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	<title>Valmir Climaco &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<description>Um site para a gente boa desta terra</description>
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	<title>Valmir Climaco &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>&#8216;Lutamos juntos para vencer qualquer batalha&#8217;, diz Beka Munduruku sobre a história de seu povo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gisele Coutinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Jul 2022 12:56:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia Invisível]]></category>
		<category><![CDATA[Beka Munduruku]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-4-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Gisele Coutinho A ativista indígena Beka Munduruku nasceu em Itaituba, sudoeste paraense, há 20 anos. Foi criada na Aldeia Sawré Muybu, é filha e neta do cacique Juarez Munduruku, sonha estudar Fotografia. Sua aldeia, assim como muitas Terras Indígenas na Amazônia, vem sendo alvo cada vez mais voraz de fazendeiros, madeireiros ilegais e garimpeiros. [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-4-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Gisele Coutinho</em></p>
<p>A ativista indígena Beka Munduruku nasceu em Itaituba, sudoeste paraense, há 20 anos. Foi criada na Aldeia Sawré Muybu, é filha e neta do cacique Juarez Munduruku, sonha estudar Fotografia. Sua aldeia, assim como muitas Terras Indígenas na Amazônia, vem sendo alvo cada vez mais voraz de fazendeiros, madeireiros ilegais e garimpeiros. O <strong>Pará Terra Boa</strong> conversou com ela sobre a série de ameaças que seu povo vem sofrendo no Pará.</p>
<blockquote><p>“A gente ocupa o lugar, mas eles são como uma praga, sempre voltam para destruir. O foco deles é buscar aquilo que interessa sem olhar a destruição que eles estão deixando da floresta, da terra e do rio e principalmente das vidas que dependem disso para sobreviver”.</p></blockquote>
<p>Enquanto estuda na cidade, trabalha na área que sonha se profissionalizar. Sempre conectada, com a rotina agitada de reuniões, é seguida por milhares de pessoas nas <a href="https://www.instagram.com/bekamunduruku/" target="_blank" rel="noopener">redes sociais</a>. Mas, quando volta para a aldeia, sua única conexão é com seu povo.</p>
<p>Escola na aldeia, só dos Munduruku, já que uma das preocupações do povo é com a educação das novas gerações. A obra que seria feita pela Prefeitura de Itaituba está estacionada.</p>
<blockquote><p>“Temos vários professores indígenas dentro da aldeia. No início de junho foram formados 70 professores indígenas. A escola não está acabada por conta de o prefeito retirar recursos. Então falta muito para acabar a escola. Enquanto isso, os alunos estudam na escola feita pela comunidade”.</p></blockquote>
<p>O prefeito de Itaituba é o controverso <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/conheca-o-cabra-do-garimpo-que-colocou-itaituba-na-boca-do-povo/" target="_blank" rel="noopener">Valmir Climaco</a>, que fez a seguinte declaração ao jornal &#8220;O Liberal&#8221;, em 6/06, quando questionado sobre um iate de luxo de três andares:</p>
<p>“Eu sou um homem que quando entrou na política, já tinha os meus aviões, fazendas, imóveis&#8230; Hoje tenho 15 mil cabeças de gado, dois postos de combustíveis&#8230; Esse iate peguei numa troca de um dos portos em Miritituba, que vendi para a Bertolini”.</p>
<p>Na declaração de bens do então candidato Valmir Climaco, que está disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral, consta um avião Cessna no valor de R$ 250 mil, mas não constam fazendas, gado, postos de combustíveis, nem os portos em Miritituba.</p>
<h3><strong>Nova geração contra a guerra</strong></h3>
<p>Beka é exemplo de resistência de uma juventude ativista que o Brasil precisa proteger e fortalecer tanto para manter a floresta em pé quanto para preservar a vida de quem vive nas aldeias. A 36ª edição do relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), por exemplo, aponta que o Estado do Pará liderou o ranking nacional de conflitos por terra em 2021, com 156 casos contra trabalhadores e trabalhadoras do campo brasileiro, indígenas, quilombolas e demais povos tradicionais. Realidade que até pouco tempo passava longe dos pensamentos de uma Beka Munduruku criança.</p>
<blockquote><p>“Meu pai, que é meu avô, sempre lutou para manter o território e eu não entendia, criança, que essa luta era para manter o rio, a floresta em pé, e hoje eu entrei nessa luta. Eu era uma criança normal da aldeia que vivia, boiando, nadando, brincando na floresta com as amigas, pescando e caçando, um passado feliz sem saber o que estava acontecendo. Quando comecei essa luta com 12 anos, foi uma luta com mais ameaças dentro do território, um nível de garimpo dentro do território muito grande, e entrei fazendo parte dessa luta, praticamente uma guerra”.</p></blockquote>
<h3><strong>Podcast guiado por Beka</strong></h3>
<p>A guerra retratada por ela pela sobrevivência do seu povo está ganhando o mundo com o podcast <a href="https://open.spotify.com/show/6oE2i6PCxhmGnUxCt5w9Lv?si=Ab9HKPO8STqbMFJLAScs5g&amp;utm_source=copy-link" target="_blank" rel="noopener">“Amazônia Invisível, uma história real”</a>, lançado neste mês de junho e produzido pela Storytel Brasil, em parceria com o Estadão Conteúdo. A série contará com dez episódios sobre a Amazônia brasileira, guiados pelo olhar de Beka Munduruku e pelos povos que habitam a floresta. Foi ela quem acompanhou a equipe de jornalistas durante três semanas pelo sudoeste do Pará, rodando mais de 3 mil quilômetros.</p>
<figure id="attachment_11120" aria-describedby="caption-attachment-11120" style="width: 1024px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-11120 size-large" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-2-1024x682.jpg" alt="" width="1024" height="682" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-2-1024x682.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-2-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-2-768x511.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-2-1536x1022.jpg 1536w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-2-2048x1363.jpg 2048w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-2-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-2-450x300.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-2-1200x799.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-11120" class="wp-caption-text">&#8220;No podcast Amazônia Invisível: Uma História Real&#8221;, Beka guia jornalistas. Foto: Cacalos Garrastazu/EderContent</figcaption></figure>
<p>A realidade por debaixo das copas das árvores é cruel, mas Beka se orgulha de ter se tornado uma porta-voz de sua comunidade.</p>
<blockquote><p>“Sempre foi meu pai a minha grande inspiração, ele me manteve no território, cuidou de mim para eu aprender sobre a aldeia para depois ir para a cidade. Hoje em dia com certeza eu sou uma jovem porta-voz do meu povo e fico muito feliz por levar essa história de resistência do meu povo para fora. Dentro da aldeia ouvimos histórias do passado, dos nossos ancestrais, nossos cânticos e pinturas. Fora da aldeia, temos a realidade recente, a base, que são ameaças, desmatamento, roubo de madeira, contaminação dos rios e dos peixes. As crianças não podem se banhar nos rios por conta dessa contaminação.”</p></blockquote>
<h3><strong>Vidas perdidas</strong></h3>
<p>Um dos reflexos dessa guerra dos povos indígenas é contra a contaminação das águas provocada pelo mercúrio usado pelo garimpo ilegal no Pará. A substância tóxica já provocou mudanças drásticas no modo de vida da população indígena na região. Segundo estudo publicado pela Fiocruz, nas crianças, o mercúrio causa problemas motores e na fala. Nos bebês de até 12 meses, anemia. No feto, além da má-formação, danos aos rins e problemas no Quociente de Inteligência (QI) de forma irreversível. Nos adolescentes, variações genéticas e alterações neurológicas. Quando o estudo foi publicado, o <strong>Pará Terra Boa</strong> ouviu o avô de Beka sobre o assunto em matéria que <a href="https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/mercurio-do-garimpo-assombra-gestantes-e-altera-dieta-de-mundurukus-no-para/">pode ser lida aqui</a>.</p>
<figure id="attachment_11114" aria-describedby="caption-attachment-11114" style="width: 1024px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class="wp-image-11114 size-large" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-1-1024x681.jpg" alt="" width="1024" height="681" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-1-1024x681.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-1-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-1-768x511.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-1-1536x1022.jpg 1536w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-1-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-1-450x299.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-1-1200x799.jpg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/Cred_Cacalos_Garrastazu_edercontent2021-1.jpg 2000w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-11114" class="wp-caption-text">Avô e pai de Beka, o cacique Juarez Saw Munduruku, em rio no Território Indígena aldeia Sawré Muybu. Foto: Cacalos Garrastazu/EderContent</figcaption></figure>
<blockquote><p>“Com o avanço do garimpo, quem está mais contaminado são as mulheres grávidas e isso afeta muito na gestação. Essa é uma preocupação para nosso povo, pois são vidas que estão sendo perdidas, são vidas levadas por conta do ouro”.</p></blockquote>
<p>Beka faz um desabafo que muitos brasileiros fazem quando autoridades, sejam municipais, estaduais ou federais, se calam diante das dezenas de abusos contra os povos indígenas praticados por garimpeiros, madeireiros e grileiros, em plena luz do dia, sob a mira de satélites, como foi o recente caso do assassinato de dois ativistas ambientais no Vale do Javari (AM).</p>
<blockquote><p>“Às vezes fico pensando: será que tudo que estou fazendo não está valendo a pena? Por que essas pessoas não enxergam? Por que eles não vêem o que estamos fazendo? São tantas denúncias contra o garimpo e parece que nada está adiantando. Então isso deixa a gente bem triste, mesmo, ver os jovens envolvidos com garimpo”.</p></blockquote>
<p>Mas o povo Munduruku não nasceu ontem. Estão neste mundo muito antes de o Pará ser habitado por europeus e migrantes brasileiros vindos de vários Estados. A luta faz parte do DNA dos Munduruku.</p>
<blockquote><p>“A característica do meu povo é ser unido e sempre resistente. Sempre vencemos nossas guerras. A guerra de agora é contra esse governo. O povo Munduruku é considerado formiga vermelha por estar sempre unido e lutar juntos para vencer qualquer batalha”.</p></blockquote>
<p>&nbsp;</p>
<p><strong>Leia mais</strong><br />
<a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/conheca-o-cabra-do-garimpo-que-colocou-itaituba-na-boca-do-povo/"><strong>Conheça o cabra do garimpo que colocou Itaituba na boca do povo</strong></a><br />
<strong><a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/justica-federal-cancela-garimpo-de-mil-hectares-em-area-de-preservacao-em-itaituba/">Justiça Federal cancela garimpo de mil hectares em área de preservação em Itaituba</a></strong></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Garimpo, grilagem e invasão de terras geram alta em taxa de homicídios na Amazônia Legal</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/garimpo-grilagem-e-invasao-de-terras-geram-alta-em-taxa-de-homicidios-na-amazonia-legal/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Feb 2022 17:17:40 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Fórum Brasileiro de Segurança Pública]]></category>
		<category><![CDATA[grilagem]]></category>
		<category><![CDATA[homicídios]]></category>
		<category><![CDATA[Núcleo de Estudos da Violência da USP]]></category>
		<category><![CDATA[Valmir Climaco]]></category>
		<category><![CDATA[violência]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/02/segurança-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />No Brasil, o número de mortes violentas intencionais caiu 7% em 2021, mas na Região Norte, aumentou 10% em relação a 2020, segundo monitoramento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo site G1, nesta segunda-feira, 21/02. Entre as causas desse dado alarmante para o amazônida estão a dobradinha entre garimpo e facções criminosas, a [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/02/segurança-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>No Brasil, o número de mortes violentas intencionais caiu 7% em 2021, mas na Região Norte, aumentou 10% em relação a 2020, segundo monitoramento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo site G1, nesta segunda-feira, 21/02. Entre as causas desse dado alarmante para o amazônida estão a dobradinha entre garimpo e facções criminosas, a disputa por territórios entre as organizações criminosas e a descoordenação entre forças de segurança estadual e federal. No Pará, o número de mortes por homicídios se manteve estável, com leve queda: o número passou de 2.349, em 2020, para 2.336, em 2021, segundo o levantamento.</p>
<p>As vítimas são dos seguintes crimes: homicídios dolosos (incluindo os feminicídios), latrocínios (roubos seguidos de morte) e lesões corporais seguidas de morte.</p>
<p>O paraense acompanhou a <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/sob-mira-da-pf-garimpo-avanca-sem-cerimonias-sobre-brasilia-apos-manchar-aguas-de-alter-do-chao/" target="_blank" rel="noopener">semana de horrores</a> que passou, com direito a manifestação contra o governador Helder Barbalho (MDB) em Itaituba ao lado de garimpeiros, marcada por ameaças do garimpo ilegal sobre a sede do ICMBio em protesto contra a queima de equipamentos usados na garimpagem ilegal, que é garantida por lei.</p>
<p>Toda a violência já usada pelos garimpeiros ilegais agora se soma à violência de um outro grupo, o das facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo, e o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro. O amazônida, assim, está sob fogo cruzado.</p>
<p>Essas facções criminosas expandiram seus negócios ilegais para a Amazônia nos últimos quatro anos, encontrando no garimpo um campo fértil para lavagem de dinheiro com ouro, especialmente em reservas indígenas do País, a dos Ianomâmis, em Roraima; e a dos Mundurukus, em Itaituba, no Pará, uma vez que o sistema de controle desses crimes é fraco.</p>
<p>Em Rondônia, a Divisão de Inteligência e Captura (Dicap) do sistema prisional estadual tinha, em novembro do ano passado, uma lista de dez foragidos vinculados a uma facção criminosa paulista que teriam se refugiado em garimpos na selva, conforme mostrou o jornal &#8220;O Globo&#8221;. Uns trabalhavam com a segurança dos garimpeiros e outros com o próprio garimpo em si, além do mercado paralelos de drogas e armas.</p>
<p>No Pará, o prefeito de Itaituba, Valmir Climaco (MDB), é suspeito de estar metido nesse mundo do crime até o pescoço, uma vez que ele é garimpeiro. De acordo com o Ministério Público Federal, o político negociou com um chefe de facção criminosa a compra de um garimpo chamado “Palmares”, que se situa na divisa entre o Pará e o Amazonas. O valor do negócio era de R$ 4 milhões e incluía no pagamento o bimotor usado no tráfico, reportou o jornal &#8220;<a href="https://oglobo.globo.com/brasil/seguranca-publica/nos-a-guerra-crime-organizado-avanca-sobre-os-garimpos-ilegais-da-amazonia-25260890" target="_blank" rel="noopener">O Globo</a>&#8221; em novembro do ano passado.</p>
<p>Climaco esteve com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), na semana passada para que o Governo Federal deixasse de cumprir suas funções legais, como a destruição das máquinas milionárias usadas pelos garimpeiros (sim, não se trata de qualquer pé de chinelo) e apreendidas pela Polícia Federal. Ao seu lado estava o deputado federal José Priante (MDB-PA), dizendo que estava em Brasília &#8220;<span style="font-size: 14px; color: var(--c-contrast-800);">tratando e levando o clamor da região toda em relação aos últimos acontecimentos que tem estarrecido a todos que vivem nessa região garimpeira&#8221;. Em nenhum momento, o parlamentar eleito por paraenses falou da violência que esse setor tem levado ao nosso Estado, a ponto de agora o Brasil registrar redução na curva de homicídios e toda a Região Norte, aumento.</span></p>
<p>O Amazonas foi o Estado com a maior alta da região e do País: 54% a mais de mortes foram registradas em 2021 que em 2020 no Estado &#8211; o número passou de 1.019 para 1.571, conta o G1.</p>
<div class="mc-column content-text active-extra-styles " data-block-type="unstyled" data-block-weight="11" data-block-id="3">
<p class="content-text__container " data-track-category="Link no Texto" data-track-links="">Os especialistas apontam os seguintes fatores para o aumento da violência:</p>
</div>
<div class="mc-column content-text active-extra-styles" data-block-type="raw" data-block-weight="33" data-block-id="4">
<ul class="content-unordered-list">
<li>Associação do narcotráfico com crimes ambientais, como grilagem, garimpo ilegal e desmatamento</li>
<li>Falta de integração das autoridades estaduais e federais no combate aos crimes na Amazônia Legal</li>
<li>Disputa de territórios entre facções criminosas</li>
</ul>
</div>
<blockquote><p>&#8220;Ao contrário do resto do Estados, onde essa curva de homicídios vem diminuindo, mostrando uma maior estabilidade nessas cenas criminais, no Norte, os Estados da Amazônia Legal vivem um desequilíbrio em decorrência da fragilização das instituições de fiscalização e de polícia para controlar os comportamentos criminosos na invasão de terra indígena, de grilagem, de madeira e mesmo da droga&#8221;, diz Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência da USP (NEV-USP).</p></blockquote>
<p>Esse aumento no número de mortes violentas no Norte pode ter relação, ainda, com o aumento no número de armas circulando pelo País. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública publicado no ano passado, o Brasil dobrou o número de armas nas mãos de civis em apenas três anos.</p>
<p><strong>LEIA TAMBÉM:</strong><br />
<a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/sob-mira-da-pf-garimpo-avanca-sem-cerimonias-sobre-brasilia-apos-manchar-aguas-de-alter-do-chao/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Sob mira da PF, garimpo avança sem cerimônias sobre Brasília após manchar águas de Alter do Chão</strong></a><br />
<a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/garimpo-vira-mineracao-artesanal-em-decreto-presidencial-favoravel-a-extracao-de-ouro-na-amazonia/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Garimpo vira ‘mineração artesanal’ em decreto presidencial favorável à extração de ouro na Amazônia</strong></a><br />
<a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/vice-prefeito-e-condenado-por-incentivar-ato-violento-contra-operacao-de-combate-a-garimpo/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Vice-prefeito é condenado por incentivar ato violento contra operação de combate a garimpo</strong></a></p>
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					<wfw:commentRss>https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/garimpo-grilagem-e-invasao-de-terras-geram-alta-em-taxa-de-homicidios-na-amazonia-legal/feed/</wfw:commentRss>
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			</item>
		<item>
		<title>Sob mira da PF, garimpo avança sem cerimônias sobre Brasília após manchar águas de Alter do Chão</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/sob-mira-da-pf-garimpo-avanca-sem-cerimonias-sobre-brasilia-apos-manchar-aguas-de-alter-do-chao/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Sidney Pereira]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Feb 2022 18:17:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[garimpo]]></category>
		<category><![CDATA[Itaituba]]></category>
		<category><![CDATA[José Priante]]></category>
		<category><![CDATA[mineração]]></category>
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		<category><![CDATA[Polícia Federal]]></category>
		<category><![CDATA[Valmir Climaco]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/02/bio-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />O garimpo ilegal não está somente nas águas do Rio Tapajós em Alter do Chão (PA), conforme comprovado em laudo da Polícia Federal divulgado na quarta-feira, 16/02. Ele avança também sobre os núcleos de poder de Brasília. Nesta semana, enquanto a PF executava operação contra a atividade ilegal nas proximidades do Território Indígena Munduruku em [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/02/bio-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>O garimpo ilegal não está somente nas águas do Rio Tapajós em Alter do Chão (PA), conforme comprovado em laudo da Polícia Federal divulgado na quarta-feira, 16/02. Ele avança também sobre os núcleos de poder de Brasília. Nesta semana, enquanto a PF executava operação contra a atividade ilegal nas proximidades do Território Indígena Munduruku em nosso Estado, um representante do povo paraense na política atuava sem cerimônias em Brasília, exibindo-se em redes sociais, a favor dos garimpeiros.</p>
<p>Era o deputado José Priante (MDB-PA), ao lado do prefeito de Itaituba, Valmir Climaco (MDB), dizendo que acabara de conversar com o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira (PP-PI), para tratar do que chamou de &#8220;espetáculo de horror&#8221; contra os garimpeiros por meio da queima de equipamentos apreendidos pela PF em operações contra a atividade ilegal.</p>
<p>O paraense sabe que Priante é primo do pai de nosso governador, bem como também está por dentro, tendo lido <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/vice-prefeito-e-condenado-por-incentivar-ato-violento-contra-operacao-de-combate-a-garimpo/" target="_blank" rel="noopener">aqui</a> no <strong>Pará Terra Boa</strong>, que o vice de Valmir na prefeitura de Itaituba, Valmar Kaba Munduruku (Republicanos), foi condenado pela Justiça a quatro anos e um mês de prisão em regime inicial semiaberto por coação no curso de um processo. Ele é acusado de agir como um dos líderes de um protesto violento contra uma operação de combate à mineração ilegal no município.</p>
<p>No mesmo dia da pressão política em Brasília, longe dali, os garimpeiros mais uma vez desafiavam o poder público imbuído de fiscalizar a exploração ilegal de ouro, com a queima de duas pontes de madeira e bloqueio à sede do Instituto Chico Mendes (ICMBio), em Itaituba, às margens do Rio Tapajós, região que é um dos maiores polos de garimpo ilegal do Brasil. Sem falar em <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/pf-prende-milionario-do-garimpo-suspeito-de-ordenar-incendio-de-helicopteros-do-ibama/" target="_blank" rel="noopener">helicóptero queimado do Ibama</a> a mando de um garimpeiro milionário, segundo suspeitas da PF, outro dia mesmo&#8230;</p>
<p>O protesto dos garimpeiros contra o ICMBio incluía também áudios que circulam em grupos de WhatsApp, convocando empresários e demais mineradores para a porta do ICMBio contra as ações de repreensão ao crime, segundo reportou o &#8220;Estadão&#8221;. E olha que o ministro da Justiça, Anderson Torres, autorizou nesta semana o envio de agentes da Força Nacional de Segurança Pública para a região com a missão de combater o garimpo ilegal no Pará durante 30 dias. Resta saber quem irão proteger.</p>
<p>A destruição de máquinas, no entanto, é uma ação prevista em lei. A queima de equipamentos não apenas inviabiliza financeiramente o crime, como, em muitas ocasiões, é uma medida para garantir a segurança dos próprios agentes, dado que a remoção pode ser complexa e arriscada, com riscos de emboscada.</p>
<h3><strong>&#8216;Caribe Amazônico&#8217;</strong></h3>
<p>A operação desta semana da PF foi batizada de Caribe Amazônico e realizada na região da terra indígena Munduruku.</p>
<p>Segundo a PF, a operação foi decorrente de informações sobre a contaminação do Rio Tapajós, que levaram à necessidade de ações imediatas nas regiões de Itaituba, Jacareacanga, Moraes de Almeida, Creporizinho e Creporizão. Participaram dessas ações cerca de 150 agentes do Estado dos seguintes órgãos: Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Força Nacional de Segurança Pública, Marinha, Exército, Força Aérea Brasileira, Bope PMDF, além do Ibama e Funai.</p>
<p>De acordo com informações divulgadas na terça-feira, 15/02, quatro pás caveiras e dois motores usados para bombear os sedimentos na extração do ouro foram inutilizados. Os equipamentos estavam sendo despejados nos igarapés que deságuam no Rio Tapajós, poluindo o rio.</p>
<p>Na semana anterior, a região havia sido alvo de outra ação da Polícia Federal. Na quarta-feira, 9/02, a PF realizou a Operação Alerta Amazônia 2, que teve como alvo o desmatamento ilegal que domina a Floresta Nacional de Altamira, no município de Itaituba, no Pará.</p>
<h3>Ponte dourada Pará-Brasília</h3>
<p>Enquanto PF e o Ministério da Justiça agem por um lado, o garimpo ilegal avança por outro totalmente divergente em direção a Brasília. E isso na mesma semana. Por exemplo, na segunda-feira, 14/02, o Diário Oficial da União publicou uma nota oficial que institui um novo programa de apoio à “mineração artesanal e em pequena escala”. A publicação foi assinada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), que trocou o nome de “garimpo” por “mineração artesanal”.</p>
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<p>Trata-se de uma ação para apoiar a lavra garimpeira, principalmente na região amazônica, uma prática que é majoritariamente marcada pela extração ilegal de ouro e pedras preciosas.</p>
<p>Um dia depois, o decreto foi alvo de questionamentos no Congresso Nacional. Por meio de um projeto de decreto legislativo protocolado na terça-feira, 15, o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), acompanhado de todos os demais membros do partido, pediu a suspensão do ato de Bolsonaro.</p>
<p>Segundo Lopes, que é líder da bancada petista, o decreto presidencial institui uma série de medidas que, na prática, “poderão representar um aumento nas atividades potencialmente danosas de garimpagem na região” amazônica, com incentivo à mineração predatória e invasão de áreas protegidas.</p>
<p><strong>Leia também:</strong><br />
<a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/garimpo-vira-mineracao-artesanal-em-decreto-presidencial-favoravel-a-extracao-de-ouro-na-amazonia/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Garimpo vira ‘mineração artesanal’ em decreto presidencial favorável à extração de ouro na Amazônia</strong></a><br />
<a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/pf-deflagra-operacao-caribe-amazonico-contra-garimpo-ilegal-no-rio-tapajos/" target="_blank" rel="noopener"><strong>PF deflagra Operação Caribe Amazônico contra garimpo ilegal no Rio Tapajós</strong></a><br />
<a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/pf-prende-milionario-do-garimpo-suspeito-de-ordenar-incendio-de-helicopteros-do-ibama/" target="_blank" rel="noopener"><strong>PF prende milionário do garimpo suspeito de ordenar incêndio de helicópteros do Ibama</strong></a><br />
<a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/imagens-de-satelite-mostram-que-lama-de-garimpo-muda-cor-do-tapajos-em-alter-do-chao/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Imagens de satélite mostram que lama de garimpo muda cor do Tapajós em Alter do Chão</strong></a><br />
<a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/vice-prefeito-e-condenado-por-incentivar-ato-violento-contra-operacao-de-combate-a-garimpo/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Vice-prefeito é condenado por incentivar ato violento contra operação de combate a garimpo</strong></a></p>
<p><em>Fontes: PF, Estadão e Folha</em></p>
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