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	<title>tacacá &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<title>tacacá &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Iphan reconhece Ofício das Tacacazeiras como Patrimônio Cultural do Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 15:04:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/tacaca-Credito-Joyce-Ferreira-Agencia-Belem-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />A cada cuia quente servida em uma esquina amazônica, uma história de resistência, sustento familiar e identidade cultural é celebrada. Nesta terça-feira (25), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu formalmente a importância desse ritual ao declarar o Ofício das Tacacazeiras da Região Norte como Patrimônio Cultural do Brasil. A decisão, que [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/tacaca-Credito-Joyce-Ferreira-Agencia-Belem-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>A cada cuia quente servida em uma esquina amazônica, uma história de resistência, sustento familiar e identidade cultural é celebrada. Nesta terça-feira (25), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu formalmente a importância desse ritual ao declarar o Ofício das Tacacazeiras da Região Norte como Patrimônio Cultural do Brasil.</p>
<p>A decisão, que inscreve o saber-fazer das mulheres amazônicas no Livro dos Saberes, valoriza um conjunto de práticas que vai muito além da receita e se consolida como um pilar da sobrevivência e do legado ancestral.</p>
<p>Prato típico da Amazônia, o tacacá é feito com tucupi e goma (derivados da mandioca), camarão seco, jambu e temperos variados. Contudo, o ofício não se restringe à culinária.</p>
<p>Conforme destacou o parecer técnico aprovado, escrito pela conselheira Izabela Tamaso, o ofício de tacacazeira compreende um conjunto integrado de práticas agrícolas, saberes tradicionais, técnicas culinárias, modos de comercialização, formas de sociabilidade e sentidos simbólicos.</p>
<blockquote><p>“É o reconhecimento dos saberes e tradições da região Norte. A região Norte deve ser valorizada e fala sobre o que é o Brasil,” afirmou Leandro Grass, presidente do Iphan.</p></blockquote>
<h3>Sobrevivência e legado</h3>
<p>A história do ofício está intimamente ligada a um contexto de crise econômica e à falta de empregos formais, quando a venda de alimentos de rua se tornou uma estratégia de autonomia e de manutenção familiar, majoritariamente feminina. Por isso, a conquista é imensa entre as tacacazeiras.</p>
<blockquote><p>“Mantenho o legado da minha mãe, com modernidade. Todas as tacacazeiras estão em festa&#8221;, disse Ivanete Pantoja, presidente da Associação das Tacacazeiras de Belém.</p></blockquote>
<p>Muito antes desse reconhecimento, a tacacazeira <a href="https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/tacacazeiras-mulheres-protagonizam-o-preparo-e-a-conducao-dos-negocios-da-comida-tipicas-do-para/" target="_blank" rel="noopener">Maria de Fátima Silva de Araújo, de 70 anos, mais conhecida como Fafá</a>, já se considerava um patrimônio em Belém.  Há 25 anos atendendo no mesmo ponto, Fafá afirmou, ao<strong> Pará Terra Boa, </strong>que  esse tipo de negócio sempre foi tocado pelas mulheres. &#8220;Hoje em dia, está mais misturado, mas é um espaço que nós conquistamos”.</p>
<p><span style="font-size: 14px;">A voz de Maria de Nazaré, tacacazeira de 71 anos que atua em Manaus, ecoa o sentimento de vitória e legado.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-size: 14px;">&#8220;Através do tacacá eu criei e eduquei vários netos. É de geração para geração. Meus filhos estão fazendo faculdade aqui, eu tenho um filho cirurgião, tenho um neto advogado. Tudo se criou aqui, vendendo tacacá.&#8221;</span></p></blockquote>
<h3> O tabuleiro que une a Amazônia</h3>
<p>O ofício está presente nas sete capitais do Norte, com características próprias em cada localidade, de Belém (PA) — com registros literários do século XIX — a Palmas (TO), onde a prática é mais recente.</p>
<p>Os pontos de venda são variados, de bancas e quiosques a carrinhos, e funcionam como centros de sociabilidade, reforçando a identidade amazônica. Segundo a pesquisa, quase 70% das pessoas que trabalham com tacacá são mulheres, muitas delas responsáveis por transmitir o conhecimento ancestral de preparo para as novas gerações.</p>
<h3> Do pedido à salvaguarda</h3>
<p>O processo de registro começou em 2010 e ganhou impulso em 2024, com uma pesquisa que ouviu mais de 100 tacacazeiras. O trabalho de reconhecimento foi validado com o suporte do Iphan e da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa).</p>
<p>Com a oficialização, o Iphan agora elaborará um Plano de Salvaguarda. O objetivo não é apenas preservar o saber-fazer, mas garantir condições dignas de trabalho. O plano terá cinco eixos, incluindo: melhoria das condições de comercialização, acesso a matérias-primas e o direito à cidade, garantindo melhor infraestrutura nos pontos de venda.</p>
<p>A tacacazeira de Roraima, Irene Morais, resumiu o sentimento de gratidão: “Criei meus filhos com o tacacá, sou feliz pela minha profissão. Obrigado ao Iphan por toda essa estrutura&#8221;.</p>
<p>O futuro do ofício será guiado pelo cuidado e pela paixão de suas guardiãs: “Temos que colocar amor na hora de fazer o tacacá&#8221;,  finalizou Keila Carneiro, tacacazeira também de Roraima.</p>
<p><strong>LEIA MAIS</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/tacacazeiras-mulheres-protagonizam-o-preparo-e-a-conducao-dos-negocios-da-comida-tipicas-do-para/" target="_top">Tacacazeiras: Mulheres protagonizam o preparo e a condução dos negócios da comida típica do Pará</a></strong></p>
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		<title>Com a COP30, capital paraense vai revelar sua riqueza gastronômica ao mundo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 28 Aug 2025 15:36:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[COP30]]></category>
		<category><![CDATA[açaí]]></category>
		<category><![CDATA[cupuaçu]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/tacaca90-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Sede da COP30 e porta de entrada da Amazônia, a capital paraense carrega, em cada canto, uma história de resistência, diversidade e riqueza cultural. Apesar de ser um centro urbano com uma população de quase 1,4 milhão de habitantes e moderno em vários aspectos, Belém mantém o ar tradicional das fachadas dos casarões, das praças, [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/tacaca90-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Sede da COP30 e porta de entrada da Amazônia, a capital paraense carrega, em cada canto, uma história de resistência, diversidade e riqueza cultural. Apesar de ser um centro urbano com uma população de quase 1,4 milhão de habitantes e moderno em vários aspectos, Belém mantém o ar tradicional das fachadas dos casarões, das praças, das igrejas e capelas do período colonial. Uma metrópole que pulsa cultura, inovação, tradições e beleza.</p>
<p>Entre o som do carimbó, o gosto do açaí, o calor das praias paradisíacas e a alegria de um povo carismático e hospitaleiro, o Brasil se prepara para mostrar ao mundo que desenvolvimento, preservação ambiental e justiça social não apenas podem, como precisam caminhar juntos.</p>
<p>Com a aproximação da realização da maior conferência climática do mundo, esta série especial mostra um pouco do que faz Belém ser cartão postal do Norte do Brasil. Este é um convite para conhecer e se encantar com a capital da Amazônia que está prestes a receber o mundo.</p>
<figure id="attachment_36367" aria-describedby="caption-attachment-36367" style="width: 558px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-36367" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/Ver-o-peso-300x200.jpg" alt="" width="558" height="372" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/Ver-o-peso-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/Ver-o-peso-1024x683.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/Ver-o-peso-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/Ver-o-peso-1536x1024.jpg 1536w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/Ver-o-peso-2048x1365.jpg 2048w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/Ver-o-peso-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/Ver-o-peso-450x300.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/Ver-o-peso-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 558px) 100vw, 558px" /><figcaption id="caption-attachment-36367" class="wp-caption-text">O Ver-o-Peso, em Belém, é um dos mercados mais antigos do País e o maior a céu aberto da América Latina. Foto: Rodrigo Pinheiro/ Agência Pará</figcaption></figure>
<h3>Epicentro da gastronomia paraense</h3>
<p>Belém abriga um dos mercados mais antigos do País e o maior a céu aberto da América Latina. É o famoso Mercado Ver-o-Peso, inaugurado em 1625. Um espaço tomado por aromas, cores e sabores típicos do Pará, que reúne toda a diversidade da culinária paraense.</p>
<p>No Ver-o-Peso, as bancas expõem peixes e camarões frescos, verduras e frutas variadas, farinhas e temperos de todo tipo, remédios naturais, ervas, mandingas, e tantos outros itens encontrados apenas por lá. É em meio a essa efervescência que Ulisses Silva tem sua banca de açaí com peixe frito, um dos pratos mais tradicionais vendidos no local.</p>
<p>O feirante cresceu no Mercado Ver-o-Peso, onde começou a trabalhar ainda na adolescência, aos 13 anos, na banca da mãe, e aos poucos foi conquistando o próprio espaço. Seu sonho é ver o mundo descobrir e valorizar a riqueza gastronômica do Norte do Brasil.</p>
<blockquote><p>“A culinária aqui do Pará é a nossa riqueza. O açaí com peixe frito, arroz, feijão, macarrão, saladinha, peixe, tem na mesa de qualquer ser humano. Difícil é o turista ter um peixe que nós só temos no Brasil, que é o dourado, o filhote e o pirarucu. Então, essa vai ser a nossa grande luta: eles provarem o nosso peixe. Apresentar a nossa comida”, enfatiza o feirante.</p></blockquote>
<p>Outro prato tradicional paraense é o tacacá — uma sopa de origem indígena feita com tucupi (caldo extraído da mandioca), camarão seco, tapioca e o jambu, uma planta comumente encontrada no Norte do Brasil que provoca leve sensação de dormência e formigamento na boca e na língua. Ou, como dizem na região, faz “tremer” e salivar.</p>
<figure id="attachment_31657" aria-describedby="caption-attachment-31657" style="width: 688px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-31657" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/pato-no-tucupi-ascom-setur-300x200.jpg" alt="" width="688" height="458" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/pato-no-tucupi-ascom-setur-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/pato-no-tucupi-ascom-setur-1024x683.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/pato-no-tucupi-ascom-setur-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/pato-no-tucupi-ascom-setur-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/pato-no-tucupi-ascom-setur-450x300.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/pato-no-tucupi-ascom-setur.jpg 1191w" sizes="(max-width: 688px) 100vw, 688px" /><figcaption id="caption-attachment-31657" class="wp-caption-text">Pato no tucupi é um dos pratos típicos do Pará Foto: Ascom Setur</figcaption></figure>
<p>Há também o irresistível pato no tucupi, que leva carne de pato cozida no caldo de tucupi com jambu e ervas aromáticas, e a maniçoba, feita com as folhas da mandioca brava (maniva) cozidas por vários dias para remover o ácido cianídrico, um componente tóxico. Após o longo cozimento, a maniva é combinada com carnes de porco, charque, linguiça e outros temperos.</p>
<p>E não para por aí: arroz de pato e o tradicional pirarucu &#8211; uma das maiores espécies de peixe de água doce do mundo &#8211; são alguns dos pratos típicos que você precisa experimentar.</p>
<p>Para a sobremesa, o doce de cupuaçu &#8211; uma fruta grande, oval e de polpa branca e cremosa -, o creme de tapioca, os bombons de castanha e os sorvetes de frutos endêmicos da região prometem uma explosão de sabores amazônicos.</p>
<p>A poucos metros do Ver-o-Peso, fica a Estação das Docas, um charmoso complexo gastronômico que é, na verdade, um convite para sentar, saborear as delícias da região e ainda curtir um pôr-do-sol de tirar o fôlego às margens da Baía do Guajará.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Tacacazeiras podem virar patrimônio cultural do Brasil</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 21 Mar 2024 13:23:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[Patrimônio Cultural do Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Maria-Helena-Lica-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />O modo de fazer, servir e vender tacacá que caracteriza o trabalho das tacacazeiras pode se tornar Patrimônio Cultural do Brasil. Na quarta-feira, 20, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) se reuniu, em Belém, pela primeira vez, com as Tacacazeiras do Pará, para dar início aos estudos que ajudarão no registro do [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Maria-Helena-Lica-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>O modo de fazer, servir e vender tacacá que caracteriza o trabalho das <span class="highlightedSearchTerm">tacacazeiras</span> pode se tornar Patrimônio Cultural do Brasil. Na quarta-feira, 20, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) se reuniu, em Belém, pela primeira vez, com as <a href="https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/tacacazeiras-mulheres-protagonizam-o-preparo-e-a-conducao-dos-negocios-da-comida-tipicas-do-para/" target="_blank" rel="noopener">Tacacazeiras do Pará</a>, para dar início aos estudos que ajudarão no registro do Ofício de Tacacazeira como patrimônio cultural do Brasil.</p>
<p>Em parceria com o Núcleo de Estudos Interdisciplinares em Sociedades Amazônicas, Cultura e Ambiente (Sacaca) da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), a reunião faz parte da etapa da pesquisa, que se estende aos estados do Acre, Amapá, Pará, Roraima, Rondônia e Tocantins para instruir o processo de registro que trará mais oportunidades para as fazedoras de tacacá da Região Norte.</p>
<blockquote><p>“Hoje, o tacacá está sendo cantado mundialmente pela cantora Joelma, que representa a importância do tacacá para a nossa regionalidade e cultura paraense. Nós ampliamos essa pesquisa para o Norte, porque precisamos mostrar a importância nacional do ofício de fazer o tacacá. O Brasil precisa conhecer o Norte, precisa conhecer o Pará, e o Tacacá é um cartão-postal gastronômico de Belém”, ressalta a superintendente do Iphan-PA, Cristina Vasconcelos.</p></blockquote>
<p>Após a viralização da música &#8220;Voando pro Pará&#8221;, o termo &#8220;tacacá&#8221; foi o mais pesquisado no Google no ano passado. Afinal todo mundo queria saber o que era exatamente o prato típico da Amazônia, que leva tucupi e a goma de mandioca, além de camarão seco, jambu e diversos temperos.</p>
<figure id="attachment_27054" aria-describedby="caption-attachment-27054" style="width: 649px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-27054" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/01/tacaca-Credito-Joyce-Ferreira-Agencia-Belem-300x200.jpg" alt="" width="649" height="432" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/01/tacaca-Credito-Joyce-Ferreira-Agencia-Belem-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/01/tacaca-Credito-Joyce-Ferreira-Agencia-Belem-1024x682.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/01/tacaca-Credito-Joyce-Ferreira-Agencia-Belem-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/01/tacaca-Credito-Joyce-Ferreira-Agencia-Belem-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/01/tacaca-Credito-Joyce-Ferreira-Agencia-Belem-450x300.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/01/tacaca-Credito-Joyce-Ferreira-Agencia-Belem-1200x800.jpg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/01/tacaca-Credito-Joyce-Ferreira-Agencia-Belem.jpg 1280w" sizes="(max-width: 649px) 100vw, 649px" /><figcaption id="caption-attachment-27054" class="wp-caption-text">O cheiro do tucupi é um aroma comum nas ruas de Belém. Foto: Joyce Ferreira / Agência Belém</figcaption></figure>
<div class="texto printContent">
<h3><strong>Pesquisa</strong></h3>
<p>Nesta etapa inicial, serão realizados encontros para a produção de materiais que auxiliem na criação do dossiê para as fases necessárias do registro. A Sacaca está sendo a responsável pela organização das reuniões que ocorrerão por algumas cidades do Norte.</p>
<blockquote><p>“Estamos na fase do processo de instrução, onde estão sendo feitas pesquisas e serão produzidos vídeos-documentários e fotos. Esse momento é o ideal para ouvirmos as tacacazeiras e compreendermos a realidade do ofício em nossa região”, afirma a coordenadora do Sacac, Luciana Carvalho.</p></blockquote>
<h3><strong>Conhecimento científico</strong></h3>
<p>Os encontros realizados possuem o objetivo de fornecer conhecimentos científicos atualizados sobre esse ofício, a partir de pesquisas bibliográficas, documentais e etnográficas e da produção de documentação adequada em diferentes localidades da Região Norte. Segundo a analista do Departamento de Patrimônio Imaterial do Iphan de Brasília, Kátia Michelan, o material é necessário para realizar o registro do conhecimento no Livro de Saberes.</p>
<blockquote><p>“A nossa pesquisa serve para atender muitas questões: Quem são as pessoas que fazem o tacacá? O que deve ser feito para melhorar e preservar esse ofício? Quando o Brasil olha pro Pará, eles logo pensam no tacacá. Assim como o carimbó, o tacacá é mais centralizado em Belém. Então, precisamos mostrar ao mundo a nossa identidade e registrá-la para que as instituições estatais possam  garantir a preservação do patrimônio cultural”, declara Kátia Michelan.</p></blockquote>
<h3><strong>Tacacazeiras de Belém</strong></h3>
<p>Além disso, a reunião permitiu que as tacacazeiras de Belém contassem suas dificuldades e vivências ao exercer o ofício na capital paraense.</p>
<blockquote><p>“Esse encontro foi muito importante pra gente, porque, além de trazermos nossas demandas, pudemos entender os benefícios que teremos com o registro do nosso trabalho. Através dele, nossa profissão terá mais apoio e poderemos trabalhar com segurança e tudo dentro da lei. Pra gente <em>tá</em> sendo um momento histórico”,  conta Márcia Helena, tacacazeira de Belém.</p></blockquote>
<p>Ao todo, o Iphan possui 53 bens registrados no Brasil. Para se tornar um patrimônio cultural e imaterial,  o modo de se fazer o tacacá se enquadra, e se justifica, por ser um ofício tradicional e prioritariamente feminino, ser um saber técnico relacionado às matérias-primas provenientes de ecossistemas amazônicos e por ser uma comida de rua ligada à memória da cidade.</p>
<p>A pesquisa realizada permitirá que o Iphan avalie a profissão como um bem imaterial, promovendo o reconhecimento da importância desses bens e sua valorização em parceria com entidades públicas e privadas<em>.</em></p>
<p><em>Com Agência Belém</em></p>
</div>
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<div class="col-md-6"></div>
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</div>
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		<title>Tacacazeiras: Mulheres protagonizam o preparo e a condução dos negócios da comida típica do Pará</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabricio Queiroz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 08 Mar 2024 13:06:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Dia-da-Mulher-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Fabrício Queiroz Um dos traços mais marcantes da cultura paraense é a culinária típica. Atualmente, pratos como a maniçoba, o vatapá e o tacacá estão se popularizando Brasil afora com a divulgação por chefs renomados e pelas mídias. O tacacá, por exemplo, foi a comida mais buscada no Google em 2023, graças ao sucesso [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Dia-da-Mulher-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Fabrício Queiroz</em></p>
<p>Um dos traços mais marcantes da cultura paraense é a culinária típica. Atualmente, pratos como a maniçoba, o vatapá e o tacacá estão se popularizando Brasil afora com a divulgação por chefs renomados e pelas mídias. O tacacá, por exemplo, foi a comida mais buscada no Google em 2023, graças ao sucesso da canção &#8220;Voando pro Pará&#8221; da Joelma, Nas ruas de Belém, porém, são as mulheres comuns as responsáveis não apenas pelo preparo da comida, mas também pela condução dos seus negócios. No Dia Internacional da Mulher, o <strong>Pará Terra Boa</strong> conversou com duas tacacazeiras, duas referências desse ramo na cidade.</p>
<p>O cheiro da maniva, do tucupi, do camarão e outras delicias está presente em muitas ruas de Belém. A origem costuma ser as barracas de comidas típicas encontradas em diferentes bairros, onde o conceito de fast-food chegou bem antes das grandes franquias de hamburgueres e lanches rápidos. Nesses pontos, a presença feminina tem um papel importante, desde a cozinha até à administração dos negócios.</p>
<blockquote><p>“Esses negócios sempre foram tocados pelas mulheres. Hoje em dia, está mais misturado, mas é um espaço que nós conquistamos”, lembra a cozinheira Maria de Fátima Silva de Araújo, de 70 anos.</p></blockquote>
<figure id="attachment_27885" aria-describedby="caption-attachment-27885" style="width: 1024px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27885 size-large" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Fafa-Araujo-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Fafa-Araujo-1024x768.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Fafa-Araujo-300x225.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Fafa-Araujo-768x576.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Fafa-Araujo-1536x1152.jpg 1536w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Fafa-Araujo-2048x1536.jpg 2048w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Fafa-Araujo-150x113.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Fafa-Araujo-450x338.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Fafa-Araujo-1200x900.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-27885" class="wp-caption-text">As comidas típicas preparadas pela Fafá são sucesso no comércio de Belém. Foto: Fabrício Queiroz</figcaption></figure>
<p>Mais conhecida como Fafá, ela é a responsável por um dos pontos de comidas típicas que mais atrai público no centro comercial de Belém. Entre os consumidores estão trabalhadores, além de turistas e do chef Thiago Castanho.</p>
<blockquote><p>“Com 25 anos somente neste ponto, eu já me sinto um patrimônio. Apesar disso, a cada dia eu tenho um aprendizado”, diz Fafá.</p></blockquote>
<p>Ela afirna possuir um sentimento de gratidão pelo trabalho com elemento cultural tão forte para os paraenses.</p>
<p>Na avaliação de Fafá, o segredo do sucesso é o bom atendimento que ela mesmo presta e estimula a ser reproduzido pelos filhos e netos que trabalham com ela. Porém, a cozinheira revela que o reconhecimento passa também pelo cuidado com o preparo da comida.</p>
<blockquote><p>“Eu não trabalho com conservantes. Tem que manter o tempero natural. Se você colocar algo artificial, vai tirar o sabor da nossa culinária”, ressalta.</p></blockquote>
<figure id="attachment_27887" aria-describedby="caption-attachment-27887" style="width: 1024px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27887 size-large" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/consumo-de-comidas-tipicas-em-Belem-1024x643.jpg" alt="" width="1024" height="643" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/consumo-de-comidas-tipicas-em-Belem-1024x643.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/consumo-de-comidas-tipicas-em-Belem-300x188.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/consumo-de-comidas-tipicas-em-Belem-768x482.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/consumo-de-comidas-tipicas-em-Belem-1536x965.jpg 1536w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/consumo-de-comidas-tipicas-em-Belem-2048x1286.jpg 2048w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/consumo-de-comidas-tipicas-em-Belem-150x94.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/consumo-de-comidas-tipicas-em-Belem-450x283.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/consumo-de-comidas-tipicas-em-Belem-1200x754.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-27887" class="wp-caption-text">Consumo cotidiano de comidas é valorizado pelos paraenses. Foto: Fabrício Queiroz</figcaption></figure>
<h3>Pelas raízes da gastronomia paraense</h3>
<p>Da mesma forma, a tacacazeira Maria Helena Trindade, de 57 anos, mais conhecida como Lica, é outra partidária da preservação das raízes da gastronomia paraense. Para ela, só é possível manter e conquistar clientes fiéis por causa da preferência pelas receitas na forma tradicional.</p>
<blockquote><p>“Às vezes, estou no Ver-o-Peso e escuto os comentários de pessoas que querem modificar alguma coisa na receita. Eu sempre faço do meu jeito. O meu tucupi, por exemplo, é fervido só com alho, chicória e sal. Depois de quase 2 horas, quando tá quase pronto, que coloca alfavaca para dar aquele sabor. Tem gente que quer colocar açúcar, mas eu defendo o (tacacá) tradicional mesmo”, explica.</p></blockquote>
<p>A banca montada em frente à igreja de São Judas Tadeu, no bairro da Condor, é outra referência na cidade, atraindo turistas e visitantes ilustres, como diplomatas estrangeiros e pesquisadores que escolhem o local para apreciar os pratos regionais.</p>
<figure id="attachment_27891" aria-describedby="caption-attachment-27891" style="width: 1024px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27891 size-large" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Maria-Helena-Lica-1024x768.jpg" alt="" width="1024" height="768" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Maria-Helena-Lica-1024x768.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Maria-Helena-Lica-300x225.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Maria-Helena-Lica-768x576.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Maria-Helena-Lica-1536x1152.jpg 1536w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Maria-Helena-Lica-2048x1536.jpg 2048w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Maria-Helena-Lica-150x113.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Maria-Helena-Lica-450x338.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/03/Maria-Helena-Lica-1200x900.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-27891" class="wp-caption-text">Lica aprendeu os segredos do preparo do tacacá com a mãe Russinda. Foto: Fabrício Queiroz</figcaption></figure>
<p>Em 2024, a barraca completa 60 anos de história, somando o tempo de trabalho de Lica e da mãe dela, Russinda Trindade, que a antecedeu e inspirou.</p>
<blockquote><p>“Eu sempre via ela fazendo. Eu tinha curiosidade e fui olhando e aprendendo. Eu faço o tacacá do mesmo jeito que ela fazia e, agora, estou passando para uma sobrinha. Vai passando de geração para geração”, conta ela.</p></blockquote>
<p>Com 37 anos de jornada, Lica se diz feliz pelas conquistas que a profissão lhe proporcionou, mesmo que o trabalho ainda seja alvo de uma certa discriminação social.</p>
<blockquote><p>“Ainda tem pessoas que, às vezes, querem menosprezar alguém porque trabalha com o tacacá. Eu mesma já escutei pessoas falarem (mal) das tacacazeiras. O preconceito sempre tem, mas eu não ligo. Tenho orgulho da minha profissão. Foi através dessa venda que eu conheci muita gente boa e que permitiu manter a minha família”, afirma.</p></blockquote>
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		<title>Dia dos Povos Indígenas: entenda a origem da data e as influências indígenas na cultura paraense</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivana Guimarães]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 19 Apr 2023 12:34:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[Dia dos Povos Indígenas do Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Joenia Wapichana]]></category>
		<category><![CDATA[Ministério dos Povos Indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[Puyr Tembé]]></category>
		<category><![CDATA[Secretaria dos Povos Originários]]></category>
		<category><![CDATA[Sônia Guajajara]]></category>
		<category><![CDATA[tacacá]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/04/5392_19hmultivozes-osdilemasdaeducacaoescolaindigena-mayconnunes56-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Representatividade é a palavra que define este 19 de abril. Pela primeira vez, se comemora o Dia dos Povos Indígenas, uma mudança de nome importante na busca por fortalecer a identidade étnica, a diversidade e a luta dos nativos, Pela primeira vez, o País conta com o Ministério dos Povos Indígenas, em nível federal, e [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/04/5392_19hmultivozes-osdilemasdaeducacaoescolaindigena-mayconnunes56-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Representatividade é a palavra que define este 19 de abril. Pela primeira vez, se comemora o Dia dos Povos Indígenas, uma mudança de nome importante na busca por fortalecer a identidade étnica, a diversidade e a luta dos nativos, Pela primeira vez, o País conta com o Ministério dos Povos Indígenas, em nível federal, e uma <a href="https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/puyr-tembe-e-anunciada-como-secretaria-dos-povos-originarios-do-para-conheca-mais-sobre-a-ativista-indigena/" target="_blank" rel="noopener">Secretaria dos Povos Originários</a>, aqui no Pará, comandados por duas mulheres indígenas, militantes da causa: Sônia Guajajara e <a href="https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/no-dia-de-luta-dos-povos-indigenas-puyr-tembe-fala-em-lutar-para-viver-ou-esperar-pela-morte/" target="_blank" rel="noopener">Puyr Tembé</a>, respectivamente. E, ainda, outro fato inédito e significativo é a Funai ter uma indígena como presidenta: Joenia Wapichana.</p>
<figure id="attachment_18421" aria-describedby="caption-attachment-18421" style="width: 351px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class=" wp-image-18421" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/04/guajajara-300x200.jpg" alt="" width="351" height="234" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/04/guajajara-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/04/guajajara-1024x682.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/04/guajajara-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/04/guajajara-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/04/guajajara-450x300.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/04/guajajara-1200x800.jpg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/04/guajajara.jpg 1400w" sizes="(max-width: 351px) 100vw, 351px" /><figcaption id="caption-attachment-18421" class="wp-caption-text">Presidente Lula e Sônia Guajajara. Foto: Agência Brasil</figcaption></figure>
<p>Foi há exatos 80 anos que o Brasil reconhecia o 19 de abril como Dia do Índio. Influenciado pelo Marechal Cândido Rondon, Getúlio Vargas emitiu em 1943 um decreto-lei que estabelecia a data comemorativa.</p>
<p>No ano passado, no entanto, a <a href="https://presrepublica.jusbrasil.com.br/legislacao/1569003997/lei-14402-22" target="_blank" rel="noopener">Lei 14.402/22</a> determinou que o dia passasse a ser chamado oficialmente de Dia dos Povos Indígenas. A medida foi proposta pela então deputada Joenia Wapichana. O objetivo da mudança era “atualizar para uma nomenclatura mais respeitosa e mais identificada com as comunidades indígenas.&#8221; A medida, aprovada no Congresso Nacional, deixou de lado assim o termo considerado preconceituoso contra os povos originários.</p>
<p>Nada mais justo, uma vez que a cultura indígena está impregnada no nosso vocabulário, hábitos, nas nossas músicas, danças e também no conhecimento do poder medicinal das plantas.</p>
<h3>A influência indígena</h3>
<p>Hábitos como tomar um açaí com farinha e peixe assado e depois deitar em uma rede, tão comum no nosso Pará. é uma herança dos povos indígenas.</p>
<p>Uso de utensílios como a cuia e o tipiti, usados para fazer o tucupi, um dos ingredientes mais importantes da culinária paraense, são de origem indígena. Assim como tomar banho todos os dias e tirar os sapatos para entrar em casa.</p>
<p>As canoas, jangadas, armadilhas de caça e pesca foram criados pelos povos originários. Isso sem falar de  instrumentos musicais, artesanato e o uso de utensílios feitos de barro e palha, como vassouras e vasilhas.</p>
<p>No carimbó, por exemplo, a forma de dançar, a roda que se faz, o chocalho e até mesmo o curimbó são instrumentos de referências originárias indígenas.</p>
<p>Vários dos nossos animais foram nomeados pelos indígenas, como arara, capivara, jacaré, jabuti, tucano, tamanduá e jibóia,</p>
<h3>Nosso palavreado</h3>
<p>E os termos usados pelos brasileiros, que nem imaginam que vem dos indígenas?:</p>
<div>• <b>Sapecar</b>: &#8220;sa’pek&#8221;. O significado é chamuscar;</div>
<div>• <b>Arapuca</b>: ara-púka. Significado é armadilha;</div>
<div>• <b>Nhenhenhém</b>: &#8220;nheeng-nheeng-nheeng&#8221;. Faz referência a conversa fiada;</div>
<div>• <b>Inhaca</b>: “yakwa” remete ao sentido de “odoroso”. Significado: algo com cheiro forte.</div>
<h3>Nossas frutas e comidas</h3>
<p>Muitas das nossas frutas foram batizadas pelos nativos:</p>
<div> <b>Açaí</b>: &#8220;ïwasa&#8217;i&#8221;, fruto que dá sumo;</div>
<div>• <b>Pitanga</b>: &#8220;pytánga&#8221;. Significado: algo que tem a cor vermelha;</div>
<div>• <b>Jabuticaba</b>:&#8221;ïwapotï’kaba&#8221;. Significado: fruta em botão;</div>
<div>• <b>Abacaxi</b>: do <a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/antropologia/cultura-tupi-guarani" target="_blank" rel="noopener">tupi</a> &#8220;ï&#8217;wa&#8221; (fruta) + &#8220;ka&#8217;ti&#8221; (&#8216;aromático&#8217;). Significado: o que recende;</div>
<p>E também algumas comidas:</p>
<div>• <b>Mingau</b>: minga’u. Tem o sentido de &#8220;comida que gruda”;</div>
<div>• <b>Paçoca</b>: &#8220;pa’soka&#8221; origem de “po-çoc”. Sentido: esmigalhar o alimento com a mão;</div>
<div>• <b>Moquear</b>: &#8220;mokaen&#8221;. Significado: assar ou deixar seco o alimento para deixá-lo mais conservado;</div>
<div>• <b>Maniçoba</b>: &#8220;mandi’sowa&#8221; remete a comida preparada com a folha da mandioca;</div>
<div>• <b>Mandioca</b>: &#8220;mandióka&#8221;, “oka” casa de Mani. Significa que a índia deu origem à planta, conforme a mitologia indígena.</div>
<h3>Nossos lugares</h3>
<p>Algumas cidades paraenses têm nomes indígenas:</p>
<ul>
<li>Capanema: “Cáa” (Mato/floresta) e panema (infeliz ou azarado). Mato infeliz, devido a ausência de caças grandes que pudessem alimentar todos os indígenas da aldeia.</li>
<li>Cametá: “Cáa” (Mato/floresta) ou “Mutã”, uma espécie de degrau instalado em galhos de árvores feitos pelos indígenas para esperar a caça ou para morar.</li>
<li>Marabá: significa filho do prisioneiro ou estrangeiro. Também pode ser filho de uma indígena com um branco.</li>
<li>Oriximiná:  significando &#8220;o macho da abelha&#8221;, o zangão.</li>
<li>Tracuateua:  tracuá (uma espécie de formiga) e Teua (terra). Terra das formigas.</li>
<li>Tucuruí: significa &#8220;gafanhotos verdes&#8221;, através da junção de tukura (gafanhoto) e oby (verde).</li>
<li>Xingu:  significa água boa e limpa.</li>
</ul>
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		<title>Dos pratos típicos ao banho de cheiro, paraense preserva tradições nas festas juninas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gisele Coutinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 21 Jun 2022 17:03:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[banho de cheiro]]></category>
		<category><![CDATA[Festa Junina Pará]]></category>
		<category><![CDATA[macaxeira]]></category>
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		<category><![CDATA[São João]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/tacaca_agbelem-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Se tem arraiá, tem tacacá! Muito além das bandeirinhas e quadrilhas, as festas juninas paraenses preservam suas raízes na gastronomia, como é o caso do tacacá, receita típica do Estado. O agito toma conta de barraquinhas das “tacacazeiras”, que servem a iguaria em cuias. A maniçoba, que recentemente se tornou patrimônio cultural de natureza imaterial, [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/tacaca_agbelem-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Se tem arraiá, tem tacacá! Muito além das bandeirinhas e quadrilhas, as festas juninas paraenses preservam suas raízes na gastronomia, como é o caso do tacacá, receita típica do Estado. O agito toma conta de barraquinhas das “tacacazeiras”, que servem a iguaria em cuias.</p>
<p>A maniçoba, que recentemente se tornou <a href="https://www.paraterraboa.com/cultura/manicoba-e-pato-no-tucupi-sao-declarados-patrimonios-culturais-do-para/" target="_blank" rel="noopener">patrimônio cultural de natureza imaterial</a>, também não falta nas barracas juninas. O prato de origem indígena, típico da culinária paraense, é feito da maniva, a folha da mandioca moída.</p>
<p>Agora, imagina o trabalho que dá! As folhas da mandioca são moídas e cozidas por aproximadamente uma semana. Depois, levam carnes de porco e bovina, e outros ingredientes defumados e salgados para ser servida com arroz branco, farinha de mandioca e pimenta.</p>
<p>Todo trabalho é impulsionado pelo amor do paraense e turistas à gastronomia da nossa terra boa, como também ocorre com o bolo de macaxeira presente nas quadrilha e forrós.</p>
<p>O milho é outro protagonista nas juninas paraenses e do restante do País. Dele sai o mingau de milho, que leva milho branco, leite condensado e outros ingredientes; o brigadeiro de milho e, claro, o próprio milho cozido para dar energia nos dias de festa.</p>
<h3><strong>Ritual além da gastronomia</strong></h3>
<p>Além dos pratos típicos, também é costume nesta época o banho de cheiro de são João para perfumar, abrir caminhos e restabelecer a saúde.</p>
<figure id="attachment_10897" aria-describedby="caption-attachment-10897" style="width: 1024px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-10897 size-large" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/banhodecheiro-agbelem-1024x683.jpg" alt="" width="1024" height="683" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/banhodecheiro-agbelem-1024x683.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/banhodecheiro-agbelem-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/banhodecheiro-agbelem-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/banhodecheiro-agbelem-1536x1024.jpg 1536w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/banhodecheiro-agbelem-2048x1366.jpg 2048w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/banhodecheiro-agbelem-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/banhodecheiro-agbelem-450x300.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/06/banhodecheiro-agbelem-1200x800.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-10897" class="wp-caption-text">Banho de cheiro do Ver-o-Peso é sucesso no São João. Foto: Fernando Sette/Comus</figcaption></figure>
<p>O banho com ervas aromáticas acompanha o povo paraense na conexão com a floresta, com busca constante também pelos turistas. O perfume da priprioca, manjericão, alfazema, arruda, pataqueira e muitas outras ervas invadem os comércios.</p>
<p>O ritual é praticado no dia que antecede a festa de são João, 24 de junho, mas muita gente movimenta as barracas do mercado Ver-o-Peso no próprio dia, que neste ano de 2022 cai na sexta-feira. Os banhos são vendidos em garrafadas, cada um com nome do desejo do cliente: “chora nos meus pés”, “ganha aqui, ganha acolá”, “dinheiro em penca”, “chega-te a mim” e por aí vai.</p>
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