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	<title>Pedro Loureiro &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Açaí, peixe e mandioca: como os produtos da floresta protegem o Pará da inflação global</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Tereza Coelho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 15:57:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[Abastecimento de alimentos]]></category>
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		<category><![CDATA[Produção de alimentos no Pará]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/04/up_ag_38473_a4bb0b79-9c13-e0fa-21c6-e140e0f35ca7-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Tereza Coelho Enquanto o cenário internacional amarga 40 dias de tensão entre potências como Estados Unidos, Israel e Irã, provocando uma disparada global no preço do petróleo e dos fertilizantes, o Pará encontra na própria biodiversidade um &#8220;amortecedor&#8221; contra a inflação. Diferente de outras regiões do País, onde a alta do dólar encarece imediatamente [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/04/up_ag_38473_a4bb0b79-9c13-e0fa-21c6-e140e0f35ca7-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Tereza Coelho</em></p>
<p>Enquanto o cenário internacional amarga 40 dias de tensão entre potências como Estados Unidos, Israel e Irã, provocando uma disparada global no preço do petróleo e dos fertilizantes, o Pará encontra na própria biodiversidade um &#8220;amortecedor&#8221; contra a inflação.</p>
<p>Diferente de outras regiões do País, onde a alta do dólar encarece imediatamente a cesta básica, a força da produção regional de alimentos cria uma blindagem parcial para o consumidor local.</p>
<p>Em entrevista ao <strong>Pará Terra Boa</strong>, o economista e professor do Instituto Federal do Pará (IFPA), Pedro Loureiro, afirma que essa menor dependência de cadeias logísticas globais permite que o estado sinta os efeitos da crise de forma mais lenta e menos intensa, reforçando a importância estratégica dos produtos que vêm da floresta.</p>
<blockquote><p>“A produção local funciona como um amortecedor inflacionário importante”, declara.</p></blockquote>
<p>Segundo ele, o impacto na economia paraense existe, mas segue um caminho diferente do observado em outras regiões do país.</p>
<blockquote><p>“(Os impactos da crise) chegam de forma indireta via preços internacionais e cadeias logísticas. Esses conflitos tendem a pressionar o preço do petróleo e dos fretes marítimos, o que acaba encarecendo insumos, transporte e, por consequência, produtos”, explica.</p></blockquote>
<p>Na prática,  produtos regionais como açaí, pescado, mandioca e hortifrutigranjeiros até podem ficar mais caros se o conflito se prolongar, mas o reajuste tende a ser menor.</p>
<blockquote><p>“Isso não elimina a inflação, mas suaviza seus efeitos no consumo cotidiano”, resume.</p></blockquote>
<h3>Reação em cadeia</h3>
<p>Em situações como essa, a primeira reação costuma ser a pressão inflacionária sobre o petróleo e as exportações de commodities minerais e agropecuárias. Em seguida, há uma valorização intensa do dólar, o que prejudica quase imediatamente estados e países que importam mais do que exportam, cenário que não se aplica ao Pará.</p>
<p>Segundo dados do Comex Stat, sistema do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), o Pará é um estado exportador e, por isso, tem menor dependência externa nesses aspectos.</p>
<p>Em 2025, por exemplo, o estado registrou mais de US$ 24 bilhões em exportações, ocupando a 5ª posição no ranking nacional e concentrando 7% das vendas externas do país.</p>
<blockquote><p>“O Pará é um estado exportador, então pela falta de dependência dessa longa cadeia, os impactos chegam depois e forma menos intensa. O principal problema é gerado na exportação é relacionado à volatilidade dos preços, que pode afetar margens de lucro e previsibilidade de receitas”, destaca.</p></blockquote>
<p>Apesar da vantagem, o economista faz um alerta: a cesta básica do paraense pode ser afetada se o conflito se prolongar, principalmente por causa da relação direta entre combustíveis, fertilizantes e produtos industrializados com o mercado internacional.</p>
<blockquote><p>“Há uma redução da intensidade da inflação em determinados itens, mas não uma imunidade ao fenômeno inflacionário global, então essa blindagem é parcial. Afinal, se o conflito se estender, os produtos locais também sofrerão aumento nos custos do transporte interno e nos insumos agrícolas utilizados”, explica.</p></blockquote>
<h3>Poderia ser melhor</h3>
<p>Pedro ressalta ainda que, embora o Pará tenha uma vantagem produtiva, esse potencial ainda é pouco aproveitado. Segundo ele, a proteção econômica poderia ser maior se o estado investisse em um modelo produtivo que vá além da exportação de produtos primários. Este avanço abriria margens para mais ganhos logísticos e maior integração entre produtores e mercado.</p>
<blockquote><p>“Investimentos em infraestrutura, armazenamento e distribuição seriam fundamentais para ampliar esse efeito de proteção. Unir a diversificação de mercados com agregação de valor, eficiência logística e gestão de risco são lições estratégicas fundamentais para aproveitar mais este potencial”, defende.</p></blockquote>
<p>Para o especialista, investir em mudanças estruturais é essencial para aumentar a segurança da economia local. Isso porque crises internacionais são recorrentes e tendem a se tornar mais frequentes no futuro, impulsionadas por desafios como as crises climática e energética.</p>
<blockquote><p>“Choques geopolíticos tendem a ser recorrentes. Portanto, a resiliência econômica passa a ser um elemento central para proteger a população e a economia local. Deve ser uma estratégia central e não um acessório”, comenta.</p></blockquote>
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