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	<title>Comunidade São Francisco &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Avanço de projeto de mel na Resex Tapajós-Arapiuns mantém produtores na floresta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Gisele Coutinho]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 May 2022 20:05:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/7Q6A8035-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Por Gisele Coutinho Organização, tecnologia, saberes tradicionais e muito trabalho duro são os segredos para a transformação das comunidades Anã e São Francisco, na Resex Tapajós-Arapiuns, em busca de uma vida mais doce. Com apoio técnico do Projeto Floresta Ativa, do Projeto Saúde e Alegria (PSA), moradores que sempre produziram mel estão recebendo apoio técnico [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/7Q6A8035-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Por Gisele Coutinho</em></p>
<p>Organização, tecnologia, saberes tradicionais e muito trabalho duro são os segredos para a transformação das comunidades Anã e São Francisco, na Resex Tapajós-Arapiuns, em busca de uma vida mais doce. Com apoio técnico do Projeto Floresta Ativa, do Projeto Saúde e Alegria (PSA), moradores que sempre produziram mel estão recebendo apoio técnico e adaptando seus conhecimentos no manejo para prosperar. E as coisas estão indo bem, viu!</p>
<p>O sonho do produtor José Dirlei, da comunidade Anã, de ver seu mel sendo vendido fora da comunidade que vive, pelo Brasil e até pelo exterior, está cada vez mais perto.</p>
<p>Um dos desafios já foi superado: a cadeia da meliponicultura foi aprovada por meio da Portaria N°7554/2021 publicada no Diário Oficial do Estado, em novembro de 2021, a partir de proposta levada à Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará) pelo PSA, o que estabeleceu critérios para qualidade e requisitos para cultivo do mel de abelhas sem ferrão. Com isso, virou política pública estadual. Resumindo, essa regulamentação é o que permite hoje que produtores sigam requisitos para ter seu mel no mercado formal.</p>
<p>O avanço agora se dará com a construção de uma agroindústria, hoje em andamento, com inauguração prevista para novembro de 2022 em Santarém. A nova infraestrutura vai absorver a produção dessas comunidades, processar, envasar e comercializar, garantindo a compra do mel por preço justo.</p>
<figure id="attachment_10057" aria-describedby="caption-attachment-10057" style="width: 408px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class=" wp-image-10057" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/7Q6A7137-300x200.jpg" alt="" width="408" height="272" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/7Q6A7137-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/7Q6A7137-1024x683.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/7Q6A7137-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/7Q6A7137-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/7Q6A7137-450x300.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/7Q6A7137.jpg 1200w" sizes="(max-width: 408px) 100vw, 408px" /><figcaption id="caption-attachment-10057" class="wp-caption-text">Caixas para produção do mel chegando nas comunidades. Foto: Projeto Saúde e Alegria</figcaption></figure>
<h3><b>Gente da terra</b></h3>
<p>Para quem sempre fez isso na vida, como José Dirlei, a produção de mel é considerada um trabalho “fácil”. Dali garante fonte de renda e proteção da floresta.</p>
<blockquote><p>“É mais fácil que outro tipo de trabalho mais pesado. É fonte de renda a partir dos recursos naturais, mas com o que aprendemos aqui no Projeto Floresta Ativa, não só criamos abelhas, mas criamos árvores para que as abelhas possam coletar o néctar para produzir o próprio mel. Quero avançar com isso e deixar um legado para mim e para minha família”.</p></blockquote>
<p>Já para Cilene dos Santos Souza, da comunidade de Vila Gorete, tudo é muito novo e promissor.</p>
<blockquote><p>“O que me chamou muita atenção é que é algo que está aqui na nossa natureza, tão fácil de se lidar, né? Mas devemos primeiro ter o conhecimento, as técnicas. Não participei de nenhuma colheita ainda, estou iniciando e tendo agora conhecimento. Vou poder ter um dinheirinho e é um incentivo, vou poder participar”, comemora.</p></blockquote>
<h3><b>Tradição e técnica</b></h3>
<p>Agora, com auxílio técnico e novas tecnologias para não errar nos processos de manejos, evitando, por exemplo, contaminações, o mel de Dirlei, de Cilene e de tantas outras famílias renderá mais doçura a essas comunidades. É o que contou ao <strong>Pará Terra Boa</strong> Jerônimo Villas Boas, consultor do PSA, que está na Resex Arapiuns, na comunidade São Francisco.</p>
<blockquote><p>“Esse território historicamente desenvolve essa atividade. Na Resex Arapiuns existem dezenas de comunidades, dezenas de produtores que manejam centenas de colônias de abelhas nativas e exploram esse produto para alimentação e comercialização. Durante muito tempo essa comercialização foi informal, ela acontecia localmente, fruto de uma rede de distribuição autônoma organizada pelos próprios produtores. Recentemente nos colocamos no papel de apoiá-los na formalização desse processo”.</p></blockquote>
<figure id="attachment_10058" aria-describedby="caption-attachment-10058" style="width: 347px" class="wp-caption aligncenter"><img decoding="async" class=" wp-image-10058" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/mel_saudeealegria1-300x200.jpg" alt="" width="347" height="231" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/mel_saudeealegria1-300x200.jpg 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/mel_saudeealegria1-1024x683.jpg 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/mel_saudeealegria1-768x512.jpg 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/mel_saudeealegria1-150x100.jpg 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/mel_saudeealegria1-450x300.jpg 450w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2022/05/mel_saudeealegria1.jpg 1200w" sizes="(max-width: 347px) 100vw, 347px" /><figcaption id="caption-attachment-10058" class="wp-caption-text">Jerônimo Villas Boas, consultor do PSA, ensinando sobre o manejo. Foto: Projeto Saúde e Alegria</figcaption></figure>
<p>Para Jerônimo, a expedição é uma missão, em que tradição e novas tecnologias estão de mãos dadas:</p>
<blockquote><p>“Vamos junto aos produtores desenvolver um processo de extração de colheita do mel que interaja com essa nova forma de produzir, que é o jeito formal. A gente tem observado os métodos tradicionais de produção e desenvolvido tecnologias, mas, tecnologias sociais que sejam compatíveis com a realidade daqui, justamente para fechar essa cadeia que começa na criação de abelhas no meliponário, que é o espaço onde as abelhas são criadas”, explica o técnico.</p></blockquote>
<p>O mel seguirá em baldes transportados para Santarém. Lá será processado.</p>
<p>“A gente está aqui justamente nesse esforço de desenvolver um sistema simples e acessível de mel que garanta sua qualidade e que garanta a perspectiva de ele ser regularizado, mas que seja compatível com a realidade das populações tradicionais da Amazônia”.</p>
<h3><b>Permanecer na floresta</b></h3>
<p>Além do novo conhecimento que chega até as comunidades, também tem outro pilar importante nessa cadeia: fazer com que o povo fique na floresta, já que a importância da produção de mel de abelha sem ferrão para a região é muito grande.</p>
<blockquote><p>“É uma das alternativas para geração de renda na comunidade de São Francisco, que é uma das pioneiras nessa atividade. Então, lutamos para que essa atividade seja promissora aqui e que faça com que a população permaneça nessa região”, afirma Manoel Edvaldo Santos Matos, presidente da Cooperativa dos Trabalhadores Agroextrativistas do Oeste do Pará.</p></blockquote>
<h3>&#8216;Poupança viva&#8217;</h3>
<p>Pelo jeito, o remédio para vários males, seja social, econômico, tecnológico ou de preservação do povo e da floresta, está no mel. É medicinal e, como diz um dos produtores da região, “o mel é uma poupança viva”.</p>
<p>Caetano Scannavino, coordenador do PSA, ressalta que uma família com 100 caixas de abelha pode gerar R$ 15 mil ou mais por ano apenas com mel, sem falar em pólen, geleia real, própolis e outros derivados, além de ajudar a floresta a continuar em pé, melhorando, inclusive, a produtividade agrícola.</p>
<h3><b>Ameaçadas</b></h3>
<p>Informações da Adepará apontam que a criação de abelhas sem ferrão é uma realidade no Estado, principalmente nas áreas de várzea, e chega a ser 30 vezes maior que a de abelhas com ferrão.</p>
<p>O mel de abelhas sem ferrão é um alimento natural produzido pelas abelhas da tribo Meliponini (Hymenoptera, Apidae) a partir do néctar das flores e outros líquidos procedentes de partes vivas das plantas ou de excreções de insetos sugadores de plantas, que as abelhas coletam, transportam, combinam com substâncias específicas próprias, desidratam, armazenam e deixam maturar em potes de cera nas respectivas colônias.</p>
<p>Mesmo com benefícios econômicos e ambientais a partir da atividade do cultivo de abelhas sem ferrão, essas espécies estão ameaçadas pelo Brasil. Pesquisa da Embrapa lembra que são abelhas, e outros insetos, que polinizam a flora nativa, as lavouras e os pomares, contribuindo para a produção de alimentos e para a manutenção da biodiversidade vegetal. No entanto, sua sobrevivência está ameaçada por desmatamentos, queimadas e uso indiscriminado de agrotóxicos, além do processo predatório de retirada do mel.</p>
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