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	<title>Oppata &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>&#8216;Se não fosse a pimenta-do-reino, não existiríamos aqui&#8217;, diz produtor japonês</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 02 Sep 2021 16:35:51 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/09/prodserv_50-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />É difícil falar em pimenta-do-reino sem lembrar de Tomé-Açu. Essa associação se tornou possível quando o município, localizado no nordeste do Pará, ganhou destaque como o maior produtor paraense da mais famosa especiaria do mundo. E mais que isso, a história da cidade está tradicionalmente ligada à da pimenta, que chegou ao Pará pelas mãos [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/09/prodserv_50-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p class="p1">É difícil falar em pimenta-do-reino sem lembrar de Tomé-Açu. Essa associação se tornou possível quando o município, localizado no nordeste do Pará, ganhou destaque como o maior produtor paraense da mais famosa especiaria do mundo. E mais que isso, a história da cidade está tradicionalmente ligada à da pimenta, que chegou ao Pará pelas mãos dos imigrantes japoneses no ano de 1933 com mudas da cultivar Cingapura.</p>
<p class="p1">Em reconhecimento ao forte elo, foi criada uma lei estadual estabelecendo que todos os anos, em 1º de setembro, é comemorado o Dia Estadual da Pimenta-do-Reino.</p>
<p class="p1">Somente em Tomé-Açu é produzida<span class="Apple-converted-space"> </span>anualmente uma média de 5 mil toneladas da pimenta-do-reino. Segundo o IBGE, a produção brasileira do produto, quando não ocorre imprevistos climáticos, gira numa média de 40.000 t/ano, destacando-se como produtores os Estados do Pará, Espírito Santo e Bahia, responsáveis por 75%, 15% e 9%, respectivamente, da produção nacional, dos quais 85% da produção anual são exportadas, tendo como principais compradores os Estados Unidos, Alemanha, Países Baixos e Argentina.</p>
<p class="p1">Atualmente a produção de pimenta-do-reino do Brasil gira em torno de 40.000 t/ano, se destacando como uma das potências da produção/exportação, ficando atrás apenas da produção/exportação do Vietnã e Índia.</p>
<h3 class="p4"><b>Herança japonesa</b></h3>
<p class="p1">Produtores como Walter Oppata e Jorge Itó, ambos com propriedades agrícolas localizadas no bairro do Breu, falam da satisfação que é trabalhar com a famosa especiaria.</p>
<p class="p1">Os dois são descendentes de imigrantes que<span class="Apple-converted-space"> </span>chegaram a Tomé-Açu nos anos 50 e começaram a trabalhar com a pimenta-do-reino. De simples sementes brotaram plantações do produto que viria a se tornar referência da pimenta por muito tempo.</p>
<p class="p1">Os dois produtores falam dos altos e baixos registrados ao longo dos anos. A dizimação de milhares de pés em função da fusariose, doença que no final dos anos 60 atacou as plantações, marcou bastante a história da pimenta na cidade, mas serviu também como um grande desafio para as famílias de produtores.</p>
<p class="p1">Atualmente, tanto Walter Oppata quanto Jorge Itó trabalham com o chamado Sistema Agroflorestal de Tomé-Açu (Safta), de produção consorciada a um grupo de espécies com a pimenta, como o cacau, açaí e o cupuaçu. A prática, como eles ressaltam, é herança dos avós.</p>
<p class="p1">&#8220;A cultura da pimenta-do-reino tem seus altos e baixos, mas a nossa pimenta é especial por conta de toda a história que carrega atrelada à chegada dos imigrantes japoneses&#8221;, ressalta.</p>
<blockquote>
<p class="p1">&#8220;Viemos para cultivar o cacau. A pimenta deu sentido à nossa imigração. Para a nossa família, se não fosse a pimenta-do-reino, acho que a gente não existiria mais aqui&#8221;, avalia Oppata.</p>
</blockquote>
<h3 class="p4"><b>Pimenta branca</b></h3>
<p class="p1">O produtor Jorge Itó cultiva também um outro tipo de pimenta-do-reino que tem sido bastante requisitada no mercado: a pimenta branca. Segundo ele, enquanto o quilo da pimenta escura sai a R$ 19, o da branca sai a R$ 32. “É um processo que a gente faz para tirar a casca da pimenta, deixa ela de molho por uns 10 a 14 dias e aí a gente descasca e lava”.</p>
<p class="p1">Ele disse que aprendeu esse processo quando criança, pois via o pai fazer a técnica e se interessou em aprender. A preferência entre a branca e a preta é muito relativa, segundo o produtor.</p>
<p class="p1">A produção da preta é bem maior no município que a da branca, destacou Itó. Isso porque a branca exige um processo mais demorado durante as etapas de produção.</p>
<blockquote>
<p class="p1">“Para fazer pimenta branca, até na hora de colher é diferenciado. Temos que colher a pimenta mais madura, senão perde muito”, ensina Jorge.</p>
</blockquote>
<p class="p1">Defensor e praticante de procedimentos sustentáveis na hora de produzir a pimenta, Jorge Itó utiliza as duas barcaças &#8211; estrutura de madeira onde as especiarias são espalhadas para a secagem &#8211; que são utilizadas normalmente no processo de produção do cacau. “Estou aproveitando essas barcaças, quando não há safra de cacau, para secar a pimenta”, diz. Ele explica que produz 500 quilos do produto por vez usando as três barcaças.</p>
<p class="p1">Trabalhando de maneira artesanal, com muita dedicação e paciência, Jorge Itó utiliza um ventilador cuja estrutura também é de madeira e foi feita por um carpinteiro japonês na década de 50. “Esse equipamento foi herança do meu pai e ele é utilizado depois que a pimenta passa pela barcaça”, detalha.</p>
<p class="p1">O produtor diz que não lava mais a pimenta no igarapé que existe em sua propriedade. “A gente lava nos tanques que implantamos. Há mais de 15 anos que adotamos o uso dos tanques. Utilizamos água de poço e deixamos a pimenta 15 dias de molho. Depois, maceramos e jogamos água corrente novamente”, enumera o produtor.</p>
<p class="p1">Ele diz que a sua produção é de um lote, o que equivale a 20 hectares. Atualmente, segundo ele, não trabalha apenas com a produção de pimenta, mas também de frutas e plantas medicinais, como a andiroba. Apesar das dificuldades que às vezes aparecem, Jorge Itó diz que vale a pena continuar trabalhando com a pimenta-do-reino.</p>
<blockquote>
<p class="p1">“Isso é muito relativo, atualmente sim. Mas, se der uma superprodução por aí, o mercado pode despencar. Por causa do dólar também está compensando, já que é produto de exportação”, acrescenta Jorge Itó.</p>
</blockquote>
<p class="p1">Mas, o que faz a diferença mesmo, como ressalta o experiente produtor, é investir em práticas sustentáveis.</p>
<blockquote>
<p class="p1">“Como a concorrência é muita, o cliente vai investir no que tem mais qualidade, quem trabalha com responsabilidade e sustentável”.</p>
</blockquote>
<p class="p4"><b>Boas práticas</b></p>
<p class="p1">De acordo com o levantamento do Núcleo de Planejamento/Estatísticas da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), o município do nordeste paraense é o maior produtor de pimenta-do-reino do Pará. Das 35 mil toneladas produzidas pelo Estado em 2019, (ano-base trabalhado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas- IBGE), 5 mil toneladas eram provenientes de Tomé-Açu.</p>
<p class="p1">A engenheira agrônoma da Sedap, Márcia Tagore, ressalta que Tomé-Açu tem um importante e relevante papel não só para a produção da pimenta-do-reino como também para a manutenção da cultura local, já que a especiaria chegou ao Pará pelas mãos dos imigrantes japoneses.</p>
<p class="p1">Ela lembra que em maio deste ano, o Grupo de Trabalho da Pimenta-do-reino esteve reunido em Tomé-Açu, que foi o primeiro a sediar as rodadas de palestras com a finalidade de orientar os produtores sobre boas práticas na produção da pimenta-do-reino.</p>
<p class="p1">Além desse município, já foram realizadas programações em Castanhal, Capitão Poço – segundo maior produtor da especiaria – Baião e Santarém. A rodada de palestras será concluída em Altamira.</p>
<p class="p1"><i>Fonte: Rose Barbosa (Ascom Sedap)/Luana Laboissiere (SECOM)/Agrospice</i></p>
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