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	<title>MEIO AMBIENTE &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<title>MEIO AMBIENTE &#8211; Pará Terra Boa</title>
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	<item>
		<title>Trilha Amazônia Atlântica impulsiona ecoturismo no Pará</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 15:00:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/09/ecoturismo3-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Uma rota de ecoturismo de aproximadamente 468 quilômetros que liga Belém à Serra do Piriá (Viseu), no nordeste do Pará, une natureza, cultura e aventura. O percurso atravessa 17 municípios (regiões de Guajará, Guamá e Rio Caeté) e passa por paisagens como manguezais, florestas de terra firme e igarapés. Planejada para caminhantes e ciclistas, [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/09/ecoturismo3-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>Uma rota de ecoturismo de aproximadamente 468 quilômetros que liga Belém à Serra do Piriá (Viseu), no nordeste do Pará, une natureza, cultura e aventura.</em></li>
<li><em> O percurso atravessa 17 municípios (regiões de Guajará, Guamá e Rio Caeté) e passa por paisagens como manguezais, florestas de terra firme e igarapés.</em></li>
<li><em>Planejada para caminhantes e ciclistas, ideal para observação de aves, banhos de rio, contemplação da fauna e contato com a maior faixa contínua de manguezais preservados do mundo.</em></li>
<li><em> O roteiro inclui vivências com populações locais, como visitas a casas de farinha na região bragantina, acompanhamento do extrativismo de caranguejos e ostras, e pesca artesanal.</em></li>
<li><em>A trilha conecta 11 áreas protegidas — sendo 6 unidades de conservação (reservas extrativistas e APAs) e 5 territórios quilombolas.</em></li>
<li><em>A jornada começa em Belém, tendo como marco inicial a Catedral da Sé e percorrendo o tradicional caminho do Círio de Nazaré antes de seguir rumo ao litoral amazônico.</em></li>
</ul>
<p>A combinação entre natureza, cultura e aventura faz da Trilha Amazônia Atlântica uma das principais experiências de ecoturismo da região Norte. O percurso liga Belém à Serra do Piriá, na cidade de Viseu, no nordeste paraense, e percorre aproximadamente 468 quilômetros.</p>
<p>Entre os destaques estão manguezais, florestas de terra firme, igarapés de águas claras e comunidades tradicionais, que preservam modos de vida característicos da Amazônia.</p>
<p>O trajeto passa por 17 municípios das regiões de integração Guajará, Guamá e Rio Caeté, reunindo manifestações culturais, gastronomia e vivências ligadas ao cotidiano das populações locais.</p>
<p>Planejada para caminhantes e ciclistas, a trilha oferece contato direto com alguns dos ambientes mais representativos do litoral amazônico, incluindo a maior faixa contínua de manguezais preservados do planeta. A variedade de cenários favorece atividades como observação de aves, banhos em águas cristalinas, contemplação da fauna e da flora e práticas ao ar livre.</p>
<h3>Natureza e cultura pelo caminho</h3>
<p>Além das paisagens naturais, o roteiro permite conhecer tradições e atividades que fazem parte da identidade regional. Entre elas estão as visitas às casas de farinha da região bragantina, o acompanhamento do extrativismo de caranguejos e ostras e a pesca artesanal realizada em canoas de madeira. As vivências aproximam os visitantes de saberes transmitidos entre gerações e da cultura amazônica presente ao longo do percurso.</p>
<p>A Trilha Amazônia Atlântica também desempenha papel relevante na conservação ambiental. Atualmente, o percurso conecta 11 áreas protegidas, sendo seis unidades de conservação: as reservas extrativistas marinhas de Tracuateua, Caeté-Taperaçu, Araí-Peroba e Gurupi-Piriá; a Área de Proteção Ambiental da Costa do Urumajó e a APA Belém. O trajeto inclui ainda cinco territórios quilombolas: Torres, em Tracuateua; América, em Bragança; Pitimandeua, em Inhangapi; Macapazinho, em Castanhal; e Santíssima Trindade, em Santa Isabel do Pará.</p>
<h3>Como chegar</h3>
<p>O acesso à trilha é feito por Belém (PA). O ponto inicial é a Catedral da Sé, no centro histórico da capital paraense. A partir dali, os visitantes iniciam a jornada percorrendo o tradicional caminho do Círio de Nazaré, uma das mais importantes manifestações religiosas e culturais do país, antes de seguir em direção aos cenários naturais que caracterizam o percurso.</p>
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		<title>Com R$ 200 milhões do Fundo Clima, Mombak inicia ciclo de restauração ecológica no Pará</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 22 Sep 2026 14:50:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[BNDES]]></category>
		<category><![CDATA[fundo clima]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/12/projeto-mombak-fazenda-turmalina-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo: A Mombak concluiu o primeiro fechamento do Amazon Reforestation Fund II, que tem uma meta total de captação de US$ 150 milhões (R$ 750 milhões). O fundo é baseado em uma linha de crédito de R$ 200 milhões do Fundo Clima (BNDES), cobrindo cerca de 44% do orçamento total do projeto de R$ 457 [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/12/projeto-mombak-fazenda-turmalina-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Resumo:</p>
<ul>
<li>A Mombak concluiu o primeiro fechamento do Amazon Reforestation Fund II, que tem uma meta total de captação de US$ 150 milhões (R$ 750 milhões).</li>
<li>O fundo é baseado em uma linha de crédito de R$ 200 milhões do Fundo Clima (BNDES), cobrindo cerca de 44% do orçamento total do projeto de R$ 457 milhões (o restante virá de outras captações da Mombak).</li>
<li>O projeto prevê a restauração ecológica de 7,2 mil hectares de áreas degradadas (principalmente pela pecuária extensiva) na Amazônia, com foco no Pará, ao longo de um horizonte de 25 anos.</li>
<li>A implantação durará quatro anos, combinando plantio de mudas e semeadura direta (90% da área) com regeneração natural assistida (10%), utilizando espécies nativas como castanheira, paricá, ipês, mogno-brasileiro, entre outras.</li>
<li><span style="font-size: 14px;">Expectativa é a geração de até 440 empregos diretos e 65 indiretos na implantação, mantendo 50 postos fixos na operação.</span></li>
<li>O financiamento do BNDES resultará em até 4,7 milhões de créditos de remoção de carbono em 50 anos (comercializados inicialmente no mercado voluntário).</li>
<li>O projeto protege o solo, recursos hídricos e habitats da fauna, além de impulsionar a economia local.</li>
<li>É a segunda operação de restauração financiada pelo banco (a primeira, de R$ 160 milhões em jan/2025, recupera 13 mil hectares). Juntas, somam R$ 360 milhões e 20,2 mil hectares em restauração na estratégia BNDES Florestas.</li>
<li>O Fundo I captou US$ 120 milhões de investidores internacionais (como BNP Paribas, CPP Investments e Bain Capital), resultando no plantio de quase 15 milhões de árvores em 15 fazendas e na geração de mais de 600 empregos diretos.</li>
<li>A Mombak fechou um novo contrato plurianual de offtake com a Salesforce (já com uma primeira parcela de 2 mil créditos entregues), juntando-se a outros grandes compradores como Microsoft, Google e McKinsey.</li>
<li> A Mombak emitiu seus primeiros créditos em julho de 2026 (dois anos antes do prazo), sob o Protocolo de Reflorestamento da Isometric, com uma segunda emissão de cerca de 80 mil toneladas prevista ainda para 2026.</li>
</ul>
<p>A Mombak concluiu nesta segunda-feira, 21,o primeiro fechamento do Amazon Reforestation Fund II, com meta total de captação de US$ 150 milhões — cerca de R$ 750 milhões. O fundo terá como base uma linha de crédito de R$ 200 milhões do Fundo Clima, do BNDES, destinada a um projeto de restauração ecológica de 7,2 mil hectares de áreas degradadas na Amazônia, com foco no Pará.</p>
<p>O projeto como um todo está orçado em R$ 457 milhões e terá horizonte de 25 anos. Os recursos do BNDES, contratados pela linha de Florestas Nativas e Recursos Hídricos do Fundo Clima, cobrem cerca de 44% do valor total; o restante virá de outras fontes de captação da própria Mombak.</p>
<p>O dinheiro do banco vai bancar preparo de solo, plantio, manejo, compra de mudas e sementes, manutenção, monitoramento florestal e obras de apoio — tudo em terrenos degradados majoritariamente pela pecuária extensiva.</p>
<p>A implantação deve levar quatro anos, combinando plantio de mudas e semeadura direta em 90% da área com regeneração natural assistida nos 10% restantes. Entre as espécies nativas escolhidas estão castanheira, paricá, ipê-amarelo, ipê-roxo, angelim-vermelho, samaúma, tachi-branco, fava-arara, mogno-brasileiro e amarelão.</p>
<h3>Empregos e créditos de carbono</h3>
<p>Na fase de implantação, a expectativa é gerar até 440 empregos diretos e 65 indiretos; depois, a operação deve manter 50 postos fixos, além de movimentar a economia local com fornecimento de sementes, mudas, serviços florestais e monitoramento. Somente o financiamento do BNDES deve resultar em até 4,7 milhões de créditos de remoção de carbono ao longo de 50 anos.</p>
<p>Segundo o BNDES, esses créditos deverão ser comercializados inicialmente no mercado voluntário, com possibilidade de destinação futura a mercados regulados de carbono, ainda em desenvolvimento em diferentes países.</p>
<blockquote><p>&#8220;A restauração tem efeitos que vão além da captura de carbono&#8221;, diz a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello. &#8220;A recuperação da vegetação nativa contribui para proteger o solo e os recursos hídricos, reconectar áreas de floresta, ampliar habitats para a fauna e fortalecer cadeias produtivas. É uma agenda ambiental que também gera atividade econômica e empregos nos territórios.&#8221;</p></blockquote>
<h3>Segunda operação com o banco</h3>
<p>É a segunda vez que o BNDES financia um projeto de restauração da Mombak. A primeira, de R$ 160 milhões, foi fechada em janeiro de 2025 e prevê recuperar 13 mil hectares na Amazônia — dos quais 9,4 mil já estavam implantados até junho de 2026. Juntas, as duas operações somam R$ 360 milhões e cerca de 20,2 mil hectares em restauração.</p>
<p>As duas se inserem na estratégia BNDES Florestas, que já mobilizou R$ 14,6 bilhões, com o plantio de 354 milhões de árvores, a geração de 89 mil empregos verdes e a remoção de 68 milhões de toneladas de CO₂ equivalente da atmosfera.</p>
<h3>Do Fundo I ao Fundo II</h3>
<p>O primeiro fechamento do Fundo II dá sequência a um ciclo que começou com o Fundo I, que captou US$ 120 milhões de investidores institucionais internacionais — entre eles BNP Paribas Asset Management, CPP Investments e Bain Capital. Com esse dinheiro, a Mombak já plantou quase 15 milhões de árvores de mais de 100 espécies nativas em 15 fazendas na Amazônia, gerou mais de 600 empregos diretos e entregou aos compradores os primeiros créditos de carbono certificados.</p>
<p>O novo fundo incorpora o aprendizado de quase 100 experimentos de campo sobre seleção de espécies, melhoramento genético e técnicas de reflorestamento, agora aplicados em maior escala.</p>
<p>Para Gabriel Haddad Silva, CEO da Mombak, o financiamento permite dar continuidade ao modelo de reflorestamento já em curso na empresa.</p>
<blockquote><p>&#8220;Vamos levar diferentes técnicas e espécies biodiversas para uma área maior, com investimento de longo prazo, o que nos dá maior capacidade de gerar remoções de carbono em escala&#8221;, afirma.</p></blockquote>
<p>Segundo ele, o mercado passou anos questionando se o reflorestamento de alta integridade conseguiria mesmo entregar resultados: &#8220;Respondemos isso em julho, com nossas primeiras entregas antes do prazo. Agora, estamos ampliando nossas operações.&#8221;</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<item>
		<title>Proteger a floresta em pé rende mais que restaurar o que já foi derrubado, mostra estudo</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/proteger-a-floresta-em-pe-rende-mais-que-restaurar-o-que-ja-foi-derrubado-mostra-estudo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 16:15:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/10/amazonia7-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Pesquisa com 19 cientistas da Rede Amazônia Sustentável (RAS) e de instituições internacionais/nacionais (como Embrapa, USP, Inpe, Oxford e Cambridge) comprova que proteger florestas em pé traz mais retornos ecológicos e financeiros por real investido do que restaurar áreas desmatadas. O estudo analisou Paragominas e Santarém, no Pará, cobrindo mais de 3 milhões de [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/10/amazonia7-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>Pesquisa com 19 cientistas da Rede Amazônia Sustentável (RAS) e de instituições internacionais/nacionais (como Embrapa, USP, Inpe, Oxford e Cambridge) comprova que proteger florestas em pé traz mais retornos ecológicos e financeiros por real investido do que restaurar áreas desmatadas.</em></li>
<li><em>O estudo analisou Paragominas e Santarém, no Pará, cobrindo mais de 3 milhões de hectares com cruzamento de dados de biodiversidade em 381 áreas, informações de 499 propriedades rurais e imagens de satélite de 2010 a 2020.</em></li>
<li><em>Evitar degradação (fogo e extração ilegal) teria contido 68% da perda de biodiversidade e 47% de carbono.</em></li>
<li><em>Impedir o desmatamento evitaria 28% da perda de biodiversidade e 61% de carbono.</em></li>
<li><em>A restauração isolada compensou apenas 6% da perda de biodiversidade e 15% da de carbono.</em></li>
<li><em>Para a biodiversidade, prevenir a degradação é 3 vezes mais econômico do que conter o desmatamento e 15 vezes superior à restauração. Mesmo com redução simulada de 95% no custo da restauração, prevenir continuou sendo mais vantajoso.</em></li>
<li><em>No período analisado, a degradação (274 mil ha) superou o desmatamento direto (159 mil ha). Além disso, 63% das florestas secundárias em regeneração foram destruídas novamente pelo fogo.</em></li>
<li><em>Os melhores resultados ocorrem ao somar as três frentes (conter desmatamento, evitar degradação e restaurar), permitindo um aumento de 22% na biodiversidade e 42% no estoque de carbono em relação a 2010.</em></li>
<li><em>Pesquisadores defendem a inclusão do controle do fogo e do manejo florestal no centro de políticas como o PPCDAm, Planaveg, Código Florestal, mercado de carbono e programas de REDD+, exigindo também maior responsabilidade de cadeias produtivas globais (como carne e soja).</em></li>
</ul>
<p>Evitar o desmatamento e a degradação das florestas tropicais gera mais benefícios para a biodiversidade e o clima, por real investido, do que restaurar áreas já convertidas. É a conclusão de um estudo publicado na revista Science, conduzido por 19 pesquisadores de instituições como Universidade de Lancaster, Embrapa Amazônia Oriental, Instituto Ambiental de Estocolmo (SEI), Oxford, Cambridge, Manchester Metropolitan, Exeter, Esalq/USP, Inpe e Museu Paraense Emílio Goeldi, sob liderança da Rede Amazônia Sustentável (RAS).</p>
<p>A pesquisa analisou Paragominas e Santarém, no Pará — duas regiões da fronteira agrícola amazônica que somam mais de 3 milhões de hectares. Os cientistas cruzaram dados de biodiversidade coletados em 381 áreas de amostragem distribuídas por 38 microbacias, informações socioeconômicas de 499 propriedades rurais entrevistadas e imagens de satélite de alta resolução, reconstruindo as mudanças ocorridas na região entre 2010 e 2020.</p>
<p>A partir disso, simularam o que teria acontecido em diferentes cenários, testando três estratégias de conservação — isoladas e combinadas: conter o desmatamento, evitar danos de incêndios e extração de madeira, e restaurar vegetação para cumprir o Código Florestal.</p>
<h3>Prevenir compensa mais do que restaurar</h3>
<p>Os números mostram uma diferença expressiva entre as estratégias. Evitar incêndios e extração de madeira teria mitigado 68% das perdas de biodiversidade e 47% das perdas de carbono observadas no período. Impedir o desmatamento evitaria 28% das perdas de biodiversidade e 61% das perdas de carbono. Já a restauração, sozinha, compensaria apenas 6% e 15% dessas perdas, respectivamente.</p>
<blockquote><p>&#8220;Uma floresta não está necessariamente protegida apenas porque continua aparecendo como floresta nas imagens. Incêndios, exploração de madeira e efeitos de borda podem retirar biodiversidade e carbono sem eliminar completamente a cobertura florestal. Essa degradação precisa ocupar um lugar muito mais central nas políticas de conservação&#8221;, afirma Jos Barlow, professor da Universidade de Lancaster e autor sênior do estudo.</p></blockquote>
<p>Os números da própria região estudada ilustram o problema: no período analisado, foram registrados 159 mil hectares de desmatamento e 274 mil hectares de florestas primárias atingidas por fogo ou extração de madeira. Outros 130 mil hectares passaram por regeneração — mas 63% dessas florestas secundárias voltaram a ser afetadas pelo fogo.</p>
<blockquote><p>&#8220;A restauração é indispensável para recompor áreas protegidas, conectar fragmentos e recuperar funções ecológicas&#8221;, explica Leonardo de Sousa Miranda, pesquisador da Universidade de Lancaster e um dos autores principais do artigo. &#8220;O estudo mostra, porém, que ela não consegue compensar sozinha as perdas enquanto o desmatamento e a degradação continuam avançando. Restaurar sem proteger é tentar repor continuamente algo que segue sendo destruído.&#8221;</p></blockquote>
<h3>A conta não fecha</h3>
<p>Ao incluir os custos econômicos de cada estratégia, a diferença cresce. Para a biodiversidade, evitar perturbações florestais teve um índice de custo-efetividade cerca de três vezes maior do que impedir o desmatamento, e quase 15 vezes superior ao da restauração.</p>
<p>Para o carbono, evitar o desmatamento teve o maior retorno, seguido pelo controle da degradação e, por último, pela restauração. Mesmo quando os pesquisadores simularam uma redução de até 95% no custo de restaurar, essa estratégia continuou sendo menos custo-efetiva do que as medidas preventivas.</p>
<h3>O que realmente funciona</h3>
<p>Isso não significa que restaurar deva ser abandonado — pelo contrário. Os maiores ganhos apareceram quando as três estratégias foram aplicadas juntas: nesse cenário combinado, a biodiversidade cresceria 22% e os estoques de carbono, 42%, em relação ao patamar de 2010.</p>
<p>A lógica é de reforço mútuo: florestas preservadas ajudam áreas vizinhas a se recuperar, enquanto o controle do fogo permite que a vegetação em regeneração sobreviva e amadureça.</p>
<blockquote><p>&#8220;Não existe uma única solução capaz de responder à crise das florestas tropicais. Precisamos proteger as áreas remanescentes, impedir que elas sejam degradadas e restaurar territórios estratégicos&#8221;, reforça Joice Ferreira, pesquisadora da Embrapa Amazônia Oriental e coautora da pesquisa.</p></blockquote>
<p>Segundo ela, investir só em restauração faz pouco sentido enquanto florestas maduras continuam sendo degradadas — daí a importância de integrar agendas, como incluir brigadas de combate a incêndio dentro de programas de restauração. &#8220;O estudo oferece uma base para decidir onde e como combinar as diferentes ações de maneira eficiente.&#8221;</p>
<h3>O que isso muda nas políticas públicas</h3>
<p>Os autores defendem que prevenir incêndios e extração ilegal de madeira, garantir que a exploração madeireira autorizada siga as regras de manejo sustentável, reduzir o uso do fogo em áreas rurais sempre que possível e fortalecer brigadas locais passem a ocupar posição central nas estratégias de clima e biodiversidade. Tudo isso  amplia um foco que, até hoje, esteve concentrado sobretudo no desmatamento e, mais recentemente, na restauração.</p>
<p>No Brasil, os resultados dialogam diretamente com políticas já existentes, como o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg) e a aplicação do Código Florestal.</p>
<p>Também podem orientar programas de REDD+, projetos de mercado de carbono e decisões de financiamento climático, ao mostrar que recursos destinados à restauração rendem menos quando não vêm acompanhados de investimento na proteção das florestas que ainda restam.</p>
<blockquote><p>&#8220;Em termos internacionais, é necessário que as empresas e os mercados que se beneficiam de commodities, como soja e carne bovina, assumam a responsabilidade não apenas pelo desmatamento, mas também pela degradação das florestas remanescentes, que está intrinsecamente ligada a esses sistemas de produção na Amazônia&#8221;, afirma Toby Gardner, coautor do estudo, pesquisador sênior do Stockholm Environment Institute e cofundador da Trase, iniciativa de sustentabilidade em cadeias de suprimentos.</p></blockquote>
<p>Embora concentrado em duas regiões da Amazônia Oriental, o estudo tem implicações para outras florestas tropicais submetidas simultaneamente a desmatamento, fogo, exploração madeireira e expansão agropecuária — paisagens onde acompanhar apenas a perda total de cobertura vegetal pode esconder uma parcela decisiva dos impactos sobre biodiversidade e clima.</p>
<div></div>
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		<title>Dia da Árvore:  jogo da memória incentiva a restauração florestal na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 21 Sep 2026 15:05:47 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Imazon]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/09/jogo_arvore-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Em celebração ao Dia da Árvore (21 de setembro), o Imazon lançou um jogo da memória educativo com oito espécies nativas da Amazônia, vinculado ao seu Programa de Restauração de Paisagens no sudeste do Pará. A ação busca conscientizar sobre a recuperação de áreas desmatadas e incentivar a geração de renda para a agricultura [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/09/jogo_arvore-150x150.webp" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>Em celebração ao Dia da Árvore (21 de setembro), o Imazon lançou um jogo da memória educativo com oito espécies nativas da Amazônia, vinculado ao seu Programa de Restauração de Paisagens no sudeste do Pará.</em></li>
<li><em>A ação busca conscientizar sobre a recuperação de áreas desmatadas e incentivar a geração de renda para a agricultura familiar por meio do cultivo dessas espécies.</em></li>
<li><em> O jogo destaca açaizeiro, pupunheira, cacaueiro, cupuaçuzeiro, ingázeiro, buritizeiro, andirobeira e castanheira, detalhando seus usos (alimentação, cosméticos, sombra, adubação) e o tempo para início da produção.</em></li>
<li><em>Voltado para crianças a partir de 6 anos, possui 32 cartas (16 pares ou 8 quartetos) que associam mudas a árvores adultas e frutos aos seus usos/produtos derivados.</em></li>
<li><em>Classificação por tempo de crescimento: As cartas utilizam tons de verde para indicar a velocidade de desenvolvimento das mudas.</em></li>
<li><em>O Imazon disponibilizou o jogo para download e indicou a playlist &#8220;Que muda é essa?&#8221; no YouTube como apoio pedagógico para pais e professores.</em></li>
</ul>
<p>Para celebrar o Dia da Árvore, comemorado em 21 de setembro, o Imazon lança um jogo da memória inspirado em oito espécies nativas da Amazônia. A iniciativa faz parte do Programa de Restauração de Paisagens, que auxilia no plantio de mudas de árvores em assentamentos no sudeste do Pará para contribuir com a recuperação de áreas desmatadas.</p>
<p>Além de ajudar na restauração da região, o programa busca criar novas oportunidades de renda para agricultoras e agricultores familiares a partir do cultivo de espécies que podem formar futuras áreas florestais produtivas. Agora, o açaizeiro, cacaueiro, cupuaçuzeiro, ingázeiro, buritizeiro, a pupunheira, andirobeira e castanheira também podem ser conhecidos de um jeito divertido ao lado de amigos e familiares.</p>
<h3>As espécies participantes</h3>
<p><strong>Açaizeiro</strong></p>
<p>Nativo da Amazônia, o açaí é uma espécie importante para a alimentação e para a geração de renda de muitas famílias amazônicas. Seus frutos podem ser consumidos pelas próprias famílias ou comercializados, tornando a espécie uma fonte de alimento e de renda, além disso ainda contribui para a recuperação de áreas desmatadas. Seu crescimento é relativamente rápido e a produção de frutos pode começar, em média, após dois anos e meio do plantio.</p>
<p><strong>Pupunheira</strong></p>
<p>Foi uma das primeiras plantas domesticadas pelos povos indígenas, provavelmente no sudoeste da Amazônia, ainda antes da chegada dos europeus ao continente e possui um fruto bastante apreciado na região, tanto por moradores quanto pela fauna. Com crescimento médio, a espécie começa a produzir em cerca de sete anos após o plantio e pode ser uma alternativa na geração de renda.</p>
<p><strong>Cacaueiro</strong></p>
<p>Quando cultivado em sistemas agroflorestais, o cacaueiro pode contribuir para a recuperação de áreas degradadas e a captura e o armazenamento de carbono. A árvore começa a produzir frutos, em média, entre quatro e cinco anos após o plantio, dando origem às amêndoas de cacau. Para agricultoras e agricultores familiares, o cultivo também apresenta potencial de geração de renda, com agregação de valor à produção por meio de produtos como chocolates artesanais, polpas, manteiga e licor de cacau.</p>
<p><strong>Cupuaçuzeiro</strong></p>
<p>O cupuaçu é uma das frutas mais conhecidas da Amazônia e faz parte da alimentação e da cultura de muitas famílias da região. Sua polpa tem sabor marcante e pode ser utilizada de diversas formas, como em sucos, geleias, cremes, doces, sorvetes e outros produtos. A produção desses frutos começa, em média, entre quatro e cinco anos após o plantio.</p>
<p><strong>Ingázeiro</strong></p>
<p>Conhecido por seus frutos compridos, o ingazeiro esconde uma polpa branca, macia e adocicada ao redor das sementes. A espécie apresenta crescimento médio e pode ser utilizada em sistemas agroflorestais, inclusive para fazer sombra para outras culturas, como o cacau e o café. Outra característica especial é ser capaz de fixar nitrogênio no solo. Seus frutos ainda fazem parte da alimentação da fauna e a espécie pode ser utilizada como adubo verde em sistemas de produção e na recuperação de solos.</p>
<p><strong>Buritizeiro</strong></p>
<p>Uma das maiores palmeiras da Amazônia, o buriti pode chegar a 35 metros de altura e é encontrado principalmente em áreas alagadas e próximas a rios e igarapés. A água também ajuda a espalhar suas sementes e podem ser transformadas em polpas, sucos, óleos e cremes. Outras partes da palmeira também são aproveitadas, inclusive na produção dos tradicionais brinquedos de miriti. Na restauração seu crescimento é mais lento, podendo levar até 15 anos para dar fruto, mas possui um importante papel para formação da cobertura vegetal ao longo do tempo.</p>
<p><strong>Andirobeira</strong></p>
<p>Embora seja uma árvore de uso múltiplo, suas sementes são utilizadas principalmente para produzir um óleo muito conhecido e tradicionalmente usado pelas populações amazônicas. A casca também é aproveitada de diferentes formas, enquanto sua madeira é valorizada por ser resistente à ação de cupins e outros organismos. De médio a grande porte, a andirobeira pode chegar a cerca de 30 metros de altura, mas seu crescimento é mais lento e a produção de frutos começa geralmente entre 10 e 15 anos após o plantio.</p>
<p><strong>Castanheira</strong></p>
<p>No Brasil, a castanheira é encontrada exclusivamente na Amazônia, principalmente em áreas de terra firme. É uma árvore de grande porte e crescimento lento, que pode levar entre 10 e 15 anos para começar a produzir frutos. Além de formar sombra para outras plantas, tem grande importância para a alimentação e a geração de renda das comunidades locais. Por isso, a castanheira contribui para a segurança alimentar, geração de renda e formação de novas áreas florestais.</p>
<h3>Como jogar</h3>
<p>O jogo é composto por 32 cartas, que formam 16 pares e tem como objetivo incentivar a educação ambiental, podendo ser jogado por crianças a partir dos seis anos.</p>
<p>Oito pares são formados pelas mudas das árvores e as respectivas árvores adultas e oito pares são formados pelos frutos dessas árvores e seus usos, como para a alimentação ou produtos derivados.</p>
<p>As cartas são divididas em três tons de verde, que representam o tempo de crescimento das mudas:</p>
<ul>
<li>Verde claro: É composto pelo açaizeiro e pela pupunheira, árvores com ciclo de crescimento curto. Após o plantio das mudas, demoram de três a quatro anos para darem frutos.</li>
<li>Verde médio: É composto pelo cacaueiro, pelo cupuaçuzeiro e pelo ingazeiro, árvores com ciclo de crescimento médio. Após o plantio das mudas, demoram de quatro a cinco anos para darem frutos</li>
<li>Verde escuro: É composto pelo buritizeiro, pela andirobeira e pela castanheira, árvores com ciclo de crescimento longo. Após o plantio das mudas, o buritizeiro demora cerca de oito anos para dar frutos. Já a andirobeira e a castanheira demoram de 10 a 15 anos para darem frutos.</li>
</ul>
<p>As regras do jogo podem ser tanto para encontrar os pares quanto para localizar os quartetos. Exemplo de quarteto: par de cartas do açaizeiro + par de cartas do açaí.</p>
<h3>Material de apoio</h3>
<p>O Imazon possui uma playlist no YouTube chamada “Que muda é essa?“, que pode ser usada por pais e professores como material de apoio ao jogo.</p>
<p>Baixe o jogo <a href="https://imazon.t3.storage.dev/jogo-da-mem%C3%B3ria---dia-da-%C3%A1rvore-ed271757.pdf" target="_blank" rel="noopener">aqui</a></p>
<p><em>Fonte: Imazon</em></p>
]]></content:encoded>
					
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		<title>Estudantes do Pará vencem prêmio nacional com armadilha de baixo custo contra mosquito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 14:07:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
		<category><![CDATA[destaque1]]></category>
		<category><![CDATA[IFPA]]></category>
		<category><![CDATA[Marabá]]></category>
		<category><![CDATA[Prêmio Escolas Sustentáveis.]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-18-at-11.06.05-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Uma armadilha luminosa feita com lata de leite, tampinhas de garrafa e componentes eletrônicos reaproveitados rendeu a estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), campus Marabá Industrial, o primeiro lugar na categoria que vai do ensino fundamental final ao EJA na 4ª edição do Prêmio Escolas Sustentáveis. Os vencedores foram [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/09/WhatsApp-Image-2026-09-18-at-11.06.05-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Uma armadilha luminosa feita com lata de leite, tampinhas de garrafa e componentes eletrônicos reaproveitados rendeu a estudantes do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará (IFPA), campus Marabá Industrial, o primeiro lugar na categoria que vai do ensino fundamental final ao EJA na 4ª edição do Prêmio Escolas Sustentáveis. Os vencedores foram anunciados nesta quinta-feira, 17, em cerimônia em Salvador (BA).</p>
<p>O projeto, batizado de EcoLuz Trap – Tecnologia de Baixo Custo contra Vetores de Doenças na Amazônia, nasceu de uma conversa simples entre o professor Ríguel Contente e os alunos.</p>
<blockquote><p>&#8220;Eu conversei em sala de aula com os alunos: como é na casa de vocês essa questão de mosquito? E é muito ruim para eles, porque a maior parte mora em áreas periféricas e, aqui em Marabá é muito quente. As pessoas têm que abrir a janela à noite, tem todo aquele incômodo da presença de muito mosquito na residência&#8221;, contou o professor.</p></blockquote>
<p>A partir dali, a turma passou pelo diagnóstico do problema, a construção de protótipos, testes com diferentes cores de LED e o registro e identificação dos insetos capturados — um processo de ciência aplicada do início ao fim.</p>
<h3>Como funciona a armadilha</h3>
<p>A estrutura é simples e barata: uma lata de leite como corpo externo, uma tela colocada embaixo, pés feitos de tampas de garrafa e uma fonte de 12 volts reaproveitada de aparelhos descartados, além de um pequeno ventilador e lâmpadas. A tecnologia dispensa o uso de inseticidas e é pensada para ser acessível e fácil de replicar.</p>
<blockquote><p>&#8220;Tem a parte de desenho técnico, estudar como fazer o desenho da armadilha. Depois tem que ir para a parte experimental, ver qual é a lâmpada que vai ter a melhor eficiência de atração de mosquito. Fizemos várias réplicas com lâmpada vermelha, verde, roxo, azul, e espalhamos pela escola&#8221;, relatou Ríguel.</p></blockquote>
<h3>Ciência além da sala de aula</h3>
<p>Para o professor, o projeto aproximou os estudantes de disciplinas que muitas vezes parecem distantes do cotidiano.</p>
<blockquote><p>&#8220;Os alunos também tiveram experiência com estatística, saber o que é uma média, o que é um índice, fazer gráficos e tabelas. E tem a questão de saber identificar os mosquitos, então o aluno tem que conhecer a zoologia&#8221;, lembrou, acrescentando que os estudantes puderam apresentar os resultados em congressos e feiras.</p></blockquote>
<p>Segundo o IFPA, a iniciativa já impactou cerca de 3,5 mil pessoas, e o próximo passo é levar o equipamento para além dos muros da escola.</p>
<blockquote><p>&#8220;Além dessa parte educacional, que teve um impacto muito bom para os alunos, a gente vai agora para a extensão, que é levar esse equipamento para as pessoas [de fora da escola]. O primeiro beneficiado foi a própria escola, porque a gente espalhou essas armadilhas nos espaços&#8221;, contou o professor.</p></blockquote>
<h3>Outra categoria</h3>
<p>Na categoria que vai da educação infantil aos primeiros anos do ensino fundamental, o prêmio ficou com a Casa da Infância, de Salvador (BA), por um projeto de intercâmbio educativo entre quatro escolas do Brasil e da Colômbia.</p>
<p>A iniciativa, batizada de Infância, Sustentabilidade e Cidades Educadoras, envolve coleta de resíduos, compostagem, hortas escolares e mapeamento da biodiversidade, além de encontros presenciais e virtuais e troca de cartas em português, espanhol e inglês entre as escolas participantes.</p>
<h3>Sobre o prêmio</h3>
<p>Ao todo, dez projetos foram finalistas nesta edição do Prêmio Escolas Sustentáveis, aberto a escolas públicas e privadas. As duas vencedoras seguem agora para a etapa internacional da competição, que acontece na Cidade do México em 2 de dezembro.</p>
<p>A premiação é uma iniciativa da Fundação Santillana, da Santillana e da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).</p>
<blockquote><p>&#8220;A ideia é mostrar que sustentabilidade não é só meta global, grandes projetos internacionais. Sustentabilidade é algo que acontece perto de nós também. Isso acontece quando estudantes, professores, crianças, olham situações da sua comunidade e pensam em estratégias para corrigi-las&#8221;, explicou Luciano Monteiro, diretor executivo da Fundação Santillana no Brasil.</p></blockquote>
<p><em>Com informações da Agência Brasil</em></p>
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		<title>Alertas de desmatamento no Pará sobem 109% e puxam alta na Amazônia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 18 Sep 2026 13:45:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[desmatamento]]></category>
		<category><![CDATA[Deter]]></category>
		<category><![CDATA[Inpe]]></category>
		<category><![CDATA[MMA]]></category>
		<category><![CDATA[pará]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/amazonia9-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo: A área sob alerta de desmatamento no Pará passou de 74 km² em agosto de 2025 para 155 km² em agosto de 2026, alta de 109,4%, segundo o Deter/Inpe, e o estado concentrou 43,3% dos alertas da Amazônia no mês. Na Amazônia como um todo, os alertas subiram 12,1%, de 319 km² para 358 [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/amazonia9-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo:</em></p>
<ul>
<li><em>A área sob alerta de desmatamento no Pará passou de 74 km² em agosto de 2025 para 155 km² em agosto de 2026, alta de 109,4%, segundo o Deter/Inpe, e o estado concentrou 43,3% dos alertas da Amazônia no mês.</em></li>
<li><em>Na Amazônia como um todo, os alertas subiram 12,1%, de 319 km² para 358 km²; nos demais estados, a soma caiu de 245 km² para 203 km², segundo cálculo com base nos dados do Inpe.</em></li>
<li><em>O MMA associa parte da alta à retirada do apoio da Polícia Militar do Pará, que inviabilizou operações do ICMBio em unidades de conservação do leste do estado, e montou força-tarefa federal para a região.</em></li>
<li><em>No acumulado de 12 meses até 11/9, o Pará soma 1.100,78 km² sob alerta, a maior área do bioma, e Altamira lidera entre os municípios, com 167,98 km², segundo o painel TerraBrasilis.</em></li>
<li><em>No trimestre de junho a agosto, os alertas na Amazônia caíram 20,4%, recorte que o ministro João Paulo Capobianco considera o mais indicado para avaliar tendência.</em></li>
</ul>
<p>A área sob alerta de desmatamento no Pará mais que dobrou em agosto. Passou de 74 km² em agosto de 2025 para 155 km² em agosto de 2026, alta de 109,4%. O estado concentrou 43,3% dos alertas registrados na Amazônia no mês.</p>
<p>Os dados são do Deter, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), No conjunto da Amazônia, os alertas subiram 12,1%, de 319 km² para 358 km².</p>
<p>O aumento de 81 km² no Pará é maior que o crescimento de 39 km² registrado em toda a Amazônia. Nos demais estados, a área sob alerta somou 203 km² em agosto, contra 245 km² um ano antes.</p>
<p>Mato Grosso caiu de 98 km² para 58 km². O Amazonas passou de 71 km² para 75 km², e o Acre, de 32 km² para 37 km².</p>
<p>No trimestre de junho a agosto, a Amazônia registrou 1.044 km² sob alerta, queda de 20,4% sobre os 1.312 km² do mesmo período de 2025. Mesmo com a alta, agosto teve o terceiro menor resultado para o mês na série atual do Deter, iniciada em 2016.</p>
<blockquote><p>&#8220;O dado de um mês no Deter não deve ser considerado, individualmente, um indicador estruturado de tendência. A avaliação trimestral, a mais indicada, mostra continuidade da redução do desmatamento em ambos os biomas. No caso da Amazônia, no entanto, não podemos deixar de considerar que houve um aumento em agosto e que esse aumento foi concentrado em um estado, o Pará&#8221;, disse o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, durante a apresentação dos dados.</p></blockquote>
<h3>MMA liga alta à saída da PM</h3>
<p>O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) associa parte do aumento à retirada do apoio da Polícia Militar do Pará às ações de fiscalização ambiental. Sem esse apoio, operações planejadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em unidades de conservação do leste do estado foram inviabilizadas.</p>
<p>Segundo o ministério, essas unidades vinham registrando aceleração das derrubadas. Em resposta, o MMA e o Ministério da Justiça e Segurança Pública criaram uma força-tarefa com ICMBio, Ibama, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional de Segurança Pública para intensificar as operações na região.</p>
<h3>Altamira lidera ranking da destruição</h3>
<p>No acumulado de 12 meses até 11/9, o Pará soma 1.100,78 km² sob alerta de desmatamento, a maior área entre os estados amazônicos, segundo o painel TerraBrasilis, do Inpe. O total do bioma no período é de 2.914,58 km².</p>
<p>Quatro municípios paraenses estão entre os dez com maior área sob alerta: Altamira, que lidera com 167,98 km², São Félix do Xingu (113,42 km²), Itaituba (74,03 km²) e Portel (61,92 km²).</p>
<p>Entre as áreas protegidas, seis das sete primeiras estão no Pará. A Floresta Nacional de Altamira lidera, com 27,16 km², seguida pela Área de Proteção Ambiental (APA) do Tapajós, com 21,71 km², e pela Floresta Nacional do Jamanxim, com 9,90 km².</p>
<p>&nbsp;</p>
]]></content:encoded>
					
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			</item>
		<item>
		<title>Avanço do aquecimento sobre a Amazônia preservada ameaça rios, energia e alimentos</title>
		<link>https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/avanco-do-aquecimento-sobre-a-amazonia-preservada-ameaca-rios-energia-e-alimentos-no-brasil/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 17 Sep 2026 14:29:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[aquecimento]]></category>
		<category><![CDATA[El Niño]]></category>
		<category><![CDATA[Inpe]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/07/amazonia133-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Pesquisadores do Inpe que participaram de estudo recente sobre a mudança do clima na Amazônia nos últimos 40 anos alertam para dados ainda mais alarmantes sobre a região De acordo com eles, a área de 10% da bacia que registra alta acelerada nas temperaturas da estação seca corresponde a mais de 700 mil km² [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2023/07/amazonia133-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>Pesquisadores do Inpe que participaram de estudo recente sobre a mudança do clima na Amazônia nos últimos 40 anos alertam para dados ainda mais alarmantes sobre a região</em></li>
<li><em>De acordo com eles, <span style="font-size: 14px;">a área de 10% da bacia que registra alta acelerada nas temperaturas da estação seca corresponde a mais de 700 mil km² de floresta, e o ritmo do aquecimento indica transformações profundas nas próximas décadas.</span></em></li>
<li><em>Estudo dividiu o bioma em células de 11 km para analisar dados de temperatura e chuva entre 1981 e 2023.</em></li>
<li><em>A projeção é que os extremos podem acumular uma alta de até 3,5 °C até a metade do século, impactando diretamente o regime de chuvas, a segurança alimentar e a geração de energia no Brasil.</em></li>
<li><em>A porção centro-norte da Amazônia, distante do &#8220;arco do desmatamento&#8221; e com territórios indígenas e florestas intactas, virou o novo foco de aquecimento, mostrando que a conservação local não blinda a floresta das mudanças globais.</em></li>
<li><em>A seca extrema amplia a degradação (perda de densidade e umidade) em áreas remotas. No trimestre de setembro a novembro de 2024, a plataforma TerraBrasilis registrou 31.077 km² de área degradada.</em></li>
<li><em>A transição climática recente e a previsão de um El Niño forte entre o final de 2026 e início de 2027 ligam o sinal de alerta para novos picos de seca e degradação no bioma.</em></li>
</ul>
<p>A recente publicação do<a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/eventos-climaticos-extremos-avancam-sobre-area-inesperada-da-amazonia/" target="_blank" rel="noopener"> estudo  internacional na revista Communications Earth &amp; Environment</a> revelou uma nova geografia da crise climática no bioma amazônico. <span style="font-size: 14px;">No entanto, o recorte de dados analisado por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) traz alertas ainda mais específicos para o cenário nacional: a área de 10% da bacia que registra alta acelerada nas temperaturas da estação seca corresponde a mais de 700 mil km² de floresta, e o ritmo do aquecimento indica transformações profundas nas próximas décadas.</span></p>
<p>A pesquisa, que reuniu mais de 50 cientistas &#8211; entre eles, especialistas do Painel Científico para a Amazônia e do (INPE) &#8211; é considerada a avaliação mais detalhada já feita sobre como o clima mudou na região: os pesquisadores dividiram toda a Amazônia em células de 11 km e analisaram dados de temperatura e chuva entre 1981 e 2023.</p>
<p>De acordo com o levantamento feito pelos cientistas brasileiros Liana O. Anderson, Ana Paula Aguiar e Luiz Aragão, enquanto a média do bioma subiu 0,21 °C por década, as temperaturas máximas extremas no período mais seco registraram um salto médio de 0,49 °C a cada dez anos.</p>
<p>Para a pesquisadora Liana Anderson, os resultados indicam que a intensificação dos extremos pode trazer consequências ambientais, sociais e econômicas.</p>
<blockquote><p>“Se contabilizarmos as mudanças nas temperaturas extremas durante a estação seca que já observamos nestas últimas década (0,49 °C), podemos estimar que em 2050 a região poderá sofrer com um aumento total de 3,5 °C, o que terá grandes consequência locais, como deterioração social e ambiental e portanto consequentemente e diretamente econômica, assim como mudanças nos regimes de chuvas, afetando a produção de alimentos e energia do País”, disse</p></blockquote>
<h3>O avanço invisível da degradação</h3>
<p>O estudo chama a atenção por focar na porção centro-norte da Amazônia, historicamente caracterizada por baixa interferência humana e distante do chamado &#8220;arco do desmatamento&#8221;. Para Luiz Aragão, o fato de os eventos extremos se intensificarem justamente em áreas com floresta intacta e territórios indígenas preservados comprova que as ações de combate ao desmatamento local, embora indispensáveis, já não são suficientes para blindar o ecossistema das mudanças globais.</p>
<blockquote><p>“A parte central e norte da Amazônia enfrenta poucos distúrbios antrópicos, como desmatamento e queimadas, quando comparada à fração leste e sul. Os resultados da pesquisa têm implicações para a busca de soluções, com estratégias de adaptação e mitigação para atingir as metas de redução de emissões de gases de efeito estufa&#8221;, afirma Aragão.</p></blockquote>
<p><span style="font-size: 14px; color: #333333;">Na prática, o impacto climático sobre essas áreas consolidadas manifesta-se no aumento da degradação florestal — processo em que a floresta perde densidade e umidade sem necessariamente ser corte raso. Registros da plataforma TerraBrasilis, operada pelo INPE, mostram o tamanho desse impacto: apenas no trimestre entre setembro e novembro de 2024, a área degradada na Amazônia atingiu 31.077 km².</span></p>
<h3>De olho no El Niño</h3>
<p>Os pesquisadores destacam que eventos climáticos extremos recentes na Amazônia reforçam a importância de acompanhar a evolução das condições climáticas na região. A seca de 2023/2024, por exemplo, esteve associada a temperaturas elevadas e a condições do Oceano Pacífico relacionadas à transição de La Niña para El Niño.</p>
<p>O cenário merece atenção diante das condições previstas para 2026. As previsões mais recentes indicam alta probabilidade de ocorrência de um El Niño muito forte entre setembro e novembro, com possibilidade de persistência do fenômeno até o início de 2027.</p>
<p>O INPE acompanha esse fenômeno por meio do Painel El Niño 2026-2027, desenvolvido em parceria com outras instituições, que disponibiliza mensalmente informações atualizadas sobre o monitoramento, as previsões e os possíveis impactos do El Niño no Brasil. Acesse aqui a edição de agosto do Boletim do Painel El Niño 2026-2027.</p>
<p>A pesquisadora Ana Paula Aguiar, coordenadora científica da Sala de Situação da plataforma TerraBrasilis do INPE, tem acompanhado a evolução dos focos de calor do Programa Queimadas e dos alertas de degradação do sistema Deter (Programa BiomasBR) na ferramenta e explica.</p>
<blockquote><p>“Por ora, os efeitos do El Niño ainda não estão sendo sentidos, embora se perceba um incremento nas últimas semanas. Os resultados do nosso artigo são muito preocupantes porque, em anos de seca extrema, a área degradada é muito superior ao desmatamento, e se distribui em áreas remotas”.</p></blockquote>
<p><strong>LEIA MAIS:</strong></p>
<p><strong><a href="https://www.paraterraboa.com/meio-ambiente/eventos-climaticos-extremos-avancam-sobre-area-inesperada-da-amazonia/" target="_top">Eventos climáticos extremos avançam sobre área inesperada da Amazônia</a></strong></p>
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		<title>Preservar a floresta na propriedade protege a lavoura contra o clima</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 16 Sep 2026 13:10:11 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[Amazônia]]></category>
		<category><![CDATA[floresta]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/images-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo A conservação de áreas florestais dentro de propriedades rurais é fundamental para aumentar a produtividade e proteger safras contra eventos climáticos. Dados do projeto de pesquisa Galo (Ipam) indicam que a perda de vegetação pode aumentar a temperatura média local em até 3°C. O aumento da temperatura gera impacto direto nas lavouras: a cada [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2025/11/images-150x150.jpeg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>A conservação de áreas florestais dentro de propriedades rurais é fundamental para aumentar a produtividade e proteger safras contra eventos climáticos.</em></li>
<li><em>Dados do projeto de pesquisa Galo (Ipam) indicam que a perda de vegetação pode aumentar a temperatura média local em até 3°C.</em></li>
<li><em>O aumento da temperatura gera impacto direto nas lavouras: a cada grau que a média sobe, a soja perde 6% de produtividade e o milho recua 8%.</em></li>
<li><em>Sem a cobertura vegetal para manter a umidade do ar e amenizar o calor, as perdas combinadas chegam a cerca de 20% nas propriedades analisadas.</em></li>
<li><em>O debate ocorreu durante a 2026 World AgriFood Innovation Conference, na China, em painel organizado por instituições brasileiras e chinesas.</em><em>.</em></li>
</ul>
<p>Aumentar a produtividade no campo e proteger as safras contra o clima passa por conservar mais floresta dentro das propriedades rurais — não por desmatar mais. O alerta é de André Guimarães, diretor executivo do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e Enviado Especial da Sociedade Civil da COP30, durante painel na &#8220;2026 World AgriFood Innovation Conference&#8221;, realizado na tarde desta terça-feira (15), horário da China.</p>
<p>O painel &#8220;O papel da agricultura regenerativa para a resiliência climática&#8221; foi organizado pelo Ipam em conjunto com o ICV (Instituto Centro de Vida), o O Mundo Que Queremos, a CAU (Universidade de Agricultura da China) e a Eccon Soluções Ambientais, reunindo representantes da sociedade civil brasileira e pesquisadores de instituições chinesas dedicadas à produção sustentável e ao desenvolvimento territorial.</p>
<blockquote><p>&#8220;Esse paradigma de eliminar a natureza para abrir áreas de plantio tem que ser repensado. Existe uma conexão muito forte entre a área de cultivo e a floresta, e podemos ver isso apenas observando a altura das plantas e a qualidade do solo à medida que nos aproximamos de um fragmento de floresta dentro de uma propriedade rural. Para produzir mais, não precisamos desmatar mais, mas redesenhar as nossas paisagens produtivas&#8221;, defendeu Guimarães.</p></blockquote>
<p>Ele apresentou dados coletados pelo Galo (Global Assessment from Local Observations), projeto de pesquisa do Ipam, na Estação de Pesquisa Tanguro, em Mato Grosso, sobre a interação entre lavouras e fragmentos de floresta.</p>
<h3>Cada grau a mais custa produtividade</h3>
<p>Segundo estudo, a perda de vegetação está diretamente ligada ao aumento das temperaturas, com variação de até 3°C na média anual das propriedades analisadas. A pesquisa mostra ainda que, a cada grau que a temperatura média de uma propriedade sobe, a soja perde 6% de produtividade e o milho, 8%.</p>
<p>Somadas, essas perdas chegam a cerca de 20% nas propriedades estudadas — e isso antes mesmo de contabilizar o aquecimento adicional causado pelas mudanças climáticas globais ou por fenômenos como o El Niño.</p>
<blockquote><p>&#8220;Em resumo, precisamos de mais florestas nos sistemas agropecuários. É ela que protege a lavoura contra as ondas de calor, as secas e as quebras de safra. Sem ela, o ar fica mais seco porque existe menos água disponível no sistema e as temperaturas aumentam, o que afeta diretamente a produtividade das principais commodities exportadas pelo Brasil&#8221;, completa Guimarães.</p></blockquote>
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		<title>Conexão de Saberes promove renda e autonomia para famílias do Marajó</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2026 16:24:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[agricultura familiar]]></category>
		<category><![CDATA[Breves]]></category>
		<category><![CDATA[Conexãode Saberes]]></category>
		<category><![CDATA[destaque]]></category>
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		<category><![CDATA[sustentabilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/09/comunidades_marajo-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo O projeto Conexão de Saberes iniciou suas ações no Pará para focar em sustentabilidade, segurança alimentar e geração de renda nas regiões do Marajó e Sudeste Paraense. A iniciativa,  uma parceria entre Embrapa e Vale S.A., faz parte da rede Juntos Contra a Pobreza, unindo os setores público e privado para atuar além da [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2026/09/comunidades_marajo-150x150.jpg" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p><em>Resumo</em></p>
<ul>
<li><em>O projeto Conexão de Saberes iniciou suas ações no Pará para focar em sustentabilidade, segurança alimentar e geração de renda nas regiões do Marajó e Sudeste Paraense.</em></li>
<li><em>A iniciativa,  uma parceria entre Embrapa e Vale S.A., faz parte da rede Juntos Contra a Pobreza, unindo os setores público e privado para atuar além da renda, englobando saúde, infraestrutura, alimentação e trabalho digno na agricultura familiar.</em></li>
<li><em>A primeira etapa da caravana ocorreu entre 3 e 5 de agosto de 2026 em Breves, onde a equipe realizou visitas técnicas e mapeou demandas nas comunidades São Pedro, Nossa Senhora Aparecida e no entorno do aterro sanitário.</em></li>
<li><em>A iniciativa abrange os municípios de Breves, Marabá, Canaã dos Carajás, Parauapebas, Curionópolis e Tucumã.</em></li>
<li><em>Em parceria com o Instituto Mondó, o projeto apoia a expansão do Sisteminha Embrapa em Breves, prevendo dez unidades até o final do ano para integrar piscicultura, galinheiro, composteira e horta.</em></li>
<li><em>Na cooperativa Cafar, o Sisteminha é gerido por mulheres da cozinha comunitária, garantindo alimentação local, autonomia e o abastecimento de marmitas solidárias para famílias vulneráveis.</em></li>
<li><em>A segunda fase da caravana está agendada para o período de 24 a 28 de agosto de 2026 no Sudeste Paraense, promovendo dias de campo e reuniões institucionais para formalizar novas parcerias locais.</em></li>
</ul>
<p>Focado em promover a sustentabilidade, a segurança alimentar e a geração de renda para a população local, o projeto &#8220;Conexão de Saberes&#8221; deu início às suas atividades no Pará. A primeira fase da caravana ocorreu no início de agosto de 2026 em Breves, no Marajó, e a iniciativa prevê desdobramentos em municípios do Sudeste Paraense, como Marabá, Canaã dos Carajás, Parauapebas, Curionópolis e Tucumã.</p>
<p>Integrado à rede &#8220;Juntos Contra a Pobreza&#8221;, o programa, uma parceria entre a Embrapa e a Vale S.A,  une forças do setor público e privado para atuar além da produção agrícola, contemplando pilares como saúde, infraestrutura e trabalho digno. Na prática, a proposta orienta os agricultores a aprimorarem a produção em seus próprios quintais, garantindo a subsistência familiar e a comercialização de excedentes.</p>
<blockquote><p>“Para além da renda, estamos olhando saúde, infraestrutura, alimentação, trabalho digno. Então, quando a gente se alia à Embrapa, buscamos trabalhar com o agricultor a melhoria na produção em seu próprio quintal, tanto para a alimentação da família quanto para a geração de renda futura”, afirmou Gabriella Thais Oliveira, analista de Responsabilidade Social da Vale.</p></blockquote>
<p>Durante a passagem por Breves, a equipe realizou visitas técnicas e dialogou com comunidades locais (como São Pedro, Nossa Senhora Aparecida e áreas no entorno do aterro municipal) para mapear demandas e planejar a instalação de unidades tecnológicas.</p>
<p>Uma das instituições que já confirmou participação no projeto é o Instituto Mondó, que atua na região há cerca de seis anos.</p>
<blockquote><p>“Atuamos em 17 municípios do Marajó, tendo Breves como o município polo. Nosso trabalho é pautado na perspectiva de desenvolvimento territorial, a partir de educação, saúde, renda e moradia, tanto na área urbana como rural. Ter a Embrapa nesse ecossistema de desenvolvimento territorial integrado, fortalece uma estratégia de protagonismo de atores locais”, afirmou Carolina Maciel, diretora executiva do instituto.</p></blockquote>
<p>O instituto instalou cinco unidades do Sisteminha Embrapa em comunidades de Breves e até o final do ano pretende instalar mais cinco, com o apoio da Vale. Uma das unidades fica na Cooperativa da Agricultura Familiar Agroextrativista Regional (CAFAR). No local os módulos de piscicultura, galinheiro, composteira e horta são conduzidos pelas mulheres da cozinha comunitária da cooperativa.</p>
<p>A agricultora Edna Barbosa Araújo, coordenadora da cozinha comunitária, explicou que a comunidade participou de capacitação sobre o Sisteminha e em 10 dias conseguiu implantar os módulos.</p>
<blockquote><p>&#8220;O Sisteminha começou a dar resultado positivo. A gente consegue servir os alimentos em eventos da cooperativa, como o que servimos para vocês hoje”, conta a agricultora.</p></blockquote>
<p>Um dos destaques do projeto é a implementação do &#8220;Sisteminha Embrapa&#8221; — estrutura que reúne módulos de piscicultura, galinheiro, composteira e horta. Na Cooperativa da Agricultura Familiar Agroextrativista Regional (CAFAR), por exemplo, a tecnologia é gerenciada por mulheres que lideram uma cozinha comunitária. A iniciativa tem garantido insumos para refeições locais e impulsionado ações solidárias de distribuição de alimentos a famílias em situação de vulnerabilidade.</p>
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		<title>Fumaça de queimadas deve ser tratada como ameaça à saúde pública, dizem especialistas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Silvana Mascagna]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 15 Sep 2026 14:50:29 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[MEIO AMBIENTE]]></category>
		<category><![CDATA[fumaça]]></category>
		<category><![CDATA[IPAM]]></category>
		<category><![CDATA[Marajó Sem Fumaça]]></category>
		<category><![CDATA[Observatório do Marajó]]></category>
		<category><![CDATA[Prevfogo]]></category>
		<category><![CDATA[PRINCIPAL]]></category>
		<category><![CDATA[queimadas]]></category>
		<category><![CDATA[Rede Ar]]></category>
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					<description><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/por-do-sol-fumaca-santarem-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" />Resumo Especialistas alertam que as partículas nocivas (PM2,5) emitidas por queimadas afetam desproporcionalmente populações vulneráveis na Amazônia — como crianças, idosos, indígenas e comunidades tradicionais —, provocando desde picos agudos até meses seguidos de exposição a um ar impróprio. Dados indicam que, durante o pico de queimadas em 2024, a fumaça cobriu partes da Amazônia [...]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<img width="150" height="150" src="https://www.paraterraboa.com/wp-content/uploads/2024/11/por-do-sol-fumaca-santarem-150x150.png" class="attachment-thumbnail size-thumbnail wp-post-image" alt="" decoding="async" /><p>Resumo</p>
<ul>
<li>Especialistas alertam que as partículas nocivas (PM2,5) emitidas por queimadas afetam desproporcionalmente populações vulneráveis na Amazônia — como crianças, idosos, indígenas e comunidades tradicionais —, provocando desde picos agudos até meses seguidos de exposição a um ar impróprio.</li>
<li>Dados indicam que, durante o pico de queimadas em 2024, a fumaça cobriu partes da Amazônia por até 138 dias, fazendo com que o ar em Terras Indígenas de Rondônia chegasse a ser cinco vezes mais poluído do que no centro de São Paulo.</li>
<li>A OMS associa o material particulado PM2,5 a 4,2 milhões de mortes anuais no mundo, além de doenças cardiovasculares e câncer de pulmão, destacando que os danos à saúde continuam mesmo após o fogo ser apagado, já que a fumaça se desloca por centenas de quilômetros.</li>
<li>A região conta com iniciativas comunitárias e tecnológicas de combate e monitoramento, como o Observatório do Marajó, que mobiliza lideranças em 17 municípios paraenses, e o projeto Marajó Sem Fumaça, que alia brigadas locais à inteligência artificial em Ponta de Pedras (PA).</li>
<li>O evento marcou o lançamento da Rede Ar, plataforma do Ipam com 91 sensores de baixo custo instalados em 13 estados que medem a qualidade do ar a cada dois minutos em cidades, escolas, áreas rurais e Unidades de Conservação.</li>
</ul>
<p>Os impactos dos materiais particulados presentes na fumaça liberada por queimadas e incêndios florestais devem ser tratados como um risco crescente para a saúde pública, segundo especialistas que participaram do seminário “Política, ciência e territórios no Manejo Integrado do Fogo no Brasil”.</p>
<p>O evento marcou o Dia Internacional do Ar Limpo e destacou pesquisas sobre gestão e impactos do fogo, monitoramento da qualidade do ar e os efeitos da poluição sobre a vida da população amazônica. Efeitos nocivos das partículas são sentidos sobretudo por crianças, idosos e povos e comunidades tradicionais da Amazônia.</p>
<blockquote><p>“Bebemos cerca de 2 litros de água por dia, mas respiramos mais de 10 mil litros de ar. Por isso é tão importante termos dados sobre o que respiramos. Em épocas de queimadas, comunidades indígenas são expostas a um ar muito pior do que nas principais cidades e avenidas do país. Essa exposição vai desde momentos agudos, com dias de ar muito ruim, até uma exposição contínua, com meses seguidos de ar impróprio para a saúde”, destacou Filipe Arruda, pesquisador do Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia).</p></blockquote>
<p>Em 2024, queimadas recordes fizeram com que grandes porções da Amazônia fossem cobertas por partículas nocivas à saúde por até 138 dias, de acordo com estudo do Ipam.</p>
<p>Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a exposição ao PM2,5, principal material particulado fino associado às queimadas, está relacionada a 4,2 milhões de mortes por ano no mundo, além de doenças cardiovasculares e câncer de pulmão.</p>
<p>Ao serem inaladas, essas partículas podem atravessar as paredes dos pulmões, entrar na corrente sanguínea e afetar todos os sistemas do corpo humano.</p>
<blockquote><p>“A fumaça não respeita fronteiras e pode afetar territórios a centenas de quilômetros de distância. Quando vemos um incêndio florestal, é natural que a primeira preocupação seja o controle do fogo, mas, na saúde, existe uma dimensão de exposição da população que se perpetua mesmo quando o fogo é extinto”, pontua Fábio David Reis, coordenador de Vigilância de Determinantes Ambientais em Saúde.</p></blockquote>
<p>Dessa forma, segundo Fábio, a atuação da vigilância em saúde nas políticas de fogo é essencial para compreender o impacto real das queimadas, além de permitir a implementação de práticas que levem em conta populações sensíveis e os riscos da exposição contínua à fumaça.</p>
<blockquote><p>“Precisamos entender quem está potencialmente exposto, quais partículas estão no ar e até quando essa contaminação pode durar. O desafio é fazer essas informações dialogarem”, completa.</p></blockquote>
<p>O evento foi realizado pelo Instituto Ar, pela startup brasileira umgrauemeio e pelo projeto  Marajó Sem Fumaça, com parceria do Ipam, IBAMA/Prev Fogo e do Integra Fogo. A iniciativa também conta com apoio do Clean Air Fund.</p>
<h3>Saúde de povos e comunidades tradicionais</h3>
<p>Durante períodos de queimadas intensas, como os registrados na Amazônia em 2024, áreas conservadas costumam registrar índices de poluição atmosférica elevados. De acordo com dados produzidos pelo Ipam e divulgados na newsletter Um Grau e Meio, em 2024, três terras indígenas de Rondônia tiveram um ar até cinco vezes mais nocivo do que o registrado na área mais poluída do centro de São Paulo.</p>
<blockquote><p>“Temos essa ideia de que as pessoas que estão em áreas conservadas têm ar puro, mas muitas vezes não é verdade, porque elas têm sofrido cada vez mais com a fumaça de incêndios florestais que passam despercebidos nas áreas urbanas”, explica Mariana Senra, assistente técnica do PrevFogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais).</p></blockquote>
<p>Para Thaianne Resende, diretora do Departamento de Qualidade do Ar do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, uma abordagem multissetorial sobre o fogo é essencial para medir adequadamente seus impactos em áreas fora dos centros urbanos e proteger a saúde dos povos e comunidades tradicionais.</p>
<blockquote><p>“Cuidar das pessoas é cuidar da qualidade do ar, do clima e dos ambientes. A discussão sobre o fogo não pode estar limitada ao combate. Precisamos compreender melhor os efeitos da exposição à fumaça para entender quais áreas são críticas e como podemos lidar melhor com essa ameaça oculta”, comenta.</p></blockquote>
<p>O evento destacou iniciativas comunitárias de monitoramento de queimadas e da qualidade do ar, como o Observatório do Marajó e o projeto Marajó Sem Fumaça.</p>
<p>Criado em 2023, o Observatório é uma ferramenta de monitoramento cidadão de calamidades climáticas na região. O modelo reúne indicadores próprios e mobiliza lideranças locais para a coleta de informações sobre a seca e o fogo durante os períodos de inverno e verão amazônico nos 17 municípios do Marajó, no Pará.</p>
<blockquote><p>“Buscamos sensibilizar o poder público por meio desses dados. Percebemos que os municípios da região não estão preparados nem estão agindo adequadamente para a mitigação e a adaptação às mudanças climáticas. Cada vez mais pessoas têm relatado problemas de saúde, como tosse, pressão baixa e dificuldade para respirar”, alerta Bianca Barbosa, gestora de projetos do Observatório do Marajó.</p></blockquote>
<p>Já o projeto Marajó Sem Fumaça combina uma brigada comunitária e tecnologia de inteligência artificial para detectar precocemente incêndios em Ponta de Pedras, município do Arquipélago do Marajó.</p>
<blockquote><p>“Implementamos um modelo que é capaz de reduzir o tempo de resposta e, consequentemente, as emissões e os impactos à saúde. Os alertas chegam em tempo real aos celulares dos brigadistas, que podem agir antes que o fogo se espalhe.”, afirma Patrícia Ferrini, coordenadora do projeto Marajó Sem Fumaça.</p></blockquote>
<h3>Rede Ar</h3>
<p>Além de debates, o seminário marcou o lançamento da Rede Ar, plataforma desenvolvida pelo Ipam que reúne dados de 91 sensores de qualidade do ar instalados em 13 Estados. O projeto fornecerá dados em tempo real sobre a concentração de material particulado na atmosfera, emitido principalmente por queimadas. As informações poderão apoiar políticas públicas de saúde e meio ambiente, além de servir como alerta para a população e os tomadores de decisão.</p>
<blockquote><p>“O fogo tem consequências diretas para a saúde, para a economia e para a qualidade de vida, mas ainda é difícil fazer esse monitoramento em tempo real. Essas consequências, no entanto, são sentidas de forma desproporcional pelos povos da floresta. Por isso, é importante ampliar nossa capacidade de monitoramento e previsão para outras áreas do país”, destaca Ane Alencar, diretora de Ciência do Ipam.</p></blockquote>
<h3>Mapas interativos</h3>
<p>Com sensores baseados em tecnologia nacional, mais baratos, adaptados à realidade amazônica e de fácil manutenção, o projeto pretende ampliar a quantidade e a diversidade dos pontos de coleta de dados de temperatura, pressão, umidade e partículas presentes no ar. Além das cidades, a plataforma fornece atualizações frequentes sobre unidades de conservação, áreas rurais e escolas.</p>
<blockquote><p>“É um sensor feito na Amazônia e para a Amazônia. Queríamos medir uma partícula que é 10 vezes menor do que a espessura de um fio de cabelo e esbarramos na falta de infraestrutura básica para expandir essa rede. Em conversa com as comunidades indígenas, conseguimos criar um protótipo que usa energia solar e uma rede de internet indígena. Agora é possível, a cada dois minutos, gerar dados confiáveis e em tempo real com sensores de baixo custo e dados abertos”, destaca Filipe Arruda, que coordena a plataforma.</p></blockquote>
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