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	<title>Baixo Tapajós &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<title>Baixo Tapajós &#8211; Pará Terra Boa</title>
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		<title>Agrotóxicos sufocam comunidades tradicionais no Baixo Tapajós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 13 Jan 2026 12:21:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[agrotóxicos]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/soja_tapajos-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Plantações de soja, agrotóxicos e grilagem de terras na Amazônia brasileira: esse é o cenário. Em meio ao vasto território, existe um mito de que a região florestal estaria vazia, apesar de os povos tradicionais tentarem manter suas formas de vida. Por 18 meses de estudo etnográfico, Fabio Zuker, pesquisador da Faculdade de Filosofia, Letras [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/01/soja_tapajos-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Plantações de soja, agrotóxicos e grilagem de terras na Amazônia brasileira: esse é o cenário. Em meio ao vasto território, existe um mito de que a região florestal estaria vazia, apesar de os povos tradicionais tentarem manter suas formas de vida.</p>
<p>Por 18 meses de estudo etnográfico, Fabio Zuker, pesquisador da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, investigou a expulsão por sufocamento no Baixo Tapajós devido ao uso de glifosato em plantações de soja de terras griladas. Os casos ilustram dificuldades respiratórias, alimentares e econômicas como formas de expulsar indígenas, quilombolas e ribeirinhos de suas terras.</p>
<p>O artigo intitulado <em>Expulsion by suffocation: Soybean plantations, toxicity, and land grabbing in the Brazilian Amazon</em> foi publicado na revista <em>Environment and Planning E: Nature and Space.</em></p>
<blockquote><p>“O sufocamento acontece de forma literal e metafórica. Literalmente, as pessoas não conseguem respirar devido à intensa aplicação de agrotóxicos. Elas se trancam em suas casas, relatando dificuldade para respirar”, conta Zuker.</p></blockquote>
<p>Em metáfora, é uma alusão à supressão da capacidade dessas comunidades manterem sua produção, seu modo de vida, manterem-se junto a esse território e às relações com outras espécies das quais dependem para viver. No trabalho, o pesquisador evidencia como um imaginário colonial-militar de vazio é produzido através de danos químicos lentos.</p>
<blockquote><p>“A ideia é que o vazio na Amazônia é produzido, e não natural. Foi criado ao longo da história, desde a Marcha para o Oeste no governo Vargas até o Plano de Integração Nacional da ditadura militar”, contextualiza.</p></blockquote>
<p>No trabalho de antropologia, o pesquisador quis dar um tratamento reflexivo e crítico ao processo de expulsão por sufocamento. Por isso, encarou a “farsa” do vazio como uma categoria que permite compreender o processo de fabricação da paisagem, na qual pequenos pedaços de floresta e comunidades escondem a dimensão da devastação ambiental.</p>
<blockquote><p>“O vazio é produzido pelas próprias atividades [violentas] que o ocupam, como o uso de agrotóxicos. Uma produção intencional desse espaço esvaziado” – Fabio Zuker</p></blockquote>
<h3>Violência e resistência</h3>
<p>No contexto da pesquisa, a expansão do agro é colocada como uma forma de morte induzida quimicamente pelo uso de agrotóxicos no Baixo Tapajós. Em conversa com lideranças das comunidades, o pesquisador constatou também a existência de uma floresta que é quase uma maquiagem. “Pequenos trechos de floresta na beira de estrada. São as bolhas que sobram aqui e ali”, indica Zuker.</p>
<p>Em diálogo com Beto, morador e trabalhador rural da região, o pesquisador chama essas bolhas de “farsa das comunidades”.</p>
<blockquote><p>“Só tem umas casinhas ali, na beira da estrada. E nada mais. Antes havia uma comunidade grande aqui. Só umas árvores ali. É tudo soja atrás”, relata o morador.</p></blockquote>
<p>A farsa indicada é criada pelas comunidades remanescentes e pelos fragmentos de mata que, da beira da estrada, escondem os vastos campos de soja que invadem a paisagem. De outro lado, o pesquisador destaca os processos de resistência para impedir toda essa lógica de “vazio”.</p>
<blockquote><p>“Tem um problema grande nas ciências sociais, que é focar exclusivamente numa narrativa da violência, da destruição, uma narrativa do apagamento. O que está colocado em jogo é uma tensão, é uma força que leva para a violência, para o apagamento, para o processo de sufocamento. Por outro lado, há uma resistência constante de coletivos indígenas, quilombolas, ribeirinhos que se contrapõe a essa expulsão”, continua.</p></blockquote>
<p>Ele alega que essa é uma forma de contra plantation ao se colocarem contra a incorporação de seus territórios numa lógica de violência do sistema de produção global de grãos e proteínas vegetais.</p>
<p>Uma casa antiga de madeira parcialmente escondida pela vegetação densa de tábuas claras já desgastadas tem um telhado simples e uma pequena abertura frontal da porta — tomada pela sombra e por plantas que cresceram para dentro do espaço. Arbustos, cipós e árvores envolvem quase toda a fachada, cobrindo paredes e avançando pelo telhado.</p>
<p>No território, existem múltiplos seres, não humanos ou humanos, defendendo o território para que ali se multipliquem outras formas de vida – Foto: Bruno Kelly</p>
<p>Junto com os tupinambás do Baixo Tapajós, a pesquisa resgatou a ideia de um território vivo em contraposição ao vazio. E em um lugar onde coexistem múltiplos seres: não humanos que têm um papel fundamental na defesa do território e defendem junto com os humanos a integridade dele para que ali se multipliquem outras formas de vida. “Todos esses encantados, esses outros seres que compõem esse território de múltiplas formas de vida, não somem. Eles têm a possibilidade de reaparecer e voltar esse léxico. Um processo de retomadas, de mobilizações contra o avanço do agronegócio”, explica o pesquisador.</p>
<h3>Soluções</h3>
<p>O esforço de documentar esse fenômeno da região amazônica vem de campos diferentes do saber, que buscam evidenciar a dimensão de danos causados por agrotóxicos. “Junto com análises de ciências sociais, conseguimos demonstrar também a partir de narrativas, de histórias de vida, de casos, um padrão de violência local”, explica Zuker. Essa complementaridade é necessária devido à dificuldade de produzir conhecimento sobre os efeitos de uma substância invisível que age no longo prazo.</p>
<p>“Além de ser difícil traçar os resultados por um período extenso, [a pesquisa nesse assunto] é também reprimida por conta de pessoas poderosas com muitos interesses e muita entrada na política local”, alerta. Ainda assim, ele defende que os índices de desenvolvimento humano das comunidades amazônicas devem acontecer com a floresta viva e em pé. “Nada indica que o desmatamento seja um caminho importante para que exista uma melhoria na vida dessas pessoas”, afirma. Pelo contrário, a floresta e os ecossistemas são partes fundamentais para essas populações de acordo com sua pesquisa.</p>
<p>Sobre o uso de agrotóxicos, Zuker defende melhores práticas regulatórias e de fiscalização para evitar a lógica de expulsão. “Um elemento fundamental é a não comercialização no Brasil de agrotóxicos que são proibidos nos seus países de origem”, indica. Contudo, ele ressalta a importância do diálogo de diferentes setores para promoção do respeito à existência ecológica e do conhecimento local nessas e em outras regiões que são ameaçadas pela monocultura e pela mineração.</p>
<p>O artigo intitulado Expulsion by suffocation: Soybean plantations, toxicity, and land grabbing in the Brazilian Amazon pode ser acessado <a href="https://journals.sagepub.com/doi/epub/10.1177/25148486251379616" target="_blank" rel="noopener">clicando aqui.</a></p>
<p><em>Fonte: Jornal da USP</em></p>
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		<title>Ecoturismo garante conservação e geração de renda para comunidade do Baixo Tapajós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabricio Queiroz]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 02 May 2025 12:53:49 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ECONOMIA]]></category>
		<category><![CDATA[aldeia Vista Alegre do Kapixauã]]></category>
		<category><![CDATA[Baixo Tapajós]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[ecoturismo]]></category>
		<category><![CDATA[pousada Uka Surí]]></category>
		<category><![CDATA[terra Indígena Kumaruara]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/04/Pousada-Uka-Suri-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Já imaginou poder conhecer mais da Amazônia com passeio na floresta nativa, banho de igarapé e contato com as populações tradicionais? Isso é possível na aldeia Vista Alegre do Kapixauã, na terra Indígena Kumaruara, na região do Baixo Tapajós, onde 30 famílias comandam um projeto de ecoturismo que trouxe novas perspectivas de desenvolvimento para a [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/04/Pousada-Uka-Suri-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Já imaginou poder conhecer mais da Amazônia com passeio na floresta nativa, banho de igarapé e contato com as populações tradicionais? Isso é possível na aldeia Vista Alegre do Kapixauã, na terra Indígena Kumaruara, na região do Baixo Tapajós, onde 30 famílias comandam um projeto de ecoturismo que trouxe novas perspectivas de desenvolvimento para a comunidade.</p>
<p>De acordo com a cacica Irenilce Batista Souza, escolhida pelo povo Kumaruara para liderar o território há sete anos, o trabalho com turismo na região já tem cerca de 25 anos, mas ocorria sem a estrutura necessária. Em 2024, a comunidade inaugurou a pousada “Uka Suri”, que trouxe melhorias para a recepção dos turistas.</p>
<p>A pousada, financiada com recursos do Fundo Amazônia, tem cozinha equipada, área de alimentação, banheiros, quartos e redários. Além disso, o trabalho recebeu apoio do projeto Projeto Floresta+ Amazônia, que garantiu a compra de novos equipamentos para a oferta de passeios aquáticos na aldeia.</p>
<p>O dinheiro recebido com as hospedagens, alimentação, trilhas e passeios é dividido igualmente entre todas as famílias envolvidas no projeto, que se revezam no trabalho de responsabilidade coletiva.</p>
<blockquote><p>“Trabalhamos em forma de rodízio entre as famílias e todas ganham do turismo. A gente já participou de curso de culinária, de manipulação de alimentos, porque para trabalhar no empreendimento tem que estar capacitado. Depois vamos ter curso de guia de turismo, queremos também o de inglês”, diz a cacica Irenilce, ressaltando a busca de profissionalização na comunidade.</p></blockquote>
<figure id="attachment_34231" aria-describedby="caption-attachment-34231" style="width: 1024px" class="wp-caption aligncenter"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-34231 size-full" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/04/Aldeia-Vista-Alegre-do-Kapixaua.png" alt="" width="1024" height="768" srcset="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/04/Aldeia-Vista-Alegre-do-Kapixaua.png 1024w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/04/Aldeia-Vista-Alegre-do-Kapixaua-300x225.png 300w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/04/Aldeia-Vista-Alegre-do-Kapixaua-768x576.png 768w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/04/Aldeia-Vista-Alegre-do-Kapixaua-150x113.png 150w, https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/04/Aldeia-Vista-Alegre-do-Kapixaua-450x338.png 450w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption id="caption-attachment-34231" class="wp-caption-text">Comunidade recebeu melhorias de infraestrutura para recepção de turistas. Foto: Floresta + Amazônia</figcaption></figure>
<p>As formações são ofertadas pelo projeto Saúde e Alegria e incluem temas de interesse para a gestão do negócio e a preservação da floresta, como os mecanismos de REDD+, créditos de carbono e os impactos das mudanças climáticas na região, que já afetam também a atividade turística na aldeia.</p>
<blockquote><p>“A mudança climática está cada vez avançando mais e isso só prejudicou a gente. Ficou muito quente, morreu muita planta, inclusive as que a gente regava e que davam frutas. Nosso roçado ficou seco. Muitos familiares ficaram sem mandioca. O clima mudou muito para nós. Até para o turismo isso piorou: passamos metade do verão tendo que buscar os turistas lá na ponta, porque não dava para pegar lancha”, conta a cacica.</p></blockquote>
<p>Apesar dos desafios, a comunidade vê com otimismo o potencial do ecoturismo e pretende investir mais na área, aproveitando os atrativos do Baixo Tapajós e a visibilidade que a COP30 deve trazer para o estado. Para Irenilce Souza, a expectativa é avançar na conservação da região e realizar o desejo de “ver minha aldeia crescer”.</p>
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		<title>Agroecologia ajuda mulheres do campo a resistirem à degradação da Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Fabricio Queiroz]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Dec 2024 12:23:15 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[AGRICULTURA]]></category>
		<category><![CDATA[#agrofloresta]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura familiar]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/07/sistemas_agroflorestais-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Produzir sem agredir a floresta é o sonho de muitos agricultores que vivem na Amazônia, mas no oeste do Pará esse é um desejo cada vez mais difícil devido ao avanço do agronegócio que ameaça também os pequenos produtores rurais. No município de Mojuí dos Campos, a agricultora Selma Ferreira, de 55 anos, já viu [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/07/sistemas_agroflorestais-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Produzir sem agredir a floresta é o sonho de muitos agricultores que vivem na Amazônia, mas no oeste do Pará esse é um desejo cada vez mais difícil devido ao avanço do agronegócio que ameaça também os pequenos produtores rurais. No município de Mojuí dos Campos, a agricultora Selma Ferreira, de 55 anos, já viu suas plantações virarem cinzas por causa do fogo gerado nas grandes propriedades.</p>
<p>Em meio aos conflitos territoriais com fazendeiros e aos riscos de insegurança alimentar por causa da destruição dos cultivos tradicionais, Selma e outras cerca de 100 mulheres criaram a Associação de Mulheres Trabalhadoras Rurais de Belterra (Amabela), que atua para enfrentar problemas como o desmatamento, a grilagem e as queimadas promovendo práticas mais sustentáveis em toda a região do Baixo Tapajós.</p>
<p>Uma das principais alternativas são os sistemas agroflorestais ou agroecologia, em que a produção de alimentos ocorre em áreas com diversidade de espécies e conservação da floresta em pé, bem diferente das práticas comuns nos cultivos de soja e milho, onde além da destruição da floresta predomina o uso de agrotóxicos e outras substâncias nocivas à saúde humana e ao meio ambiente. É nesse sistema que elas produzem o cupuaçu e o cupulate que inspirou os produtos do <a href="https://www.paraterraboa.com/economia/em-formato-de-barra-receita-tradicional-de-cupulate-ganha-grife-e-conquista-novos-paladares/">chocolatier César de Mendes</a>.</p>
<blockquote><p>&#8220;A gente trabalhou muito nesse contexto de queimadas, de derrubadas [de árvores], para poder fazer nossas roças. Era nossa sobrevivência. Mas com a chegada da agroecologia, a gente viu que dava de trabalhar diferente&#8221;, disse a agricultora à <a href="https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2024/12/mulheres-buscam-agricultura-mais-sustentavel-em-meio-a-degradacao-da-amazonia.shtml" target="_blank" rel="noopener">Folha de São Paulo</a>.</p></blockquote>
<p>Apesar das vantagens do sistema, as integrantes da Amabala dizem que enfrentaram desafios. De um lado, nas próprias casas, quando os maridos rejeitaram a princípio a ideia de evitar a utilização de fogo na abertura de áreas para plantio. De outro lado, está o desafio permanente de lidar com os grandes fazendeiros e seu modo de produção.</p>
<p>A agricultora Ironildes Santos relata que, por exemplo, em razão dessa diferença já acabou sendo vítima de queimaduras no rosto, tórax e braços por causa de queimadas que tinham começado em propriedades vizinhas maiores.</p>
<p>Além disso, elas contam que sofrem pressão e perseguições por chamar o serviço do Prevfogo para enfrentar as queimadas na região. Mas, para elas, o pior é ver as mudanças na comunidade com a migração dos jovens para cidades maiores em busca de melhores oportunidades de trabalho, já que a degradação também prejudica a atividade econômica tradicional.</p>
<blockquote><p>&#8220;Quando queima a floresta, quando não tem animal, quando não tem como viver aqui, os filhos vão embora para trabalhar, mandar dinheiro e ajudar os pais, mas a saudade fica, né? Eu digo que a pior coisa não é ficar sem água, sem luz ou sem estrada. O pior é não ter os filhos perto&#8221;, lamenta Ironildes Santos.</p></blockquote>
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		<title>Ibama destrói aviões e pistas de pouso que davam suporte a garimpos ilegais no Baixo Tapajós</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 30 May 2023 15:04:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[aviões]]></category>
		<category><![CDATA[Baixo Tapajós]]></category>
		<category><![CDATA[crime ambiental]]></category>
		<category><![CDATA[garimpo]]></category>
		<category><![CDATA[Ibama]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/05/aviao-garimpo-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />A operação Acupary, realizada pelo Ibama e pelo ICMBio na sexta-feira, 26, desmantelou ação criminosa que dava suporte a garimpos ilegais realizados em terras protegidas e em unidades de conservação, no Baixo Tapajós, no Pará. A atividade ilícita ocorria ao longo da BR 230, onde quatro pistas de pouso improvisadas eram usadas para o crime. [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/05/aviao-garimpo-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>A operação Acupary, realizada pelo Ibama e pelo ICMBio na sexta-feira, 26, desmantelou ação criminosa que dava suporte a garimpos ilegais realizados em terras protegidas e em unidades de conservação, no Baixo Tapajós, no Pará.</p>
<p>A atividade ilícita ocorria ao longo da BR 230, onde quatro pistas de pouso improvisadas eram usadas para o crime. No local, a equipe de fiscalização do Ibama apreendeu cinco aeronaves, três camionetes, 42 mil litros de diesel para uso de máquinas de mineração, 1.600 litros de gasolina de avião, uma pistola com numeração raspada e uma carabina.</p>
<p>As quatro aeronaves foram totalmente modificadas pelos criminosos para atender ao transporte de carga para os garimpos. De acordo com os fiscais, essas modificações em aeronaves colocam em risco a navegação aérea, o meio ambiente e as comunidades que já vivem acuadas pelos garimpeiros na região.</p>
<p>O Ibama iniciou as ações percursoras para executar a atividade de garimpeiros na comunidade da TI Munduruku, conforme determinado pelo STF no âmbito da ADPF 709.</p>
<p>Nessa primeira fase, a operação atacou as pistas de pouso que apoiam a linha de suprimento dos garimpos clandestinos no interior da TI Munduruku e das Unidades de Conservação Federais localizadas às margens da BR 230.</p>
<p>O Ibama identificou ainda que dezenas de aeronaves que operavam na TI Yanomami migraram suas atividades para a bacia do Tapajós após o início da operação Xapiri, que combate o garimpo na TI Yanomami desde fevereiro de 2023.</p>
<h3><b>Combate estratégico</b></h3>
<p>A aviação de garimpo possibilita maior alcance das frentes de expansão da mineração ilegal, aumenta a velocidade da exploração e é a atividade mais representativa do grande volume de capital aportado nessa atividade ilegal. Além disso, a aviação de garimpo expõe à população a graves riscos de acidentes aéreos.</p>
<p>O combate a esse tipo de crime é estratégico para o Ibama no estancamento da mineração ilegal em áreas protegidas, pois impede o maior alcance dos criminosos dentro dos territórios e a abertura de novas frentes de exploração em áreas mais remotas e que não são atingidas por terra ou pelos rios. As aeronaves também são instrumentos de difícil reposição, considerando que seu comércio passa por maior controle do que outros equipamentos utilizados no garimpo, como escavadeiras hidráulicas ou motores estacionários.</p>
<p>O Ibama investiga ainda as rotas de fornecimento do combustível de aviação para aeronaves empregadas no garimpo. Visto que o combustível de aviação é produto controlado pela ANP e o seu comércio irregular também é considerado infração ambiental.</p>
<h3><b>Porque o Ibama inutiliza o material apreendido</b></h3>
<p>Os equipamentos provenientes dessa apreensão na BR 230 foram inutilizados devido à impossibilidade de retirada dos bens do local. Os aviões utilizados na linha de suprimento da mineração ilegal não possuem registros de manutenção, a real condição operacional é desconhecida, sendo inviável sua retirada por meio aéreo sem expor a integridade física dos servidores e dos moradores da região.</p>
<p>Já por terra, a retirada desses equipamentos implica na passagem por diversos pontos de controle das organizações criminosas, onde os servidores correm grande risco a emboscadas ou a outras tentativas de impedir que a fiscalização ambiental conclua o transporte dos bens.</p>
<p>Tendo em vista a exposição dos servidores e da própria comunidade do local, a inutilização dos equipamentos se faz necessária. A ação enquadra-se na hipótese legal e apresenta-se como única alternativa razoável.</p>
<p><em>Fonte: Ibama</em></p>
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