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	<title>luva &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Cientistas criam luva que detecta pesticidas em alimentos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 27 Jan 2022 20:13:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[TECNOLOGIA]]></category>
		<category><![CDATA[alimentos]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/01/luvas-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) criaram um dispositivo sensor vestível embutido em uma luva de borracha sintética capaz de detectar resíduos de pesticidas em alimentos. O trabalho, apoiado pela Fapesp, foi idealizado e liderado pelo químico Paulo Augusto Raymundo-Pereira, pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP. O dispositivo tem [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/01/luvas-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><div class="entry-content clr">
<p>Cientistas da Universidade de São Paulo (USP) criaram um dispositivo sensor vestível embutido em uma luva de borracha sintética capaz de detectar resíduos de pesticidas em alimentos. O trabalho, apoiado pela Fapesp, foi idealizado e liderado pelo químico <a href="https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/79299/paulo-augusto-raymundo-pereira" target="_blank" rel="noopener">Paulo Augusto Raymundo-Pereira</a>, pesquisador do Instituto de Física de São Carlos (IFSC) da USP.</p>
<p>O dispositivo tem três eletrodos, localizados nos dedos indicador, médio e anelar. Eles foram impressos na luva por meio de serigrafia, com uma tinta condutora de carbono, e permitem a detecção das substâncias carbendazim (fungicida da classe dos carbamatos), diuron (herbicida da classe das fenilamidas), paraquate (herbicida incluído no rol dos compostos de bipiridínio) e fenitrotiona (inseticida do grupo dos organofosforados).</p>
<p>No Brasil, carbendazim, diuron e fenitrotiona são empregados em cultivos de cereais (trigo, arroz, milho, soja e feijão), frutas cítricas, café, algodão, cacau, banana, abacaxi, maçã e cana-de-açúcar. Já o uso de paraquate foi banido no País pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).</p>
<p>A análise pode ser feita diretamente em líquidos, apenas mergulhando a ponta do dedo contendo o sensor na amostra, e também em frutas, verduras e legumes, bastando tocar na superfície da amostra.</p>
<p><a href="https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/3302/sergio-antonio-spinola-machado" target="_blank" rel="noopener">Sergio Antonio Spinola Machado</a>, professor do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP e coautor da pesquisa, diz que não há nada semelhante no mercado e que os métodos mais utilizados atualmente para detecção de pesticidas se baseiam em técnicas como cromatografia (técnica analítica de separação de misturas), espectrofotometria (método óptico de análise usado em biologia e físico-química), eletroforese (técnica que utiliza um campo elétrico para separação de moléculas) ou ensaios laboratoriais.</p>
<p>“No entanto, essas metodologias têm custo alto, demandam mão de obra especializada e um tempo longo entre as análises e a obtenção dos resultados. Os sensores são uma alternativa às técnicas convencionais, pois, a partir de análises confiáveis, simples e robustas, fornecem informação analítica rápida, <i>in loco</i> e com baixo custo.”</p>
<p>Na luva criada pelo grupo, cada dedo é responsável pela detecção eletroquímica de uma classe de pesticida. A identificação é feita na superfície do alimento, mas em meio aquoso.</p>
<p>“Precisamos da água, pois é necessário um eletrólito [substância capaz de formar íons positivos e negativos em solução aquosa]. Basta pingar uma gotinha no alimento e a solução estabelece o contato entre este e o sensor. A detecção é feita na interface entre o sensor e a solução”, detalha a química <a href="https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/671361/nathalia-oezau-gomes" target="_blank" rel="noopener">Nathalia Gomes</a>, pesquisadora do IQSC e integrante da equipe.</p>
<h3><b>Sensores</b></h3>
<p>O processo de verificação de presença de pesticidas é simples. Coloca-se um dedo de cada vez na amostra: primeiro, o indicador; depois, o médio e, por último, o anelar. No caso de um suco de frutas, basta fazer a imersão dos dedos no líquido, um de cada vez. A detecção é feita em um minuto e, no caso do dedo anelar, em menos de um minuto.</p>
<p>“O sensor no dedo anelar usa uma técnica mais rápida. Ele é composto de um eletrodo de carbono funcionalizado, enquanto os dos outros dois dedos de eletrodos modificados com nanoesferas de carbono [dedo indicador] e carbono printex, um tipo específico de nanopartícula de carbono [dedo médio]. Após a detecção, os dados são analisados por um software instalado no celular”, explica Raymundo-Pereira.</p>
<figure id="attachment_484942" class="wp-caption alignnone" aria-describedby="caption-attachment-484942"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-484942 size-full jetpack-lazy-image jetpack-lazy-image--handled" src="https://i2.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/01/202201_luva_pesticidas_analise.jpg?resize=1200%2C630&amp;ssl=1" sizes="(max-width: 1200px) 100vw, 1200px" srcset="https://i2.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/01/202201_luva_pesticidas_analise.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i2.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/01/202201_luva_pesticidas_analise.jpg?resize=300%2C158&amp;ssl=1 300w, https://i2.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/01/202201_luva_pesticidas_analise.jpg?resize=1024%2C538&amp;ssl=1 1024w, https://i2.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/01/202201_luva_pesticidas_analise.jpg?resize=768%2C403&amp;ssl=1 768w, https://i2.wp.com/jornal.usp.br/wp-content/uploads/2022/01/202201_luva_pesticidas_analise.jpg?resize=150%2C79&amp;ssl=1 150w" alt="" width="1200" height="630" data-recalc-dims="1" data-lazy-loaded="1" /><figcaption id="caption-attachment-484942" class="wp-caption-text">Foto: Nathalia Gomes/USP</figcaption></figure>
<p>O pesquisador ressalta que a incorporação de materiais de carbono conferiu seletividade aos sensores, uma das propriedades mais importantes e difíceis de alcançar em dispositivos semelhantes.</p>
<blockquote><p>“Uma escolha criteriosa de materiais à base de carbono permitiu a detecção sensível e seletiva de quatro classes de pesticidas dentre os mais empregados na agricultura: carbamatos, fenilamidas [subclasse das fenilureias], compostos de bipiridínio e organofosforados. Assim, um dos diferenciais da invenção está na capacidade de detecção seletiva em presença de outros grupos de pesticidas, como triazinas, glicina substituída, triazol, estrobilurina e dinitroanilina. Com os métodos tradicionais isso não é possível.”</p></blockquote>
<p>Outro destaque do dispositivo está na possibilidade de detecção direta, sem exigir preparo de amostra, o que torna o processo rápido. Além disso, o método preserva o alimento, permitindo o consumo após a análise.</p>
<p>A luva não tem prazo de validade e pode ser usada enquanto não houver danos nos sensores. <a href="https://bv.fapesp.br/pt/pesquisador/540/osvaldo-novais-de-oliveira-junior" target="_blank" rel="noopener">Osvaldo Novais de Oliveira Junior</a>, professor do IFSC e coautor da pesquisa, explica que os sensores podem ser danificados por solventes orgânicos (como álcool e acetona) ou por algum contato mecânico impróprio na superfície do sensor (um objeto que o arranhe, por exemplo).</p>
<h3><b>Mercado</b></h3>
<p>Raymundo-Pereira salienta que o produto é inovador e que já está em andamento o processo de requisição de patente junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). Ele afirma que não há um procedimento simples para a detecção de pesticidas, principal razão pela qual os testes para discriminação de diferentes classes de pesticidas e outros contaminantes ainda não estão disponíveis no mercado.</p>
<p>Para ele, o uso de dispositivos como a luva, que permitem a análise química de materiais perigosos <i>in loco</i>, seria relevante em aplicações alimentares, ambientais, forenses e de segurança, permitindo um rápido processo de tomada de decisão no campo.</p>
<blockquote><p>“Representantes das agências internacionais que fazem o controle da entrada de alimentos nos diversos países do mundo já usam luvas para manipulá-los. Imagine se tivessem um sistema de sensoriamento de pesticidas embutido? Alimentos contendo pesticidas proibidos seriam descartados já na fronteira. O dispositivo pode ser usado durante a colheita também.”</p></blockquote>
<p>Segundo o pesquisador, o custo do dispositivo é basicamente o custo da luva, sem o sensor.</p>
<p>“Os sensores custam menos de US$ 0,1. O custo principal é a luva. Usamos uma luva nitrílica porque é menos porosa que a de látex. Com a pandemia, o preço dela disparou. E o custo individual subiu. Mas, ainda assim, o dispositivo que criamos é um produto muito barato. Mais acessível que os testes feitos atualmente.”</p>
<p>A pesquisa recebeu financiamento da Fapesp por meio de quatro projetos (<a href="https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/165011/design-e-fabricacao-de-dispositivos-flexiveis-nanoestruturados-para-deteccao-de-biomarcadores/" target="_blank" rel="noopener">16/01919-6</a>; <a href="https://bv.fapesp.br/pt/bolsas/194766/desenvolvimento-de-dispositivos-eletroquimicos-baseados-em-nanoestruturas-de-carbono-e-prata-para-a/" target="_blank" rel="noopener">20/09587-8</a>; <a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/103476/confeccao-de-dispositivos-eletroquimicos-descartaveis-compostos-por-nanoesferas-ocas-de-carbono-e-na/" target="_blank" rel="noopener">19/01777-5</a>; e <a href="https://bv.fapesp.br/pt/auxilios/106487/rumo-a-convergencia-de-tecnologias-de-sensores-e-biossensores-a-visualizacao-de-informacao-e-aprendi/" target="_blank" rel="noopener">18/22214-6</a>).</p>
<p>O artigo <i>Selective and sensitive multiplexed detection of pesticides in food samples using wearable, flexible glove-embedded non-enzymatic sensors</i> pode ser acessado em: <a href="https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1385894720334045" target="_blank" rel="noopener">www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1385894720334045</a>.</p>
</div>
<p><em>Fonte: Karina Ninni | Agência Fapesp</em></p>
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