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	<title>gambá &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Com comida indígena em alta, mucura é destaque do cardápio paraense</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 25 Nov 2021 17:43:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[GENTE DA TERRA]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/11/mucura-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Nos últimos meses, percebemos maior difusão de casas de comida indígena em função da maior exposição de várias etnias em eventos recentes de porte internacional, como o Fórum Mundial de Bioeconomia e a Conferência do Clima da ONU. Também circulou pelo país uma reportagem que a CNN Brasil fez sobre o restaurante Biatüwi, de Manaus, [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/11/mucura-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><div class="ebd-block " data-type="text">Nos últimos meses, percebemos maior difusão de casas de comida indígena em função da maior exposição de várias etnias em eventos recentes de porte internacional, como o Fórum Mundial de Bioeconomia e a Conferência do Clima da ONU. Também circulou pelo país uma <a href="https://viagemegastronomia.cnnbrasil.com.br/gastronomia/conheca-o-biatuwi-o-primeiro-restaurante-de-comida-indigena-do-pais/" target="_blank" rel="noopener">reportagem</a> que a CNN Brasil fez sobre o restaurante Biatüwi, de Manaus, gerido por indígenas.</div>
<div class="ebd-block " data-type="text">A curiosidade de quem não é do Norte só tende a aumentar com tanta vitrine da culinária amazônida pelo mundo afora. Quem sabe não é hora de popularizar também o nosso delicioso mucura?</div>
<div class="ebd-block " data-type="text">
<p>Isso porque, na Amazônia, animais exóticos fazem parte do cardápio dos povos indígenas e comunidades tradicionais como heranças culturais. Aqui no Pará, por exemplo, em uma comunidade ribeirinha localizada no município de Abaetetuba, o consumo da carne de <a title="" href="https://portalamazonia.com/amazonia-az/letra-m/mucura" target="_blank" rel="noopener"><strong>mucura</strong></a> é algo comum, nos lembrou o &#8220;Portal Amazônia&#8221; na quarta-feira, 24/11.</p>
<p><a title="" href="https://portalamazonia.com/amazonia/conheca-a-mucura-animal-importante-na-manutencao-da-biodiversidade-e-controle-de-pragas" target="_blank" rel="noopener">A mucura, também conhecida em parte do país como gambá,</a> é lembrada pelo líquido mal cheiroso produzido por suas glândulas axilares usado como arma de defesa. Se alimenta de roedores, aves de pequeno porte, rãs, lagartos, insetos e frutos. Em diversas comunidades amazônicas, a caça deste animal é feita para fins de alimentação e uso medicinal.</p>
<p>Além do uso na culinária, a mucura tem papel de controle de pragas e manutenção da biodiversidade.</p>
<blockquote><p>&#8220;Um dos papéis deles é contribuir com o equilíbrio ecológico, pois eles são controladores de animais considerados pragas para a população humana, como escorpiões, insetos e alguns tipos de serpentes. Por isso, é fundamental preservar os gambás e o seu papel na biodiversidade&#8221;, diz a professora Ana Silvia Ribeiro, médica veterinária coordenadora do Ambulatório de Animais Selvagens da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA).</p></blockquote>
<p>De acordo com o professor da Universidade Federal do Pará (UFPA), Flávio Bezerra Barros, a mucura é um alimento apreciado em diversas localidades e, apesar do aspecto &#8220;feio&#8221; do animal, &#8220;possui um sabor delicioso, parecido com o de uma galinha&#8221;. Normalmente, a carne é guisada com bastante tempero e molho.</p>
<h3>Preparo delicado</h3>
<p>Nos últimos anos, Flávio apresentou dois artigos sobre a utilização da mucura como alimento nas comunidades do Pará. Durante as entrevistas, ele descobriu a maneira que os ribeirinhos preparam o animal: o primeiro passo, após o abate, é ferver o animal em água quente para limpar os pelos.</p>
<p>Em seguida, é realizada a remoção das vísceras do animal. O momento de cuidado fica para a retirada das glândulas que produzem a &#8220;catinga&#8221;, encontradas nas axilas da mucura. Ao Portal Amazônia, o pesquisador afirmou que não é qualquer pessoa que consegue &#8220;tratar&#8221; uma mucura.</p>
<blockquote><p>&#8220;Ela possui uma glândula que é responsável pelo seu odor característico, por esse motivo, não é fácil preparar a carne da mucura para o consumo. Quem trata a carne deve conhecer todas as técnicas para retirar o pitiú&#8221;, explicou.</p></blockquote>
<p>O limão é usado para retirar o &#8216;pitiú&#8217; do sangue e a carne pode ser temperada a gosto. Até mesmo a gordura da mucura é utilizada para a produção de medicamentos.</p>
<p>Por se tratar de uma carne de caça, a mucura não pode ser comercializada em feiras, sendo usada apenas para o consumo próprio. Porém, é comum encontrar nos comércios das pequenas cidades, como destaca o professor:</p>
<p>&#8220;Uma vez eu encontrei uma mucura grande que custava R$ 40. Geralmente os ribeirinhos chegam das comunidades rurais para comercializar o animal, alguns, inclusive, chegam a criá-los em cativeiro para engordá-los&#8221;, processo conhecido como ceva.</p>
<p>Enquanto para alguns o consumo da carne de mucura pareça repulsivo, para outras pessoas significa a sobrevivência.</p>
<blockquote><p>&#8220;Na China, eles consomem bichos inimagináveis pra gente, o que pode chocar muitas pessoas, entretanto, é algo cultural. Na Amazônia é a mesma coisa, as pessoas não consomem apenas a mucura, mas comem também cobra, jabuti, macaco, formiga e outros animais. São heranças culturais&#8221;, reforça o pesquisador.</p></blockquote>
</div>
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<div class="eb-image style-clear"><em>Fonte: Diego Oliveira, do Portal da Amazônia</em></div>
</div>
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