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	<title>quilombolas &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<title>quilombolas &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<item>
		<title>No Pará, lideranças tradicionais contestam ação do MPF contra créditos de carbono</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Jun 2026 15:28:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[crédito de carbono]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/06/rios_amazonia-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Lideranças indígenas, quilombolas e extrativistas manifestaram apoio ao programa estadual de venda de créditos de carbono (avaliado em R$ 1 bilhão) após renegociarem a divisão dos recursos. A articulação das comunidades tradicionais garantiu avanços significativos, como o aumento da fatia destinada aos quilombolas de 1% para 16% do montante total. O Ministério Público Federal [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/06/rios_amazonia-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p data-path-to-node="0"><em>Resumo</em></p>
<ul data-path-to-node="2">
<li>
<p data-path-to-node="2,0,0"><em>Lideranças indígenas, quilombolas e extrativistas manifestaram apoio ao programa estadual de venda de créditos de carbono (avaliado em R$ 1 bilhão) após renegociarem a divisão dos recursos.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="2,1,0"><em>A articulação das comunidades tradicionais garantiu avanços significativos, como o aumento da fatia destinada aos quilombolas de 1% para 16% do montante total.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="2,2,0"><em>O Ministério Público Federal acionou a Justiça para suspender o acordo firmado com a Coalizão Leaf, alegando suposta venda futura ilegal e falhas na consulta prévia, mas teve o pedido de liminar negado e agora recorre.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="2,3,0"><em>A certificadora global ART ignorou o pedido de paralisação do MPF e manteve o cronograma de análise do programa paraense, que já possui parecer inicial favorável.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="2,4,0"><em>Analistas em governança climática criticaram a postura do MPF, apontando que o órgão gera insegurança jurídica ao questionar um contrato preliminar que visa valorizar a floresta em pé e financiar a fiscalização ambiental.</em></p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="2,5,0"><em>O modelo adotado pelo Pará é seguido por outros estados da Amazônia Legal, como Acre, Mato Grosso e Tocantins, que também avançam em processos de validação internacional de seus créditos.</em></p>
</li>
</ul>
<p>O Ministério Público Federal enfrenta a resistência de lideranças indígenas e quilombolas no Pará após acionar a Justiça para tentar barrar o programa estadual de venda de créditos de carbono. Embora o órgão alegue irregularidades no projeto de R$ 1 bilhão, as comunidades tradicionais declararam apoio à iniciativa após renegociarem a divisão dos recursos, garantindo conquistas históricas como a elevação da fatia destinada aos quilombolas para 16%, relata <a href="https://oglobo.globo.com/brasil/meio-ambiente/noticia/2026/06/07/mpf-tenta-barrar-acordo-para-venda-de-credito-de-carbono-no-para-e-e-contestado-por-especialistas-e-indigenas.ghtml" target="_blank" rel="noopener">O Globo</a>.</p>
<p>Enquanto especialistas criticam a postura do MPF por gerar insegurança jurídica em um acordo que consideram preliminar, a certificadora internacional ART confirmou a manutenção da análise do programa paraense.</p>
<p>O imbróglio judicial começou quando o MPF acionou a Justiça para tentar suspender o acordo internacional, anunciado em 2024 pelo então governador Helder Barbalho. O projeto envolve recursos estimados em R$ 1 bilhão, gerados a partir da redução do desmatamento por meio do Sistema Jurisdicional de REDD+ (SJREDD+), que vincula os créditos a políticas públicas estaduais.</p>
<p>O objetivo é vender esses créditos para a Coalizão Leaf, que reúne países como Estados Unidos, Reino Unido, Noruega e Coreia do Sul, além de multinacionais como Amazon, Bayer, H&amp;M e Walmart.</p>
<p>O MPF alega que o contrato configura &#8220;venda futura de créditos&#8221; — prática proibida pelo Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE) — e apontava falhas na consulta prévia às comunidades. No entanto, a própria Justiça negou o pedido de liminar do órgão, que agora recorre da decisão.</p>
<h3>Defesa das comunidades tradicionais</h3>
<p>As consultas com as populações tradicionais estão em andamento por meio de entidades representativas como a Fepipa (indígenas), o CNS (extrativistas) e a Malungu (quilombolas). Apesar dos questionamentos iniciais do MPF, as lideranças confirmam que os diálogos avançaram e resultaram em melhorias diretas na repartição dos benefícios financeiros:</p>
<ul>
<li><strong>Quilombolas</strong>: A proposta inicial do governo previa o repasse de apenas 1% dos recursos para as comunidades quilombolas. Após protestos e negociações lideradas pela Malungu, a fatia foi elevada para 16%.</li>
<li><strong>Indígenas e extrativistas:</strong> Atualmente com fatias garantidas de 21% e 18%, respectivamente, as associações mantêm o diálogo para tentar ampliar ainda mais suas participações no montante total.</li>
</ul>
<p>Erica Monteiro, coordenadora da Malungu, confirma que a maior parte das comunidades deu o aval ao programa, embora detalhes práticos ainda estejam sendo ajustados.</p>
<h3>Certificação internacional mantida</h3>
<p>Mesmo após o MPF enviar um ofício à Architecture for REDD+ Transactions (ART) exigindo a paralisação do processo até o fim da ação judicial, a certificadora internacional — referência global na validação desses sistemas — decidiu manter o cronograma de análise da documentação do Pará.</p>
<p>A ART informou que o programa está em fase de consulta pública e já recebeu um parecer inicial favorável de elegibilidade.</p>
<p>Especialistas em governança climática também saíram em defesa do modelo paraense. Ana Luci Grizzi, executiva de sustentabilidade da consultoria ALG, reforça que o acordo com a Coalizão Leaf é um contrato preliminar de condições mínimas, e não uma venda antecipada.</p>
<p>Segundo ela, a postura do MPF gera insegurança no mercado e o ideal seria uma atuação colaborativa.</p>
<p>Na mesma linha, Gabriela Savian, diretora de Políticas Públicas do Ipam, destaca que a receita dos créditos de carbono dará valor econômico à floresta em pé, fortalecendo a fiscalização. Em 2023, o Pará reduziu o desmatamento em 21% (cerca de 890 km²), dados que servem de base para validar os primeiros créditos.</p>
<h3>Cenário na Amazônia</h3>
<p>O modelo jurisdicional do Pará reflete uma forte tendência na região. Acre e Tocantins também estão em etapas avançadas de validação pela ART, e Mato Grosso já iniciou o envio de documentos.</p>
<p>O Tocantins, inclusive, já possui negociações firmadas com a empresa suíça Mercuria Energy Trading para comercializar cerca de 50 milhões de créditos até o ano de 2030.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Fundo Amazônia lança prêmio de R$ 2,5 milhões para reconhecer guardiões da floresta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 16:12:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades tradicionais]]></category>
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		<category><![CDATA[destaque2]]></category>
		<category><![CDATA[floresta em pé]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/agricultura-sustentavel-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />O Fundo Amazônia deu um passo estratégico para fortalecer as populações que mantêm a floresta em pé. Nesta segunda-feira, 6, foi lançado o “Prêmio Fundo Amazônia &#8211; Conhecer e Reconhecer”. A iniciativa, fruto de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o BNDES, vai premiar 50 iniciativas locais [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/agricultura-sustentavel-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>O Fundo Amazônia deu um passo estratégico para fortalecer as populações que mantêm a floresta em pé. Nesta segunda-feira, 6, foi lançado o “Prêmio Fundo Amazônia &#8211; Conhecer e Reconhecer”. A iniciativa, fruto de uma parceria entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o BNDES, vai premiar 50 iniciativas locais com R$ 50 mil cada, totalizando um investimento de R$ 2,5 milhões.</p>
<p>O prêmio foca em organizações e coletivos que já desenvolvem ações concretas de proteção territorial e conservação ambiental na Amazônia Legal. Segundo Tereza Campello, diretora Socioambiental do BNDES, a premiação simboliza uma mudança de patamar no Fundo.</p>
<blockquote><p>“Desde 2023, o Fundo ampliou sua presença nos territórios e passa agora a apoiar diretamente iniciativas de povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, que já desempenham papel central na proteção da floresta. O prêmio reconhece e fortalece esses que são os principais guardiões da Amazônia”, afirmou ela, durante o Acampamento Terra Livre (ATL), em Brasília.</p></blockquote>
<h3>Inscrições</h3>
<p>As inscrições estão abertas até o dia 6 de julho de 2026. Podem participar coletivos e organizações autodeclaradas em três segmentos:</p>
<ul>
<li>Índígenas: 15 iniciativas selecionadas.</li>
<li>Quilombolas: 15 iniciativas selecionadas.</li>
<li>Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs): 20 iniciativas selecionadas.</li>
</ul>
<p>Para a secretária nacional de Povos e Comunidades Tradicionais e Desenvolvimento Rural Sustentável, a ação vai além do financeiro.</p>
<blockquote><p>“O prêmio valoriza não apenas os povos indígenas e as comunidades quilombolas, mas também a diversidade de povos e comunidades que atuam diretamente na proteção dos territórios e na conservação da Amazônia. Ao reconhecer esses sujeitos, evidencia modos de vida fundamentados no bem-estar coletivo, na relação equilibrada com a natureza e no desenvolvimento de tecnologias ancestrais, historicamente construídas e essenciais para a proteção do bioma amazônico”, destacou.</p></blockquote>
<p>Ela acrescentou ainda que a medida &#8220;fortalece a visibilidade e reafirma o papel estratégico desses povos como verdadeiros guardiões da sociobiodiversidade e detentores de direitos&#8221;.</p>
<h3>Critérios de seleção</h3>
<p>O processo será dividido em duas etapas: habilitação documental pelo BNDES e análise qualitativa por comissões interinstitucionais, que contam com a participação da COIAB, CONAQ e Rede PCTs.</p>
<p>Serão avaliados projetos já realizados que apresentem resultados em frentes como vigilância territorial, restauração ecológica, segurança alimentar e manejo integrado do fogo. Pontos como o protagonismo de mulheres, a participação de jovens e a transmissão de saberes ancestrais serão diferenciais na pontuação.</p>
<p>O cronograma prevê a divulgação dos vencedores em novembro de 2026, com eventos de premiação e visibilidade agendados para o final do ano. Detalhes e editais completos estão disponíveis no site oficial do Fundo Amazônia.</p>
<p><span style="font-size: 14px;">As inscrições vão até 6 de julho de 2026.</span></p>
<p dir="ltr">Todas as informações sobre o Prêmio Fundo Amazônia &#8211; Conhecer e Reconhecer estão disponíveis neste <a class="external-link" title="" href="https://www.fundoamazonia.gov.br/pt/premio-fundo-amazonia/" target="_self" data-tippreview-enabled="false" data-tippreview-image="" data-tippreview-title="" data-tippreview- rel="noopener">link </a>.</p>
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		<item>
		<title>Agrotóxicos sufocam comunidades tradicionais no Baixo Tapajós</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/agrotoxicos-sufocam-comunidades-tradicionais-no-baixo-tapajos/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Jan 2026 12:21:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[agrotóxicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/soja_tapajos-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Plantações de soja, agrotóxicos e grilagem de terras na Amazônia brasileira: esse é o cenário. Em meio ao vasto território, existe um mito de que a região florestal estaria vazia, apesar de os povos tradicionais tentarem manter suas formas de vida. Por 18 meses de estudo etnográfico, Fabio Zuker, pesquisador da Faculdade de Filosofia, Letras [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/soja_tapajos-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Plantações de soja, agrotóxicos e grilagem de terras na Amazônia brasileira: esse é o cenário. Em meio ao vasto território, existe um mito de que a região florestal estaria vazia, apesar de os povos tradicionais tentarem manter suas formas de vida.</p>
<p>Por 18 meses de estudo etnográfico, Fabio Zuker, pesquisador da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, investigou a expulsão por sufocamento no Baixo Tapajós devido ao uso de glifosato em plantações de soja de terras griladas. Os casos ilustram dificuldades respiratórias, alimentares e econômicas como formas de expulsar indígenas, quilombolas e ribeirinhos de suas terras.</p>
<p>O artigo intitulado <em>Expulsion by suffocation: Soybean plantations, toxicity, and land grabbing in the Brazilian Amazon</em> foi publicado na revista <em>Environment and Planning E: Nature and Space.</em></p>
<blockquote><p>“O sufocamento acontece de forma literal e metafórica. Literalmente, as pessoas não conseguem respirar devido à intensa aplicação de agrotóxicos. Elas se trancam em suas casas, relatando dificuldade para respirar”, conta Zuker.</p></blockquote>
<p>Em metáfora, é uma alusão à supressão da capacidade dessas comunidades manterem sua produção, seu modo de vida, manterem-se junto a esse território e às relações com outras espécies das quais dependem para viver. No trabalho, o pesquisador evidencia como um imaginário colonial-militar de vazio é produzido através de danos químicos lentos.</p>
<blockquote><p>“A ideia é que o vazio na Amazônia é produzido, e não natural. Foi criado ao longo da história, desde a Marcha para o Oeste no governo Vargas até o Plano de Integração Nacional da ditadura militar”, contextualiza.</p></blockquote>
<p>No trabalho de antropologia, o pesquisador quis dar um tratamento reflexivo e crítico ao processo de expulsão por sufocamento. Por isso, encarou a “farsa” do vazio como uma categoria que permite compreender o processo de fabricação da paisagem, na qual pequenos pedaços de floresta e comunidades escondem a dimensão da devastação ambiental.</p>
<blockquote><p>“O vazio é produzido pelas próprias atividades [violentas] que o ocupam, como o uso de agrotóxicos. Uma produção intencional desse espaço esvaziado” – Fabio Zuker</p></blockquote>
<h3>Violência e resistência</h3>
<p>No contexto da pesquisa, a expansão do agro é colocada como uma forma de morte induzida quimicamente pelo uso de agrotóxicos no Baixo Tapajós. Em conversa com lideranças das comunidades, o pesquisador constatou também a existência de uma floresta que é quase uma maquiagem. “Pequenos trechos de floresta na beira de estrada. São as bolhas que sobram aqui e ali”, indica Zuker.</p>
<p>Em diálogo com Beto, morador e trabalhador rural da região, o pesquisador chama essas bolhas de “farsa das comunidades”.</p>
<blockquote><p>“Só tem umas casinhas ali, na beira da estrada. E nada mais. Antes havia uma comunidade grande aqui. Só umas árvores ali. É tudo soja atrás”, relata o morador.</p></blockquote>
<p>A farsa indicada é criada pelas comunidades remanescentes e pelos fragmentos de mata que, da beira da estrada, escondem os vastos campos de soja que invadem a paisagem. De outro lado, o pesquisador destaca os processos de resistência para impedir toda essa lógica de “vazio”.</p>
<blockquote><p>“Tem um problema grande nas ciências sociais, que é focar exclusivamente numa narrativa da violência, da destruição, uma narrativa do apagamento. O que está colocado em jogo é uma tensão, é uma força que leva para a violência, para o apagamento, para o processo de sufocamento. Por outro lado, há uma resistência constante de coletivos indígenas, quilombolas, ribeirinhos que se contrapõe a essa expulsão”, continua.</p></blockquote>
<p>Ele alega que essa é uma forma de contra plantation ao se colocarem contra a incorporação de seus territórios numa lógica de violência do sistema de produção global de grãos e proteínas vegetais.</p>
<p>Uma casa antiga de madeira parcialmente escondida pela vegetação densa de tábuas claras já desgastadas tem um telhado simples e uma pequena abertura frontal da porta — tomada pela sombra e por plantas que cresceram para dentro do espaço. Arbustos, cipós e árvores envolvem quase toda a fachada, cobrindo paredes e avançando pelo telhado.</p>
<p>No território, existem múltiplos seres, não humanos ou humanos, defendendo o território para que ali se multipliquem outras formas de vida – Foto: Bruno Kelly</p>
<p>Junto com os tupinambás do Baixo Tapajós, a pesquisa resgatou a ideia de um território vivo em contraposição ao vazio. E em um lugar onde coexistem múltiplos seres: não humanos que têm um papel fundamental na defesa do território e defendem junto com os humanos a integridade dele para que ali se multipliquem outras formas de vida. “Todos esses encantados, esses outros seres que compõem esse território de múltiplas formas de vida, não somem. Eles têm a possibilidade de reaparecer e voltar esse léxico. Um processo de retomadas, de mobilizações contra o avanço do agronegócio”, explica o pesquisador.</p>
<h3>Soluções</h3>
<p>O esforço de documentar esse fenômeno da região amazônica vem de campos diferentes do saber, que buscam evidenciar a dimensão de danos causados por agrotóxicos. “Junto com análises de ciências sociais, conseguimos demonstrar também a partir de narrativas, de histórias de vida, de casos, um padrão de violência local”, explica Zuker. Essa complementaridade é necessária devido à dificuldade de produzir conhecimento sobre os efeitos de uma substância invisível que age no longo prazo.</p>
<p>“Além de ser difícil traçar os resultados por um período extenso, [a pesquisa nesse assunto] é também reprimida por conta de pessoas poderosas com muitos interesses e muita entrada na política local”, alerta. Ainda assim, ele defende que os índices de desenvolvimento humano das comunidades amazônicas devem acontecer com a floresta viva e em pé. “Nada indica que o desmatamento seja um caminho importante para que exista uma melhoria na vida dessas pessoas”, afirma. Pelo contrário, a floresta e os ecossistemas são partes fundamentais para essas populações de acordo com sua pesquisa.</p>
<p>Sobre o uso de agrotóxicos, Zuker defende melhores práticas regulatórias e de fiscalização para evitar a lógica de expulsão. “Um elemento fundamental é a não comercialização no Brasil de agrotóxicos que são proibidos nos seus países de origem”, indica. Contudo, ele ressalta a importância do diálogo de diferentes setores para promoção do respeito à existência ecológica e do conhecimento local nessas e em outras regiões que são ameaçadas pela monocultura e pela mineração.</p>
<p>O artigo intitulado Expulsion by suffocation: Soybean plantations, toxicity, and land grabbing in the Brazilian Amazon pode ser acessado <a href="https://journals.sagepub.com/doi/epub/10.1177/25148486251379616" target="_blank" rel="noopener">clicando aqui.</a></p>
<p><em>Fonte: Jornal da USP</em></p>
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		<title>Intoxicações por agrotóxicos crescem 545% com avanço da soja e milho no Pará</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 10 Dec 2025 15:16:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[agricultores familiares]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/12/soja_no_planalto_santareno-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />O avanço do agronegócio de soja e milho no oeste paraense está provocando uma grave crise de saúde pública, com os municípios do Planalto Santareno — Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos — registrando uma explosão de 545% nos casos de intoxicação por agrotóxicos nos últimos cinco anos. Segundo o Painel VSPEA do Ministério da [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/12/soja_no_planalto_santareno-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>O avanço do agronegócio de soja e milho no oeste paraense está provocando uma grave crise de saúde pública, com os municípios do Planalto Santareno — Santarém, Belterra e Mojuí dos Campos — registrando uma explosão de 545% nos casos de intoxicação por agrotóxicos nos últimos cinco anos.</p>
<p>Segundo o Painel VSPEA do Ministério da Saúde, a região somou 200 casos não intencionais entre 2021 e 2025 (contra 31 no quinquênio anterior), contribuindo com 10% do total de intoxicações do Pará na última década. Este ritmo de contaminação é quatro vezes maior que o aumento estadual, que foi de 150%.</p>
<p>O levantamento do Tapajós de Fato e <a href="https://reporterbrasil.org.br/2025/12/intoxicacoes-agrotoxicos-planalto-santareno-soja-milho-para/" target="_blank" rel="noopener">Repórter Brasil</a> mostra que a área de monocultura triplicou (para 217 mil hectares) em uma década, invadindo o entorno de comunidades indígenas (Munduruku e Apiaká), quilombolas e pequenos agricultores.</p>
<p>Líderes da aldeia Munduruku Açaizal, em Santarém, que é rotineiramente atingida por pulverizações, relatam a impossibilidade de manter o modo de vida.</p>
<blockquote><p>“Tem dias que a gente precisa sair de casa, parar de almoçar ou fechar a casa, porque não aguenta esse fedor. Dá ânsia”.</p></blockquote>
<p>Na aldeia Açaizal vivem cerca de 50 famílias da etnia Munduruku, que estão cercadas por vastos campos de soja e milho, resultando em uma rotina de exposição constante às pulverizações de agrotóxicos.</p>
<p>Uma liderança do território relembra a vida de antes, marcada pela abundância.</p>
<blockquote><p>“A gente tinha muitas riquezas naturais, caçava, pescava, colhia frutas. Ninguém passava necessidade”.</p></blockquote>
<p>Contudo, a paisagem foi drasticamente transformada a partir de 2003, impulsionada pela instalação do porto da Cargill em Santarém. O avanço das monoculturas substituiu as áreas de floresta por grandes lavouras.</p>
<p>Dados do sistema Prodes do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) apontam que o desmatamento acumulado em Belterra, Mojuí dos Campos e Santarém atingiu 97 mil hectares nos últimos 15 anos. O ritmo de devastação se acelerou recentemente, com 61 mil hectares de floresta derrubados apenas entre 2021 e 2025.</p>
<h3> Pesquisas da Ufopa e Evandro Chagas confirmam os danos</h3>
<p>A ciência produzida no Pará comprova a dimensão da ameaça. Pesquisas da Ufopa (Universidade Federal do Oeste do Pará) e do Instituto Evandro Chagas revelam que a exposição contínua ao veneno (sendo 90% dos casos ligados à soja) causa danos severos e crônicos:</p>
<ul>
<li>Danos neurológicos e crônicos: Um estudo da Ufopa apontou um aumento de 667% nas mortes por doenças do sistema nervoso em Belterra, com a doença de Alzheimer associada ao uso de agrotóxicos por idosos. Além disso, foram identificados déficits visuais em moradores próximos às plantações, indicando exposição contínua.</li>
<li>Glifosato e saúde feminina: Pesquisas na região associam o uso do glifosato a sintomas neurológicos e alterações na saúde reprodutiva das mulheres.</li>
</ul>
<p>“Tem comunidades inteiras que a gente só vê a soja mesmo”, conta Sileuza Barreto, presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Agricultura Familiar de Mojuí dos Campos. “As famílias que utilizavam os igarapés para seu próprio lazer ou para consumo, hoje em dia não usam mais por estarem impróprios”, continua.</p>
<h3>MPF aciona Justiça contra a omissão do Pará</h3>
<p>Diante da omissão de fiscalização – o próprio governo do Pará admitiu ao MPF nunca ter fiscalizado o Planalto Santareno até 2022 – o MPF (Ministério Público Federal) acionou a Justiça Federal. A Procuradoria cobra da União, do estado e da prefeitura de Santarém um “plano emergencial” que garanta distâncias mínimas de segurança entre a pulverização e as aldeias, quilombos e escolas. O MPF sustenta que a omissão na fiscalização coloca vidas em risco.</p>
<p>A luta das comunidades, como afirma a liderança Munduruku, é pela existência.</p>
<blockquote><p>“A gente quer continuar vivendo aqui, onde nossos antepassados estão enterrados. É o nosso lar, o nosso território sagrado”.</p></blockquote>
]]></content:encoded>
					
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		<title>COP30 debate papel vital dos quilombolas na preservação da florestas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 14 Nov 2025 15:33:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[COP30]]></category>
		<category><![CDATA[Conservação Internacional]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque4]]></category>
		<category><![CDATA[presebração]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[quilombos]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/quilombo-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Um novo estudo científico publicado na revista Communications Earth &#38; Environment, do grupo Nature Portfolio, forneceu um argumento fundamental para a defesa de territórios quilombolas: a preservação ambiental. A pesquisa, que analisou terras quilombolas no Brasil, Colômbia, Equador e Suriname, provou que as áreas geridas por esses povos coincidem com locais de alta biodiversidade e [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/quilombo-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p data-path-to-node="1">Um novo estudo científico publicado na revista <i>Communications Earth &amp; Environment, do </i>grupo Nature Portfolio, forneceu um argumento fundamental para a defesa de territórios quilombolas: a preservação ambiental.</p>
<p data-path-to-node="2">A pesquisa, que analisou terras quilombolas no Brasil, Colômbia, Equador e Suriname, provou que as áreas geridas por esses povos coincidem com locais de alta biodiversidade e grande estoque de carbono irrecuperável — aquele que, se perdido, leva mais de 30 anos para ser recuperado.</p>
<p data-path-to-node="2">Este tema será o foco do evento “Raízes Resistentes: mulheres afrodescendentes pela justiça climática e biodiversidade”, que acontece neste sábado (15), durante a COP30, no Museu Goeldi, a partir das 10h.</p>
<p data-path-to-node="7">O artigo, o primeiro a combinar dados estatísticos, espaciais e históricos para quantificar este papel, enfatiza que, apesar das contribuições concretas, as vozes e experiências dos povos afrodescendentes são frequentemente negligenciadas em fóruns globais de clima e biodiversidade.</p>
<p data-path-to-node="7">A gestão histórica desses povos gerou resultados ambientais concretos, como a redução na perda florestal entre 29% e 55%, em comparação com outras áreas. Embora ocupem menos de 1% do território total dos quatro países, essas terras armazenam mais de 486 milhões de toneladas de carbono irrecuperável, superando a média nacional combinada, e se sobrepõem a 46% das espécies de vertebrados ameaçadas nos países estudados.</p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“As comunidades quilombolas, no Brasil, e outros povos afrodescendentes nos países vizinhos, com suas histórias de resistência e sabedoria ancestral sobre a natureza, não apenas conservam as florestas, mas oferecem o caminho para respostas rápidas e eficazes às mudanças climáticas”, ressalta Martha Rosero, da Conservação Internacional e autora do estudo, que estará no debate.</span></p></blockquote>
<p>Para ela, o<span style="font-weight: 400;"> reconhecimento formal de terras, como os territórios quilombolas titulados, é, portanto, um mecanismo eficaz para garantir não apenas a justiça social, mas também a integridade dos biomas e o cumprimento de metas globais de conservação e clima.</span></p>
<p data-path-to-node="2">O debate contará ainda com a participação de Fran Paula (Conaq), Valéria Carneiro (Fundo Quilombola Mizizi Dudu), Vanuza Cardoso (Quilombo Abacatal), Margaret Rugadya (Tenure Facility) e a autora do estudo, Martha Rosero (Conservação Internacional).</p>
<h3 data-path-to-node="2">Pesquisa mostra vulnerabilidade dos quilombolas</h3>
<p data-path-to-node="2">Um estudo inédito lançado pelo Instituto Sumaúma nesta quinta-feira (13), na COP30, revela o quanto estes territórios tão importantes para a conservação da floresta são vulneráveis.</p>
<p data-path-to-node="2">Entre a crise climática e a violação de direitos humanos nos territórios quilombolas brasileiros, a pesquisa, intitulada <i>Corpos-territórios quilombolas e o fio conectado da ancestralidade</i>, aponta que invasões e garimpo ilegal ocorrem em quase 60% das comunidades quilombolas no país.</p>
<p data-path-to-node="2">Os dados demonstram que esses territórios são altamente vulneráveis:</p>
<ul data-path-to-node="3">
<li>
<p data-path-to-node="3,0,0">54,7% dos territórios já reportam secas extremas.</p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="3,1,0">43,4% sofrem com a perda de suas plantações.</p>
</li>
<li>
<p data-path-to-node="3,1,0">64,2% das lideranças encontram dificuldades para captar recursos devido ao racismo estrutural e à exclusão por parte do ecossistema de filantropia.</p>
</li>
<li>A urgência das comunidades está concentrada em racismo (87%), demanda por políticas públicas (85%) e educação (77,4%).</li>
</ul>
<h3></h3>
]]></content:encoded>
					
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		<title>&#8216;Barqueata&#8217; no Rio Guamá abre Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 12 Nov 2025 11:06:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[COP30]]></category>
		<category><![CDATA[agricultores]]></category>
		<category><![CDATA[Barqueata da Cúpula]]></category>
		<category><![CDATA[Cúpula dos Povos]]></category>
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		<category><![CDATA[destaque3]]></category>
		<category><![CDATA[indígenas]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/Caravana-da-Resposta-–-Credito_-Coletivo-Apoena-Cultural.JPG-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Nesta quarta-feira (12), a partir das 9h, acontece a abertura da Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30, que ocorrerá na Baía do Guajará, em frente à capital paraense. Mais de 200 embarcações transportarão cerca de 5 mil pessoas na Barqueata da Cúpula, que reunirá caravanas de diversos municípios, estados e países. O objetivo central [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/Caravana-da-Resposta-–-Credito_-Coletivo-Apoena-Cultural.JPG-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Nesta quarta-feira (12), a partir das 9h, acontece a abertura da Cúpula dos Povos, evento paralelo à COP30, que ocorrerá na Baía do Guajará, em frente à capital paraense. Mais de 200 embarcações transportarão cerca de 5 mil pessoas na Barqueata da Cúpula, que reunirá caravanas de diversos municípios, estados e países.</p>
<p>O objetivo central do protesto é denunciar o que os organizadores classificam como &#8220;falsas soluções climáticas&#8221; e destacar que a resposta para a sustentabilidade global reside nas práticas coletivas, agroecológicas e ancestrais dos povos das águas, das florestas e das periferias.</p>
<p>A barqueata partirá da Universidade Federal do Pará (UFPA) e seguirá margeando o Rio Guamá, entrando na Baía do Guajará, até a Vila da Barca. O percurso de sete milhas náuticas, estimado em duas horas (dependendo da maré), visa expor as contradições urbanas da cidade-sede. A Vila da Barca, uma área de palafitas, é um enclave social que vive com graves problemas de saneamento básico e anos de resistência contra a especulação imobiliária.</p>
<p>Organizado por diversas frentes como povos indígenas, quilombolas, agricultores, movimentos de mulheres e juventude, a Cúpula dos Povos conta com 15 mil credenciados que, até o dia 16, debaterão para encontrar soluções à crise climática, a partir da perspectiva daqueles mais afetados por ela.</p>
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		<title>Casal transforma tenda em restaurante de influência ribeirinha de olho na COP30</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Aug 2025 13:10:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[Delícias do Bosque]]></category>
		<category><![CDATA[Prepara Gastronomia]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[Sebrae]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.13.18-e1755103388765-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Tereza Coelho Lançado em março de 2025, o programa Prepara Gastronomia tem o objetivo de qualificiar os negócios do setor para o aumento da demanda durante a COP 30, que acontece em novembro em Belém. A expectativa é aumentar a circulação de turistas na capital paraense, baseada nos 50 mil visitantes estimados pelo governo [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.13.18-e1755103388765-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p>Lançado em março de 2025, o programa Prepara Gastronomia tem o objetivo de qualificiar os negócios do setor para o aumento da demanda durante a COP 30, que acontece em novembro em Belém. A expectativa é aumentar a circulação de turistas na capital paraense, baseada nos 50 mil visitantes estimados pelo governo brasileiro.</p>
<p>Desde então, 90 empreendimentos em todo o Pará estão recebendo consultorias, cursos, oficinas, mentorias e orientações técnicas aos empreendedores inscritos, com subsídio do Sebrae. Agora, faltando 89 dias para o evento, os resultados começam a aparecer.</p>
<p>Um dos empreendimentos que fazem parte do programa é o restaurante Delícias do Bosque, liderado pelo casal de quilombolas Eduardo Cravo e Ana Maria Batista.</p>
<p>O casal, que se conheceu em Belém, iniciou o negócio na capital paraense em 2012 para complementar a renda e sair do aluguel. Treze anos depois, o que começou com uma tenda em uma praça no centro da cidade, agora é um ponto comercial no Parque da Cidade, que vai receber as principais programações da COP30, e um faturamento mensal de R$ 60 mil reais.</p>
<p>Eduardo Cravo conta que, no ínicio, a ideia era vender café da manhã em uma tenda na Praça Valdemar Henrique para complementar a renda, Na época, ele trabalhava como carregador de malas e Ana Maria em serviços gerais.</p>
<blockquote><p>“Essa tenda na praça funcionava só nos finais de semana, que era quando a gente podia. Com o tempo, as pessoas começaram a perguntar se a gente tinha um restaurante, um lugar fixo. A gente começou pra dar uma melhorada na renda, pagar as contas e comprar nossa casa própria, mas veio a oportunidade de algo ainda melhor que hoje ajuda a família toda”, narra.</p></blockquote>
<figure id="attachment_36077" aria-describedby="caption-attachment-36077" style="width: 701px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-36077" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.45.15-e1755103698247-300x207.jpeg" alt="" width="701" height="484" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.45.15-e1755103698247-300x207.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.45.15-e1755103698247-1024x707.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.45.15-e1755103698247-768x530.jpeg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.45.15-e1755103698247-150x104.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.45.15-e1755103698247-450x311.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.45.15-e1755103698247-1200x829.jpeg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.45.15-e1755103698247.jpeg 1270w" sizes="(max-width: 701px) 100vw, 701px" /><figcaption id="caption-attachment-36077" class="wp-caption-text">O casal na época em que vendiam café da manhã na tenda, no centro de Belém. Foto: arquivo pessoal</figcaption></figure>
<p>Hoje, o negócio oferece refeições que recriam a memória familiar e sua influência ribeirinha e quilombola.</p>
<blockquote><p>“Eu nasci no quilombo Burajuba, em Barcarena e a Ana Maria no quilombo Gurupá, em Cachoeira do Arari, na Ilha do Marajó. Com o aumento da procura pelo que a gente produz, incluímos pratos que a gente comia desde a infância e ajudaram a gente a criar nossos filhos”, relembra Eduardo, pai de Ewerton, Edielton e Edney, que colaboram com o negócio de acordo com suas habilidades.</p></blockquote>
<p>Eduardo destaca que hoje os desafios são outros, mas que conta com a própria história e o apoio oferecido pelo Prepara Gastronomia para dar passos ainda maiores.</p>
<blockquote><p>“É uma responsabilidade muito grande receber toda essa gente que vem pra COP, mas é uma oportunidade importante pra gente vender nossos serviços e mostrar nossa história e herança em cada prato servido, porque nessa hora a gente também representa o Pará e o Brasil, diz”.</p></blockquote>
<figure id="attachment_36076" aria-describedby="caption-attachment-36076" style="width: 708px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-36076" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.13.19-300x193.jpeg" alt="" width="708" height="456" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.13.19-300x193.jpeg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.13.19-1024x658.jpeg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.13.19-150x96.jpeg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.13.19-450x289.jpeg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.13.19-1200x771.jpeg 1200w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-13-at-13.13.19.jpeg 1284w" sizes="(max-width: 708px) 100vw, 708px" /><figcaption id="caption-attachment-36076" class="wp-caption-text">Um dos pratos servidos no Delícias do Bosque. Foto: Delícias do Bosque</figcaption></figure>
<h3>Personalização</h3>
<p>Rubens Magno, diretor superintendente do Sebrae no Pará, explica que a personalização é a chave para o planejamento adequado das estratégias com as empresas participantes.</p>
<blockquote><p>“O Pará é o segundo estado do Brasil (o primeiro foi Minas Gerais) a executar a metodologia do Prepara Gastronomia, que envolve as áreas de gestão financeira, operacional e vendas. Atualmente temos 90 clientes em atendimento, com cinco turmas em andamento em três regiões do estado (Grande Belém, Região de Integração do Guamá e Baixo Tocantins), que devem concluir a capacitação no final de outubro”, diz.</p></blockquote>
<p>Rubens destaca que o atendimento personalizado é fundamental para que as etapas do programa façam sentido para cada empreendedor.</p>
<blockquote><p>“A ideia é que os empreendedores possam adotar os conhecimentos adquiridos em seus negócios para potencializar vendas e realizar um bom atendimento, sobretudo neste ano em que vamos receber milhares de visitantes”.</p></blockquote>
<p>Ele também reforça que ainda há vagas abertas para as empresas que quiserem fazer parte do programa: “Os empreendedores de que desejem aderir ao programa, podem se inscrever com as equipes de atendimento do Sebrae Pará nas 13 agências regionais”</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Estudo mostra como afrodescendentes ajudam a manter a floresta amazônica</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/estudo-aponta-como-afrodescendentes-ajudam-a-manter-a-floresta-amazonica/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Paloma Lobatto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 23 Jul 2025 12:54:10 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[comunidades afrodescendentes]]></category>
		<category><![CDATA[conservação ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/07/photo_4900152510862438021_x-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Territórios ocupados por comunidades afrodescendentes no Brasil, Colômbia, Equador e Suriname apresentam taxas de desmatamento até 55% menores do que áreas similares sem reconhecimento legal, de acordo com estudo publicado nesta semana na revista científica Communications Earth &#38; Environment, do grupo Nature. Conduzida pela ONG Conservation International, a pesquisa analisou 21 anos de dados estatísticos, [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/07/photo_4900152510862438021_x-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Territórios ocupados por comunidades afrodescendentes no Brasil, Colômbia, Equador e Suriname apresentam taxas de desmatamento até 55% menores do que áreas similares sem reconhecimento legal, de acordo com estudo publicado nesta semana na revista científica Communications Earth &amp; Environment, do grupo Nature.</p>
<p>Conduzida pela ONG Conservation International, a pesquisa analisou 21 anos de dados estatísticos, espaciais e históricos para medir o <a href="https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/manejo-de-bacurizais-evita-desmatamento-e-melhora-renda-de-agricultoras-quilombolas/">impacto das comunidades afrodescendentes, como os quilombolas, na preservação ambiental</a>. Os resultados indicam que essas terras não apenas enfrentam menor perda florestal, como também apresentam níveis mais elevados de biodiversidade e retenção de carbono.</p>
<blockquote><p>“Durante séculos, comunidades afrodescendentes administraram paisagens de maneiras que sustentam tanto as pessoas quanto a natureza, mas suas contribuições permanecem em grande parte invisíveis na conservação convencional”, disse Sushma Shretha, Ph.D., diretora de Ciência, Pesquisa e Conhecimento Indígena da Conservation International e principal autora do artigo. “Esta pesquisa deixa claro que sua gestão ambiental não é apenas histórica. É contínua e deve ser reconhecida, apoiada e aprendida.</p></blockquote>
<p>As terras quilombolas apresentam taxas de desmatamento mais baixas mesmo quando comparadas a unidades de conservação, segundo pesquisa publicada na Communications Earth &amp; Environment. O estudo revela que <a href="https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/para-tem-a-maior-proporcao-de-quilombolas-em-territorios-titulados-do-pais-segundo-o-ibge/" target="_blank" rel="noopener">áreas protegidas com titulação</a> registram, em média, 29% menos desmatamento do que aquelas sem reconhecimento formal. Fora das unidades de conservação, a redução alcança 36%. Nas bordas dessas áreas, o efeito é ainda mais expressivo: queda de até 55% na perda florestal.</p>
<p>Embora representem apenas 1% do território dos quatro países analisados — Brasil, Colômbia, Equador e Suriname —, mais da metade das terras afrodescendentes estão localizadas entre os 5% de áreas com maior biodiversidade do planeta.</p>
<blockquote><p>“Povos afrodescendentes nas Américas têm atuado como gestores ambientais há muito tempo, sem reconhecimento ou recompensa — a maioria de seus territórios nem sequer é formalmente reconhecida”, disse Martha Cecilia Rosero Peña, Ph.D., Diretora de Inclusão Social da Conservation International. “As evidências, no entanto, são incontestáveis; o mundo tem muito a aprender com suas práticas de gestão de terras.”</p></blockquote>
<p>A pesquisa também destaca que os territórios quilombolas analisados armazenam mais de 486 milhões de toneladas de carbono irrecuperável — tipo de carbono que, se liberado por desmatamento ou degradação, não pode ser restaurado em tempo hábil para conter os efeitos mais severos da crise climática.</p>
<p>O líder quilombola do povo saramaka, do Suriname, e vencedor do Prêmio Goldman de 2009 por direitos territoriais de afrodescendentes, Hugo Jabini, disse esperar que, com o estudo, que a visibilidade dos afrodescendentes como guardiões da florestas aumente e os líderes políticos não vejam mais quilombolas  como meros reivindicadores de terras.</p>
<blockquote><p>&#8221;<a href="https://www.paraterraboa.com/cop30/quilombolas-pedem-maior-participacao-em-debates-sobre-a-cop30/" target="_blank" rel="noopener">A participação em fóruns internacionais como a COP30</a> pode aumentar significativamente a visibilidade, a representação e a influência da liderança afrodescendente na política ambiental global, contribuindo para uma governança mais equitativa e ambiental&#8221;, acrescentou Jabini.</p></blockquote>
<p>As terras quilombolas no Brasil representam 39% das áreas avaliadas no estudo e se sobrepõem a 87 unidades de conservação, entre elas o Parque Nacional do Jaú, na Amazônia, considerado de relevância global. Apenas nos territórios quilombolas localizados em florestas tropicais, áreas úmidas e pantanosas do país, estão armazenadas 172,9 milhões de toneladas de carbono irrecuperável, o que equivale a 36% do total identificado nos quatro países analisados.</p>
<h3>Florestas alimentares</h3>
<p>As práticas de manejo da terra de povos afrodescendentes vêm da sabedoria de seus ancestrais, que, fugindo da escravidão, desenvolveram a &#8220;agricultura de fuga&#8221; em locais remotos das Américas. Essas técnicas inovadoras, como as &#8220;florestas alimentares&#8221;, misturaram conhecimentos africanos com novos ambientes, criando ecossistemas resilientes que se tornaram importantes para a biodiversidade e o armazenamento de carbono. Apesar de sua comprovada eficácia, o estudo destaca que a gestão ambiental e os direitos à terra desses povos, assim como os de indígenas e comunidades locais, ainda são subestimados.</p>
<p>O estudo aponta que, assim como no caso dos povos indígenas e comunidades locais, a administração ambiental e os direitos à terra dos afrodescendentes ainda são subestimados. Isso acontece apesar de um vasto conjunto de evidências científicas que comprovam a importância de suas práticas para a conservação ambiental.</p>
<ol>
<li><a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/obidos-atinge-100-dos-territorios-quilombolas-com-cadastro-ambiental-rural/" target="_blank" rel="noopener"><strong>Reconhecimento legal</strong></a> dos territórios afrodescendentes para garantir sua proteção contínua;</li>
<li><strong>Aumento da investigação e do financiamento</strong> para apoiar os afrodescendentes e o seu trabalho de conservação; e</li>
<li><strong>Integração de práticas sustentáveis de gestão de terras</strong> usadas por povos afrodescendentes em políticas globais de clima e biodiversidade</li>
</ol>
<blockquote><p>“Os afrodescendentes protegem a biodiversidade e gerenciam ecossistemas há séculos, utilizando práticas sofisticadas de conservação que o mundo está apenas começando a compreender”, acrescentou Rosero Peña “Sua liderança não se resume apenas a preservar o passado, mas também a moldar o futuro das políticas climáticas e de conservação. Ao trabalharmos lado a lado com esses povos afrodescendentes, estamos fortalecendo soluções baseadas na natureza que beneficiam tanto as pessoas quanto o planeta.”</p></blockquote>
<p>.<strong>LEIA MAIS: </strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/gente-da-terra/para-tem-a-maior-proporcao-de-quilombolas-em-territorios-titulados-do-pais-segundo-o-ibge/" target="_top">Pará tem a maior proporção de quilombolas em territórios titulados do País, segundo o IBGE</a></strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/cop30/quilombolas-pedem-maior-participacao-em-debates-sobre-a-cop30/" target="_top">Quilombolas pedem maior participação em debates sobre a COP30</a></strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/nova-lei-de-compensacao-ambiental-fortalece-unidades-de-conservacao/">Nova Lei de Compensação Ambiental fortalece Unidades de Conservação</a></strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/projetos-de-recomposicao-florestal-com-comunidades-quilombolas-avancam-no-oeste-paraense/">Projetos de recomposição florestal com comunidades quilombolas avançam no oeste paraense</a></strong></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Emater incentiva cadeia produtiva do arroz na agricultura familiar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Paloma Lobatto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 03 Jul 2025 14:25:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[AGRICULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura familiar]]></category>
		<category><![CDATA[indígenas]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/07/Emater-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) está articulando ações de incentivo para que indígenas e quilombolas voltem a plantar arroz ou iniciem comercialmente a atividade. A finalidade do Programa interministerial Arroz da Gente, oficializado no Pará pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é a retomada da cadeia produtiva [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/07/Emater-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>A Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) está articulando ações de incentivo para que indígenas e quilombolas voltem a plantar arroz ou iniciem comercialmente a atividade.</p>
<p>A finalidade do Programa interministerial Arroz da Gente, oficializado no Pará pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), é a retomada da cadeia produtiva do arroz pela agricultura familiar como um todo, com destaque aos povos originários e comunidades tradicionais, depois de um hiato histórico provocado sobretudo pela falta de acesso a tecnologias e de oportunidades de comercialização. O programa tem à frente os Ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).</p>
<blockquote><p>“Pensamos o arroz como elemento-chave de cultura alimentar, no sentido de subsistência e segurança nutricional, porque é um produto que faz parte do dia a dia do brasileiro e compõe da cesta-básica à merenda escolar”, destaca a coordenadora técnica da Emater, a médica-veterinária Cristiane Corrêa, mestra em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável.</p></blockquote>
<p>De acordo com relatórios de execução e planejamento da Emater, existe potencial imediato de resgate de tradição em municípios como São Sebastião da Boa Vista, no Marajó, e em Santa Luzia do Pará, no Rio Caeté.</p>
<h3><strong>Parceria institucional</strong></h3>
<p>Um acordo de cooperação técnica (act) entre Emater e a Conab deve ser assinado, ainda este mês, para a mobilização de famílias com interesse no cultivo do arroz crioulo e agroecológico, tanto em várzea como em terra alta, com baixo impacto ambiental, para guarnecimento de demandas de mercados institucionais, a exemplo do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).</p>
<p>A superintendente da Conab no Pará, Rosanna Vallinoto, explica algumas diretrizes: “Apoio ao fomento, à estruturação produtiva, resgate, multiplicação, intercâmbio de sementes, comercialização e todo o segmento da produção &#8211; e também a equipamentos para armazenagem e processamento. Busca-se, com isso, facilitar o acesso a tecnologias que possam ser adaptadas à realidade de cada lugar &#8211; pequenas máquinas, colheitadeiras, elaboração de silos e secadores de pequeno porte, para que o agricultor consiga produzir, beneficiar e estocar o produto”, detalha.</p>
<p>Ainda de acordo com a gestora, o Emater atua com papel importante para os programas governamentais.</p>
<blockquote><p>&#8220;A Emater consegue chegar de forma direta, conceitual e presencial ao nosso público, que é o agricultor familiar, no apoio à produção, à plantação de produtos alimentícios que vão para a mesa do povo”, finaliza.</p></blockquote>
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		<title>Guardiões da floresta: uma aliança pela vida na Terra</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 02 Jun 2025 12:33:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[cientistas]]></category>
		<category><![CDATA[floresta]]></category>
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		<category><![CDATA[papa Francisco]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[quilombolas]]></category>
		<category><![CDATA[Semana do Meio Ambiente]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/06/rios_amazonia-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Na semana em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, voltamos nossos olhares para a urgência da proteção do planeta, nossa casa comum. Em meio aos desafios crescentes das mudanças do clima e da perda de biodiversidade, surge uma aliança poderosa e diversa: os guardiões da floresta. Eles são [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/06/rios_amazonia-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Na semana em que se celebra o Dia Mundial do Meio Ambiente, em 5 de junho, voltamos nossos olhares para a urgência da proteção do planeta, nossa casa comum. Em meio aos desafios crescentes das mudanças do clima e da perda de biodiversidade, surge uma aliança poderosa e diversa: os guardiões da floresta. Eles são um grupo diverso, de origem e trajetória diferentes, mas compartilham um compromisso vital com a preservação da vida na Terra. De povos indígenas e comunidades quilombolas a cientistas e líderes espirituais como o Papa Francisco, um coro  clama pela defesa da natureza.</p>
<h3>Indígenas e Quilombolas na Linha de Frente</h3>
<p>Na linha de frente da conservação, encontramos os povos indígenas e as comunidades quilombolas. Seus territórios, muitas vezes cobiçados pela exploração predatória, funcionam como verdadeiros escudos verdes contra o desmatamento. Estudos comprovam que as taxas de perda florestal em Terras Indígenas e Territórios Quilombolas são significativamente menores do que em áreas vizinhas. Isso não é coincidência, mas resultado de uma relação ancestral com a terra, baseada no respeito, no conhecimento profundo dos ciclos naturais e em práticas de manejo sustentável passadas de geração em geração.</p>
<p>Essas comunidades não são apenas habitantes da floresta; são parte intrínseca dela. Seu modo de vida, sua cultura e sua espiritualidade estão entrelaçados com a biodiversidade que ajudam a proteger. Reconhecer seus direitos territoriais e apoiar sua luta não é apenas uma questão de justiça social, mas uma estratégia fundamental e eficaz para a conservação ambiental em larga escala. Eles são os guardiões originais, detentores de um saber tradicional essencial para enfrentarmos a crise climática.</p>
<h3>Entender para Preservar</h3>
<p>Ao lado do conhecimento tradicional, a ciência desempenha um papel insubstituível. Pesquisadores e cientistas dedicam suas vidas a desvendar a complexa teia da vida nas florestas, monitorar os impactos das atividades humanas e das mudanças climáticas, e desenvolver soluções inovadoras para a conservação e restauração.</p>
<p>São eles que nos fornecem dados cruciais sobre a perda de espécies, a saúde dos ecossistemas e os riscos futuros, como a expansão de doenças associadas a desequilíbrios ambientais. Através de tecnologias como sensoriamento remoto, modelagem computacional e análises genéticas, a ciência amplia nossa capacidade de diagnóstico e ação. A colaboração entre cientistas e comunidades locais, unindo o rigor metodológico ao saber tradicional, tem se mostrado cada vez mais promissora para encontrar caminhos sustentáveis.</p>
<p>A Voz da Consciência: Líderes Espirituais e a Ecologia Integral</p>
<p>O chamado à proteção ambiental ecoa também em esferas espirituais e éticas. Líderes religiosos, como o Papa Francisco, têm sido vozes influentes na conscientização global sobre a crise ecológica. Com sua encíclica Laudato Si&#8217;, publicada em 2015, Francisco trouxe o conceito de &#8220;ecologia integral&#8221; para o centro do debate, argumentando que a crise ambiental está intrinsecamente ligada à crise social.</p>
<p>Ele nos convida a reconhecer que &#8220;tudo está conectado&#8221; e que o cuidado com a natureza é inseparável do cuidado com os mais pobres e vulneráveis, que são frequentemente os mais afetados pela degradação ambiental. Essa perspectiva moral e ética reforça a urgência da ação e inspira milhões de pessoas ao redor do mundo a repensarem sua relação com o planeta e a adotarem estilos de vida mais sustentáveis e solidários.</p>
<h3>Uma Aliança pela Vida</h3>
<p>Na Semana Mundial do Meio Ambiente, o <strong>Pará Terra Boa</strong> celebra essa rica diversidade de pessoas , que, cada  um com suas ferramentas, conhecimentos e perspectivas únicas, contribui para a tarefa monumental de proteger nossas florestas e garantir um futuro mais equilibrado e justo.</p>
<p>A partir de hoje, você conhecer muitas pessoas que fazem parte dessa aliança. Apoiar os guardiões da floresta, ouvir suas vozes, valorizar seus conhecimentos e garantir seus direitos é investir no futuro de todos nós. A proteção da nossa casa comum é uma responsabilidade compartilhada, e a união desses diversos saberes e ações é a nossa maior esperança.</p>
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