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	<title>destaque2 &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<title>destaque2 &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<item>
		<title>Emissões de gases de efeito estufa no Brasil caem pelo 3º ano consecutivo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 17:47:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[agropecuária]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/08/operacao_desmate-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo O Brasil reduziu a poluição atmosférica pelo 3º ano consecutivo em 2025. As emissões brutas caíram 6% (2,06 bilhões de toneladas de gases) e as líquidas caíram 9% (1,41 bilhão de toneladas, menor nível desde 2012). Com esse resultado, o País ficou a apenas 6% de atingir sua meta oficial para 2025 do Acordo [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/08/operacao_desmate-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>O Brasil reduziu a poluição atmosférica pelo 3º ano consecutivo em 2025. As emissões brutas caíram 6% (2,06 bilhões de toneladas de gases) e as líquidas caíram 9% (1,41 bilhão de toneladas, menor nível desde 2012).</em></li>
<li><em>Com esse resultado, o País ficou a apenas 6% de atingir sua meta oficial para 2025 do Acordo de Paris.</em></li>
<li><em>A redução foi impulsionada pelo menor desmatamento, com queda nas emissões do setor de uso da terra (-15% brutas e -48% líquidas), registrando recuo em todos os biomas (destaque para Amazônia com -20% e Pantanal com -45%).</em></li>
<li><em>A pegada de carbono por habitante aiu para 9,6 toneladas/ano, aproximando-se da média global de 6,3 toneladas.</em></li>
<li><em>As emissões diretas da agropecuária variaram apenas -0,1% (30% do total nacional). A redução na pecuária (-1,68%) foi compensada pelo aumento na agricultura (+6,45% pelo uso de solo e fertilizantes).</em></li>
<li><em>No setor de energia, houve alta de 1,2%, impulsionada pelo consumo de diesel nos transportes. No de indústrias (5% do total), teve alta leve de 0,2%.</em></li>
<li><em>Já no setor de resíduos e lixo (5% do total), houve a maior alta proporcional (+3,6%), impulsionada pelo descarte em aterros e baixa reciclagem.</em></li>
<li><em>Apesar do avanço em políticas de combate ao desmatamento, é indispensável reduzir emissões nos outros setores para garantir o cumprimento das metas climáticas de 2030 e 2035.</em></li>
</ul>
<p>&nbsp;</p>
<p>O Brasil reduziu a poluição lançada na atmosfera pelo terceiro ano seguido. Em 2025, as emissões brutas do País caíram 6%, somando 2,06 bilhões de toneladas de gases de efeito estufa. Quando descontamos o carbono absorvido pelas florestas em crescimento e por áreas protegidas, o valor líquido foi de 1,41 bilhão de toneladas — uma queda de 9% e o menor resultado desde 2012.</p>
<p>Com essa redução, o Brasil ficou a apenas 6% de bater sua meta oficial no Acordo de Paris para 2025. Os dados fazem parte da nova edição do relatório anual do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima.</p>
<p>Para David Tsai, coordenador do estudo e pesquisador do Iema, o País deu um passo importante.</p>
<blockquote><p>“Nos últimos quatro anos, o Brasil correu atrás do prejuízo e cortou em um quarto as suas emissões brutas. É um feito digno de nota, dado que nos 13 anos anteriores, desde que publicou sua Política Nacional do Clima em 2009, o país viu suas emissões crescerem em dois terços”.</p></blockquote>
<h3>Desmatamento despenca e reduz a poluição</h3>
<p>A maior responsável pelo bom resultado foi a queda expressiva no desmatamento. Em 2025, o setor de mudança de uso da terra, que inclui a derrubada florestal, reduziu em 15% suas emissões brutas e em 48% suas emissões líquidas.</p>
<p>O recuo no desmatamento aconteceu em todos os biomas, com destaque para a Amazônia, que teve queda de 20% nas emissões por destruição florestal, e para o Pantanal, onde a queda chegou a 45%.</p>
<blockquote><p> “A redução das emissões observada nos últimos três anos no setor de mudança do uso da terra reflete os resultados positivos das políticas de controle do desmatamento no Brasil”, afirma Bárbara Zimbres, pesquisadora do Ipam.</p></blockquote>
<p>Atualmente, o uso da terra responde por 39% de todas as emissões brutas do Brasil. O desmatamento menor também fez a pegada líquida de carbono por habitante cair para 6,6 toneladas de gases por ano — cifra bem mais próxima da média global de 6,3 toneladas. Excluído o desmatamento, a média do País seria 5,8 toneladas per capita.</p>
<p>Para David Tsai, o fato de essa queda ocorrer tão depressa após anos de forte subida do desmatamento mostra o sucesso do País em criar e aplicar políticas de comando e controle.</p>
<blockquote><p>&#8220;No entanto, preocupa que nosso desempenho climático ainda dependa tanto de um só setor, o de uso da terra. É imprescindible avançar nos outros setores para que as próximas metas, de 2030 e 2035, sejam cumpridas”.</p></blockquote>
<h3>Agropecuária manteve emissões</h3>
<p>Enquanto a poluição vinda do desmatamento caiu, a agropecuária manteve suas emissões diretas praticamente estáveis (-0,1%), gerando 626 milhões de toneladas de gases e respondendo por 30% das emissões do país. Se somarmos as emissões diretas da agropecuária com a derrubada de matas para a criação de pastos e lavouras, o setor é responsável por 70% de toda a poluição do Brasil.</p>
<p>Dentro do campo, a pecuária conseguiu reduzir suas emissões em 1,68%, muito por conta de um recorde no abate de bois, que reduziu o tamanho do rebanho nacional. Em compensação, a agricultura aumentou suas emissões em 6,45% devido ao maior uso do solo e de fertilizantes. Sozinho, o rebanho bovino emitiu tanto gás que, se o boi brasileiro fosse um país, ele seria o 11º maior poluidor do planeta, ficando à frente de nações inteiras como a Austrália.</p>
<p>Segundo Gabriel Quintana, pesquisador do Imaflora, o momento exige eficiência.</p>
<blockquote><p>“A redução das emissões da pecuária foi compensada pelo aumento das emissões da agricultura, acompanhadas pela maior produção do setor. Isso demonstra como é possível conciliar cada vez mais a redução das emissões com maior produção e produtividade”.</p></blockquote>
<p>O coordenador de Política Internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo defende que o Brasil comece a computar as remoções por solos agrícolas em seus dados oficiais.</p>
<blockquote><p>&#8220;Graças a técnicas de recuperação de pastagem e manejo de solos, nós já capturamos carbono em solo agrícola. É um volume importante, mais de 150 milhões de toneladas em 2025, segundo nossos dados preliminares.&#8221;</p></blockquote>
<h3>Outros setores</h3>
<p>Nos demais setores da economia, os resultados ficaram divididos: a área de energia registrou uma alta de 1,2% nas emissões (21% do total do país), impulsionada principalmente pelo aumento do uso de diesel nos transportes, enquanto o setor de indústrias subiu 0,2% (5% do total).</p>
<p>Já o setor de resíduos e lixo teve a maior alta proporcional, de 3,6% (5% do total), puxado pelo descarte em aterros e pela baixa taxa de reciclagem.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Queda de desmatamento no Brasil gera R$ 1,16 trilhão à economia global</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 21 Oct 2026 13:53:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[agronegócio]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/16a3da3d-d97d-40c3-bb64-10a331e9daa9-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo A queda no desmatamento da Amazônia e do Cerrado desde 2023 gerou uma economia estimada de R$ 1,16 trilhão para o mundo em danos climáticos evitados, sendo até R$ 192 bilhões direcionados diretamente ao Brasil. Entre 2023 e 2026, 22,3 mil km² deixaram de ser desmatados em comparação com o período de 2019–2022. Os [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/16a3da3d-d97d-40c3-bb64-10a331e9daa9-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>A queda no desmatamento da Amazônia e do Cerrado desde 2023 gerou uma economia estimada de R$ 1,16 trilhão para o mundo em danos climáticos evitados, sendo até R$ 192 bilhões direcionados diretamente ao Brasil.</em></li>
<li><em>Entre 2023 e 2026, 22,3 mil km² deixaram de ser desmatados em comparação com o período de 2019–2022. Os dados mais recentes do Inpe apontam a menor área desmatada na Amazônia desde 1998 e no Cerrado desde 2001.</em></li>
<li><em>O combate ao desmatamento evitou a liberação de 1,49 bilhão de toneladas de gases do efeito estufa (GEE) na atmosfera.</em></li>
<li><em>Os prejuízos evitados se traduzem em menor perda de safras, menor estresse térmico na produtividade do trabalho e redução de eventos climáticos extremos.</em></li>
<li><em> A preservação da umidade trazida pela floresta beneficia diretamente a agropecuária e a geração de energia. A chuva gerada pela Amazônia para o país é avaliada em cerca de US$ 20 bilhões por ano.</em></li>
<li><em> Mecanismos como o Fundo Amazônia e o mercado de carbono cobrem apenas uma fração muito pequena do valor real que o Brasil gera ao manter a floresta em pé.</em></li>
<li><em>O estudo sugere adotar o conceito de Custo Social do Carbono no planejamento de obras, no setor elétrico e na definição de tributos e subsídios no país.</em></li>
</ul>
<p>A redução do desmatamento na Amazônia brasileira e no Cerrado desde 2023 pode ter rendido ganhos de cerca de R$ 1,16 trilhão para a economia mundial. Desse total, até R$ 192 bilhões corresponderiam a danos climáticos evitados para a própria economia brasileira.</p>
<p>A constatação faz parte de um estudo do economista Bráulio Borges, publicado esta semana pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), um think tank (centro de estudos) da Fundação Getulio Vargas (FGV).</p>
<p>Para chegar à conclusão, o especialista comparou o desmatamento dos dois biomas no período de 2019 a 2022 e os comparou com os de 2023 a 2026.</p>
<p>A análise já leva em conta os dados divulgados na última sexta-feira,16, pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), órgão vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.</p>
<p>De acordo com o Inpe, de agosto de 2025 a julho de 2026, o desmatamento caiu 41,8% na Amazônia e 23,8% no Cerrado. A área desmatada na Amazônia ficou em 3.335 km², a menor desde 1998. No Cerrado, os 5.516,69 km² representam a menor extensão desde 2001.</p>
<p>O estudo revela que, de 2019 a 2022, a área desmatada nos dois biomas chegou a 78,9 mil km². Já de 2023 a 2026, 56,7 mil km². O dado representa que cerca de 22,3 mil km² (21 mil km² na Amazônia e 1,4 mil km² no Cerrado) deixaram de ser desmatados, uma área um pouco maior que Sergipe (21,9 mil km²).</p>
<p>O pesquisador explica que a comparação é feita como se o nível de desmatamento dos quatro anos anteriores fosse mantido no mesmo ritmo.</p>
<p>Ele ainda esclarece que os dados do Inpe consideram os períodos de 12 meses terminados sempre em julho.</p>
<p>Há cerca de quatro anos, um levantamento semelhante de autoria dele revelou que o “forte aumento” dos desmatamentos e das emissões de GEE em 2019-22, comparativamente à extrapolação do nível observado em 2018, havia gerado um prejuízo para a economia mundial da ordem de R$ 1,22 trilhão (a preços daquele momento).</p>
<h3>Emissão de gases</h3>
<p>Bráulio Borges utilizou modelos para estimar a emissão de gases do efeito estufa (GEE) no período e o valor monetário dos danos causados.</p>
<p>Os cálculos apontaram que a redução do desmatamento evitou 1,49 bilhão de toneladas de emissões de GEE no período de 2023 a 2026.</p>
<p>Os GEE, entre eles o dióxido de carbono (CO₂), conhecido como gás carbônico, são liberados durante queimadas, contribuindo para o aquecimento global e as mudanças climáticas. Florestas em pé funcionam como reservatórios de carbono, armazenado na vegetação e nos solos.</p>
<p>O levantamento utiliza uma estimativa chamada Custo Social do Carbono (CSC), uma forma de calcular em valores monetários o impacto negativo das emissões.</p>
<p>Com base em estudos de outros autores, o pesquisador do Ibre chegou à média ponderada de um CSC de US$ 145 por tonelada de CO₂, no chamado cenário central.</p>
<h3>Valor dos danos evitados</h3>
<p>Bráulio Borges utilizou os dados de área que deixou de ser desmatada e CSC para estimar que a floresta em pé gerou R$ 1,16 trilhão em valor econômico dos danos climáticos globais que teriam sido evitados.</p>
<p>Uma estimativa mais conservadora aponta que esse benefício seria de R$ 621 bilhão, enquanto o cenário mais otimista leva a cifra a R$ 9,8 trilhões.</p>
<p>Trazendo os números para o Brasil, o estudo projeta benefícios de R$ 67 bilhões a R$ 192 bilhões.</p>
<blockquote><p>“Em ambos os casos, trata-se de um benefício que se materializa majoritariamente sob a forma de danos evitados, menos perdas de safras, menor estresse térmico sobre a produtividade do trabalho, menos eventos extremos, entre outros”, descreve o economista.</p></blockquote>
<h3>Rios voadores</h3>
<p>O pesquisador acrescenta que a estimativa não incorpora os efeitos diretos e regionais que o desmatamento da Amazônia exerce sobre o regime de chuvas, a temperatura e a disponibilidade de água no território brasileiro.</p>
<p>O analista contextualiza que a economia brasileira tem “enorme dependência” do insumo água/chuvas para geração hidrelétrica, agropecuária, abastecimento urbano etc.</p>
<p>Ele se utiliza de diversos estudos para assinalar valores aos chamados “rios voadores”, as correntes de umidade que, alimentadas pela evapotranspiração da floresta, transportam vapor d’água para o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul do país”.</p>
<p>Há pesquisas, cita o estudo, que fazem relação entre aumento de desmatamento e diminuição de chuvas proporcionadas pelos rios voadores.</p>
<blockquote><p>“Valorando essa água pelo preço da água utilizada para irrigação na agricultura, os autores estimam que a chuva gerada pela Amazônia brasileira vale cerca de US$ 20 bilhões por ano, ou aproximadamente US$ 60 por hectare de floresta ao ano”, conclui Borges.</p></blockquote>
<p><strong>“A redução dos desmatamentos não é incompatível com a expansão da produção agropecuária, até porque, o próprio agronegócio é um dos principais beneficiários da chuva gerada pela floresta”, observa.</strong></p>
<p>Borges ressalta que, diferentemente das emissões de GEE evitadas, o ganho capturado pelos rios voadores é constante, se repete indefinidamente enquanto a floresta permanecer em pé.</p>
<p>O economista pondera que os benefícios são ainda maiores, uma vez que não entram no cálculo os ganhos para a geração hidrelétrica, a navegação fluvial, a redução dos incêndios, a biodiversidade e o abastecimento urbano.</p>
<blockquote><p>&#8220;O Sistema Cantareira, em São Paulo, está na rota dos rios voadores”, lembra.</p></blockquote>
<h3>Sem remuneração</h3>
<p>Bráulio Borges conclui que os benefícios globais gerados pelo fato de as florestas permanecerem em pé no Brasil são maiores que a remuneração que o País recebe de entidades internacionais e outros países.</p>
<p>Segundo ele, mecanismos como o Fundo Amazônia (que recebe doações de dentro e de fora do país), o mercado de crédito de carbono (compensação financeira para quem não emite ou captura GEE) e o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), lançado pelo Brasil na COP30, em Belém, no ano passado, vão na direção correta de monetizar a floresta em pé.</p>
<blockquote><p>“Mas os valores envolvidos ainda são uma fração muito pequena dos ganhos estimados aqui”, pondera.</p></blockquote>
<h3>Sugestão</h3>
<p>O economista sugere que formuladores de políticas públicas passem a incorporar explicitamente o conceito de Custo Social do Carbono nas análises de custo-benefício de políticas.</p>
<blockquote><p>“Isso vale para obras de infraestrutura na Amazônia, para o planejamento da expansão do setor elétrico e para a calibração de tributos e subsídios. Sem isso, continuaremos tomando decisões com base em uma contabilidade que enxerga apenas metade do balanço”, diz.</p></blockquote>
<p><em>Fonte: Agência Brasil</em></p>
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		<title>Sem regras no campo, quem trabalha certo sai perdendo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 19 Oct 2026 21:01:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[água]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/09/rios-voadores.1-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Imagine a seguinte situação: você tem seu pedaço de terra, trabalha de sol a sol, cuida do rebanho e depende da água do rio para ver sua lavoura prosperar. Um dia, essa água começa a secar. Em seguida, vem barrenta. E o pior: vem contaminada por mercúrio, um veneno que traz doenças graves, como o [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/09/rios-voadores.1-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Imagine a seguinte situação: você tem seu pedaço de terra, trabalha de sol a sol, cuida do rebanho e depende da água do rio para ver sua lavoura prosperar. Um dia, essa água começa a secar. Em seguida, vem barrenta. E o pior: vem contaminada por mercúrio, um veneno que traz doenças graves, como o câncer.</p>
<p>A indignação é imediata, afinal, você não fez nada de errado. Mas alguém rio acima — que deveria cuidar do recurso que é de todos — usou a água sem responsabilidade. No Pará, essa história se repetiu várias vezes por causa do garimpo ilegal. A diferença é que, com regras claras, houve denúncia e a polícia pôde agir para conter o estrago.</p>
<p>Agora, pare e pense: e se vigiasse a lei do &#8220;cada um faz o que quer&#8221;?</p>
<p>Se a terra rio acima pudesse ser usada sem nenhum limite, você não teria a quem recorrer quando a água faltasse ou chegasse poluída na sua propriedade. Sem regras, a denúncia perde a força e a fiscalização fica de mãos atadas.</p>
<p>À primeira vista, a ideia de &#8220;fazer o que bem entender&#8221; na própria terra parece tentadora. Mas a conta dessa liberdade sem limites quase sempre sobra para quem está ao lado. O produtor rural do Pará conhece bem essa realidade na pele: sente o clima cada vez mais quente, enfrenta chuvas irregulares pelo desmatamento sem controle e vê até cartões-postais, como Alter do Chão, perderem a pureza de suas águas.</p>
<p>No fim das contas, a reflexão que fica para quem vive do campo é simples: se cada um puder fazer o que quiser sem prestar contas, como fica a segurança de quem trabalha honestamente?</p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>El Niño e queimadas criminosas agravam crise ambiental e de saúde no Norte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 16 Oct 2026 15:54:35 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Amazonas]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/10/fogo1-_Amazonia-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo A grave crise de incêndios no Norte do Brasil é alimentada pela seca extrema do El Niño e pela ação humana, investigada como a principal responsável pelo início do fogo. Entre setembro e outubro, a Amazônia concentrou mais da metade dos focos de calor do país (15.449 focos), com destaque para o estado do [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/10/fogo1-_Amazonia-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>A grave crise de incêndios no Norte do Brasil é alimentada pela seca extrema do El Niño e pela ação humana, investigada como a principal responsável pelo início do fogo.</em></li>
<li><em>Entre setembro e outubro, a Amazônia concentrou mais da metade dos focos de calor do país (15.449 focos), com destaque para o estado do Pará e um avanço expressivo no Amapá.</em></li>
<li><em>Mais de 1,14 milhão de pessoas no Amazonas foram afetadas pelos incêndios (701 mil em Manaus), e dezenas de municípios decretaram emergência por seca ou sofreram com tempestades.</em></li>
<li><em>Autoridades investigam suspeitas de queimadas organizadas (como o &#8220;Dia do Fogo&#8221;), sujeitando infratores a multas de até R$ 10 mil por hectare, embargo de terras e prisão.</em></li>
<li><em> A poluição extrema provocou a suspensão de aulas presenciais em Manaus, dependendo das condições de ventos para a dispersão da fumaça.</em></li>
<li><em> O governo federal mobilizou aeronaves, brigadistas e apoio logístico, logrando extinguir 292 incêndios no Amazonas e reduzindo gradativamente novos focos.</em></li>
<li><em>Além de medidas individuais de proteção (como uso de máscaras PFF2), a solução exige combate às queimadas ilegais, fiscalização rigorosa e políticas públicas contínuas.</em></li>
</ul>
<p>O Norte do Brasil enfrenta uma grave crise socioambiental provocada por uma combinação fatal: de um lado, o fenômeno El Niño, que intensifica a seca e eleva as temperaturas sobre um território vulnerável aos extremos climáticos; de outro, a ação humana, apontada pelas autoridades como a principal causadora do início dos incêndios.</p>
<p>A dimensão dessa crise é evidenciada nos registros do satélite de referência do INPE, que identifica focos de calor como pontos de temperatura anormalmente alta — indicador que aponta o avanço do fogo (especialmente em áreas agropecuárias), embora não meça a área queimada nem equivalha ao número exato de incêndios.</p>
<p>Entre 13 de setembro e 12 de outubro, a Amazônia registrou 15.449 focos de calor — número 2,4 vezes maior que no mesmo período de 2025 —, passando a responder por 53,1% dos focos do país. O Pará concentrou mais da metade desse total (7.984 focos) e o Amapá quase triplicou seus índices.</p>
<p>Nos primeiros doze dias de outubro, o país somou 12.649 focos (+4,4% ante 2025). A Amazônia concentrou 58,9% do total nacional (7.455 focos, ou 2,6 vezes mais que em 2025), impulsionada pelo Pará, com 4.397 focos no mês — superando todo o Cerrado, que teve queda de 40,9%. Apesar da alta recente, o acumulado anual do país ainda se mantém 5,5% abaixo de 2025.</p>
<p>As consequências humanas e ambientais já são profundas. Em 9 de outubro, 36 municípios do Amazonas registraram danos por incêndios no sistema da Defesa Civil nacional, somando 1,14 milhão de pessoas afetadas (701 mil apenas em Manaus), em registros que aguardavam reconhecimento federal.</p>
<p>Além disso, entre 12 de setembro e 12 de outubro, 135 municípios de 14 estados tiveram decretação de emergência por seca reconhecida (11 no Amazonas).</p>
<h3>Investigação em curso</h3>
<p>Se o clima atua como estopim, a origem das chamas tem sido investigada na esfera criminal. Durante coletiva em Manaus, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, reforçou que os focos têm origem na ação humana e prometeu punições exemplares contra ações organizadas, citando suspeitas semelhantes ao “Dia do Fogo” de 2024.</p>
<p>Até o momento, a força-tarefa no Amazonas abriu 120 Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs). As investigações envolvem as polícias Federal, Rodoviária Federal e Civil, com apoio da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).</p>
<p>Quem provoca incêndios florestais está sujeito a multas de R$ 5 mil a R$ 10 mil por hectare, embargo de áreas, apreensão de equipamentos e prisão.</p>
<h3>Avanços da força-tarefa</h3>
<p>Apesar da gravidade, o governo relata avanços.Mais de 300 focos de incêndio florestal foram extintos, nos últimos cinco dias, pelas equipes da força-tarefa que atuam no combate às chamas que atingem o Amazonas.<img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.png?id=1705558&amp;o=node" /><img decoding="async" src="https://agenciabrasil.ebc.com.br/ebc.gif?id=1705558&amp;o=node" /></p>
<p>Após o pico de 494 novos focos, no dia 10 de outubro, o estado registra nesta sexta-feira (16) 188 focos de incêndio, segundo o painel Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).</p>
<p>De acordo com o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, atuam na força-tarefa 330 brigadistas em equipes coordenadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).</p>
<p>Também foram deslocadas para o estado 11 aeronaves, além de 32 veículos terrestres e oito embarcações.</p>
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		<title>Amazônia registra menor desmatamento da história enquanto agropecuária avança</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Oct 2026 15:52:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[agropecuária]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[áreas protegidas]]></category>
		<category><![CDATA[BR-163]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/amazonia44-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Em 2025, a Amazônia registrou 693 mil hectares de desmatamento — o menor valor da série histórica —, sendo 639 mil hectares em vegetação primária e 54 mil hectares em secundária. A vegetação secundária já ocupa 7,3 milhões de hectares (crescendo 180 mil hectares/ano) Enquanto isso a expansão agropecuária alcançou 65,3 milhões de hectares [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/amazonia44-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>Em 2025, a Amazônia registrou 693 mil hectares de desmatamento — o menor valor da série histórica —, sendo 639 mil hectares em vegetação primária e 54 mil hectares em secundária. A vegetação secundária já ocupa 7,3 milhões de hectares (crescendo 180 mil hectares/ano)</em></li>
<li><em>Enquanto isso a expansão agropecuária alcançou 65,3 milhões de hectares em 2025, o que representa 15,5% do bioma. No acumulado histórico (1985–2025), a conversão total para uso antrópico chegou a 74,6 milhões de hectares (83% nos últimos 40 anos), com perda acumulada de 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa.</em></li>
<li><em> O bioma possui 618 mil km de estradas (41,5 mil km dentro de áreas protegidas). A agropecuária ocupa 40,2% das áreas a até 5 km das vias (63 milhões de hectares), reduzindo-se para 26,7% no raio de 20 km.</em></li>
<li><em>A agropecuária cresceu 561% desde 1985 nessas faixas de entorno, ocupando 30,5% (13,6 milhões de hectares) de áreas protegidas. Dentro das áreas protegidas (Terras Indígenas, UCs e quilombolas), a vegetação nativa ainda responde por 98% da cobertura.</em></li>
<li><em>A pastagem cresceu 556% desde 1985, sendo o destino inicial de 77% dos desmatamentos e somando 50,8 milhões de hectares (12% do bioma).</em></li>
<li><em>A agricultura saltou de 161 mil hectares em 1985 para 8,6 milhões de hectares em 2025 (2% do bioma), com destaque para a soja (7 milhões de hectares).</em></li>
<li><em>As áreas úmidas, que somavam 59,8 milhões de hectares em 2025, apresentando uma retração de 4,4% em relação a 1985 (60% das áreas convertidas viraram pastagem).</em></li>
<li><em>A Amacro (AM, AC, RO) perdeu 7 milhões de hectares de vegetação nativa desde 1985 (-16%), com pastagens multiplicadas por 15.</em></li>
<li><em>A mineração passou de 32 mil hectares em 1985 para 440 mil hectares em 2025 (quase 14 vezes a área inicial), com 47% desse total aberto na última década.</em></li>
</ul>
<p>Enquanto o desmatamento na Amazônia recuou para o menor patamar da série histórica em 2025 — registrando 693 mil hectares —, a atividade agropecuária seguiu em expansão, alcançando 65,3 milhões de hectares, o equivalente a 15,5% do bioma.</p>
<p>É o que revela o recorte da Coleção 11 do MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira, 14, que detalha a complexa dinâmica do uso da terra na região. Do total desmatado no ano, 639 mil hectares ocorreram em vegetação primária (áreas até então intocadas) e 54 mil hectares em vegetação secundária.</p>
<p>O estudo aprofunda a análise sobre onde e como essa expansão acontece. A agropecuária cresceu 561% desde 1985 no entorno das áreas protegidas da Amazônia e já ocupa 30,5% (ou cerca de 31%) dessa faixa, somando 13,6 milhões de hectares.</p>
<p>A agropecuária da Amazônia segue o traçado das estradas e cobre 40% das áreas a até 5 quilômetros (km) das vias (o equivalente a 63 milhões de hectares), que levam a produção aos portos e conectam as cidades da região. Ao mesmo tempo, a atividade avança sobre o entorno das áreas protegidas e responde por 31% da faixa de 5 km ao redor delas, aumentando a pressão sobre a floresta.</p>
<p>A participação da atividade diminui à medida que aumenta a distância das estradas: considerando um raio de 20 quilômetros, ela representa 26,7%. Em contrapartida, a vegetação nativa segue o movimento inverso, correspondendo a 56,7% da área a até 5 quilômetros e chegando a 69,3% no raio de 20 quilômetros.</p>
<p>As dinâmicas variam consideravelmente entre as principais rodovias da Amazônia:</p>
<ul>
<li>BR-364: Apresenta o maior percentual de agropecuária no raio de 20 quilômetros, atingindo 43,5%.</li>
<li>BR-163: Apresenta 39% de agropecuária em seu raio de 20 quilômetros.</li>
<li>BR-319: Mantém forte predominância de preservação, com a vegetação nativa representando 86% da área no mesmo raio.</li>
</ul>
<p>Para Bruno Ferreira, pesquisador do MapBiomas, o avanço da infraestrutura exige cautela. De acordo com ele, a<span style="font-size: 14px;"> expansão das estradas não representa apenas a abertura de novos caminhos de circulação. Ela também amplia o acesso a áreas antes mais isoladas e pode facilitar a chegada de diferentes atividades e formas de ocupação do território. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-size: 14px;">&#8220;O avanço da infraestrutura, especialmente quando acompanhado pela abertura de ramais e acessos secundários, requer atenção a curto e a longo prazo, pois pode conectar fronteiras de desmatamento, exploração de madeira, ocupação irregular em extensas áreas de vegetação nativa e áreas protegidas&#8221;, explica.</span></p></blockquote>
<h3>O papel central das áreas protegidas</h3>
<p>Dentro das áreas protegidas — que englobam Terras Indígenas, Unidades de Conservação e territórios quilombolas —, a vegetação nativa responde por 98% da cobertura. No entanto, a proximidade de pressões externas exige políticas contínuas de blindagem.</p>
<p>Ives Brandão, da equipe da Amazônia do MapBiomas, afirma que as<span style="font-size: 14px;"> áreas protegidas desempenham um papel fundamental na conservação do bioma, funcionando como uma espécie de barreira à transformação da paisagem e mantendo grandes extensões de vegetação nativa.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-size: 14px;">&#8220;À medida que estradas, outras atividades e novas formas de ocupação se aproximam de seus limites, essas áreas também passam a sofrer pressões crescentes. Por isso, além de garantir a proteção desses territórios, é importante que existam condições e políticas que fortaleçam sua conservação. Quando essa proteção é enfraquecida, essas áreas podem ficar mais vulneráveis justamente em um contexto de avanço das pressões sobre a paisagem ao seu redor&#8221;, aponta</span></p></blockquote>
<h3>Desmatamento em baixa histórica</h3>
<p>Em 2025, os 693 mil hectares de desmatamento consolidaram o menor valor da série histórica. Do total, 639 mil hectares incidiram sobre vegetação primária, enquanto 54 mil hectares ocorreram em vegetação secundária. Esta última já ocupa 7,3 milhões de hectares na Amazônia (cerca de 2% da cobertura nativa do bioma) e vem crescendo a uma média de 180 mil hectares por ano.</p>
<p>No acumulado de quatro décadas (1985–2025), o bioma perdeu 54,7 milhões de hectares de vegetação nativa. Nesse mesmo período, a área destinada à agropecuária cresceu 440%, e a conversão total para uso antrópico aumentou 492%, totalizando 74,6 milhões de hectares antropizados — sendo que 83% desse total acumulado foi convertido nos últimos 40 anos.</p>
<p>A classe de formação florestal sofreu o maior impacto, perdendo 49,7 milhões de hectares (-14,8%), o que representa 96% de toda a vegetação nativa perdida no período.</p>
<h3>Dinâmica de pastagens, agricultura e áreas úmidas</h3>
<p>A pastagem continua sendo o principal motor e o destino majoritário do solo convertido: entre 1985 e 2025, a área de pastagem cresceu 556%. Em média, 77% dos casos de desmatamento tiveram a pastagem como o primeiro uso registrado. Ao final de 2025, 37,7 milhões de hectares haviam se consolidado especificamente como pastagem, integrando os 50,8 milhões de hectares de pastos mapeados no bioma (12% da Amazônia).</p>
<p>A agricultura também registrou forte expansão, passando de 161 mil hectares em 1985 para 8,6 milhões de hectares em 2025 (2% do bioma).</p>
<p>Nesse segmento, a soja saltou de apenas 1,4 mil hectares para 7 milhões de hectares. Além disso, parte das áreas abertas originalmente para pastagem foi posteriormente convertida em agricultura: são 3,7 milhões de hectares (6,2% das áreas desmatadas mapeadas), concentrados principalmente em Mato Grosso, Rondônia e Pará.</p>
<p>As áreas úmidas da Amazônia (rios, lagos, florestas alagáveis, campos alagados, mangues e apicuns) somavam 59,8 milhões de hectares em 2025, apresentando uma retração de 2,7 milhões de hectares (4,4%) em comparação a 1985. Os dez anos com menor área úmida da série foram registrados na última década, e 60% das áreas úmidas convertidas passaram a ser pastagem.</p>
<p>Por fim, a mineração também ampliou significativamente sua pegada territorial: de 32 mil hectares em 1985, saltou para 440 mil hectares em 2025 (quase 14 vezes a área inicial), sendo que 47% de todo esse montante acumulado foi aberto nos últimos dez anos.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Seca e calor extremos do último El Niño ameaçam virar rotina na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 08 Oct 2026 14:31:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Agência Fapesp]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque2]]></category>
		<category><![CDATA[El Niño]]></category>
		<category><![CDATA[florestas tropicais]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/amazonia44-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo O El Niño de 2023-2024 causou secas severas na Amazônia, isolando comunidades, aquecendo lagos (o que provocou a morte de centenas de botos) e intensificando incêndios e desmatamento. Um estudo internacional publicado na revista Earth&#8217;s Future aponta que 75% das florestas tropicais enfrentaram meses seguidos de seca e calor extremos, cenário que pode se [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/08/amazonia44-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p dir="ltr"><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>O El Niño de 2023-2024 causou secas severas na Amazônia, isolando comunidades, aquecendo lagos (o que provocou a morte de centenas de botos) e intensificando incêndios e desmatamento.</em></li>
<li><em>Um estudo internacional publicado na revista Earth&#8217;s Future aponta que 75% das florestas tropicais enfrentaram meses seguidos de seca e calor extremos, cenário que pode se tornar padrão nos próximos 20 anos sem cortes nas emissões.</em></li>
<li><em>A Amazônia é a mais vulnerável do planeta. Se as emissões continuarem subindo, a chance de enfrentar secas extremas como a do último El Niño pode ser até nove vezes maior até o fim do século.</em></li>
<li><em>Sob calor extremo, a floresta perde a capacidade de absorver gases poluentes e passa a emitir carbono, agravando o aquecimento global e intensificando ainda mais as secas.</em></li>
<li><em>Um novo El Niño já dá sinais na América do Sul e tem previsão de atingir a categoria &#8220;muito forte&#8221; até o início do verão, com impactos severos potencializados pela crise climática.</em></li>
<li><em>Cerca de 80% dos meses de calor extremo ocorreram na estação chuvosa. Sem água suficiente no solo na seca, as árvores perdem a capacidade de resfriamento e sofrem danos severos ou morte.</em></li>
<li><em>Os pesquisadores ressaltam que, embora o cenário exija urgência e cortes rápidos nas emissões, ainda há opções e tempo para agir e mitigar os piores impactos futuros.</em></li>
</ul>
<p dir="ltr">Quem vive na Amazônia viu de perto o que o El Niño de 2023-2024 fez: rios tão baixos que isolaram comunidades, lagos quentes demais para os bichos, fumaça e floresta em sofrimento. Agora, um estudo internacional mostra que aquilo pode ser só o começo. As informações são da Agência Fapesp.</p>
<p dir="ltr">A pesquisa, publicada na revista científica <em>Earth&#8217;s Future</em>, concluiu que cerca de 75% das áreas de florestas tropicais do planeta passaram por pelo menos seis meses seguidos de seca e calor ao mesmo tempo, em níveis nunca vistos. Segundo os autores, esse cenário será o &#8220;novo normal&#8221; nos próximos 20 anos se o mundo não reduzir as emissões de gases de efeito estufa.</p>
<p dir="ltr">Entre todas as florestas tropicais, a Amazônia é a região mais vulnerável. Se as emissões continuarem subindo, a chance de o bioma enfrentar secas tão duras quanto as do último El Niño pode chegar a nove vezes mais até o fim do século, mesmo em anos em que o fenômeno não esteja ativo.</p>
<p dir="ltr">Sob tanto calor, a floresta perde a capacidade de fazer o seu papel. Em vez de retirar da atmosfera os gases que esquentam o planeta, ela passa, por um tempo, a soltar carbono no ar. Esse movimento piora o aquecimento, que por sua vez piora a seca e o calor sobre a floresta, num ciclo vicioso. Por isso os pesquisadores pedem cortes rápidos e contínuos nas emissões.</p>
<p dir="ltr">Em todas as regiões tropicais, as temperaturas muito altas devem se tornar pelo menos seis vezes mais prováveis, mesmo no cenário de menos emissões. Esse cenário só vale se, por volta de 2075, o mundo passar a tirar do ar tanto carbono quanto lança, o chamado &#8220;emissão líquida zero&#8221;.</p>
<h3 dir="ltr">Um El Niño forte está chegando</h3>
<p dir="ltr">O alerta é ainda mais urgente porque o El Niño 2026-2027 já dá sinais. Seus efeitos já podem ser sentidos na América do Sul, e as previsões indicam que ele chegará à categoria &#8220;muito forte&#8221;, a mais alta, até o início do verão. Com o empurrão da crise climática, caminha para ser o mais intenso já registrado.</p>
<blockquote>
<p dir="ltr">&#8220;Durante o El Niño de 2023-2024, a área e a duração dos eventos de seca e de ondas de calor foram as maiores e mais extensas dos últimos 25 anos. Quando usamos os mesmos modelos para o futuro, podemos ver que a temperatura está aumentando. Estamos preocupados porque agora pode ser ainda pior, infelizmente&#8221;, diz à Agência FAPESP a autora correspondente do estudo, Johanna Van Passel, cientista da Universidade Ghent (Bélgica) e pesquisadora visitante no Instituto de Biologia da Unicamp.</p>
</blockquote>
<h3 dir="ltr">Super El Niño</h3>
<p dir="ltr">A força de um El Niño depende de quanto, quão fundo e quão intensamente o Pacífico esquenta, e de como ventos e atmosfera respondem. Nos últimos cem anos, os eventos &#8220;muito fortes&#8221;, chamados de &#8220;super El Niño&#8221;, ocorreram em 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016, este último com as maiores temperaturas do oceano.</p>
<p dir="ltr">O de 2023-2024 não chegou a ser um &#8220;super El Niño&#8221;, mas teve efeitos intensos. Estudos indicam que isso pode ter relação com o aquecimento do planeta: 2024 foi o ano mais quente da história, 1,55 °C acima do nível pré-industrial (1850-1900), seguido por 2023, com +1,45 °C, segundo a Organização Meteorológica Mundial.</p>
<blockquote>
<p dir="ltr">&#8220;O El Niño de 2015-2016 foi muito forte, mas o impacto de 2023-2024 foi maior. Quando olhamos para o futuro, esses eventos extremos podem ficar ainda piores. Mas dependerá muito da trajetória das emissões de gases de efeito estufa e do uso de combustíveis fósseis que a nossa sociedade vai adotar. A diferença entre o cenário mais baixo e o mais alto é grande. A previsão é ruim, mas temos opções. Não é tão terrível que não possamos fazer nada. Temos de agir&#8221;, conclui Van Passel.</p>
</blockquote>
<h3 dir="ltr">Como os cientistas chegaram a esses resultados</h3>
<p dir="ltr">A equipe juntou dados de satélite e de observações com projeções de 24 modelos de clima, em quatro cenários de emissões. Olhou para o passado recente (2000 a 2024) e para o futuro, até 2100. Para decidir o que conta como &#8220;extremo&#8221;, comparou cada local com o seu próprio clima de sempre. Assim, foi possível considerar florestas de diferentes continentes, adaptadas a condições muito diferentes.</p>
<p dir="ltr">O biólogo Peter Groenendijk, professor da Unicamp e coautor, destaca que o estudo comparou a seca e o calor de um único El Niño com cenários futuros, e foi assim que apareceu esse &#8220;novo normal&#8221;. Para ele, usar vários modelos ao mesmo tempo deu mais solidez às conclusões.</p>
<p dir="ltr">Groenendijk estuda os anéis de crescimento das árvores, que guardam o registro da vida de cada uma, e vê nos resultados uma chance de entender melhor a floresta.</p>
<blockquote>
<p dir="ltr">&#8220;O El Niño é um dos grandes moduladores do clima global. Ao procurarmos entender seus impactos, podemos ter diversos outros desdobramentos para as florestas, como compreender mecanismos que levam à mortalidade das árvores&#8221;, afirma.</p>
</blockquote>
<p dir="ltr">A pesquisa dele tem financiamento da FAPESP. Van Passel, que investiga como calor e seca extremos afetam o crescimento e a morte das árvores, principalmente na Amazônia, diz que os resultados vão ajudar seu trabalho.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Calor na época da chuva e da seca</strong></h3>
<p dir="ltr">Em todos os modelos, cerca de 80% dos meses de calor extremo caíram na estação chuvosa. Isso é importante porque a fotossíntese, processo em que a planta transforma luz em energia, reage de maneira diferente em cada época.</p>
<p dir="ltr">Na estação chuvosa, mais sol e menos nuvens podem até ajudar a árvore, que tem luz e água de sobra para &#8220;suar&#8221; e refrescar as folhas. Na estação seca, acontece o contrário: sem água no solo, a árvore não consegue se resfriar, os canais que levam a água pelo tronco podem falhar e parte da copa morre.</p>
<p dir="ltr">Quando seca e calor se juntam por muito tempo, o dano é maior e as árvores ficam mais fracas. Os cientistas reconhecem que ainda entendem pouco como tudo isso acontece.</p>
<p dir="ltr">A chuva também não muda igual em todo lugar. Amazônia, América Central, sul da África e parte do leste da Ásia devem ficar mais secas, enquanto o resto dos trópicos tende a ficar mais úmido.</p>
<p dir="ltr">Até 2100, nos dois cenários de maiores emissões, os baixos índices de chuva de 2023-2024 podem se tornar de duas vezes mais prováveis (no Nordeste do Brasil) a nove vezes mais prováveis (na Amazônia).</p>
<h3 dir="ltr">A floresta que já vive o futuro</h3>
<p dir="ltr">Dois estudos de pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), focados na Amazônia brasileira, apontam na mesma direção. Eles mostram que o bioma já registra o que só era esperado para as próximas décadas: a estação seca está mais longa, passando de quatro para até seis meses, e o déficit de chuva superou 150 milímetros.</p>
<p dir="ltr">No El Niño 2023-2024, as áreas queimadas cresceram 9% em média e os alertas de degradação da floresta subiram 19%. Para os autores, isso indica um ciclo de seca, fogo e degradação ganhando força, que reduz a capacidade da floresta de se recuperar.</p>
<h3 dir="ltr"><strong>Para quem vive na floresta</strong></h3>
<p dir="ltr">Quando a floresta perde força, o prejuízo vai além das árvores. Ela regula o clima, controla o carbono e abriga a biodiversidade. Isso mexe com o sustento das populações locais e com a economia do mundo.</p>
<p dir="ltr">O El Niño anterior mostrou isso na prática. Os rios da Amazônia baixaram até os menores níveis já medidos e deixaram comunidades isoladas. Com a água dos lagos mais quente, houve o registro inédito da morte de mais de 300 botos.</p>
<p dir="ltr">Em um único dia de 2023, com a água acima de 39 °C, voluntários encontraram 70 carcaças. Segundo o MapBiomas, 38% das ocupações humanas da região amazônica, ou 2.172 das 5.673 localidades, ficaram muito expostas à seca entre setembro e novembro de 2024.</p>
<h3 dir="ltr"></h3>
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		<title>Altamira ganha área-modelo da Embrapa para mostrar como restaurar floresta com muvuca</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 Oct 2026 17:09:31 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Altamira]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque2]]></category>
		<category><![CDATA[Embrapa]]></category>
		<category><![CDATA[muvuca]]></category>
		<category><![CDATA[restauração ecológica]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/10/restauracao_ecologica2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Uma unidade demonstrativa foi Inaugurada em Altamira (PA), no Campo Experimental da Embrapa Amazônia Oriental, para mostrar na prática a recuperação de áreas degradadas com &#8220;muvuca&#8221; de sementes nativas. O espaço fica aberto o ano todo e tem localização estratégica (próxima à cidade) para facilitar o acesso de interessados e funcionar como uma vitrine [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/10/restauracao_ecologica2-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>Uma unidade demonstrativa foi Inaugurada em Altamira (PA), no Campo Experimental da Embrapa Amazônia Oriental, para mostrar na prática a recuperação de áreas degradadas com &#8220;muvuca&#8221; de sementes nativas.</em></li>
<li><em>O espaço fica aberto o ano todo e tem localização estratégica (próxima à cidade) para facilitar o acesso de interessados e funcionar como uma vitrine da técnica na região.</em></li>
<li><em>A área foi implantada em 26 de fevereiro e apresentada durante um dia de campo que reuniu Embrapa, Emater, universidades, estudantes, coletores e parceiros locais.</em></li>
<li><em> A unidade servirá para monitorar indicadores ecológicos, fortalecer a troca entre ciência e prática de campo, e promover a articulação multissetorial para garantir o sucesso de projetos de restauração.</em></li>
<li><em>A iniciativa é fruto de uma parceria entre o ISA (por meio das redes Caminhos da Semente e Redário), Embrapa Amazônia Oriental, Centro Capoeira e UFPA, com apoio financeiro da Fundação Bezos para a Terra.</em></li>
</ul>
<p>Quem quer ver na prática como se recupera uma área degradada com sementes nativas agora tem onde visitar em Altamira, no Pará. Uma unidade demonstrativa de restauração com muvuca de sementes foi instalada no Campo Experimental da Embrapa Amazônia Oriental, no km 23 da BR-230, e fica aberta a visitas durante todo o ano.</p>
<p>Muvuca é uma técnica ancestral indígena de restauração ecológica, que mistura várias sementes (espécies nativas florestais, pioneiras, secundárias, arbustos e plantas de adubação verde como leguminosas) misturadas com areia ou substrato diretamente no solo.</p>
<figure id="attachment_44010" aria-describedby="caption-attachment-44010" style="width: 671px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-44010" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/10/muvuca-300x105.jpg" alt="" width="671" height="235" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/10/muvuca-300x105.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/10/muvuca-1024x357.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/10/muvuca-768x268.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/10/muvuca-150x52.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/10/muvuca-450x157.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/10/muvuca.jpg 1200w" sizes="(max-width: 671px) 100vw, 671px" /><figcaption id="caption-attachment-44010" class="wp-caption-text">Convidados participaram da implantação da unidade demonstrativa  para saber como o método pode ser adaptado a diferentes formas de semeadura. Foto: Miguel Gama/ISA e Matheus Rezende/ISA</figcaption></figure>
<p>A área foi implantada em 26 de fevereiro, e os resultados já aparecem. Entre os visitantes estavam participantes do I Encontro de Coletores da Amazônia, que viram de perto os primeiros resultados da semeadura feita com sementes coletadas pela muvuca de Sementes da Terra do Meio.</p>
<p>O técnico em restauração ecológica do Instituto Socioambiental (ISA) Miguel Gama explica que a ideia é criar uma vitrine das técnicas de restauração na região. O campo da Embrapa foi escolhido de propósito: fica mais perto da cidade, o que facilita o acesso de quem ainda não conhece o trabalho.</p>
<p>Segundo ele, muitos participantes nunca tinham tido contato direto com a muvuca, uma técnica ainda nova por aqui. O dia de campo serviu para sair da teoria e mostrar como ela é feita.</p>
<h3>Como foi o dia de campo</h3>
<p>A semeadura aconteceu durante o dia de campo &#8220;Restauração ecológica com semeadura direta e muvuca de sementes&#8221;. Os convidados acompanharam a implantação da unidade e viram como o método pode ser adaptado a diferentes formas de semear.</p>
<p>Entre eles estavam Emater, Embrapa, universidades, estudantes, coletores de sementes, empresas e outros parceiros locais. Eles também conheceram o trabalho de três iniciativas apoiadas pelo ISA na região: Caminhos da Semente, Redário e Rede de Sementes Terra do Meio.</p>
<p>Espaço também servirá para pesquisa. Matheus Rezende, também técnico em restauração ecológica do ISA, afirma que a unidade será usada para acompanhar indicadores ecológicos em futuros dias de campo.</p>
<blockquote><p>“Discutimos diversas questões e dúvidas importantes sobre toda a cadeia da restauração com sementes, tornando a experiência ainda mais rica. Momentos como esses fortalecem a troca entre conhecimento científico, prática no campo e articulação multissetorial, essenciais para compreendermos tecnicamente a restauração ecológica com sementes, ampliando a restauração com qualidade e garantindo o sucesso dos projetos em diferentes ecossistemas”, disse Rezenda.</p></blockquote>
<p>O dia de campo foi promovido pelo ISA, por meio das iniciativas Caminhos da Semente e Redário, em parceria com a Embrapa Amazônia Oriental, o Centro Capoeira e a UFPA, com apoio financeiro da Fundação Bezos para a Terra.</p>
<p><em>Com informações do Instituto Socioambiental</em></p>
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		<title>Unidades de Conservação terão R$ 442 milhões para infraestrutura e preservação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Oct 2026 16:09:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[CCAF]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque2]]></category>
		<category><![CDATA[infraestrutura]]></category>
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		<category><![CDATA[preservação]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/08/unidades-de-conservacao-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo O Comitê de Compensação Ambiental Federal (CCAF) aprovou R$ 442 milhões para Unidades de Conservação (UCs), elevando o total destinado a áreas protegidas para R$ 1,92 bilhão. Os recursos contemplam UCs federais, estaduais e municipais espalhadas por 19 estados, fortalecendo a implementação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Os valores são provenientes [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/08/unidades-de-conservacao-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>O Comitê de Compensação Ambiental Federal (CCAF) aprovou R$ 442 milhões para Unidades de Conservação (UCs), elevando o total destinado a áreas protegidas para R$ 1,92 bilhão.</em></li>
<li><em>Os recursos contemplam UCs federais, estaduais e municipais espalhadas por 19 estados, fortalecendo a implementação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).</em></li>
<li><em>Os valores são provenientes de obrigações de compensação ambiental de dez processos de licenciamento conduzidos pelo Ibama em setores como mineração, energia, rodovias e petróleo.</em></li>
<li><em>Geridos pela Caixa Econômica Federal por meio do Fundo de Compensação Ambiental (FCA), os recursos serão aplicados em infraestrutura, regularização fundiária, fiscalização, pesquisa e recuperação de áreas degradadas.</em></li>
<li><em>O CCAF — composto por representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Ibama e ICMBio — é o responsável por definir a distribuição e acompanhar a execução dos valores.</em></li>
</ul>
<p><em>O</em> Comitê de Compensação Ambiental Federal (CCAF) aprovou R$ 442 milhões para Unidades de Conservação (UCs) em 19 estados. Com a decisão, o total de recursos da compensação ambiental federal destinado às áreas protegidas desde 2023 chega a R$ 1,92 bilhão.</p>
<p>O comitê é composto pela Secretaria-Executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e pelas presidências do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).</p>
<p>Os recursos aprovados pelo CCAF contemplam UCs federais, estaduais e municipais em Rondônia, Amapá, Amazonas, Pará, Maranhão, Tocantins, Piauí, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. As decisões contribuem para a implementação do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).</p>
<p>Os valores destinados correspondem à compensação ambiental definida em dez processos de licenciamento conduzidos pelo Ibama nos setores de transmissão de energia, mineração, rodovias e exploração de petróleo.</p>
<p>A compensação ambiental está prevista no artigo 36 da Lei nº 9.985, de 2000. A norma determina que empreendimentos de significativo impacto ambiental, identificados com base em Estudo de Impacto Ambiental e respectivo Relatório de Impacto Ambiental (EIA/Rima), apoiem a implantação e a manutenção de Unidades de Conservação.</p>
<p>O valor da compensação é definido pelo órgão ambiental licenciador, de acordo com o grau de impacto do empreendimento. Na esfera federal, cabe ao CCAF deliberar sobre a distribuição dos recursos entre as unidades beneficiadas e sua aplicação.</p>
<p>Para o secretário-executivo adjunto do MMA, Guilherme Checco, que presidiu a reunião do CCAF, os recursos são fundamentais para a preservação ambiental e qualidade de vida das pessoas.</p>
<blockquote><p>“Os recursos destinados às Unidades de Conservação têm como finalidade auxiliar a implementação destas áreas protegidas, com investimentos em infraestrutura, regularização fundiária, pesquisa e outras iniciativas. Hoje, o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) é composto por 1.487 UCs federais, 1.175 estaduais e 935 municipais”, afirma o secretário.</p></blockquote>
<h3>Aplicação dos recursos</h3>
<p>De acordo com as orientações do CCAF, a Caixa Econômica Federal, instituição financeira gestora e administradora do Fundo de Compensação Ambiental (FCA), realiza os investimentos. Os recursos ampliam a capacidade de gestão e proteção das áreas protegidas e apoiam ações de conservação da biodiversidade.</p>
<p>Os R$ 442 milhões aprovados poderão financiar melhorias de infraestrutura, regularização fundiária, aquisição de equipamentos, fiscalização, recuperação de áreas degradadas, monitoramento ambiental e elaboração de estudos técnicos.</p>
<p>Os investimentos contribuem para estruturar as Unidades de Conservação e fortalecer, no longo prazo, as políticas públicas de proteção da biodiversidade.</p>
<h3>Comitê de Compensação Ambiental Federal</h3>
<p>Instituído pela Portaria Conjunta MMA/Ibama/ICMBio nº 225/2011, o CCAF define a distribuição e a finalidade dos recursos da compensação ambiental federal e acompanha sua execução pelos órgãos gestores das Unidades de Conservação.</p>
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		<title>Reino Unido confirma aporte e fundo para florestas chega a 3/4 da meta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 24 Sep 2026 17:36:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque2]]></category>
		<category><![CDATA[fundo de floresta tropicais]]></category>
		<category><![CDATA[Reino Unido]]></category>
		<category><![CDATA[TFFF]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/08/floresta-para-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo O Reino Unido confirmou um investimento de 400 milhões de libras (US$ 540 milhões) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), estruturado na forma de empréstimo. Com o novo compromisso, o total de recursos captados pelo fundo atinge US$ 7,3 bilhões, alcançando cerca de 75% da meta de US$ 10 bilhões estipulada pelo governo [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2021/08/floresta-para-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>O Reino Unido confirmou um investimento de 400 milhões de libras (US$ 540 milhões) no Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), estruturado na forma de empréstimo.</em></li>
<li><em>Com o novo compromisso, o total de recursos captados pelo fundo atinge US$ 7,3 bilhões, alcançando cerca de 75% da meta de US$ 10 bilhões estipulada pelo governo brasileiro até dezembro.</em></li>
<li><em>A decisão britânica marca uma reviravolta após o país ficar de fora do lançamento do fundo no final do ano passado em Belém, impulsionada internamente por impactos de ondas de calor e secas severas no próprio Reino Unido.</em></li>
<li><em>Diferente de fundos de doação tradicionais, o TFFF investe o capital no mercado financeiro e utiliza o rendimento obtido para pagar os países que mantêm suas florestas preservadas.</em></li>
<li><em>A Noruega, maior investidora do mecanismo (com promessa de US$ 3 bilhões), mantém a exigência de que os US$ 10 bilhões sejam alcançados até o fim do prazo para liberar integralmente os recursos, mas demonstra otimismo quanto à adesão de novos parceiros.</em></li>
</ul>
<p>O Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), criado pelo Brasil para pagar países que mantêm suas florestas em pé, recebeu nesta quarta-feira, 23, a confirmação formal de um investimento britânico de 400 milhões de libras (US$ 540 milhões).  Com isso, o total de compromissos com o mecanismo chega a US$ 7,3 bilhões — cerca de três quartos da meta de US$ 10 bilhões que o governo brasileiro quer fechar até dezembro.</p>
<p>O anúncio, feito durante a Semana do Clima de Nova York, marca também uma reviravolta: há um ano, na COP30 em Belém, o Reino Unido havia sido justamente criticado por não contribuir com um fundo que ajudou a desenhar.</p>
<p>Em setembro de 2025, Londres optou por ficar de fora do lançamento do TFFF em Belém. A intenção de reverter essa posição já havia sido sinalizada no início deste mês, mas o que chama atenção nesta formalização é o sinal de que o país pode ir além: numa carta enviada a Brasil e Noruega, o governo britânico informou que vai avaliar um novo aporte no futuro, de acordo com reportagem da Exame.</p>
<p>Segundo o ministro brasileiro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, o Reino Unido comunicou a decisão ao Brasil com antecedência, mas escolheu Nova York para anunciá-la publicamente.</p>
<p>O recurso será estruturado como empréstimo — não como doação —, seguindo a lógica de investimento que rege o fundo, e estava condicionado à finalização da governança do TFFF e à due diligence britânica. Garo Batmanian, diretor do Serviço Florestal Brasileiro, confirmou que essa etapa foi cumprida.</p>
<h3>Verão mais quente ajudou na decisão</h3>
<p>Para justificar a virada do governo britânico, a ministra do Clima do país, Katie White, recorreu a uma imagem doméstica: o verão mais quente já registrado no Reino Unido, marcado por ondas de calor, seca e incêndios.</p>
<p>Ela contou a história de uma agricultora que, em quatro décadas de trabalho no campo, sempre celebrou o fim do inverno — e que, neste ano, pela primeira vez, comemorou foi o fim do verão.</p>
<blockquote><p>&#8220;O povo britânico está preocupado e não vai nos perdoar se falharmos&#8221;, disse, acrescentando que o custo do desmatamento chega ao consumidor comum pelo preço de alimentos e produtos do dia a dia.</p></blockquote>
<h3>Como funciona o fundo</h3>
<p>Diferentemente de um fundo de doação, o TFFF aplica o capital de governos e filantropias no mercado financeiro, e é o retorno desse investimento que paga os países florestais todo ano. Isso significa que cada aporte precisa passar pelo crivo orçamentário e parlamentar do país de origem — um processo mais lento do que uma simples doação.</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Produção agrícola brasileira superou R$ 927 bilhões em 2025</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/economia/producao-agricola-brasileira-superou-r-927-bilhoes-em-2025/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 14:53:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque2]]></category>
		<category><![CDATA[produção agrícola]]></category>
		<category><![CDATA[soja]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/1057809-ebc_07.12.2016-3002_07.12.16-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo A agricultura brasileira atingiu 345,4 milhões de toneladas de grãos em 2025, um crescimento de 18,2% em relação a 2024 (ano afetado pelo El Niño). O valor da produção somou R$ 927,2 bilhões (alta de 18,4%), o maior patamar em moeda corrente desde o surgimento do Plano Real (1994). Pela primeira vez, o Brasil [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/1057809-ebc_07.12.2016-3002_07.12.16-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>A agricultura brasileira atingiu 345,4 milhões de toneladas de grãos em 2025, um crescimento de 18,2% em relação a 2024 (ano afetado pelo El Niño).</em></li>
<li><em> O valor da produção somou R$ 927,2 bilhões (alta de 18,4%), o maior patamar em moeda corrente desde o surgimento do Plano Real (1994).</em></li>
<li><em>Pela primeira vez, o Brasil superou 100 milhões de hectares colhidos (100,6 milhões), avanço de 4,4% na comparação anual.</em></li>
<li><em>A soja gerou R$ 315,2 bilhões (34% do valor total nacional), com safra de 165,2 milhões de toneladas (+14,4%); a demanda chinesa por conta da disputa comercial com os EUA sustentou os preços.</em></li>
<li><em> O Brasil tornou-se o maior exportador mundial de algodão graças a avanços tecnológicos (+16,4% na safra); já o café subiu 44,7% em valor (R$ 100 bilhões) impulsionado pela alta dos preços internacionais.</em></li>
<li><em>Mato Grosso continuou no topo entre os estados (R$ 165,6 bilhões), e o Centro-Oeste (R$ 288 bilhões) tomou de volta o primeiro lugar do Sudeste em valor de produção.</em></li>
</ul>
<p>Após ter sofrido com condições climáticas desfavoráveis em 2024, a agricultura do Brasil chegou a 345,4 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2025. O volume supera em 18,2% o registrado no ano anterior, quando a produção foi prejudicada por efeitos do fenômeno El Niño.</p>
<p>O valor da produção, que combina o volume físico produzido com os preços praticados na venda, foi de R$ 927,2 bilhões, um salto de 18,4% na comparação com 2024.</p>
<p>Os valores são em moeda corrente do ano de cada pesquisa, ou seja, não estão corrigidos pela inflação. O montante de 2025 é o maior, pelo menos, desde quando o Plano Real foi criado, em 1994.</p>
<p>Os dados fazem parte da Produção Agrícola Municipal (PAM), divulgada nesta quinta-feira (17) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).</p>
<h3>Avanço de área</h3>
<p>O levantamento mostrou também que, pela primeira vez, o Brasil rompeu a marca de 100 milhões de hectares de área colhida. Os 100,6 milhões de 2025 representam avanço de 4,4% na comparação com o ano anterior.</p>
<p>A área equivale a 1 milhão de quilômetros quadrados (km²), maior que todo o estado do Mato Grosso (903,2 mil km²) ou a quase toda a Bolívia (1,10 milhão km²).</p>
<h3>Soja</h3>
<p>Segundo o levantamento, a soja representou mais de um terço (34%) do valor da produção agrícola brasileira (R$ 315,2 bilhões), desempenho que mantém o Brasil como o maior produtor e exportador do mundo.</p>
<p>A safra de soja cresceu 14,4% em um ano, alcançando 165,2 milhões de toneladas, isto é, 20,8 milhões a mais que 2024.</p>
<p>O IBGE explica que o cenário internacional contribuiu para a manutenção do preço da soja.</p>
<p>“A conjuntura mostra que a guerra tarifária entre Estados Unidos e China fez com que o país asiático aumentasse a procura pelo grão de soja do Brasil, mantendo os preços internos da commodity estáveis ao longo dos últimos meses do ano”.</p>
<p><strong>Veja os dez principais produtos agrícolas por valor da produção em 2025:</strong></p>
<ul>
<li>Soja: R$ 315,2 bilhões</li>
<li>Milho: R$ 122,1 bilhões</li>
<li>Cana-de-açúcar: R$ 108,9 bilhões</li>
<li>Café (em grão): R$ 100 bilhões</li>
<li>Algodão (em caroço): R$ 40,6 bilhões</li>
<li>Laranja: R$ 23,0 bilhões</li>
<li>Arroz (em casca): R$ 19,6 bilhões</li>
<li>Mandioca: R$ 18,9 bilhões</li>
<li>Banana : R$ 16,4 bilhões</li>
<li>Fumo (em folha): R$ 14,4 bilhões</li>
</ul>
<p>O IBGE aponta que avanços tecnológicos na produção ajudaram a produção de algodão a crescer 16,4% em um ano e chegar a 6 milhões de toneladas, permitindo que o Brasil se tornasse o maior exportador mundial do produto.</p>
<blockquote><p>“Resultado de investimentos em tecnologia, sustentabilidade e eficiência produtiva, principalmente no Cerrado brasileiro, tendo como destaque o Mato Grosso”, afirma.</p></blockquote>
<p>“Essa conquista não apenas fortalece a economia, gerando bilhões em divisas e milhares de empregos diretos e indiretos, como também posiciona o país como referência global em práticas agrícolas modernas e competitivas, ampliando sua influência nos mercados têxtil e de commodities [matérias-primas negociadas em preços internacionais], completa.</p>
<p>O levantamento mostra que o valor da produção do café subiu 44,7%, ficando em quase R$ 100 bilhões. A produção atingiu 3,4 milhões de toneladas, alta de 3%, limitada por fatores climáticos e naturais, como exaurimento das plantas. No entanto, o aumento do valor da produção foi explicado pela “supervalorização do preço da saca no mercado internacional”.</p>
<p>Em 2025, Mato Grosso se manteve como principal celeiro do Brasil em valor da produção, que avançou 37,1% em um ano. Tudo o que foi colhido no estado representa 17,9% do total do país.</p>
<p><strong>Confira os dez estados com maior valor da produção agrícola:</strong></p>
<ul>
<li>Mato Grosso: R$ 165,6 bilhões</li>
<li>São Paulo: R$ 124 bilhões</li>
<li>Minas Gerais: R$ 109,4 bilhões</li>
<li>Paraná: R$ 87,7 bilhões</li>
<li>Goiás: R$ 72,7 bilhões</li>
<li>Rio Grande do Sul: R$ 71,3 bilhões</li>
<li>Bahia: R$ 55,5 bilhões</li>
<li>Mato Grosso do Sul: R$ 47,8 bilhões</li>
<li>Pará: R$ 38,4 bilhões</li>
<li>Espírito Santo: R$ 33,7 bilhões</li>
</ul>
<h3>Centro-Oeste supera Sudeste</h3>
<p>A análise dos valores da produção revela que, em 2025, o Centro-Oeste voltou a ultrapassar o Sudeste, invertendo a ordem de 2024.</p>
<p>No ano passado, o Centro-Oeste viu o valor crescer 31,8%, atingindo R$ 288 bilhões, impulsionado por soja, milho e algodão.</p>
<p>O Sudeste apresentou R$ 271 bilhões, com destaque para café e cana-de-açúcar.</p>
<p>Até 2017, o Sudeste sempre esteve à frente. De 2018 a 2023, o Centro-Oeste tomou a liderança, perdendo-a novamente em 2024, antes de retomá-la em 2025.</p>
<p><strong>Ranking do valor de produção agrícola por regiões:</strong></p>
<ul>
<li>Centro-Oeste: R$ 288 bilhões</li>
<li>Sudeste: R$ 271 bilhões</li>
<li>Sul: R$ 181,1 bilhões</li>
<li>Nordeste: R$ 113,7 bilhões</li>
<li>Norte: R$ 73,4 bilhões</li>
</ul>
<p><em>Fonte: Agência Brasil</em></p>
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