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	<title>movimento negro &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>COP26: Movimento negro brasileiro lança documento contra racismo ambiental</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gisele Coutinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Nov 2021 21:16:12 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Coalizão Negra por Direitos]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/11/coalizaonegra2-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Gisele Coutinho Você, paraense, sabia que 82% da nossa população se declara negra? É o Norte do Brasil que concentra o maior porcentual de pessoas negras do País. Para você ter uma ideia e conseguir comparar, em Minas Gerais, 59% da população se declara negra, enquanto Amazonas, Acre e Amapá contam com 83% de [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/11/coalizaonegra2-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p class="p1"><i>Por Gisele Coutinho</i></p>
<p class="p1">Você, paraense, sabia que 82% da nossa população se declara negra? É o Norte do Brasil que concentra o maior porcentual de pessoas negras do País. Para você ter uma ideia e conseguir comparar, em Minas Gerais, 59% da população se declara negra, enquanto Amazonas, Acre e Amapá contam com 83% de negros, cada. Os dados são do segundo semestre de 2020 levantados pelo IBGE e elaborados pelo Dieese.</p>
<p>Agora, voltamos para o tema que tanto falamos por aqui nos últimos dias e que o mundo está de olho: o clima! E as questões climáticas estão totalmente relacionadas ao tema racial.</p>
<p>Nesta sexta, 5/11, o movimento negro brasileiro publicou em evento na 26ª Conferência das Nações Unidas para as Mudanças Climáticas (COP26) a carta “Para controle do aquecimento do planeta &#8211; desmatamento zero: titular as terras quilombolas é desmatamento zero”.</p>
<p>“Estamos aqui para falar em nome da maioria: 56% da população brasileira, aquela que gera riqueza, que construiu o País”, disse Douglas Belchior, historiador e cofundador Uneafro Brasil, que mediou o evento organizado pela Coalizão Negra por Direitos. Belchior celebrou da tradição, história e organização política cada vez mais forte da população preta brasileira.</p>
<p>Na carta, mais de 200 organizações defendem uma incidência direta contra o racismo ambiental, pela redução do aquecimento do planeta, desmatamento zero nas florestas dos biomas Amazônia, Cerrado, Mata Atlântica e Caatinga e em defesa da titulação das terras e dos territórios quilombolas também como estratégias pelo desmatamento zero. <a href="https://coalizaonegrapordireitos.org.br/2021/11/05/para-controle-do-aquecimento-do-planeta-desmatamento-zero/" target="_blank" rel="noopener"><span class="s1">Confira aqui a íntegra da carta.</span></a></p>
<blockquote><p>“Queremos investimento de titulação de território quilombola e participar do Fundo da Amazônia. As cidades brasileiras são cidades negras. Estamos dentro dessa agenda do clima para colocar que a carbonização foi criada por uma sociedade escravista e racista. Os países do Norte Europeu têm responsabilidade com o genocídio do povo negro no Brasil. E nós não podemos ser parte de uma discussão de apêndice. Lançamos este manifesto para dizer: sem nós não vai ter combate a crise climática. Com nós, vamos combater a crise humanitária”, disse Diosmar Filho, geógrafo, doutorando e mestre em Geografia pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e pela Universidade Federal da Bahia, respectivamente.</p></blockquote>
<h3>Violência e mudança climática</h3>
<p>A ativista Hannah Balieiro, jovem da Amazônia brasileira, atual presidente do Instituto Mapinguari, apontou o baixo índice de saneamento básico e a violência policial vivida pelo povo do Amapá, sua terra.</p>
<blockquote><p>“O genocídio preto tem acontecido dentro da região amazônica de forma muito intensa e pouco noticiada. Quando falamos sobre crise climática, precisamos falar sobre juventude preta quilombola, periférica, sobre a população e seus territórios”, disse.</p></blockquote>
<p>Hannah falou sobre o fato de áreas da periferia, como onde ela mora, não serem chamadas de morros ou periferias, como no Sul ou Sudeste, mas, sim, &#8220;área de ressaca&#8221;, regiões dentro da floresta tropical que sofrem com inundações. Ela ainda citou chuvas de granizo que atingiram o Pará, um dos reflexos das mudanças climáticas que atingem mais as regiões periféricas.</p>
<p>Amanda Costa, diretora-executiva da Perifa Sustentável e jovem embaixadora da ONU, ressaltou que “falar sobre crise climática na periferia é falar sobre sobrevivência”, enquanto questionou quem pode estar em uma conferência global como a COP26 para provocar transformações.</p>
<blockquote><p>“A gente pauta sobrevivência, uma justiça social, ambiental e econômica que tem que ser fundamentada na justiça racial”.</p>
<p>“Falar de mudança climática sem quilombola é matar cada quilombola todo dia. É tirar de nós o nosso espaço de decisão. É infringir a Convenção 169”, avaliou Katia Penha, quilombola, coordenadora Nacional da Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ) e moradora do território Sapê do Norte, no Espírito Santo.</p></blockquote>
<p>O Brasil ratificou a Convenção 169 sobre Povos Indígenas e Tribais da Organização Internacional do Trabalho em 2003, que prevê, entre outros pontos, proteção jurídica das comunidades quilombolas.</p>
<p>“Estão querendo fazer o mercado de carbono em cima da área que nós preservamos, sem nos consultar. Esse mercado de carbono vem do eucalipto. Nós não plantamos eucalipto. Nós deixamos a mata em pé”, ressaltou a ativista sobre o perigo do plantio do eucalipto com pretexto de diminuir qualquer impacto ambiental.</p>
<blockquote><p>“Cada dia que você planta um pé de eucalipto, um quilombola que perde seu espaço de vivência, seu modo de vida, sem plantar sua roça e não ter água. O eucalipto tira a água do solo e mata os rios. É isso que o mundo quer?”</p></blockquote>
<p>Katia ainda questionou, diante de toda a questão do carbono, o compromisso firmado pelo governo brasileiro de reduzir até 2030 a emissão de carbono. “Como o governo vai reduzir?”.</p>
<p>Douglas Belchior lembrou ainda o rompimento da barragem em Mariana (MG), que ocorreu exatamente há 6 anos, em 5 de novembro de 2015 no subdistrito de Bento Rodrigues, distante 35 km do centro do município mineiro e até hoje sem julgamento ou recuperação ambiental.</p>
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