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	<title>Terra Indígena Planalto Santareno &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Mulheres Munduruku apostam no uso de ervas medicinais para fortalecer a economia local</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jan 2026 15:12:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Ana Cláudia Silva]]></category>
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		<category><![CDATA[Universidade Federal do Oeste do Pará]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2026-01-14-150814-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />A cerca de 42 quilômetros de Santarém, no oeste do Pará, está localizada a Terra Indígena Planalto Santareno, que abriga quatro aldeias da etnia Munduruku e uma da etnia Apiaká. Nesse território, uma pesquisadora de origem Munduruku, que viveu na aldeia Açaizal, realizou um levantamento que evidencia o papel da sustentabilidade como estratégia para geração [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/Captura-de-tela-2026-01-14-150814-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>A cerca de 42 quilômetros de Santarém, no oeste do Pará, está localizada a Terra Indígena Planalto Santareno, que abriga quatro aldeias da etnia Munduruku e uma da etnia Apiaká. Nesse território, uma pesquisadora de origem Munduruku, que viveu na aldeia Açaizal, realizou um levantamento que evidencia o papel da sustentabilidade como estratégia para geração de renda e preservação dos saberes ancestrais, especialmente relacionados ao uso de ervas medicinais.</p>
<p>A historiadora Ana Cláudia Silva, do Instituto de Ciências da Educação da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), explica que a pesquisa surgiu da necessidade de registrar os conhecimentos tradicionais da aldeia Açaizal, onde vivem atualmente cerca de 70 famílias, além de reconhecer as iniciativas de apoio à conservação da floresta e ao uso sustentável de seus recursos.</p>
<blockquote><p>“Esse conhecimento sobre as plantas medicinais desempenha um papel fundamental não apenas na saúde física e espiritual das aldeias, mas também como um patrimônio cultural inestimável”, destaca a pesquisadora.</p></blockquote>
<p>Nas últimas décadas, a expansão do agronegócio nos limites da terra indígena, especialmente com o avanço da monocultura da soja, trouxe impactos significativos às comunidades. O uso intensivo de defensivos agrícolas afetou o meio ambiente, a economia local e a saúde dos moradores.</p>
<blockquote><p>“O principal produto extraído pelos indígenas, que ajudava no sustento das famílias, era o açaí. Hoje, quase não há mais, por causa da quantidade de veneno que vem das plantações de soja”, relata uma moradora.</p></blockquote>
<p>Com a queda acentuada da produção de açaí, outros cultivos passaram a ganhar protagonismo, como mandioca, batata-doce, jerimum, cará, macaxeira, maxixe e feijão. Esses alimentos são destinados tanto ao consumo interno quanto à comercialização em áreas próximas às aldeias.</p>
<p>Com o tempo, os efeitos dos agrotóxicos também refletiram na saúde da população. Moradores relataram problemas de pele e dificuldades respiratórias causadas pela exposição prolongada aos defensivos, principalmente durante a pulverização aérea.</p>
<p>Como resposta, a comunidade realocou suas áreas de plantio e intensificou a produção de remédios tradicionais para atender suas necessidades.</p>
<h3><strong>Liderança feminina, identidade e memória ancestral</strong></h3>
<p>Com grupos de liderança formados majoritariamente por mulheres, mães e anciãs da aldeia Açaizal passaram a desenvolver estratégias para enfrentar os impactos da atividade agropecuária e da crise climática. A alternativa encontrada foi retomar os conhecimentos ancestrais e promover oficinas de plantio, beneficiamento e comercialização de remédios à base de ervas medicinais.</p>
<blockquote><p>“Integrar as comunidades é uma forma de manter viva nossa memória e fortalecer a ajuda entre as famílias, já que todas enfrentam problemas semelhantes”, relata uma das participantes das oficinas.</p></blockquote>
<p>A iniciativa, que começou em Açaizal, se expandiu para todas as aldeias da Terra Indígena Planalto Santareno, promovendo o intercâmbio de saberes, o fortalecimento da sustentabilidade e a geração de renda.</p>
<p>Segundo a pesquisadora, cada povo possui sua própria dinâmica na construção do conhecimento. Embora o uso de ervas medicinais seja comum entre as aldeias, as combinações e os modos de preparo variam, despertando curiosidade e aprendizado durante os encontros.</p>
<blockquote><p>“Sempre cultivamos remédios caseiros, mas não conhecíamos alguns preparados, como a Pomada Milagrosa, o sabonete íntimo e certas pílulas para vermes”, conta uma das participantes.</p></blockquote>
<p>Atualmente, os produtos mais comercializados são a Garrafada (preparado com ação analgésica e anti-inflamatória), a Pomada Milagrosa, utilizada como analgésico tópico com efeito termogênico e refrescante, e o xarope, indicado para aliviar dores de garganta e irritações do trato respiratório.</p>
<blockquote><p>“Cada aldeia tem sua própria receita, mas alguns ingredientes estão presentes na maioria das preparações, como algodão-roxo, mastruz, caapeba, cipó, cumaru e noni, além de cascas de mangueira, taperebá, verônica, jucá, muruci e açaí, assim como sementes e gorduras de origem animal e vegetal”, explica Ana Cláudia.</p></blockquote>
<p>De forma integrada, as famílias organizam a comercialização dos produtos tanto entre as próprias comunidades quanto em feiras fora da Terra Indígena. A iniciativa permite que cerca de 70 famílias levem além de seus territórios a esperança de um futuro mais sustentável, baseado no respeito à floresta e aos saberes ancestrais.</p>
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