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	<title>madeireiras &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<title>madeireiras &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Desmatamento e queimadas são principais problemas da região para os amazônidas, revela pesquisa</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabricio Queiroz]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 31 Jul 2024 19:33:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/12/wwf-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Os crimes ambientais ligados ao desmatamento e às queimadas são apontados como os maiores problemas da Amazônia pela própria população da região. De acordo com a Pesquisa de Valores Ambientais e Atitudes sobre a Amazônia  (PVAAA), 43% dos moradores citaram essas questões entre os principais desafios, sendo que o desmatamento foi lembrado por 26,1% dos [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/12/wwf-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><span style="font-weight: 400;">Os crimes ambientais ligados ao desmatamento e às queimadas são apontados como os maiores problemas da Amazônia pela própria população da região. De acordo com a </span><span style="font-weight: 400;">Pesquisa de Valores Ambientais e Atitudes sobre a Amazônia  (PVAAA), 43% dos moradores citaram essas questões entre os principais desafios, sendo que o desmatamento foi lembrado por 26,1% dos entrevistados e as queimadas por 16,8%.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outras questões críticas também foram lembradas pelo público. Em terceiro lugar aparece a seca, com 6,7%; seguida das enchentes e alagamentos com 5,1%,  e o calor extremo, com 4%. Além disso, a falta de saneamento básico, mudanças climáticas, poluição dos rios e falta de conscientização ambiental fazem parte da lista e reforçam que há uma tendência de maior preocupação com meio ambiente na região quando comparada com o restante do País.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Nós temos um grande conjunto de problemas ambientais elencados como principal problema da região amazônica, o que é algo completamente diferente do que a gente vê nas pesquisas sobre opinião pública no Brasil, nas quais questões sociais e econômicas tendem a ser listadas como as principais”, comentou o professor Gustavo Ribeiro, do </span><span style="font-weight: 400;"> Programa de Pós-Graduação em Ciência Política (PPGCP) da UFPA, coordenador da PVAAA.</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_29958" aria-describedby="caption-attachment-29958" style="width: 994px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-29958 size-full" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/07/pvaaa-amazonia.png" alt="" width="994" height="465" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/07/pvaaa-amazonia.png 994w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/07/pvaaa-amazonia-300x140.png 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/07/pvaaa-amazonia-768x359.png 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/07/pvaaa-amazonia-150x70.png 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/07/pvaaa-amazonia-450x211.png 450w" sizes="(max-width: 994px) 100vw, 994px" /><figcaption id="caption-attachment-29958" class="wp-caption-text">Questões ambientais são as principais preocupações da população da Amazônia. Foto: Reprodução PPGCP</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A pesquisa, lançada na terça-feira, 30, aborda comportamentos pró-ambientais, preferências por políticas de meio ambiente, experiência climática, entre outras questões na visão da população da região Norte, mas abrange também o público de todo o Brasil. A amostra total é de 1.789 respondentes maiores de 16 anos. O estudo foi conduzido com apoio financeiro do PROCAD CAPES Amazônia e da Meilore Foundation.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os resultados apontam ainda, por exemplo, que 82,7% do público amazônida desaprova a <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/exploracao-ilegal-de-madeira-volta-a-avancar-na-divisa-do-para-com-o-amazonas/" target="_blank" rel="noopener">atividade madeireira</a> na região. Da mesma forma, a <a href="https://www.paraterraboa.com/economia/como-itaituba-virou-a-capital-brasileira-de-lavagem-de-ouro-ilegal/" target="_blank" rel="noopener">mineração</a> é rejeitada por 82,2% dos entrevistados, assim como o <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/garimpo-ilegal-devastou-584-campos-de-futebol-em-tres-terras-indigenas-em-2024/">garimpo em terras indígenas</a> que é desaprovado por 76,3% dos participantes. Por outro lado, o agronegócio tem avaliação positiva de 69,9%, negativa de 25,6% e 4,4% de pessoas que não souberam ou não responderam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já no que se refere a novos projetos econômicos e licenciamento ambiental, 57,6% dos brasileiros discordam da flexibilização das regras; 76,7% são contrários às propostas para aumentar o número de agrotóxicos permitidos no País e 25,2% rejeitam o projeto de <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/foz-do-amazonas-e-supersensivel-a-oleo-e-exploracao-precisa-de-dados-cientificos-destacam-especialistas/">exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas</a>.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A PVAA aborda ainda a <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/maioria-da-populacao-brasileira-tem-consciencia-sobre-mudancas-climaticas-afirma-pesquisa/">percepção sobre as mudanças climáticas</a> e os impactos já sentidos no cotidiano. Cerca de 86% do público disse que as <a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/mais-quente-da-historia-junho-foi-o-13o-mes-seguido-a-bater-recorde-de-temperatura/" target="_blank" rel="noopener">alterações do clima aumentaram muito</a> e 29,7% afirmou que já foi afetado por eventos ambientais extremos. Entre eles, as principais ocorrências foram de<a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/ar-quente-e-seco-e-falta-de-chuvas-dominam-clima-da-amazonia-afirma-metsul/" target="_blank" rel="noopener"> calor extremo</a>, enchentes e alagamentos, tempestades, vendavais e queimadas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Segundo os pesquisadores, o objetivo é tornar a PVAAA um instrumento importante para entender as relações entre opinião pública e meio ambiente no Brasil e na Amazônia. Para conhecer os dados completos da pesquisa, </span><a href="https://drive.google.com/file/d/1QOR-V_zDgcySAsCxMN-V450891LeSkmF/view" target="_blank" rel="noopener"><span style="font-weight: 400;">clique aqui</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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		<title>Operação desarticula esquema milionário de fraude em créditos florestais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabricio Queiroz]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 11 Jun 2024 18:00:41 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[créditos florestais]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[operação dark wood]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/06/operacao-dark-wood-divulgacao-policia-civil-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />A Polícia Civil do Pará e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) deflagraram nesta terça-feira, 11, a Operação Dark Wood para desmontar um esquema de falsificação de créditos florestais que teria movimentado cerca de R$ 26 milhões. Nove mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária foram cumpridos no [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/06/operacao-dark-wood-divulgacao-policia-civil-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><span style="font-weight: 400;">A Polícia Civil do Pará e a Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) deflagraram nesta terça-feira, 11, a Operação Dark Wood para desmontar um esquema de falsificação de créditos florestais que teria movimentado cerca de R$ 26 milhões. Nove mandados de busca e apreensão e sete de prisão temporária foram cumpridos no Pará e em Brasília (DF).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De acordo com a investigação, a organização criminosa utilizava documentos falsos para forjar leilões de produtos madeireiros supostamente realizados pelas prefeituras de Itaituba e Novo Progresso. Após o evento, os criminosos solicitavam a inclusão de créditos florestais para as empresas referente ao montante de 13 mil m³ de madeira.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A investigação se baseia na falsificação de documentação pública. Foram forjados leilões para aquisição de créditos florestais por essa quadrilha. Dessa forma, eles criavam madeira legal e, com isso, esquentavam madeira advinda do desmatamento”, explicou Tainan Monteiro, delegado da Diretoria Estadual de Combate à Corrupção (DECOR).</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, segundo a Polícia Civil, com esses créditos em mãos, as empresas simulavam o transporte e recebimento dos produtos com expedição de falsas guias florestais. Desde o início da fraude, teriam sido movimentados R$ 26 milhões pela quadrilha.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a operação Dark Wood, </span><span style="font-weight: 400;">sete pessoas envolvidas no esquema foram presas, sendo seis no Pará e uma no Distrito Federal. Entre elas estão os proprietários das madeireiras e um servidor da Semas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ação também resultou no sequestro de bens dos envolvidos, bloqueio de contas bancárias em valores superiores a R$ 20 milhões, apreensão de um veículo de luxo, um apartamento e dinheiro em espécie. Todas as pessoas capturadas já estão à disposição da Justiça.</span></p>
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		<title>No Pará, madeireiras com selo de sustentabilidade tiveram mais de R$ 100 milhões em multas do Ibama</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Ivana Guimarães]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Mar 2023 14:12:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Conselho de Manejo Florestal]]></category>
		<category><![CDATA[crimes ambientais]]></category>
		<category><![CDATA[madeireiras]]></category>
		<category><![CDATA[multas do Ibama]]></category>
		<category><![CDATA[selo de sustentabilidade]]></category>
		<category><![CDATA[tucumã]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/03/up_ag_22785_921168df-b409-3210-9820-e88efa33e876-2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Levantamento da Agência Pública, da revista &#8220;piauí&#8221; e do site Poder 360 mostra que ao menos 60 empresas certificadas pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC), ONG mundialmente conhecida que atesta a exploração responsável de produtos florestais, já foram autuadas pelo Ibama. Juntas, somam mais de R$ 100 milhões em multas por todo tipo de infração: [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/03/up_ag_22785_921168df-b409-3210-9820-e88efa33e876-2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Levantamento <a href="https://apublica.org/2023/03/madeireiras-com-selo-de-sustentabilidade-tiveram-mais-de-r-100-milhoes-em-multas-do-ibama/" target="_blank" rel="noopener">da Agência Pública</a>, da revista &#8220;piauí&#8221; e do site Poder 360 mostra que ao menos 60 empresas certificadas pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC), ONG mundialmente conhecida que atesta a exploração responsável de produtos florestais, já foram autuadas pelo Ibama. Juntas, somam mais de R$ 100 milhões em multas por todo tipo de infração: desmatamento ilegal, transporte de madeira sem documentação, fraudes em guias florestais e grilagem de terras.</p>
<p>A apuração global, que foi feita em parceria com o Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) e com os projetos Data Fixers e Fiquem Sabendo, revelou que, desde 2004, mais de 300 empresas de produtos florestais certificadas foram acusadas de crimes ambientais e outras infrações.</p>
<p>No caso do Brasil, os dados usados na análise consideram todas as multas registradas no sistema do Ibama até dezembro de 2022, independentemente do status atual de cobrança. O registro da multa não significa necessariamente que a empresa é culpada. Ela pode recorrer da decisão e, eventualmente, a multa pode ser anulada.</p>
<p>A reportagem mostrou diversas empresas com infrações ambientais registradas no Pará, que utilizam o certificado da FSC para se mostrarem empenhadas com a causa ambiental quando, na verdade, agem no sentido oposto.</p>
<h3><strong>Madeireira de Tucumã usou selo </strong><strong>como argumento em processo</strong></h3>
<p>Em Tucumã, a madeireira Juruá Florestal, que segundo o Ministério Público Federal devastou cerca de 5 mil hectares de floresta e construiu mais de 100 km de estradas para escoar madeira ilegal, tornou-se uma das primeiras companhias desse tipo no Brasil a ser certificada pela FSC, diz a Agência Pública. O certificado funciona como uma garantia de que a madeira da empresa não foi desmatada ilegalmente nem extraída por trabalhadores em condições degradantes.</p>
<p>Ocorre que a nova empresa, mesmo certificada pela FSC, manteve o antigo padrão de infrações. Entre 2000 e 2017, a Juruá foi multada doze vezes pelo Ibama por destruir floresta sem autorização do poder público e transportar madeira sem documentação. Ao todo, as multas aplicadas nesse período somaram R$ 1,6 milhão em valores nominais.</p>
<p>O certificado da FSC acabou servindo como um salvo-conduto para as fraudes. Enquanto cometia infrações em série, a Juruá se valia da grife FSC para informar aos seus clientes dentro e fora do Brasil que explorava madeira de forma legal e sustentável. É um caso típico do que os ambientalistas chamam de greenwashing (lavagem verde).</p>
<p>A FSC afirma que, quando uma empresa certificada é acusada de irregularidades, o certificado de boas práticas ambientais é suspenso ou cancelado. Mas não foi o que aconteceu com a Juruá. Ao longo de dezessete anos, a empresa renovou periodicamente seu certificado, mesmo acumulando multas do Ibama e ao menos uma condenação por crime ambiental nesse período.</p>
<p>Procurada pela reportagem, a Juruá afirmou, por meio de nota, que não recebeu multas ambientais desde a última certificação da FSC, ano passado. Ressaltou, além disso, que “nenhuma empresa deve sofrer discriminação por ter sido autuada por órgãos de fiscalização antes do término do processo recursal”.</p>
<h3><strong>Prisão de sócios não foi suficiente para perda do certificado</strong></h3>
<p>Entre as madeireiras certificadas pela FSC que acumulam multas, a Alecrim Indústria de Madeiras não apenas foi autuada dezenas de vezes, como seus donos, os gaúchos Aldir Schmitt e Milton Schnorr, cumpriram pena em regime semiaberto em Santarém (PA), condenados por crimes ambientais. Mas, mesmo assim, a empresa não perdeu o selo da FSC, emitido em 2015.</p>
<p>As infrações são diversas: venda de madeira sem licença adequada, exploração de madeira em terra indígena sem autorização e armazenamento irregular de madeira. Quase todas foram registradas no Pará. Muitas já foram pagas, mas algumas ainda se encontram em processo de julgamento no Ibama.</p>
<p>Os donos da Alecrim aparecem no quadro societário de duas outras empresas do mesmo ramo. Uma delas — a Algimi Florestal — acumula oito multas e já foi condenada na Justiça por poluir um igarapé. A despeito das condenações, Aldir Schmitt constava, até abril de 2022, como vice-presidente da Associação das Indústrias Madeireiras de Santarém (Asimas).</p>
<p>Procurada pela reportagem, a Alecrim enviou uma nota alegando que “os autos de infração [do Ibama] são controversos e passíveis de nulidades, emitidos, ao nosso ver, por equívoco ou interpretação equivocada do agente autuador”. Quanto à prisão dos dois sócios da empresa, a nota diz que “foi injusta e arbitrária, ainda assim já cumprida, não devendo os pretendidos autores nada à Justiça”.</p>
<h3><strong>Ibama diz que empresa “esquentou” madeira ilegal</strong></h3>
<p>Assim como a Juruá Florestal e a Alecrim, a Pampa se vende como uma empresa sustentável. Fundada em 1987 pelo empresário gaúcho Demorvan Tomedi, a madeireira é um caso de sucesso. Prosperou com a exportação de madeiras e acumula hoje um capital social de R$ 34 milhões, um parque industrial de 100 mil m2 e um porto privado no Pará. Mas, assim como as outras empresas, acumula infrações ambientais. Foi multada doze vezes pelo Ibama, sendo quatro delas depois de ter obtido seu certificado FSC, em 2012.</p>
<p>As multas recebidas pela Pampa somam R$ 5,1 milhões, em valores nominais. A maioria dos casos é por fraudes no Sisflora: segundo os agentes do Ibama, a empresa “esquentou” madeira retirada ilegalmente de áreas próximas à Rodovia Transamazônica.</p>
<p>Por meio de nota, a Pampa afirmou que todas as autuações do Ibama, bem como as condenações judiciais, estão em fase de recurso, e que a empresa “foi certificada e se mantém certificada porque cumpre o padrão” da FSC.</p>
<h3><strong>Ao ICIJ, FSC disse desconhecer situação das empresas </strong></h3>
<p>O Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ) perguntou à FSC se o certificado de boas práticas ambientais ainda tem algum propósito, já que várias empresas cometeram infrações e não perderam o selo. Na resposta, a entidade alegou que, só nos últimos cinco anos, 88 empresas tiveram seus certificados suspensos devido a infrações ambientais.</p>
<p>Os mecanismos de controle, segundo a entidade, vêm se tornando mais rígidos nos últimos anos.</p>
<blockquote><p>“A FSC está guiando novas tecnologias para a identificação de madeira, de forma que sua proveniência possa ser cientificamente atestada. A FSC também está desenvolvendo uma ferramenta baseada no blockchain para monitorar dados em tempo real sobre transações que acontecem entre diferentes detentoras de certificados”, diz a nota.</p></blockquote>
<p>Questionada sobre o uso do certificado para a prática de greenwashing, a entidade afirmou apenas que o selo de boas práticas ajuda no combate ao desmatamento e à degradação ambiental.</p>
<blockquote><p>“Nossas exigências garantem que as empresas de manejo florestal certificadas mantenham ou aumentem a estrutura, função, biodiversidade e produtividade de suas florestas.”</p></blockquote>
<p>A FSC afirmou que suas políticas também garantem que os direitos de trabalhadores e comunidades indígenas sejam respeitados. Mas ressaltou:</p>
<blockquote><p>“A FSC não alega que pode resolver sozinha problemas de múltiplas camadas como o desmatamento e reconhece a necessidade de que muitos atores e stakeholders se envolvam com essa empreitada.”</p></blockquote>
<p>No caso específico do Brasil, o ICIJ perguntou à FSC como é possível que empresas certificadas acumulem tantas multas, mas a entidade disse que não estava informada sobre o assunto:</p>
<blockquote><p>“Não estamos cientes dessas investigações pelo Ibama que podem ou não ser relevantes para as atividades cobertas por nossos padrões”, afirmou a entidade.</p></blockquote>
<p>A FSC alegou ainda que suas normas e procedimentos poderão ser atualizados para que se adequem melhor à realidade brasileira.</p>
<p><em>Fonte: Allan de Abreu, Bernardo Esteves, Guilherme Waltenberg, Mario Cesar Carvalho, Rafael Oliveira, Luiz Fernando Toledo, da Agência Pública</em></p>
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