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	<title>monitoramento climático &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Refúgio verde criado por agricultor de 93 anos vira laboratório climático inédito na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 17 Jun 2026 14:40:22 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/Duquinha_Luiza-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo  Uma torre de 20 metros instalada em Capitão Poço (PA) inicia o primeiro monitoramento climático em florestas secundárias (capoeiras) da Amazônia. Uma segunda torre de 40 metros, em floresta primária intocada, serve como base comparativa para medir a eficiência climática das áreas regeneradas. A pesquisa em área secundária ocorre em uma reserva de 56 [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/Duquinha_Luiza-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo </em></p>
<ul>
<li><em>Uma torre de 20 metros instalada em Capitão Poço (PA) inicia o primeiro monitoramento climático em florestas secundárias (capoeiras) da Amazônia.</em></li>
<li><em>Uma segunda torre de 40 metros, em floresta primária intocada, serve como base comparativa para medir a eficiência climática das áreas regeneradas.</em></li>
<li><em>A pesquisa em área secundária ocorre em uma reserva de 56 hectares protegida há 30 anos por Manuel Geraldo de Carvalho, o &#8220;seu Duquinha&#8221;, de 93 anos.</em></li>
<li><em>O estudo, coordenado pela Embrapa, conta com a participação da neta de &#8220;seu Duquinha&#8221;, a bióloga Laína Carvalho, que analisa o fluxo de energia da floresta.</em></li>
<li><em>Sensores de alta tecnologia vão coletar dados contínuos de atmosfera e solo por um ano para calibrar modelos de satélite e avaliar o papel das capoeiras na regulação térmica do bioma.</em></li>
</ul>
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<p data-path-to-node="4">O que começou há 30 anos como o esforço solitário de Manuel Geraldo de Carvalho, o seu Duquinha, para recuperar uma nascente com o plantio de 30 mil mudas, transformou-se no principal laboratório vivo de monitoramento climático da Amazônia.</p>
<p data-path-to-node="4">A propriedade do agricultor de 93 anos, em Capitão Poço (PA), agora abriga uma torre de pesquisa de 20 metros de altura.  O projeto vai avaliar de forma inédita o papel das florestas secundárias (as capoeiras) na contenção da crise climática global.</p>
<p data-path-to-node="4">A iniciativa mobiliza uma rede de instituições científicas, integrantes do <a href="https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/100901816/amazonia-ganha-centro-de-pesquisas-para-apoiar-a-recuperacao-de-areas-desmatadas-e-degradadas" target="_blank" rel="noopener">Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental da Amazónia (Centro Capoeira)</a>, coordenado pela Embrapa.</p>
<p data-path-to-node="5">Por meio de sensores fixados no solo e na estrutura da torre, os cientistas vão monitorar dados meteorológicos contínuos. O objetivo é verificar a capacidade de recuperação térmica que essas matas jovens oferecem ao bioma após sofrerem com o desmatamento ou com o uso agrícola.</p>
<figure id="attachment_43225" aria-describedby="caption-attachment-43225" style="width: 718px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-43225" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia-300x200.jpg" alt="" width="718" height="479" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia-450x300.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/06/torres_monitoramento_amazonia.jpg 800w" sizes="(max-width: 718px) 100vw, 718px" /><figcaption id="caption-attachment-43225" class="wp-caption-text">O trabalho vai gerar dados inéditos sobre o papel da restauração florestal na Amazônia para a mitigação das mudanças climáticas. Foto: Márcio Nagano</figcaption></figure>
<h3 data-path-to-node="6">A história por trás da preservação</h3>
<p data-path-to-node="7">A trajetória da reserva se confunde com a vida de seu Duquinha. Natural de Ourém, ele conheceu a comunidade de Nova Colônia, em Capitão Poços, ainda na infância, durante viagens de caça com a família. Mais tarde, os pioneiros se estabeleceram definitivamente naquelas terras.</p>
<p data-path-to-node="7">Antes de se tornar uma referência em conservação, seu Duquinha foi alfabetizado por uma escola radiofônica, concluiu o ensino médio e trabalhou como escrivão de polícia.</p>
<p data-path-to-node="7">O plano de transformar a antiga área de roçado em um refúgio verde ganhou um propósito definitivo há pouco mais de três décadas, por incentivo de um dos seus 12 filhos, que o estimulou a direcionar a sabedoria prática da terra para a conservação.</p>
<p data-path-to-node="8">Munido de conhecimento prático, seu Duquinha plantou manualmente espécies locais, incluindo castanheiras e piquiás, conseguindo recuperar uma nascente que antes sofria com a seca periódica.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="8">“A mata ciliar estava muito degradada, então fomos fazendo a restauração. Hoje já está com um bom tempo que o riachinho não seca&#8221;, recorda.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="9">A conquista é celebrada por sua esposa, Luiza Bezerra, com quem divide a vida há 66 anos. “</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="9">Me sinto feliz demais, porque hoje em dia para se achar um lugar como esse é raro”, destaca.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="9">A volta da floresta também atraiu espécies nativas de animais, como os macacos-bugio, cujos sons característicos servem como um termômetro natural da saúde do ecossistema local.</p>
<h3 data-path-to-node="10">O elo entre a tradição e a pesquisa científica</h3>
<p data-path-to-node="11">Esse ambiente moldou os passos da neta do casal, a bióloga Laína Carvalho, de 33 anos. Criada pelos avós na Reserva Ecológica São Geraldo Magela, ela transformou o quintal de sua infância em foco acadêmico. Hoje, como doutoranda em Ciências Florestais pela Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), estuda a dinâmica ecológica e matemática envolvida no reflorestamento espontâneo.</p>
<p data-path-to-node="12">O foco da pesquisadora é medir como as árvores gerenciam energia nas capoeiras durante períodos de extremos climáticos, sejam secas intensas ou tempestades.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="12">“A planta recebe energia pela fotossíntese. Parte dela usa para crescer e se recuperar, e a energia que sobra é distribuída para o tronco, folhas e raízes. Meu trabalho é entender como essa distribuição acontece ao longo dos anos. Analiso desde capoeiras jovens até mais antigas, de 15 até 60 anos, incluindo a floresta primária intacta, onde o Centro Capoeira instalou, recentemente, outra torre de monitoramento”, explica a pesquisadora.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="13">Para traçar esse panorama, o estudo avalia variáveis que vão do topo da estrutura até o chão da mata, onde é recolhida e analisada a serrapilheira (composta por folhas e galhos caídos), além de computar o impacto causado por insetos folívoros.</p>
<h3 data-path-to-node="14">Duas realidades florestais</h3>
<p data-path-to-node="15">Para conferir precisão científica aos resultados, o monitoramento conta com o suporte de uma segunda torre, de 40 metros de altura, fincada em uma área de 500 hectares de mata primária preservada em um terreno da Sedap.</p>
<p data-path-to-node="15">Enquanto a torre menor analisa a capoeira, a maior vigia a vegetação virgem, funcionando como um ponto de comparação detalhado. Ambas receberam sensores capazes de registrar em tempo real variações de temperatura e umidade no ar e na terra.</p>
<p data-path-to-node="16">A estrutura de 40 metros surgiu de uma iniciativa idealizada pelo pesquisador Fernando Elias da Silva (Museu Goeldi) em parceria com o professor Divino Silvério (Ufra). Financiado pelo Instituto Serrapilheira, o estudo começou de forma isolada, mas foi incorporado ao Centro Capoeira para ganhar maior abrangência.</p>
<p data-path-to-node="17">Fernando reforça a relevância de se estudar as florestas secundárias, aquelas que voltam a crescer naturalmente após o abandono de pastagens ou plantios. Segundo o cientista, essas áreas cumprem uma função ambiental crucial na restituição da biodiversidade e na oferta de serviços ecossistêmicos indispensáveis para o planeta.</p>
<h3 data-path-to-node="18">Um polo de estudos</h3>
<p data-path-to-node="19">Capitão Poço foi escolhida estrategicamente devido ao histórico de ocupação da região, marcada por desmatamentos sucessivos ao longo das últimas décadas.</p>
<p data-path-to-node="19">Embora o monitoramento em matas intocadas já ocorra em outros pontos da Amazônia, a grande virada do projeto é focar na vegetação secundária. “Plataformas em florestas maduras existem várias na região, mas para a capoeira, esta é a primeira”, salienta Fernando.</p>
<p data-path-to-node="20">Para garantir dados consolidados, as duas torres precisam coletar informações de forma conjunta por pelo menos 12 meses. O equipamento maior concentra cerca de 10 sensores de alta tecnologia.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="20">“Precisamos dessas medidas tanto na estação seca quanto na chuvosa em ambas as áreas. O clima é extremamente volátil e sofre muita alteração ao longo do ano, por isso precisamos de 12 meses consecutivos de dados nos dois ambientes para ter um recorte seguro de comparação”, detalha Fernando.</p>
</blockquote>
<h3 data-path-to-node="21">Entendendo a regulação do clima amazônico</h3>
<p data-path-to-node="22">Se a preocupação de Fernando se volta à biodiversidade e ao estoque de carbono, a meta do professor Divino Silvério foca no comportamento da atmosfera. Ele investiga o tempo necessário para que uma capoeira consiga regular o clima local com a mesma eficácia de uma floresta nativa.</p>
<p data-path-to-node="22">Embora a regeneração natural seja uma das estratégias de restauração mais baratas e eficientes do mundo, faltam respostas exatas sobre o tempo que o ecossistema leva para reestabelecer o equilíbrio térmico.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="23">&#8220;Sabemos que há uma diferença considerável na forma como uma floresta primária e uma área de pastagem geram o ciclo da água e da energia. O que estamos tentando entender com as capoeiras é como ocorre a recuperação desta capacidade de produzir vapor de água e manter a temperatura local amena&#8221;, esclarece Divino.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="24">Os dados coletados em campo vão servir para calibrar as projeções de satélite usadas no mapeamento do clima regional.</p>
<blockquote>
<p data-path-to-node="24">“As torres de monitoramento do clima local atendem um dos objetivos principais do Centro Capoeira que é entender como diferentes estratégias de restauração florestal contribuem para recuperar os serviços ecossistêmicos”, complementa a pesquisadora Joice Ferreira, coordenadora do Centro Capoeira e vinculada à Embrapa Amazônia Oriental.</p>
</blockquote>
<p data-path-to-node="25">Mesmo buscando entender qual parte da floresta responde mais rápido ao tempo, os especialistas lembram que, embora as capoeiras sejam grandes aliadas no combate ao aquecimento global, elas caminham lado a lado com a necessidade inegociável de preservar as matas nativas que ainda restam.</p>
<p data-path-to-node="25"><em>Fonte: Embrapa</em></p>
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