michinori-konagane-980x549-1.webp 980w" sizes="(max-width: 729px) 100vw, 729px" /><figcaption id="caption-attachment-42456" class="wp-caption-text">Michinori Konagano afirma que sucesso é resultado da dedicação e troca de conhecimentos ao longo de gerações.</figcaption></figure>
<p>O produtor destaca que o desenvolvimento da produção no município de Tomé-Açu é resultado de dedicação e troca de conhecimentos ao longo de gerações.</p>
<blockquote><p>“A agrofloresta exige cuidado e visão de longo prazo, mas traz segurança para quem produz. Por isso, faço questão de compartilhar essa experiência, para que mais produtores possam fortalecer seus sistemas e crescer de forma sustentável”, conclui.</p></blockquote>
<h3>Compartilhando princípios</h3>
<p>Apesar das diferenças entre os perfis, seja na escala, no nível de organização ou no acesso à tecnologia, os sistemas compartilham princípios como diversificação, manejo integrado e geração de renda associada à conservação ambiental. Ao mesmo tempo, evidenciam o papel das parcerias institucionais no apoio aos produtores.</p>
<p>Do sistema conduzido por uma mulher empreendedora, passando por um jovem em sucessão familiar e por um produtor com décadas de experiência, até um modelo consolidado em larga escala, os SAFs demonstram que não há um único formato produtivo, mas múltiplos caminhos possíveis dentro da agrofloresta.</p>
<p>A programação de visitas em Tomé-Açu integra o “Projeto Regulariza Rural”, coordenado pelo SFB (Serviço Florestal Brasileiro) e o IICA Brasil (Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura), com apoio financeiro do KfW (Banco de Desenvolvimento Alemão).</p>
<p>A iniciativa apoia os estados do Pará, Mato Grosso e Rondônia na implementação da regularização ambiental e no monitoramento da vegetação nativa. No Pará, as ações são promovidas pelo Ipam, em parceria com a Semas.</p>
<p><em>Fonte: Ipam</em></p>
<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/intercambio-agroflorestal-conecta-produtores-da-transamazonica-e-tome-acu/" target="_top">Intercâmbio agroflorestal conecta produtores da Transamazônica e Tomé-Açu</a></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Shoyu amazônico: a sacada que elevou as vendas de empresa paraense em 35%</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 14:12:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[mandioca]]></category>
		<category><![CDATA[Manioca]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[Shoyu Amazônico]]></category>
		<category><![CDATA[tucupi]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4609-1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Tereza Coelho Ícone da gastronomia do Norte, o tucupi está no centro de um movimento de expansão de mercado liderado por empreendedores paraenses. O insumo, que transita entre pratos ancestrais e releituras modernas, destaca-se por reunir os quatro sabores básicos ao umami, oferecendo uma versatilidade única. A aposta da Manioca, segundo a CEO e [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/04/IMG_4609-1-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p>Ícone da gastronomia do Norte, o tucupi está no centro de um movimento de expansão de mercado liderado por empreendedores paraenses. O insumo, que transita entre pratos ancestrais e releituras modernas, destaca-se por reunir os quatro sabores básicos ao umami, oferecendo uma versatilidade única.</p>
<p>A aposta da Manioca, segundo a CEO e cofundadora Joanna Martins, é transformar esse patrimônio regional em um item de consumo diário em todo o País. O resultado dessa estratégia é o &#8220;shoyu amazônico&#8221;.</p>
<blockquote><p>&#8220;Sempre tivemos o sonho de popularizar os produtos da culinária amazônica para as mesas do Brasil, mas a sacada do ‘shoyu amazônico’ veio inteiramente dos clientes. O que nós fizemos foi abrir a cabeça e pensar em como aplicar essa sugestão no mercado de uma forma direta e eficiente&#8221;, explica ao <strong>Pará Terra Boa</strong>.</p></blockquote>
<p>O shoyu amazônico é feito a partir do tucupi preto, um extrato derivado da mandioca, fruto de um longo processo de fermentação e redução. Para chegar nele, é necessário cozinhar o tucupi amarelo por até 72 horas.</p>
<p>A redução é tão extrema que 40 litros de tucupi amarelo rendem entre 2 e 4 litros de tucupi preto, uma pasta densa e de sabor intenso.</p>
<p>Apesar do sabor e da história, o tucupi preto enfrentava um desafio comercial: a barreira do uso. Para o público de fora da Amazônia, o produto concentrado gerava dúvidas que limitavam seu consumo a chefs e entusiastas da culinária.</p>
<blockquote><p>&#8220;Vendíamos em uma embalagem bem parecida com a do shoyu, mas era só o tucupi concentrado. Quem já é daqui da região ou trabalha com sabores já sabe como usar, mas quando apresentávamos para o público de fora, sempre aparecia alguma dúvida de como aplicar nas receitas. Para facilitar, <a href="https://blog.maniocabrasil.com.br/" target="_blank" rel="noopener">chegamos a criar um blog para ensinar receitas com o tucupi preto</a>&#8220;, relembra.</p></blockquote>
<p>O ponto de virada veio da voz do próprio cliente. A reação ao paladar era unânime: &#8216;Nossa, parece shoyu&#8217;. Essa percepção recorrente virou o estalo estratégico da equipe de planejamento.</p>
<p>Se o mercado já estava familiarizado com o molho de soja, o caminho para popularizar o ativo amazônico era assumir essa identidade. Joanna ajustou a fórmula, manteve a embalagem e reposicionou a comunicação. O resultado foi imediato: o &#8216;shoyu amazônico&#8217; estreou com um salto de 35% nas vendas logo no primeiro ano.&#8221;</p>
<h3>Reconhecimento e aceitação do público</h3>
<p>Mesmo com a nova roupagem, a essência do produto permanece fiel à tradição, o que se reflete no rótulo. Enquanto os molhos de soja industriais carregam até 12 ingredientes, o &#8216;shoyu amazônico&#8217; utiliza apenas três — mandioca, água e sal. Esse conceito de clean label (rótulo limpo) atrai consumidores atentos e abre portas para quem busca saúde sem abrir mão da identidade regional.</p>
<p>Aflaviana Ribeiro, que vende comidas típicas há mais de 35 anos em Belém, conta ao <strong>Pará Terra Boa</strong> que mesmo que o tucupi já esteja presente nas suas receitas, o shoyu conquistou o paladar dela e dos seus clientes.</p>
<blockquote><p>“Embora a gente trabalhe com comida tradicional, volta e meia estamos em eventos onde conhecemos produtos novos. O tucupi preto já é um velho conhecido da gente, mas essa roupagem de shoyu deixou as coisas mais interessantes porque fica mais fácil de servir na mesa, vira uma opção de molho para aquele cliente que possui algum tipo de restrição alimentar, e a gente não leva tanto tempo explicando o que é”, conta.</p></blockquote>
<p>A empreendedora conta que, especialmente durante a COP30, precisou investir mais em produtos alternativos, mas que preservassem a identidade regional, pois o evento global trouxe consumidores ávidos por experimentar a culinária amazônica.</p>
<blockquote><p>“Precisei ser mais didática e trabalhar a acessibilidade. Algumas pessoas vêm comer um salgado ou provar um vatapá sem conhecer a fundo todos os ingredientes. Aí fizemos esse trabalho de explicar com detalhes a composição de cada receita, dos nossos temperos tradicionais e fazer adaptações caso a pessoa não queira algo de origem animal ou não possa consumir corantes, por exemplo”, explica.</p></blockquote>
<p>Já a técnica de enfermagem Larissa Santos conta que conheceu o &#8216;shoyu amazônico&#8217; após a mãe passar por uma cirurgia e precisar mudar os hábitos alimentares.</p>
<blockquote><p>“Ela não pode mais consumir molhos com muitos conservantes, corantes e excesso de sal. Aí fui em um supermercado com mais opções de produtos saudáveis e fui lendo rótulo por rótulo. Quando li que era a base de tucupi já amei, porque ela ama tucupi”, relembra.</p></blockquote>
<p>Larissa diz que a aceitação em casa foi tranquila e trouxe uma segurança devido à lista de ingredientes mais limpa, algo também apontado por Aflaviana.</p>
<blockquote><p>“Cozinhar em casa no geral é mais seguro para controlar uso de gordura e sal, mas usar temperos que também ajudam nisso é um alívio no dia a dia”, diz Larissa.</p></blockquote>
<h3>Valorizando origens</h3>
<p>A mandioca é responsável por cerca de 80% do portfólio da Manioca. No entanto, a empresa ainda encontra dificuldade, especialmente na oferta consistente de matéria-prima.</p>
<blockquote><p>&#8220;Existem as safras e períodos de produtos de maior e menor qualidade. Observamos que os SAFs (Sistemas Agroflorestais) ajudam a manter a produtividade com qualidade elevada, então entramos como parceiros dos nossos fornecedores para valorizar o produto e gerar laços ainda mais profundos e transparentes com as práticas sustentáveis que sustentam nossa produção&#8221;, explica.</p></blockquote>
<p>Como resposta a esse gargalo, a Manioca lançou o Programa Raízes, braço estratégico de fortalecimento da agricultura familiar que oferece suporte técnico para elevar a produtividade e diversificar as culturas locais.</p>
<p>Hoje, a iniciativa abraça 23 famílias, responsáveis por fornecer anualmente cerca de 140 toneladas de insumos. O modelo consolida uma relação de valor compartilhado: a empresa assegura a compra e a evolução técnica no campo, enquanto os agricultores entregam matérias-primas de excelência, elevando o padrão do produto final.</p>
<blockquote><p>&#8220;São agricultores familiares, então essa famílias vivem inteiramente da produção agrícola o ano inteiro. Quando criamos essa parceria, garantimos não só um produto de qualidade, como também garantimos que eles saberão resistir ao assédio de práticas predatórias no campo, que lá na frente vão gerar degradação e benefícios muito menores do que uma agricultura sustentável a longo prazo&#8221;, comenta.</p></blockquote>
<p>A principal aposta do projeto é reposicionar a Amazônia como fonte de soluções alimentares contemporâneas, capazes de dialogar com tendências globais de sustentabilidade e rastreabilidade. Tudo isso levando o sabor da Amazônia ao cotidiano dos brasileiros.</p>
<blockquote><p>&#8220;Hoje em dia, quando nós abordam nos eventos, quase sempre o &#8216;shoyu&#8217; é o principal gancho. Parte das pessoas acha que existe uma matemática muito complicada por trás, mas não: é a prova viva do melhor que a natureza pode oferecer, sem aditivos, corantes e aqueles ingredientes esquisitos. O &#8216;shoyu&#8217; é o carro chefe da integração entre o umami amazônico e a tecnologia com uma lista limpa de ingredientes&#8221;, diz.</p></blockquote>
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