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	<title>bolsas &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>O que as bolsas de grife da Europa têm a ver com a destruição da Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabricio Queiroz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Jun 2025 13:54:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[PECUÁRIA]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/10/TI-Apyterewa_Gado-e-desmatamento-Daniel-Beltra-Greenpeace-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />No mercado da moda, as bolsas de marcas como Fendi, Hugo Boss, Saint Laurent e Chanel são associadas ao luxo e ao alto custo de cada acessório. Mas por trás do requinte das peças está também uma cadeia de fornecedores com fortes relações com o desmatamento ilegal da Amazônia. Uma investigação da organização Earthsight divulgada [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/10/TI-Apyterewa_Gado-e-desmatamento-Daniel-Beltra-Greenpeace-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>No mercado da moda, as bolsas de marcas como Fendi, Hugo Boss, Saint Laurent e Chanel são associadas ao luxo e ao alto custo de cada acessório. Mas por trás do requinte das peças está também uma cadeia de fornecedores com fortes relações com o desmatamento ilegal da Amazônia. Uma investigação da organização Earthsight divulgada pela <a href="https://www.dw.com/pt-br/couro-ilegal-da-amaz%C3%B4nia-abastece-marcas-de-bolsas-luxuosas-mostra-estudo/a-73017239" target="_blank" rel="noopener">DW</a> revela que parte do gado criado por invasores da Terra Indígena (TI) Apiterewa foi exportado e pode ter abastecido as fábricas de grifes famosas.</p>
<p>O relatório “O preço oculto do luxo: o que as bolsas de grife da Europa estão custando à Floresta Amazônica” analisou registros de remessas de couro brasileiro para o exterior, dados sobre o setor pecuário, decisões judiciais, imagens de satélite e outras informações colhidas em campo para rastrear a trajetória do gado criado ilegalmente na TI que passou por um processo de desintrusão em 2024.</p>
<h3>A rota do gado ilegal</h3>
<p>Segunda a investigação, entre 2020 e 2023, mais de 40% dos pecuaristas invasores forneceram gado para abate nas unidades da Frigol no Pará. Durante esse período, estima-se que cerca de 17 mil animais foram vendidos para o frigorífico, o que seria suficiente para produzir 425 toneladas de couro.</p>
<p>Mas a quantidade pode ser ainda maior, já que a empresa não rastreia a maior parte dos seus fornecedores indiretos. Sem esse controle, aumentam os riscos da chamada “lavagem de gado”, quando os animais ilegais são vendidos como se fossem de uma propriedade regularizada.</p>
<p>Depois de abatido o gado, parte do couro produzido no estado é exportado principalmente via Durlicouros, uma empresa fundada no Rio Grande do Sul e que atua em cidades paraenses desde 2004. O relatório aponta que, entre 2020 e 2023, foram 14.700 toneladas de couro exportadas pela Durlicouros para a Itália.</p>
<p>Em solo europeu, cerca de 25% dessa matéria-prima é fornecida para os curtumes Conceria Cristina e Faeda, que fabricam itens diversos para marcas de luxo. Entre os clientes da Conceria Cristina estão Coach, Fendi e Hugo Boss. Já a Faeda abastece Chanel, Balenciaga e Gucci.</p>
<h3>Problemas na rastreabilidade</h3>
<p>De acordo com os pesquisadores, é difícil dizer se os curtumes europeus estão cientes sobre o rastro de desmatamento e violação de direitos indígenas, mas é certo que a certificação adotada no setor &#8211; a Leather Working Group &#8211; tem falhas no processo de rastreabilidade até as fazendas. Tanto a Durlicouros quanto os curtumes Canceria Cristina e Faeda têm essa certificação.</p>
<blockquote><p>&#8220;O risco que observamos com sistemas de certificação é que eles são utilizados por empresas que querem ‘limpar&#8217; sua cadeia de fornecimento como um atalho, em vez de realizarem uma diligência significativa por conta própria para garantir que suas cadeias estejam livres de desmatamento&#8221;, afirmou Lara Shirra White, pesquisadora da Earthsight, em entrevista à DW.</p></blockquote>
<p>Com a entrada em vigor da lei europeia antidesmatamento, que proíbe a importação de produtos e matérias-primas com origem associada à destruição da floresta, a expectativa é inibir o avanço de negócios com histórico de ilegalidade e violação de direitos. Para Paulo Barreto, pesquisador do Imazon, a indústria do couro deve ter um controle ambiental semelhante ao que vem sendo adotado na pecuária de corte.</p>
<blockquote><p>&#8220;Houve progressos parciais, mas o controle dos fornecedores indiretos é inexistente ou incompleto. Assim, gados criados em áreas desmatadas ilegalmente acabam entrando no mercado como se fossem legais. A falta de sistema público transparente sobre a origem do gado dificulta o controle&#8221;, analisa o pesquisador.</p></blockquote>
<h3>Empresas negam</h3>
<p>Em nota à reportagem, as empresas e marcas citadas na investigação negaram realizar negócios com o gado criado em terra indígena. A Tapestry, proprietária da marca Coach, disse que está empenhada em melhorar a rastreabilidade e a transparência por meio de nossos programas com o WWF e outras organizações. O Kering Group, detentor das marcas Balenciaga, Gucci e Saint Laurent, reconheceu que os curtumes são seus fornecedores, mas afirma que o contrato com as empresas garante que o couro não é originário do Brasil.</p>
<p>Da mesma forma, a Hugo Boss disse que analisou os dados e consultou os curtumes para confirmar que nenhum dos couros fornecidos está relacionado a qualquer ilegalidade. A LVMH, das marcas Fendi e Louis Vuitton, afirma que baniu de sua cadeia de suprimentos de couro e produtos madeireiros da América do Sul.</p>
<p>Já o Leather Working Group reconhece que seu sistema tem falhas de rastreabilidade, mas garante que está aprimorando os requisitos e incluirá o estabelecimento de um sistema de cadeia de custódia para rastrear de forma detalhada a cadeia de valor do couro. As empresas italianas Conceria Cristina e Faeda não responderam à reportagem.</p>
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