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	<title>SEEG &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<title>SEEG &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Emissões de gases de efeito estufa caem 16% no Brasil, mas Pará lidera ranking de poluentes</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Mar 2026 14:24:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[gás de efeitos estufa]]></category>
		<category><![CDATA[meta climática]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório do Clima]]></category>
		<category><![CDATA[poluição]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/06/desmate_Para-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />O Brasil alcançou uma marca histórica em 2024 ao reduzir suas emissões brutas de gases de efeito estufa em 16,7%, totalizando 2,145 bilhões de toneladas. As emissões líquidas ficaram em 1,489 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente,queda de 22%. O número leva em conta as emissões brutas menos o carbono absorvido por vegetações e [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/06/desmate_Para-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>O Brasil alcançou uma marca histórica em 2024 ao reduzir suas emissões brutas de gases de efeito estufa em 16,7%, totalizando 2,145 bilhões de toneladas. As emissões líquidas ficaram em 1,489 bilhão de toneladas de gás carbônico equivalente,queda de 22%. O número leva em conta as emissões brutas menos o carbono absorvido por vegetações e áreas protegidas. Trata-se da segunda maior queda desde 1990.</p>
<p>No entanto, o relatório divulgado pelo Observatório do Clima (OC),  com base no Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG), revela que o esforço nacional ainda esbarra em realidades regionais críticas: o Pará lidera o ranking nacional, sendo o estado que mais lançou poluentes na atmosfera, com um volume de 278 milhões de toneladas. Em segundo lugar, vem Mato Grosso, com 231 toneladas.</p>
<p>Quando se considera emissão líquida, o ranking permanece, mas com Mato Grosso (172 MtCO2e) trocando de lugar com o Pará (111 MtCO2e).</p>
<p>Embora o desmatamento na Amazônia e no Cerrado tenha recuado — puxando uma queda de 32,5% nas emissões por mudança de uso da terra — os estados amazônicos ainda apresentam emissões per capita altíssimas.</p>
<p>O Mato Grosso lidera esse índice (60 toneladas por habitante), mas o Pará e seus vizinhos mantêm números comparáveis aos de países ricos devido à combinação de baixa população e alta emissão bruta.</p>
<p>Em contraste, estados como São Paulo e Alagoas emitem apenas 3 toneladas por habitante, abaixo da média mundial.</p>
<p>Esse desequilíbrio mostra que, embora quase todos os biomas brasileiros tenham registrado queda (com exceção do Pampa, que subiu 6%), o Brasil permanece entre os maiores emissores globais devido à dinâmica do uso do solo e ao peso recorde dos incêndios florestais.</p>
<h3>O peso do fogo e dos setores econômicos</h3>
<p>O relatório do SEEG destaca que, se não fosse o controle do desmatamento pelo Ibama, o cenário seria pior, já que outros setores subiram ou estagnaram:</p>
<ul>
<li><strong>Incêndios Florestais</strong>: Em 2024, as emissões pelo fogo atingiram o recorde de 241 milhões de toneladas. Se fossem somadas oficialmente, poderiam dobrar as emissões líquidas do uso da terra.</li>
<li><strong>Agropecuári</strong>a: Queda leve de 0,7% (626 MtCO2e), abrangendo desde o &#8220;arroto&#8221; do boi (metano) até o manejo de solos e fertilizantes.</li>
<li><strong>Energia</strong>: Alta de 0,8% (424 MtCO2e), incluindo transporte e uso de gás fóssil na indústria.</li>
<li><strong>Processos Industriai</strong>s: Alta de 2,8% (94 MtCO2e), com destaque para a produção de aço, cimento e gases refrigerantes.</li>
<li><strong>Resíduos:</strong> Alta de 3,6% (96 MtCO2e), vinda principalmente de aterros e lixões (65,9%) e esgoto doméstico.</li>
</ul>
<h3>Projeções e o Plano Clima</h3>
<p>Apesar dos avanços, o Brasil corre o risco de perder a meta da sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para 2025 por uma margem de 9%. A estimativa é de 1,44 bilhão de toneladas líquidas, contra a meta de 1,32 bilhão.</p>
<p>Para reverter isso, o governo lançou o Plano Clima, que busca reduzir as emissões entre 59% e 67% até 2035 (comparado a 2005), com o objetivo final de neutralidade climática até 2050. O Observatório do Clima alerta que o país não pode depender apenas do combate ao desmatamento; setores como indústria e energia precisam começar a cair para que as metas futuras sejam atingidas.</p>
<h3>Sobre o estudo</h3>
<p>A inteligência por trás dos dados do SEEG vem de uma força-tarefa de quatro instituições ligadas ao Observatório do Clima: enquanto o Ipam lidera o monitoramento do uso da terra, o Imaflora foca nos impactos da agropecuária, cabendo ao Iema a análise de energia e indústria, e ao ICLEI o diagnóstico da gestão de resíduos.</p>
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		<title>Brasil tem a maior queda de emissões de gases do efeito estufa em 16 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 03 Nov 2025 16:13:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[SEEG]]></category>
		<category><![CDATA[Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/05/amazonia99-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />As emissões brutas de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil registraram uma queda de 16,7% em 2024, atingindo 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO₂e), contra 2,576 GtCO₂e em 2023. Essa é a segunda maior redução nos índices de poluição climática do país desde o início das medições (1990), perdendo apenas para [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/05/amazonia99-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><!--StartFragment --></p>
<p><!--StartFragment --></p>
<p class="pf0"><span class="cf0">As emissões brutas de gases de efeito estufa (GEE) do Brasil registraram uma queda de 16,7% em 2024, atingindo 2,145 bilhões de toneladas de gás carbônico equivalente (GtCO₂e), contra 2,576 GtCO₂e em 2023. Essa é a segunda maior redução nos índices de poluição climática do país desde o início das medições (1990), perdendo apenas para o recuo de 17,2% registrado em 2009.</span></p>
<p class="pf0"><span class="cf0">Os dados são da 13ª edição do SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), do Observatório do Clima (OC), lançada nesta segunda-feira (3).</span></p>
<p class="pf0"><span class="cf0">O resultado é atribuído ao impacto da retomada do controle do desmatamento pelo governo federal. As chamadas emissões líquidas, que descontam a remoção de carbono por florestas secundárias e áreas protegidas, tiveram uma queda ainda maior: 22% (1,489 GtCO₂e líquidas em 2024, contra 1,920 CO₂e em 2023). </span></p>
<p>O resultado positivo vem em boa hora para o anfitrião da COP30, que tem início no próximo dia 10 de novembro, em Belém, na opinião de Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.</p>
<blockquote><p>“Dificilmente teremos dentro do G20 &#8211; países mais ricos &#8211; ou dentro dos dez maiores emissores, países chegando na COP30 com um número de redução total das suas emissões, tal qual esse número que a gente está apresentando agora”, disse Astrini à Agência Brasil.</p></blockquote>
<p>O impacto da queda do desmate foi tão significativo que alterou a matriz de emissões líquidas do país.</p>
<p>Descontadas as remoções por áreas protegidas e florestas secundárias, as emissões líquidas por mudança de uso da terra tiveram uma queda brutal: 64% &#8211; a maior redução da história. Elas caíram de 685 milhões para 249 milhões de toneladas de CO₂ equivalente em 2024 em relação a 2023. Por conta dessa redução, o setor de mudança de uso da terra deixou de ser a principal fonte de emissões líquidas do Brasil, caindo de 35% para 17% do total. Agropecuária (de 33% para 42%) se torna a maior. Energia sobe de 22% para 29%, e processos industriais e resíduos sobem ambos de 5% para 6%.</p>
<p class="pf0"><span class="cf0">Mesmo com a queda em 2024, a projeção do SEEG para o fim de 2025 indica que o Brasil ficará aquém da meta da NDC (limite de 1,32 bilhão de toneladas líquidas). O país deve chegar ao final do ano com 1,44 GtCO₂e líquidas, número 9% maior que a meta estipulada.</span></p>
<blockquote>
<p class="pf0">“O desmatamento cai, mas todos os outros setores sobem”, afirma David Tsai, coordenador do SEEG. “Estamos falando de uma projeção, mas o número indica que o Brasil ainda está fora da sua meta de clima. Toda a mitigação fica nas costas do combate ao desmatamento, e isso precisa mudar.”</p>
</blockquote>
<h3 class="pf0"><span class="cf0">Desmatamento e setores da economia</span></h3>
<p class="pf0"><span class="cf0">A variação das emissões do Brasil responde diretamente ao que acontece na vegetação nativa. Em 2024, a queda do desmatamento na Amazônia e no Cerrado, na esteira de ações do Ibama, provocou a maior redução da história nas emissões por mudança de uso da terra: 32,5%. As emissões brutas desse setor caíram de 1,341 GtCO₂e para 906 GtCO₂e. </span></p>
<p class="pf0"><span class="cf0">Com isso, o setor de mudança de uso da terra continua sendo o maior emissor, respondendo por 42% da &#8220;pizza&#8221; das emissões nacionais em 2024 (contra 52% no ano anterior).</span></p>
<p class="pf0"><span class="cf0">Nos outros setores da economia, as emissões ficaram estáveis ou subiram:</span></p>
<ul>
<li class="pf0"><span class="cf0">Agropecuária: queda de 0,7% (29% do total).</span></li>
<li class="pf0">Energia: alta de 0,8% (20% do total).</li>
<li class="pf0">Processos Industriais: alta de 2,8% (4% do total).</li>
<li class="pf0">Resíduos: alta de 3,6% (5% do total).</li>
</ul>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-38441 aligncenter" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/emissoes_setor-300x70.jpg" alt="" width="775" height="181" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/emissoes_setor-300x70.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/emissoes_setor-768x179.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/emissoes_setor-150x35.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/emissoes_setor-450x105.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/emissoes_setor.avif 1024w" sizes="(max-width: 775px) 100vw, 775px" /></p>
<h3 class="pf0"><span class="cf0">Pecuária e ranking global</span></h3>
<p class="pf0"><span class="cf0">Mesmo com a queda no desmatamento, as mudanças de uso da terra fazem do Brasil o quinto maior emissor de GEE do planeta (sexto, se a União Europeia for considerada como bloco). O Brasil emite mais carbono bruto somente por desmatamento que toda a Arábia Saudita e todo o Canadá.</span></p>
<p class="pf0"><span class="cf0">A pecuária é de longe a atividade econômica mais emissora do Brasil, com 51% das emissões totais, ou 1,1 GtCO₂e. Se fosse um país, o boi brasileiro seria o sétimo maior emissor do mundo. No total, a agropecuária, incluindo o desmatamento, responde por dois terços das emissões do Brasil.</span></p>
<p><span class="cf0">As emissões da agropecuária tiveram uma discreta oscilação para baixo de 0,7%, ficando estáveis. A principal fonte é a fermentação entérica (arroto do boi, com 65% das emissões do setor). Já as emissões do setor de energia tiveram uma pequena alta de quase 1%, controlada, sobretudo, pelo etanol.</span></p>
<p class="pf0"><span class="cf0">O Brasil também ficou mais próximo da média mundial de emissões per capita. Em 2024, cada brasileiro emitiu 10,5 toneladas brutas de CO₂e(7,2 toneladas líquidas), contra uma média mundial de 6,4 toneladas. Excluindo as mudanças de uso da terra, o Brasil fica com 6 toneladas per capita, exatamente na média global.</span></p>
<h3 class="pf0"><span class="cf0">Desempenho nos biomas e alerta sobre o fogo</span></h3>
<p class="pf0"><span class="cf0">Todos os biomas brasileiros registraram redução expressiva nas emissões brutas por desmatamento em 2024, exceto o Pampa (alta de 6%).</span></p>
<ul>
<li class="pf0"><span class="cf0">Pantanal: queda de 66% (após ações de controle reforçadas).</span></li>
<li class="pf0">Cerrado: queda de 41% (207 MtCO₂e).</li>
<li class="pf0">Amazônia: queda de 33% (525 MtCO₂e).</li>
<li class="pf0">Mata Atlântica e Caatinga permaneceram estáveis.</li>
</ul>
<p class="pf0"><span class="cf0">O que chamou a atenção do SEEG foi o fato de o desmatamento cair no mesmo ano em que o Brasil registrou a maior área queimada de sua história, devido à estiagem severa. </span></p>
<p class="pf0"><span class="cf0">As emissões por queimadas não relacionadas ao desmatamento (241 MtCO₂e) são basicamente equivalentes a todas as emissões líquidas por mudança de uso da terra (249 MtCO₂e), ou seja, o fogo duplicaria as emissões líquidas por desmatamento se fosse contabilizado, sinalizando que a mudança do clima já pode estar interferindo perigosamente nas florestas.</span></p>
<p><!--EndFragment --></p>
<p><!--EndFragment --></p>
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		<title>Desmatamento faz emissão de gases de efeito estufa ter a maior alta em 19 anos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 01 Nov 2022 16:26:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
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		<category><![CDATA[gases de efeito estufa]]></category>
		<category><![CDATA[SEEG]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/11/gases-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />As emissões de gases de efeito estufa do Brasil tiveram em 2021 sua maior alta em quase duas décadas. Dados do SEEG, o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, mostram que, no ano passado, o país emitiu 2,42 bilhões de toneladas brutas de CO2 equivalente, um aumento de [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/11/gases-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>As emissões de gases de efeito estufa do Brasil tiveram em 2021 sua maior alta em quase duas décadas. Dados do SEEG, o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima, mostram que, no ano passado, o país emitiu 2,42 bilhões de toneladas brutas de CO<sub>2</sub> equivalente, um aumento de 12,2% em relação a 2020 (2,16 bilhões de toneladas).</p>
<p>Alta maior só foi verificada em 2003, ano em que o país atingiu seu recorde histórico de emissões. Naquele ano, a alta foi de 20%, puxada pela explosão do desmatamento na Amazônia.</p>
<p>No ano passado, as emissões por desmatamento também foram as principais responsáveis pela elevação. Impulsionadas pelo terceiro ano seguido de crescimento da área desmatada na Amazônia e demais biomas no governo de Jair Bolsonaro, as emissões por mudança de uso da terra (MUT) e florestas tiveram alta de 18,5%. A destruição dos biomas brasileiros emitiu 1,19 bilhão de toneladas brutas no ano passado — mais do que o Japão —, contra 1 bilhão de toneladas em 2020.</p>
<p>Mas quase todos os setores da economia tiveram forte alta: ela foi de 3,8% na agropecuária, setor que costuma ter flutuações pequenas nos gases de efeito estufa; 8,2% no setor de processos industriais e uso de produtos; e 12,2% no setor de energia, a maior alta desde o “milagre econômico” da ditadura militar, em 1973. O setor de resíduos foi o único com emissões estáveis de 2020 para 2021.</p>
<h3><strong>Energia: maior alta em 50 anos</strong></h3>
<p>A elevação em energia e indústria se deve a uma série de fatores. Um deles é a retomada da economia após a fase mais grave da pandemia de Covid-19. Neste caso, o Brasil acompanhou a tendência mundial: um relatório do Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) lançado na última quinta-feira (27/10) mostrou que, após uma queda de 4,7% em 2020, ano de pico da pandemia, as emissões do mundo voltaram a subir rapidamente em 2021 e podem ter batido o recorde histórico de 2019.</p>
<p>No Brasil, o setor de energia emitiu 435 milhões de toneladas de CO<sub>2 </sub>equivalente em 2021 contra 387 milhões em 2020.</p>
<blockquote><p>“Proporcionalmente, as emissões explodiram pelo fato de o consumo ter caído em 2020 por causa da Covid. No ano passado, o consumo energético voltou a patamares de 2014”, afirma Felipe Barcellos, analista de projetos do Instituto de Energia e Meio Ambiente, organização responsável pelos cálculos de energia e processos industriais do SEEG.</p></blockquote>
<p>No entanto, dois outros fatores explicam a maior alta de emissões em quase 50 anos no setor. Um deles foi a crise hídrica de 2021, decorrente da pior estiagem em nove décadas no Centro-Sul do país. Ela secou as hidrelétricas e forçou o acionamento de termelétricas, que o governo tornou permanente. Isso diminuiu a parcela de energias renováveis na matriz elétrica nacional. Enquanto o consumo de eletricidade aumentou 4%, as emissões por geração de eletricidade cresceram 46%. Um terceiro fator, também decorrente da seca, foi a queda na safra de cana no Sudeste, que levou a uma alta do preço do etanol — reduzindo, consequentemente, a participação do biocombustível nos transportes.</p>
<h3>Agropecuária</h3>
<p>A agropecuária teve as maiores emissões da série histórica: 601 milhões de toneladas, contra 579 milhões em 2020. Se fosse um país, o agro brasileiro seria o 16<sup>o</sup> maior emissor do planeta, à frente da África do Sul.</p>
<p>A pecuária — em especial o metano emitido pelos arrotos do rebanho bovino — é a principal fonte, com 79,4% das emissões do setor. O aumento expressivo do rebanho bovino em 2021, de 3,1% (seis vezes mais que a média dos últimos 18 anos), foi o principal fator a influenciar o aumento das emissões. A última vez que o país viu um crescimento tão grande no número de cabeças de gado foi em 2004.</p>
<p>Na agricultura, pesaram a alta no consumo de fertilizantes nitrogenados (13,8%) e o volume de calcário nas lavouras, que subiu 20%.</p>
<blockquote><p>“O mais preocupante é que, mesmo com os compromissos assumidos pelo país em sua NDC (a meta no Acordo de Paris), no Compromisso Global do Metano e no Plano ABC, que tem mais de dez anos, em 2021, tivemos o recorde de emissões para a pecuária e a agricultura do Brasil”, salienta Renata Potenza, coordenadora de Clima e Cadeias Agropecuárias do Imaflora. “Considerando as metas de redução de emissões assumidas na NDC do país para 2025 e 2030, o patamar atual torna o alcance dessas metas cada vez mais distante.”</p></blockquote>
<h3>Resíduos</h3>
<p>No setor de resíduos, que engloba principalmente a disposição de lixo (64% das emissões) e o tratamento de esgoto (28%), as emissões permaneceram essencialmente inalteradas (91,1 milhão de toneladas em 2021 contra 91,2 milhões em 2020).</p>
<blockquote><p>“Na verdade, houve uma pequena — bem pequena — redução, da ordem de 0,12%. Isso é inédito na série histórica”, observa Iris Coluna, assessora técnica do ICLEI, responsável pelas estimativas desse setor. “E foi por um ótimo motivo.” Houve uma redução nas emissões relacionadas com a disposição final de resíduos sólidos, alavancada por um aumento na quantidade de metano recuperado em aterros sanitários.</p></blockquote>
<p>O metano advém da decomposição dos resíduos orgânicos nos aterros. Um jeito de minimizar o impacto dessas emissões (e ainda obter receita) é capturar o metano e queimá-lo para gerar energia. A queima do metano (CH<sub>4</sub>) produz CO<sub>2</sub>, que comparativamente tem um potencial muito menor de aquecer o planeta. Além disso, o CO<sub>2</sub> é compensado pela fotossíntese que produziu a biomassa, por fim decomposta no aterro (e que gera metano).</p>
<blockquote><p>“A gente saiu de uma recuperação de 452 mil em 2020 para 531 mil toneladas de metano em 2021, por conta do aumento da captura dos aterros de Caieiras e CTR Leste, em São Paulo”, explica Coluna. “Mas temos muito espaço para ampliar a adoção dessas metas, diversificando as rotas de tratamento, aumentando as taxas de compostagem e reciclagem e diminuindo a geração.”</p></blockquote>
<h3><strong>O campeão continua o mesmo</strong></h3>
<p>O grande vilão, responsável por 49% de todas as emissões do país, foram as mudanças de uso da terra. O desmatamento na Amazônia, respondeu por 77% das emissões por MUT em 2021. O aumento nas emissões brutas do setor, de 18,5%, só é superado na série histórica pelo ano de 2003, no qual o crescimento foi de 30%.</p>
<p>Também foi detectado aumento expressivo, de 65%, no carbono emitido pelo desmatamento da Mata Atlântica. No Cerrado, as emissões foram de 117 milhões de toneladas, com aumento de 4%.</p>
<blockquote><p>“A taxa de desmatamento em 2021 na Amazônia Legal foi de 13.038 km<sup>2</sup>, a maior desde 2006, quando o desmatamento estava em franco decréscimo desde os 27.772 km<sup>2</sup> vistos em 2004. Isso demonstra que o aumento das emissões atualmente está refletindo esse retrocesso nos padrões de desmatamento”, comenta Bárbara Zimbres, pesquisadora do Ipam.</p></blockquote>
<h3>Queimadas</h3>
<p>O SEEG também fez uma estimativa do impacto das queimadas não associadas ao desmatamento, como as produzidas por incêndios florestais na Amazônia. Elas produzidas pelo homem, mas não são contabilizadas no inventário oficial brasileiro. Puderam ter sua extensão verificada pela primeira vez por meio do MapBiomas Fogo. Caso fossem computadas, representariam um acréscimo de 8% nas emissões por MUT no Brasil.</p>
<p>Segundo Tasso Azevedo, coordenador do SEEG, o balanço de dez anos do Sistema, mostra que o Brasil teve uma década perdida para controlar sua poluição climática.</p>
<blockquote><p>“Desde a regulamentação da Política Nacional sobre Mudança do Clima, em 2010, nós estamos patinando. Não apenas não conseguimos reduzir nossas emissões de maneira consistente, como as aumentamos nos últimos anos, e de forma expressiva”, destaca. “O Brasil tem as ferramentas de política pública, a tecnologia e os recursos para mudar sua trajetória, mas é preciso que o governo e a sociedade entendam que isso é fundamental para dar segurança à população em tempos de eventos extremos acelerados e também para alavancar a economia.”</p></blockquote>
<p><strong>Sobre o SEEG </strong>— Foi criado em 2012 para atender a uma determinação da PNMC (Política Nacional de Mudanças Climáticas). O decreto que regulamenta a PNMC estabeleceu que o país deveria produzir estimativas anuais de emissão, de forma a acompanhar a execução da política. O governo, porém, não as produziu. Os inventários nacionais, instrumentos fundamentais para conhecer em detalhe o perfil de emissões do país, são publicados apenas de cinco em cinco anos.</p>
<p>O SEEG (<a href="http://www.seeg.eco.br/" target="_blank" rel="external noopener noreferrer" data-wpel-link="external">seeg.eco.br</a>) foi a primeira iniciativa nacional de produção de estimativas anuais para toda a economia. Ele foi incorporado ao Observatório do Clima em 2013. Hoje, em sua 10ª edição, é uma das maiores bases de dados nacionais sobre emissões de gases estufa do mundo, compreendendo as emissões brasileiras de cinco setores (Agropecuária, Energia, Mudança de Uso da Terra, Processos Industriais e Resíduos).</p>
<p>As estimativas são geradas segundo as diretrizes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), com base nos Inventários Brasileiros de Emissões e Remoções Antrópicas de Gases do Efeito Estufa, do MCTIC (Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).</p>
<p><strong> </strong><strong>Sobre o Observatório do Clima</strong> — Fundado em 2002, é a principal rede da sociedade civil brasileira sobre a agenda climática, com 77 organizações integrantes, entre ONGs ambientalistas, institutos de pesquisa e movimentos sociais. Seu objetivo é ajudar a construir um Brasil descarbonizado, igualitário, próspero e sustentável, na luta contra a crise climática. Desde 2013 o OC publica o SEEG, a estimativa anual das emissões de gases de efeito estufa do Brasil (<a href="https://oc.eco.br/" target="_blank" rel="external noopener noreferrer" data-wpel-link="external">oc.eco.br</a>).</p>
<p><em>Fonte: Observatório do Clima</em></p>
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